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Um Estudo de Caso Sobre o Ensino Do Design No Brasil - a ESDI

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Um estudo de caso sobre o ensino do Design no Brasil: A Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) A case study on the teaching of Design in Brazil: The School of Industrial Design (ESDI) Hatadani, Paula da Silva; Mestranda; Universidade Estadual Paulista paulahatadani@yahoo.com.br Andrade, Raquel Rabelo; Mestranda; Universidade Estadual Paulista raquelandrade@utfpr.edu.br Silva, José Carlos Plácido da; Livre-docente ; Universidade Estadual Paulista placido@faac.unesp.br Resumo Este artigo o
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  Um estudo de caso sobre o ensino do Design no Brasil:A Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI)   A case study on the teaching of Design in Brazil: The School of Industrial Design (ESDI) Hatadani, Paula da Silva; Mestranda; Universidade Estadual Paulistapaulahatadani@yahoo.com.br Andrade, Raquel Rabelo; Mestranda; Universidade Estadual Paulistaraquelandrade@utfpr.edu.br Silva, José Carlos Plácido da; Livre-docente ; Universidade Estadual Paulistaplacido@faac.unesp.br  Resumo Este artigo objetiva apresentar o contexto do surgimento da ESDI e a sua estrutura pedagógicadesde a sua criação. Para tanto foi realizada uma pesquisa de natureza bibliográfica acerca dassuas srcens históricas, dos principais acontecimentos que antecederam a sua criação, do seusurgimento e de sua atuação nos dias de hoje. Palavras Chave: Design, Ensino do Design no Brasil, ESDI. Abstract This article presents the context of the emergence of the ESDI and its pedagogical structuresince its inception until the present day. Thus, we performed a bibliographic search about their historical srcins, major events that preceded its creation, his appearance and his performance today.  Keywords:  Design, teaching of design in Brazil, ESDI   Um estudo de caso sobre o ensino do Design no Brasil:A Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI)9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design 1 Introdução Historicamente percebe-se que as transformações ocorridas na atividade de projeto deprodutos decorrem, em geral, de transformações na estrutura econômica da sociedade em queestão inseridas.Especificamente no Brasil, o design tem como seu marco histórico a criação da ESDI(Escola Superior de Desenho Industrial), no Estado da Guanabara, no ano de 1962, cujasraízes remontam ao design europeu, especialmente ao design alemão, com destaque para aBauhaus e na Escola de Ulm.A criação da ESDI pode ser vista como decorrência de uma série de fatores políticos,econômicos e sociais, porém, de forma simplificada, está diretamente ligada à ideologianacional-desenvolvimentista dos anos 1950, época inserida em um universo de crençasmodernistas. Contudo, de acordo com Niemeyer (2000), neste período a grande maioria dosindustriais brasileiros nem mesmo sabia o que era design, apesar de haver, entretanto, aconcepção da importância do ensino do design, pois era evidente a necessidade de gerar mãode obra qualificada para suprir a demanda de projetos de produtos e de comunicação visualadvinda do crescimento econômico e industrial.A fim de aprofundar as questões até aqui apresentadas em relação à ESDI, este estudotem como objetivo principal analisar a sua criação e as suas contribuições para o ensino dodesign no Brasil, realizando, para tanto, uma revisão bibliográfica acerca das suas srcenshistóricas, dos principais acontecimentos que antecederam a sua criação, e da sua atuação nosdias de hoje. 2 Origens históricas da ESDI No final do século XIX, ao mesmo tempo em que acontecia o desenvolvimento daindústria, iniciavam-se também os primeiros debates sobre o novo mundo industrial. Foi naInglaterra – berço da industrialização – que aconteceram os primeiros questionamentos emovimentos de oposição ao processo industrial. O primeiro desses movimentos, o Arts andCrafts, surgiu em Londres e foi liderado principalmente por John Ruskin e Willian Morris(MORAES, 2008).O Arts and Crafts reuniu teóricos e artistas, numa busca por recuperar a dimensãoestética dos objetos produzidos industrialmente para uso cotidiano. O movimento pregava ofim da distinção entre o artesão e o artista, e pretendia imprimir em móveis e objetos o traçodeste novo profissional.O passo seguinte a este movimento foi o surgimento de uma série de manifestações,conhecidas como o movimento Art Nouveau. O Art Nouveau herdou do movimento Arts andCrafts o conceito de unidade e harmonia entre as diferentes tarefas artísticas e artesanais, alémda formulação de novos valores estéticos. Caracterizou-se também pela busca de novos signospara serem aplicados no mobiliário, em equipamentos domésticos e comerciais, naarquitetura, na ilustração e especialmente em itens industrializados, que passaram a receberum tratamento formal mais cuidado. De maneira geral e sintetizada, pode-se dizer que omovimento Art Nouveau objetivava a articulação entre arte e indústria, função e forma,utilidade e ornamento. Visava integrar arte, lógica industrial e sociedade de massas, porém,sempre questionando alguns princípios básicos da produção em série, como por exemplo, oemprego de materiais baratos e o design inferior. Como indicam a arquitetura, o mobiliário,os objetos e ilustrações realizados por profissionais deste movimento, o estilo visavareposicionar a importância da beleza, colocando-a ao alcance de todos (NIEMEYER, 2000).A principal questão abordada pelos dois movimentos já apresentados, ou seja, aassociação entre arte, artesanato e indústria, está no coração da experiência alemã da Bauhaus.A Bauhaus foi uma escola de de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda, fundada  Um estudo de caso sobre o ensino do Design no Brasil: A Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI)9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design em 1919, em Weimar, por Walter Gropius, que possuía o objetivo de “[…] restabelecer aharmonia entre as diferentes atividades de arte, entre todas as disciplinas artesanais eartísticas, e torná-las inteiramente solidárias de uma concepção de construir” (GROPIUS apudGULLAR, 1998, p.200). O curso da Bauhaus, com duração de três anos e seis meses,consistia em uma reforma total do ensino artístico e de uma recolocação do problema da artenos termos exigidos pela civilização industrial. A proposta pedagógica da escola era a uniãoentre arte e indústria, estética e vida cotidiana, modernidade e funcionalidade, fazendo uso daarquitetura como objeto de integração. Com isso, os estudantes aprenderiam as habilidadesbásicas de cada ofício, familiarizando-se com materiais e métodos de fabricação econsequentemente aproximando-se da indústria.Apesar de apenas 14 anos de existência, a escola entrou para a história ao transformarpara sempre as relações do homem com a arte e com os produtos industrializados, formandoprofissionais capazes de empreender uma verdadeira mudança social por meio da arte.Logo depois da 2ª Grande Guerra Mundial, surgiu na Alemanha a necessidade dereerguer a identidade nacional. Como consequência, houve uma retomada do interesse pelaEscola Bauhaus, que serviu como carro chefe para o surgimento da  Hochschule fur Gestaltung (Escola Superior da Forma), mais conhecida como “A Escola de Ulm”.A Escola de Ulm pretendia ser uma continuação da Bauhaus, mas não uma cópia exatadela. Ao ser fundada, seu programa pedagógico dividia-se em três seções: Informação,Desenho visual e Arquitetura e Urbanismo. Concomitantemente com o conhecimentoadquirido nestas disciplinas, o aluno recebia noções gerais de Sociologia, Economia, Política,História Geral e História da Arte. Objetivava-se, desta forma, que o aluno tivesse uma visãoda profissão atrelada aos problemas da vida. A instrução começava com um ensino básico quetinha a duração de um ano. Ao final dele, o estudante poderia ser aceito em uma das seções. Oobjetivo, desta forma, era “proporcionar uma ampla educação mediante o trabalho em grupo eem estreito contato com os profissionais; o estudo e a prática se complementam e são ummodelo para uma reforma da instrução” (GOMRINGER, apud GULLAR, 1998, p.218).Ulm projetou uma face essencialmente tecnicista, baseada na racionalização como fatorfator determinante para as soluções de design. “Abstração formal, uma ênfase em pesquisaergonômica, métodos analíticos quantitativos, modelos matemáticos de projeto e uma aberturapor princípio para o avanço científico e tecnológico marcam o design ulmiano produzido nadécada de 60” (CARDOSO, 2004, p. 168). 3 Contexto histórico da criação da ESDI O período denominado “Anos Dourados” compreende, na história do Brasil, a década de50, e tal denominação pode ser justificada pelo grande crescimento econômico e industrialque ocorrereu naquela época. O termo é quase sempre relacionado ao governo de JuscelinoKubitschek, que se comprometeu a trazer o desenvolvimento de forma absoluta para o Brasil,realizando 50 anos de progresso em apenas cinco de governo, o famoso “50 anos em 5”.Nos anos de presidência de Juscelino (1956 a 1961), havia no país a chamada “euforiado desenvolvimento”: o Brasil respirava industrialização, cultura e progresso econômico.Havia na população uma avidez por consumo, derivada da acumulação de capital e peloaumento do poder aquisitivo da classe média. De acordo com Niemeyer (2000), porém, abaixa qualidade dos produtos nacionais não atendia às novas exigências da população.Neste período, apesar do desconhecimento dos industriais brasileiros sobre o Design,um segmento da elite paulista vislumbrou a necessidade da formação de profissionais com aqualificação adequada para suprir a demanda de projetos de produtos e de comunicaçãovisual, decorrente da atividade econômica crescente e da indústria nacional nascente(NIEMEYER, 2000).  Um estudo de caso sobre o ensino do Design no Brasil:A Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI)9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design 4 O ensino do design no brasil: os primórdios da ESDI4.1 O Instituto de Arte Contemporânea (IAC) Em 1951 foi criado, por meio do MASP (Museu de Arte de São Paulo), o IAC (Institutode Arte Contemporânea). Este Instituto pode ser considerado a semente do ensino do designno Brasil, pois seu objetivo era preparar profissionais para atuar na emergente indústrianacional. Segundo o folheto de divulgação do IAC, a escola visava formar jovens que sededicassem à arte industrial e mostrassem capacidade de desenhar objetos cujas formascorrespondessem ao progresso e à mentalidade do momento (ITAU, 2006).Esta instituição dava acesso a informações, metodologia e treinamento do processocriativo no design. Neste sentido, entende-se que foi de fundamental importância para oesclarecimento e difusão do papel do design no processo cultural e industrial brasileiro,revelando uma profissão que possibilitava uma nova visão da participação social do artista,fomentada por uma formação educacional adequada.Nomes como Alexandre Wollner, Antônio Maluf, Aparício Basílio da Silva, CarlosGalvão Krebs, entre outros, foram os primeiros alunos a assistirem as aulas no IAC, quecontava com reconhecidos professores como Gatone Novelli, Leopold Haar, Flavio Motta,Roberto Sambonet e Max Bill. Este último chegou a levar alguns alunos (Mary Vieira, AlmirMavigner e Alexandre Wollner) para estudarem na Escola de Ulm, entre 1954 e 1958. Vieirae Mavigner se radicaram na Europa, enquanto Wollner instalou-se profissionalmente em SãoPaulo, onde foi sócio de Karl Heinz Bergmiller no Forminform, o primeiro escritóriobrasileiro de design.Além dos cursos regulares, o instituto oferecia palestras e oficinas temporárias comprofessores e artistas visitantes. Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi esforçavam-se no sentidode manter o nível elevado de formação de seus estudantes, e para tanto, traziam conteúdoscomo a história e a influência da moderna arquitetura e design internacional. Desta forma,tinham o intuito de auxiliar no desenvolvimento de uma consciência formal e uma capacidadeintuitiva nos processos de criação de seus alunos. Ambos negavam a quase que exclusivainfluência do modelo francês nas escolas oficiais brasileiras de Arquitetura e Belas Artes(DIAS, 2004).A falta de recursos financeiros acabou levando à desativação do instituto, após seuterceiro ano de atividade, em 1953. Apesar de sua breve atuação, a importância da escola dedesign do Masp está no fato de ter implantado conteúdos e procedimentos didáticos queantecipam a introdução de disciplinas de desenho industrial na Faculdade de Arquitetura eUrbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, em 1962, e também na fundação daEscola Superior de Desenho Industrial - Esdi, no Rio de Janeiro, em 1963 (NIEMEYER,2000). 4.2 A inclusão do design na FAU- USP Em 1962, o design foi incluído no curso da FAU-USP (Faculdade de arquitetura eurbanismo da Universidade de São Paulo). A proposta desta faculdade defendia que caberiaaos arquitetos a solução de problemas de design. Esta proposta foi, entretanto, umaexperiência singular, ou seja, não foi seguida por outros cursos de arquitetura do país. Noplanejamento do curso seriam destinadas ao Desenho Industrial o total de quatro horassemanais, em cada um dos quatro anos do curso.Infelizmente, “o corporativismo e a supremacia numérica dos arquitetos não permitiuque aqueles efetivamente ligados ao design chegassem à direção da instituição e fosse dadamaior ênfase à sequência Desenho Industrial” (NIEMEYER, 2000, p.68). A carga horária

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Aug 21, 2017
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