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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ GABRIELA GUIMARÃES O DOUBLE CODING E A IRONIA INTERTEXTUAL EM THE UNCOMMON READER, DE ALAN BENNETT

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ GABRIELA GUIMARÃES O DOUBLE CODING E A IRONIA INTERTEXTUAL EM THE UNCOMMON READER, DE ALAN BENNETT CURITIBA 2009 GABRIELA GUIMARÃES O DOUBLE CODING E A IRONIA INTERTEXTUAL
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ GABRIELA GUIMARÃES O DOUBLE CODING E A IRONIA INTERTEXTUAL EM THE UNCOMMON READER, DE ALAN BENNETT CURITIBA 2009 GABRIELA GUIMARÃES O DOUBLE CODING E A IRONIA INTERTEXTUAL EM THE UNCOMMON READER, DE ALAN BENNETT Monografia apresentada à disciplina Orientação Monográfica II como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Letras, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná. Orientadora: Profª. Drª. Liana de Camargo Leão. CURITIBA 2009 You do not put yourself into what you write, you find yourself there Alan Bennett. RESUMO Alan Bennett é um dos mais importantes nomes da dramaturgia britânica contemporânea. Escreve desde 1960 para o teatro, a televisão, o rádio e o cinema. Apesar de suas quase cinco décadas de produção literária ininterrupta o autor teve apenas um de seus livros publicados no Brasil: a novela The Uncommon Reader, traduzida para o português em 2008 como Uma real leitora, objeto de estudo desta monografia. O presente trabalho considera a referida obra como uma fábula satírica contemporânea, um conto de fadas, e analisa o uso do double coding e da ironia intertextual como recursos utilizados pelo autor para criar o seu leitor-modelo, conduzindo-o pelo texto de modo que ele possa extrair o máximo de sua significação. Para isso, examino os conceitos preconizados pelo crítico italiano Umberto Eco. Em The Uncommon Reader, o próprio título apresenta ao leitor um jogo de palavras, ao mesmo tempo um double coding e uma ironia intertextual, em virtude da óbvia referência à obra The Common Reader, da aclamada escritora britânica Virginia Woolf. Além da referência ao título, outro aspecto que mereceu atenção nesta pesquisa foi o incentivo que Woolf devota à noção de educação sentimental, e como esta é realizada através da leitura em The Uncommon Reader. Palavras-chave: Alan Bennett. Uma real leitora. Double coding. Ironia intertextual. Virginia Woolf. ABSTRACT Alan Bennett is one of the most renowned representatives of the contemporary British drama. Since 1960, he has gotten involved in producing written materials for television, radio and movies. Despite his uninterrupted literary career of 50 years, he has had only one of his works published in Brazil: the novel The Uncommon Reader, translated into Portuguese in 2008 with the title Uma real leitora, the object of this study. The present research views the novel as a contemporary satirical fable, a fairy tale in reverse, and analyses the use of double coding and intertextual irony as resources employed by Bennett to create his model reader, thus leading him through the text so that its meaning can be maximized. In this regard, I discuss the concepts created by the Italian literary critic Umberto Eco. In The Uncommon Reader, the title itself represents a pun, simultaneously comprising a double coding and an intertextual irony, due to its reference to The Common Reader, by the acclaimed British writer Virginia Woolf. Besides the title, another object of research was the incentive offered by Wolf to sentimental education, a concept so well depicted in The Uncommon Reader. Key-words: Alan Bennett. The Uncommon Reader. Double coding. Intertextual irony. Virginia Woolf. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO THE UNCOMMON WRITER: A TRAJETÓRIA DE UM ESCRITOR INCOMUM UMA REAL LEITORA: UM CONTO-DE-FADAS CONTEMPORÂNEO DOUBLE CODING E A IRONIA INTERTEXTUAL: O LEITOR DE THE UNCOMMON READER VIRGINIA WOOLF E O LEITOR COMUM A EDUCAÇÃO SENTIMENTAL DE FLAUBERT E O APRENDIZADO ATRAVÉS DA LEITURA CONCLUSÃO...38 REFERÊNCIAS...40 7 1 INTRODUÇÃO Alan Bennett é um autor profícuo. Escreve desde 1960, quando, ao lado de Dudley Moore, Jonathan Miller e Peter Cook, criou e atuou na aclamada peça Beyond the Fringe, apresentada no Festival de Edimburgo, na Escócia. Desde então, já são quase cinco décadas de produção literária ininterrupta. Escreveu para a televisão, teatro, rádio e cinema. Entre suas maiores obras estão Forty Years On (1968), Talking Heads e Talking Heads 2 (1987 e 1998, respectivamente), The Lady in the Van (1990), The Madness of George III (1991) e sua adaptação para o cinema The Madness of King George (1994), The History Boys (2004) e Untold Stories (2005). No entanto, a despeito desta vasta produção e de ser um autor respeitado pela crítica, Bennett teve apenas um de seus livros traduzidos no Brasil: a novela The Uncommon Reader, publicada em 2007 na Inglaterra, e traduzida para o português em 2009 como Uma Real Leitora. E é justamente esta obra o objeto de estudo desta monografia. 1 Num primeiro momento, abordarei alguns aspectos da vida e obra de Bennett, procurando expor e delimitar as características fundamentais de sua produção artística, o que se justifica exatamente por se tratar de um autor praticamente desconhecido no Brasil. Ao apontar tais características, pode-se situar de modo mais preciso a posição ocupada por The Uncommon Reader no conjunto de sua obra. Em seguida, passarei a examinar a intertextualidade existente entre The Uncommon Reader e a coletânea de ensaios de Virginia Woolf intitulada The Common Reader, publicada em dois volumes entre 1925 e 1932, através da qual ela 1 Nesta pesquisa, trabalharei com o título original, em inglês. 8 promove a educação sentimental e enaltece o leitor comum, aqui entendido como aquele que lê por mero prazer, em oposição ao acadêmico ou ao crítico literário. Finalmente, considerarei The Uncommon Reader também a partir da noção de educação sentimental, preconizada pelo escritor francês Gustave Flaubert em seu romance homônimo publicado em 1870, já que a obra de Bennett trata do poder transformador dos livros sob a perspectiva de uma educação sentimental realizada através da leitura. 9 2 THE UNCOMMON WRITER: A TRAJETÓRIA DE UM ESCRITOR INCOMUM Nascido em 9 de maio de 1934 em Leeds, West Yorkshire, Inglaterra, Alan Bennett é autor, diretor, ator, dramaturgo e humorista. Filho de um açougueiro, Bennett nasceu em uma família de classe operária. Estudou na Leeds Modern School entre 1946 e No período em que serviu ao exército britânico, aprendeu russo na Joint Services School for Linguists, e mais tarde, em 1951, foi convidado a estudar no Sidney Sussex College, em Cambridge. Na ocasião, entretanto, Bennett estava decidido a inscrever-se na Universidade de Oxford. Ele foi aceito e ganhou uma bolsa de estudos para o Exeter College, onde obteve o grau de bacharel em História em Permaneceu na Universidade de Oxford até 1962, onde lecionou História Medieval, até decidir que a carreira acadêmica não era o que desejava. Entre 1954 e 1957, período em que estudou em Oxford, Bennett participou do The Oxford Revue, grupo de comédia composto por alunos da universidade fundado no início da década de 50 2, que formou atores talentosos como Dudley Moore, Rowan Atkinson, Ken Loach e Richard Curtis, entre outros. Em agosto de 1960, o Festival de Edimburgo, na Escócia, revelou ao mundo quatro homens notáveis: além do próprio Bennett, Dudley Moore, Jonathan Miller e Peter Cook foram alçados à fama com a estréia da peça Beyond the Fringe, uma 2 A data de fundação do The Oxford Revue é incerta. De acordo com o site oficial, o relato mais preciso sobre o assunto ainda hoje é o do diretor Michael Palin, que descreve como o seu cunhado e outros cavalheiros loucos [crazy gentlemen] fundaram o Grupo de Teatro de Oxford como uma forma de arrecadar fundos para apresentações em Edimburgo no início da década de 50. (...) the founding of the Revue in around 1952/3 is shrouded in mistery. The most accurate account of it to date is probably that of Michael Palin, former Revue director, who describes how his brotherin-law and 'another mad gentlemen' started the Oxford Theatre Group as a source of funding for Edimburgh shows in the early 1950's. From this, 'he helped found an offshot group, the Oxford Revue Group, to take a revue up to the Edimburgh Fringe'. 10 série de sátiras e quadros musicais que abordava temas e eventos cotidianos. A obra, cuja autoria era dos próprios atores, foi um enorme sucesso justamente por ser capaz de representar efetivamente as opiniões e frustrações de toda uma geração de cidadãos britânicos (a primeira que cresceu após a Segunda Guerra Mundial), dando voz ao sentimento generalizado de perda da identidade nacional que tomava conta do país após a queda do Império Britânico. Por seu desempenho inovador, que abalou os antigos conceitos de comédia, os quatro atores receberam, em 1963, o Tony Award. 3 Muito embora fosse considerado como o tímido entre os quatro artistas, foi a obra de Bennett que, talvez por apresentar maior diversidade, alcançou reconhecimento mais amplo. A primeira peça de autoria solo de Bennett a ser produzida é Forty Years On, em O enredo gira em torno da peça que os alunos da Albion House, uma escola pública britânica, apresentam aos seus pais. Esta peça dentro de uma peça documenta o declínio do Império Britânico e representa a perda da inocência de toda uma geração de jovens ingleses em virtude das profundas transformações ocorridas em sua nação após o término da Primeira Grande Guerra, em A maneira ao mesmo tempo incisiva e piedosa com que Bennett explora os vícios e vulnerabilidades de seus personagens marcaram um sem número de trabalhos por ele produzidos nas décadas de 70 e 80 para a televisão, para o teatro e para o rádio. Ele também escreveu inúmeros contos, novelas e obras em prosa, sem deixar de atuar como ator em diversas oportunidades (anexo 1). Mas foi em 1987 que Bennett escreveu aquela que se tornaria uma de suas mais conhecidas e 3 Em 2005 foi lançado o DVD de Beyond the Fringe, consolidando definitivamente a importância do espetáculo na história do teatro inglês. A gravação do espetáculo, feita em uma das últimas apresentações da peça em 1964, é reconhecidamente de baixa qualidade, mas ainda assim tratase de um precioso registro da inovação que a partir de então acometeu a comédia britânica. 11 populares obras: a série Talking Heads, especialmente produzida para a rede britânica BBC. Ao lado de Talking Heads 2, sequência produzida em 1998 em decorrência do grande sucesso de público e de crítica de sua predecessora, as séries são compostas por um conjunto de doze monólogos, onde Bennett consegue emprestar, sem qualquer condescendência, dignidade às vidas de suas personagens, gente comum, sem poder, influência ou dinheiro. Habitantes de uma pequena cidade, as personagens conferem à história um tom essencialmente provinciano, através do qual Bennett revela brilhantemente os segredos escondidos por trás das cortinas dos lares, onde predominam a negação, o declínio e a ignorância de toda uma comunidade. Através da ironia e das vozes vivas e reais de suas personagens, Bennett aborda temas tão sérios e perturbadores quanto fraudes, homicídios, pedofilia, incesto, alcoolismo e doenças mentais. Em cada um destes monólogos torna-se flagrante a sua obsessão com a vida cotidiana e com temas corriqueiros que compõem a essência da natureza humana. 4 Se, por um lado, Talking Heads e Talking Heads 2 abordam o universo provinciano, por outro, Bennett pôde explorar no teatro temas essencialmente urbanos. Em The Lady in the Van, de 1990, história adaptada de sua autobiografia, ele conta seu encontro e convivência com Miss Shepherd, uma senhora de idade que, sem ter onde morar, vivia em uma van que estacionava na rua onde o autor morava, próximo à sua casa. Bennett, ainda na década de 60, sensibilizado com a história de Miss S., como era chamada, permitiu que ela estacionasse a van na entrada de sua garagem por alguns dias, garantindo-lhe um pouco de paz e segurança. Miss S. permanece estacionada no jardim de Bennett por quase 25 anos, e os 4 Os textos que originaram Talking Heads e Talking Heads 2 foram reunidos em um livro publicado em 2003 pela editora Picador. As séries também foram lançadas em VHS e DVD. 12 dois estabelecem uma relação ao mesmo tempo próxima e distante: próxima fisicamente, mas distante pelo zelo com que ambos preservam suas respectivas individualidades. Os dois formam uma dupla pouco comum, e sua complexa relação contém aspectos comoventes. Ao mesmo tempo em que Bennett sentia certa compaixão por Miss Shepherd, defendendo-a em diversas ocasiões de bêbados e adolescentes que costumavam importuná-la 5, seu lado escritor antecipa que ela poderá algum dia se transformar em ótimo material ficcional. Miss S. ali viveu até a sua morte, em Alguns anos depois, Bennett escreve The Lady in the Van como relato autobiográfico e ficcional. Mais tarde, transforma a obra em peça de teatro. No posfácio escrito para a edição publicada em 1994, Bennett revela que a ideia de criar uma peça que contasse a história daquela controversa senhora surgiu a partir de diversos registros de seus diários sobre essa longa convivência. O autor garante que as passagens reveladas ao público eram, em sua essência, reais. A peça estréia em 2000 e traz três personagens principais: Miss Shepherd, interpretada pela atriz inglesa Maggie Smith; um Alan Bennett jovem, interpretado por Nicholas Farrell, que participa ativamente da história; e um Alan Bennett mais velho, interpretado por Kevin McNally, que narra a história. Os dois Alan Bennett, entretanto, não estão em esferas distintas do tempo: eles interagem, conversam, discordam e até mesmo ajudam um ao outro a narrar a história. The History Boys, peça dirigida por Nicholas Hytner e estreada em 2004 no Royal National Theatre, em Londres, é ambientada em uma escola do Norte da Inglaterra. Conta a história de um diretor obcecado com notas e resultados, de um 5 These attacks, I m sure, disturbed my peace more than they did hers ; to find such sadism and intolerance so close at hand begun actively to depress me, and having to be on the alert for every senseless attack made it impossible to work. 13 professor que não tem qualquer respeito pelos métodos propostos pelo seu diretor, e de um grupo de jovens meninos que buscam uma vaga na universidade. O objetivo da educação e os métodos de ensino e de aprendizagem são alguns dos temas da peça, que aborda também outros assuntos importantes, como o crescimento, a homossexualidade e a rivalidade profissional entre professores. Bennett já chegou a declarar que a obra é, em parte, baseada na sua própria experiência como aluno de um curso preparatório para entrada na Universidade de Oxford e também no fato de que ele nunca teve um professor brilhante, capaz de inspirá-lo ou guiá-lo, como é o caso do professor Hector. A peça, muito bem recebida pela crítica, ganhou prestigiosos prêmios, como seis Tony Awards, incluindo o de melhor peça, e três Laurence Olivier Awards, incluindo o de Bennett, por sua contribuição ao teatro britânico. Diante de tamanho sucesso, Bennett escreveu sua adaptação para o cinema, optando por manter o elenco e a direção da produção original. O filme de The History Boys estreou no Reino Unido em 13 de outubro de 2006, igualmente alcançando sucesso de público e de crítica, e foi recentemente lançado em DVD no Brasil com o título Fazendo História. Em 1994, Bennett adaptou sua peça The Madness of George III (1991) para o cinema, alterando o título de seu roteiro para The Madness of King George (lançado no Brasil como As Loucuras do Rei George). A obra oferece ao público uma brilhante humanização do rei George III da Grã-Bretanha, responsável pela perda das colônias americanas, mostrando a incapacidade da corte em lidar com a crescente e debilitante loucura do rei. Sobre a peça, foi observado que Bennett consegue mesclar de forma excepcional o seu conhecimento sobre as peças de Shakespeare, especialmente King Lear, com um estudo minucioso da política do 14 século XVIII e o tratamento dispensado aos doentes mentais. O resultado é a criação de um personagem extremamente bem-construído, por quem o público sente enorme compaixão. O rei é um homem inocente e, acima de tudo, um marido e pai amoroso que não está preparado para lidar com a complexa sociedade inglesa de seu tempo. O filme, assim como a peça, foi extremamente bem-sucedido e recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo a de melhor roteiro adaptado. (STERNLICHT, 2004, p. 179). Na década de 1990, ainda, Bennett escreveu três novelas intituladas Father! Father! Burning Bright!, The Clothes They Stood Up In e The Laying on of Hands, que foram publicadas em um único volume chamado Three Stories, e que comprovaram, mais uma vez, o talento do autor para a observação e para narrar os eventos mais cotidianos. Como veremos a seguir, tal qual The Uncommon Reader brinca com o título da coletânea de ensaios de Virginia Woolf, Father! Father! Burning Bright! faz alusão ao título do mais famoso poema de William Blake, The Tyger (Tyger! Tyger! burning bright). Em 1994, Bennett publica Writing Home, uma coletânea de diários, ensaios, críticas e memórias, onde revela uma necessidade crescente de resguardar a sua privacidade. Ainda assim, Mark Lawson, jornalista, apresentador e autor inglês, muito bem asseverou o paradoxo maior de seu caráter: uma das contradições de Alan Bennett é que ele é um autor naturalmente autobiográfico ao mesmo tempo em que é um homem reservado 6. Nesse sentido, é possível afirmar que a publicação, em 2005, de Untold Stories, também uma coletânea de textos autobiográficos e críticos, revelou esta 6 one of [Bennett s] contradictions is that he s a naturally autobiographical writer and a private man. Mark Lawson, em entrevista concedida à Front Row, Radio Four, em 4 de outubro de 2005. 15 faceta de Bennett que Writing Home começa a desvendar já na década de 90. Profunda, emocional e ao mesmo tempo irônica, a obra narra abertamente segredos de sua família, como a doença mental que acometeu sua mãe e vários outros familiares, e aborda ainda temas controversos como o suicídio de seu avô e, pela primeira vez, a homossexualidade do autor. Por tê-la escrito após ser diagnosticado com câncer no intestino e ter recebido de seus médicos o desanimador prognóstico de seis meses de vida, Bennett acreditava que a obra seria publicada postumamente. Em 2007, Bennett publica The Uncommon Reader. A narrativa curta proporciona uma leitura leve e divertida: relata como a rainha da Inglaterra se apaixona pela leitura, para desespero de seus súditos, e as derradeiras conseqüências que este hábito impõe à vida da monarca. A novela confirma muitas das características presentes na obra anterior de Bennett: assim como em The Madness of George III, The Uncommon Reader traz como protagonista um monarca, o que indica o interesse, ainda que com olhar bastante crítico, que a monarquia inglesa exerce sobre o autor. Enquanto na peça Bennett aproxima a figura em alguns momentos risível de George III à de um herói trágico, em The Uncommon Reader, ainda que a princípio o autor pretenda fazer uma sátira da Rainha Elizabeth, ela termina a sua jornada literária como uma personagem humanizada. Adiante, a novela será analisada em maior detalhe. Por fim, em 5 de novembro de 2009, estréia no National Lyttelton Theatre, em Londres, a peça mais recente de Bennett: The Habit of Art. A obra relata o encontro ficcional entre o compositor e maestro inglês Benjamin Britten, e o poeta W. H. Auden. Dirigida por Nicholas Hytner, a peça conta ainda com as brilhantes atuações de Sir Michael Gambon e de Alex Jennings. 16 Alan Bennett vive a mais de trinta anos em Gloucester Crescent, Camden Town, em Londres, com Rupert Thomas, seu parceiro há quatorze anos. Em outubro de 2008, Bennett anunciou a doação de todo o seu arquivo pessoal, que inclui seus livros, diários e manuscritos não publicados, para a Bodleian Library, afirmando que esta foi a maneira que ele encontrou de expressar sua gratidão à Inglaterra, que lhe proporcionou oportunidades que ele não teria tido de outra forma, considerando que ele vem de uma família de classe operária: I was educated free right from the start. I was educated free in Leeds where I went to a state school, and then I got a scholar
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