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The Uses of Literacy: Hoggart e a cultura como expressão dos processos sociais Por Itania Maria Mota Gomes

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The Uses of Literacy: Hoggart e a cultura como expressão dos processos sociais Por Itania Maria Mota Gomes The Uses of Literacy. Aspects of working-class life with special reference to publications and entertainments, de Richard Hoggart, publicado em Londres em 1957, forma juntamente com Culture and Society: , de Raymond Williams (1958), e The Making of the English Working Class, de Edward Thompson (1963), os textos inauguradores dos Estudos Culturais ingleses. Nosso objetivo neste ensaio é proceder a uma crítica dessa obra fundadora. Ao explorar sua contigüidade a algumas correntes de investigação sobre a cultura e a comunicação de massa e ao mostrar suas rupturas com essa mesma tradição intentamos compreender, no embalo da atual redescoberta dos Estudos Culturais no Brasil, qual a contribuição dessa obra para o entendimento da cultura e da comunicação contemporâneas e, particularmente, para os estudos de recepção que eles têm abrigado. A dificuldade de acesso a essa obra hoje, no Brasil, justifica nosso procedimento de apresentar sua estrutura interna, detalha seus conteúdos básicos e só então explorar suas conseqüências. Richard Hoggart estrutura seu livro em duas partes. Na primeira, Uma velha ordem, ele pretende indicar o caráter múltiplo e infinitamente multifacetário da vida da classe operária. Nesse primeiro momento, dá-se ênfase a aspectos da oralidade, ao papel da família e da comunidade na configuração da cultura tradicional, investiga-se o modo como o concreto, o pessoal e o local, o presente e o imediato modelam essa cultura. Na segunda parte do livro, Cedendo lugar ao novo, Hoggart concentra-se nos aspectos mais lamentáveis das mudanças trazidas pela cultura de massa. Embora analise detidamente as publicações populares e o entretenimento, Hoggart acredita que seu diagnóstico poderá, com alguns ajustes, valer também para o cinema, a radiodifusão, a televisão e a publicidade. Nessa segunda parte do livro, a forma de abordar a relação entre meios e público não difere daquela que na maior parte das vezes configura a forma mais usual de investigação sobre os efeitos: da análise das publicações e entretenimento deduz-se o efeito que eles causam. Igualmente usual na tradição de investigação sobre os media, a preocupação de Hoggart também está na natureza da produção de massa concentração da produção, organização comercial em larga escala, o interesse do lucro e os efeitos dessa massificação sobre os consumidores, efeitos sobre a sexualidade, a violência, os hábitos de leitura, sobre os valores. A questão de fundo é que a cultura, agora, é um jogo de fazer dinheiro, um negócio, um comércio quase sempre enganador e fraudulento (cf.hoggart.1957:197) possibilitado pela produção industrial e pela tecnologia. Essa associação entre cultura e negócio traz como conseqüência o próprio processo de massificação ou, dito de outro modo, a mudança rumo a uma sociedade culturalmente sem classes (cf.ibidem:15;201;279). Hoggart, diferentemente de Raymond Williams,acreditava que em pelo menos um sentido a sociedade caminhava, naquele momento, em direção a um tipo mais medíocre de cultura sem classe ou...uma cultura sem rosto (Ibid.:280). E isso porque a indústria do entretenimento, para alcançar uma audiência maior, precisaria deixar de lado os limites de classe. A especial dedicação que a produção de massa tem para com a classe trabalhadora e a baixa classe média justifica-se apenas porque elas formam a maioria de seus potenciais consumidores nem que seja no simples sentido de que essas classes formam a maioria da população. Para Hoggart, então, a identificação entre cultura de massa e classe trabalhadora dá-se por uma relação de mercado: uma forma o público consumidor da outra. 1. Qualidades da Cultura Operária Hoggart descreve as mudanças na vida operária da Inglaterra do pós-guerra através de sua própria experiência pessoal: seus exemplos são freqüentemente garimpados na história de sua família ou dele próprio, quem viveu entre as milhares de casas amontoadas e enfumaçadas do distrito operário de Leeds; quem, aos 11 anos, passeava pelo bairro em direção ao centro comercial para comprar suas revistas semanais preferidas; ou, ainda, quem analisa muitos dos detalhes da leitura e de outros hábitos a partir dos seus próprios. No que pretende ser um simples diagnóstico sem aspirar possuir o caráter cientificamente testado dos levantamentos sociológicos, uma visão individual de algumas tendências da situação cultural baseada parcialmente na sua própria experiência pessoal e parcialmente no seu interesse como especialista, Hoggart se esforçará por ver além dos hábitos, o que eles significam; ver através dos relatos o que os relatos verdadeiramente querem dizer (o que pode ser o oposto dos relatos mesmos); detectar as diferentes pressões da emoção atrás das frases idiomáticas e das práticas rituais (Ibid.:18). A essência da vida e da cultura da classe trabalhadora é um certo sentido do pessoal, do concreto, do local (Ibid.:32,g.n.). É uma vida densa e concreta, uma vida cuja principal atenção é dada ao que é íntimo, sensório, detalhado e pessoal (Ibid.:88,g.n.). Essa essência é incorporada na idéia de família, na de comunidade, na fala, nas formas da cultura e nas atitudes tal como elas se expressam na vida cotidiana. Hoggart presta especial atenção às maneiras de falar, de vestir, de morar; a aspectos da experiência diária (tais como o hábito de comprar a crédito e pagar em pequenas prestações (cf. Ibid.:21); às superstições e aos mitos (cf.ibid.:29ss). O mundo concreto e local é o que pode ser compreendido, manuseado, é aquele no qual se pode confiar, e é a partir dele que se poderá compreender as relações da subcultura operária com as debilitantes forças externas (Ibid.:146) representadas pelas publicações e entretenimentos de massa. A importância que se dá ao concreto, ao pessoal, ao íntimo, ao local nas culturas populares justifica seu interesse pelas representações da vida cotidiana: essa gente é imensamente interessada em gente: eles têm a fascinação do romancista pelo comportamento individual, pelos relacionamentos (Ibid.:89). Hoggart chama a atenção para o fato de que a indústria do entretenimento é extremamente habilidosa em usar isso a seu favor: a ênfase que dá aos aspectos da vida cotidiana - por exemplo, quando seus seriados refletem diariamente os pormenores da vida comum - é uma estratégia de captura de audiência. A cultura de maior apelo entre a classe trabalhadora será sempre aquela que apresentar como seu pressuposto a compreensão de que a vida humana já é fascinante em si mesma (Ibid.:100). O alimento básico dos seriados populares não é alguma coisa que sugira uma fuga da vida comum; antes é o que assume que a vida comum é intrinsecamente interessante. Daí porque, menos que uma fuga da rotina diária, essas produções culturais devem ser, reiteradamente, uma apresentação do que já é essencialmente conhecido. [São] programas comuns realmente despretensiosos, freqüentemente compostos... de uma série de itens ligados apenas pelo fato de que todos eles ocupam-se da vida comum da gente comum... eles simplesmente apresentam o povo ao povo e são apreciados por isso... Se (um programa) é realmente despretensioso e comum, ele será interessante e popular (Ibid.:101,g.n.). 2. A mudança social Os efeitos, em The Uses of Literacy, são compreendidos em termos de mudanças sociais. E, sendo assim, eles são apenas um aspecto de uma interação de fatores culturais, sociais, políticos, econômicos. Concentrar-se nos prováveis efeitos de certos desenvolvimentos nas publicações e entretenimento é, claro, isolar apenas um segmento dentre um vasta e complicada interação de mudanças sociais, políticas e econômicas. Tudo está contribuindo para alterar atitudes... (Ibid.:141). Além disso, o processo de mudança social é lento: não podemos pensar num corte abrupto entre o mundo antes da cultura de massa e o mundo depois dele. As mudanças nas atitudes se processam de modo muito lento através de muitos aspectos da vida social. Elas são incorporadas nas atitudes existentes e freqüentemente parecem, à primeira vista, formas renovadas daquelas velhas atitudes (Ibid.:142). Como decorrência dos processos de massificação, Hoggart, de modo similar a vários investigadores do período, eventualmente se preocupa com os problemas da degradação do gosto, da apelação sexual, da incitação à violência, do sensacionalismo, e mesmo se preocupa com o fato de que a imprensa popular...é uma das maiores forças conservadoras na vida pública hoje em dia: sua natureza requer que ela promova o conservadorismo e a conformidade (Ibid.:196). Mas não são esses os efeitos que detêm sua atenção. O interesse de Hoggart coloca-se precipuamente sobre a mudança nos hábitos de leitura e sobre a reinterpretação de valores básicos da cultura ocidental burguesa, tais como liberdade, igualdade e progresso Os hábitos de leitura Em relação à leitura, o problema é que ao avanço no sistema de ensino, à diminuição do analfabetismo na Inglaterra e à maior facilidade de acesso às publicações não corresponde uma melhoria da qualidade da leitura. Hoggart faz logo a ressalva de que não é possível dar uma resposta estatística à análise da qualidade da leitura já que a questão envolve distinções de valor. Segundo Hoggart, há um grande incremento no consumo das publicações voltadas para o entretenimento e esse consumo não deve ser lastimado. O problema é que em alguma medida o tamanho do incremento parece haver sido decidido nem tanto pela necessidade de satisfazer apetites anteriormente insatisfeitos, mas pela forte persuasão daqueles que fornecem o entretenimento (Ibid.:270). É o esforço da indústria do entretenimento por alcançar vendas cada vez maiores que dita as regras da oferta e não os interesses do público ou mesmo do sistema educacional, com todas as conseqüências lamentáveis desse processo. A objeção é de que ao incremento da capacidade de leitura não corresponde um incremento na sua qualidade. Ao contrário, a centralização da produção, a preocupação com os lucros e o crescimento do número de leitores implicam que as pessoas sejam forçosamente mantidas num espantoso baixo nível em suas leituras. Mas o critério de qualidade de Hoggart é surpreendentemente diferenciado dos critérios de qualidade da cultura erudita e vincula-se às características que ele identificou na cultura popular. Para Richard Hoggart, a ausência de qualidade das publicações populares pode ser evidenciada não pelo fato de que elas não conseguem, por exemplo, chegar ao mesmo nível intelectual que The Times; mas pelo fato de que elas (assim como tudo o mais a que servem de exemplo: os programas televisivos, o cinema popular e muito do rádio comercial) não conseguem apelar verdadeiramente ao concreto, ao local, ao pessoal. Desejar que a maioria da população algum dia venha a ler The Times é esperar que a natureza humana seja essencialmente diferente, e isso é cair num esnobismo intelectual. A habilidade para ler os semanários respeitáveis não é condição sine qua non de um vida digna... A objeção mais forte aos entretenimentos populares mais banais não é que eles impedem seus leitores de se tornarem intelectuais, mas que eles dificultam que as pessoas sem inclinação intelectual tornem-se inteligentes à sua própria maneira (Ibid:276) Liberdade, Igualdade e Progresso Ao investigar o processo de mudança cultural favorecido pelos modernos meios de comunicação, a questão que preocupa Hoggart é a da mudança dos antigos valores. Ele analisa particularmente o modo como valores próprios da cultura da classe trabalhadora, como a tolerância, o sentimento de grupo, a atenção ao presente, vinculam-se aos conceitos de liberdade, igualdade e progresso no modo como eles são reinterpretados pela cultura de massa. Que relações podem existir entre a antiga tolerância e as formas contemporâneas da idéia de liberdade, entre o antigo sentimento de grupo e o moderno igualitarismo democrático e entre (paradoxalmente, como parece ser à primeira vista) o velho sentimento da necessidade de viver no presente e o novo progressivismo? De que modo a tolerância contribui para as atividades dos novos entretenimentos?... Pode a idéia de aproveitar o tempo enquanto se pode porque a vida é dura abrir caminho ao hedonismo de massa? Pode o sentimento de grupo transformar-se num conformismo arrogante e desonesto?... (Ibid.:142). Na análise que faz das publicações e do entretenimento de massa, Hoggart verifica que há um forte apelo a essas idéias de liberdade, igualdade e progresso, que são tão caras ao mundo burguês, mas que particularmente alimentam o patrimônio cultural da classe trabalhadora. O apelo a essas idéias é uma estratégia da cultura de massa para manter a audiência receptiva a suas abordagens (cf.ibid.:144). Esse apelo não se faz, entretanto, sem que essas idéias passem por um processo de modelagem com fins de se tornarem mais adequadas aos propósitos da cultura industrial. Hoggart analisa a leitura que esses conceitos de liberdade, igualdade e progresso recebem no seio da cultura operária tradicional; analisa o tratamento que esses conceitos recebem nos diversos produtos de massa; e chega à conclusão de que a maioria dos entretenimentos de massa tende a uma visão de mundo na qual o progresso é concebido como uma busca da possessão material, igualdade como nivelamento moral e liberdade como o fundamento do prazer infinitamente irresponsável (Ibid.:277). Assim, o conceito de progresso, por exemplo, mantém-se como uma noção inegavelmente válida para a classe trabalhadora em função dos benefícios e serviços que a sociedade tecnológica possibilita, porque a ausência desses benefícios e serviços tornaria muito difícil viver uma vida digna (cf.ibid.:143). As novidades tecnológicas facilitam o dia-a-dia, liberando tempo livre para o lazer. Nesse sentido, progresso combina com as idéias de viver no presente e curtir a vida (cf.ibid:157ss). No processo de reinterpretação engendrado pelos meios de massa, entretanto, o progresso se transforma em progressivismo, ou seja, assume uma forma de materialismo: incentiva-se não a busca por melhores benefícios e serviços simplesmente, mas a ganância, o consumismo, o desejo de por as mãos nos produtos cintilantes da sociedade tecnológica (Ibid.:143). O progressivismo oferece uma infinita perspectiva de divertimento, na medida em que a tecnologia cada vez mais serve à indústria do entretenimento fácil. Semelhante processo ocorre à idéia de liberdade. No modo como tem sido transmitida à classe trabalhadora através da cultura de massa, ela apresenta-se como uma justificação. É sempre liberdade de, nunca liberdade para; liberdade como um benefício em si mesmo (Ibid.:147). No interesse do entretenimento de massa, o apelo é feito pelo recurso a uma noção de liberdade individual quase ilimitada, pelo recurso a uma crença de que todas as velhas sanções foram finalmente removidas. Nesse sentido, liberdade eqüivale a permissão para prover tudo que melhore as vendas (Ibid.:198). Pela mesma peneira deformadora e simplificante (Ibid.:144) pela qual a cultura de massa passa todas as grandes idéias, igualdade assume o caráter de igualitarismo. Esse bisonho igualitarismo democrático é o próprio fundamento da massificação; ele garante que a produção massificada seja, de fato, bem aceita pelas camadas populares e garante a tendência de se comprar as mesmas marcas de tênis, assistir os mesmos programas, ler os mesmos jornais e revistas. Esse igualitarismo apoia-se fortemente no sentimento de grupo próprio da cultura da classe trabalhadora: o sentimento de grupo, que se traduz no fato de que todos gostamos de sentir que estamos indo aonde todo mundo vai, tem sido usado em prol da mudança social e da persuasão de massa....há algo acolhedor no sentimento de que você está com alguém mais. Ouvi pessoas darem, como razão para ouvir um popular programa de rádio, não o fato de que ele diverte, mas de que ele lhe dá algo sobre o que conversar depois com as pessoas no trabalho (Ibid.:156). A discussão sobre o igualitarismo traz uma das passagens mais contraditórias de The uses of Literacy. Segundo Hoggart, a tendência ao igualitarismo coopera para a emergência de um agrupamento cultural quase tão amplo quanto a soma de todos os outros grupos, daí sua compreensão de que caminhamos rumo a uma sociedade culturalmente sem classe. Mas tal agrupamento tão amplo seria um grupo apenas no sentido de que seus membros compartilhavam uma passividade... Os olhos registrariam mas não conectariam aos nervos, ao coração ou ao cérebro (Ibid.:157). O sentimento de grupo é o responsável pelo prazer que os consumidores dos produtos culturais de massa possam eventualmente tirar do seu consumo. Segundo Hoggart, o prazer advém não das possibilidades contidas no objeto de consumo em si, mas do sentimento de prazer proporcionado pelo fato de que todos desfrutamos os mesmos romances, as mesmas publicações ilustradas, os mesmos programas de rádio, os mesmos hits musicais. O prazer é decorrência da partilha. Hoggart fala em passividade dos receptores ao mesmo tempo em que discute o prazer de consumir os produtos de massa. O prazer será considerado para os Estudos Culturais dos anos 80 e 90 como a evidência de um consumo ativo por parte dos receptores. Para Hoggart, entretanto, o prazer do consumo não impedia a passividade dos consumidores diante dos produtos da imprensa, da televisão, do cinema, não impedia a aceitação passiva do que lhe era imposto pela indústria do entretenimento. 3. Contigüidades... Cada uma das partes do livro de Hoggart foi escrita com a linguagem e as inquietações do seu tempo e, analisadas isoladamente, quase nada as afastaria do pensamento canônico sobre a cultura de massa. A inquietação básica é aquela já nossa velha conhecida dos primórdios dos estudos de comunicação: que estamos caminhando rumo à criação de uma cultura de massa; que os resquícios do que era, pelo menos em parte, uma cultura urbana do povo estão sendo destruídos; e que a nova cultura de massa é, em alguns aspectos importantes, menos sadia do que a freqüentemente tosca cultura que ela está substituindo (Ibid.:23-4). Exceto, talvez, o uso de um método mais requintado de análise oriundo dos estudos literários associado a observações de caráter etnográfico, quase não há o que diferencie o diagnóstico elaborado por Hoggart da produção intelectual própria da investigação em comunicação dos anos 40 e 50; quase nada há que o afaste do generalizado tom de queixa e preocupação com os efeitos da associação entre cultura, tecnologia e produção em larga escala. Mesmo a linguagem é aquela, dos efeitos, das atitudes, da massificação. Analisado nesses termos, The Uses of Literacy faria parte, tranqüilamente, do leque de obras que analisam as produções da cultura de massa e se assustam com o que nelas encontram. Há, de fato, alguma aproximação entre The Uses of Literacy e algumas correntes de investigação sobre os media. Marcadamente, Hoggart realiza um diagnóstico muito afim ao da Escola de Frankfurt, mais especificamente ao pensamento de Horkheimer e Adorno na fase posterior à Dialética do Esclarecimento. Em outros aspectos, no entanto, Hoggart parece ligar-se às investigações do período dos efeitos limitados, especialmente às investigações de Lazarsfeld sobre os grupos de referência, ao uso do conceito de subcultura e à aposta nos métodos de investigação etnográficos. A compreensão socialista da cultura é talvez o aspecto que melhor justifique a proximidade, sobretudo na segunda parte do livro, entre The Uses of Literacy e essa outra corrente de investigação crítica da cultura, elaborada por pesquisadores ligados a Frankfurt - e isso apesar de não se poder classificar Richard Hoggart como um intelectual marxista: ele não era, e nunca tinha sido, um marxista (SPARKS. 1996: 72). Hoggart não formou sua visão da cultura operária com referência ao Partido Comunista Inglês que formou outros intelect
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