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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS DE CURITIBA DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL CURSO DE TECNOLOGIA EM DESIGN GRÁFICO

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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS DE CURITIBA DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL CURSO DE TECNOLOGIA EM DESIGN GRÁFICO THAMIA YUMI KUADA (431028) RAQS EL SHARQI - A DANÇA DO VENTRE
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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS DE CURITIBA DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL CURSO DE TECNOLOGIA EM DESIGN GRÁFICO THAMIA YUMI KUADA (431028) RAQS EL SHARQI - A DANÇA DO VENTRE COMO ARTE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO CURITIBA 2013 UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS DE CURITIBA DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL CURSO DE TECNOLOGIA EM DESIGN GRÁFICO THAMIA YUMI KUADA (431028) RAQS EL SHARQI - A DANÇA DO VENTRE COMO ARTE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito à disciplina de Trabalho de Diplomação, do curso superior de Tecnologia em Design Gráfico do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Orientador: Prof. Msc. Ivone Terezinha de Castro CURITIBA 2013 PR UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Ministério da Educação Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Curitiba Diretoria de Graduação e Educação Profissional Departamento Acadêmico de Desenho Industrial TERMO DE APROVAÇÃO TRABALHO DE DIPLOMAÇÃO N Raqs el Sharqi A dança do ventre como arte por Thamia Yumi Kuada Trabalho de Diplomação apresentado no dia 10 de fevereiro de 2014, como requisito parcial para a obtenção do título de TECNÓLOGO EM DESIGN GRÁFICO, do Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico, do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. O aluno foi arguido pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo, que após deliberação, consideraram o trabalho aprovado. Banca Examinadora: Prof(a). Msc. Daniela Fernanda Ferreira da Silva DADIN - UTFPR Prof(a). Msc. Silmara Simone Takazaki Egg DADIN - UTFPR Prof(a). Msc. Ivone Terezinha de Castro Orientador(a) DADIN UTFPR Prof(a). Msc. Josiane Lazaroto Riva Professor Responsável pela Disciplina de TD DADIN UTFPR A Folha de Aprovação assinada encontra-se na Coordenação do Curso. AGRADECIMENTOS Finalizar uma etapa importante da vida é fundamental para o crescimento pessoal de cada um. Em cada uma das linhas e pesquisas feitas para a conclusão desse trabalho, todo o apoio que recebi foi de fundamental importância. Cada palavra de apoio, cada incentivo recebido, cada bronca e cada crítica recebida fizeram com que eu conseguisse chegar até aqui, sem desistir no meio do caminho. Agradeço primeiramente aos meus pais, que me trouxeram ao mundo e sempre estiveram ao meu lado, em todos os momentos, sempre me apoiando e fazendo com que eu jamais desistisse dos meus sonhos, enxugando as minhas lágrimas quando preciso e me ensinando que o caminho da persistência é mais forte do que a vontade de desistir. Agradeço à professora Msc. Ivone Terezinha de Castro pela orientação dessa pesquisa e pelos momentos de aprendizado, e principalmente por toda a paciência que teve ao me orientar, e aproveito a oportunidade para pedir eventuais desculpas pelas minhas faltas e erros cometidos durante esse período de orientação. Agradeço à todos os docentes do departamento de Desenho Industrial da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, por todo o conhecimento repassado e pela dedicação ao curso e ao ensino. Agradeço às lindas bailarinas que tiveram a disponibilidade para posarem como modelos para a concepção do trabalho, Cintia Cavichiolo, Eliza Diamante, Luana Dias, Meiriely Cardoso dos Santos, Natascha Eggers e Susan Yamamoto Zanetti, pois sem as modelos as fotos jamais seriam feitas. Por fim, agradeço ao meu melhor amigo, melhor namorado, melhor professor de fotografia e melhor companheiro, Felipe de Moura Vieira, que me ajudou a estudar fotografia, a criar os conceitos das fotos, que esteve presente em todos os momentos desde o início do processo e sempre me incentivou para poder finalizar esse projeto. RESUMO Kuada, Thamia Yumi. Raqs el Sharqi A dança do ventre como arte f. Trabalho de Conclusão de Curso. Tecnologia em Design Gráfico. Curitiba, O trabalho consiste na pesquisa e disseminação da dança do ventre como uma forma de arte, na pesquisa fotográfica para a captura de imagens e na pesquisa metodológica para o desenvolvimento do projeto gráfico de um livro fotográfico. Inicia-se com a pesquisa histórica a respeito da provável origem da dança do ventre, discutindo algumas teorias acerca do assunto. Palavras-chave: Dança do Ventre, Fotografia, Livro Fotográfico, Projeto Gráfico, Metodologia. ABSTRACT Kuada, Thamia Yumi. Raqs el Sharqi The belly dance as art f. Trabalho de Conclusão de Curso. Tecnologia em Design Gráfico. Curitiba, The work consists on research and dissemination of belly dance as an form of art, on a photography resarch for the capture of the images and on the methodological research for the development of the graphic project for a photobook. It begins with historical research about the likely origin of belly dancing, discussing some theories on the subject. Keywords: Belly dance, Photography, Photographic Book, Graphic Project, Methodology. LISTA DE FIGURAS E TABELAS Figura 1 Bailarina utilizando o Véu Leque Figura 2 - Bailarina equilibrando a espada...11 Figura 3 Snjus Figura 4 - Bailarina usando véu de seda...13 Figura 5 - Punhal...14 Figura 6 Bailarina usando vestido baladi Figura 7 - Bailarina usando as taças...16 figura 8 - Bailarinas dançando com a cesta de flores...16 Figura 9 - Bailarina com candelabro...17 Figura 10 - Bailarina dançando khaleege...18 Figura 11 - Bailarina utilizando traje para said...19 Figura 12 - Roda de dabke...20 Figura 13 - Bailarina com traje de Meleah Laff...21 Figura 14 - Bailarinas dançando com jarro...22 Figura 15 Bailarina de Dança do Ventre Figura 16 Bailarina de Dança do Ventre Figura 17 Bailarina de Dança do Ventre Figura 18 Bailarina de Dança do Ventre Figura 19 Bailarina de Dança do Ventre Figura 20 Bailarina de Dança do Ventre Figura 21 Bailarinas em espetáculo no palco Figura 22 Bailarina em espetáculo no palco Figura 23 Bailarina em espetáculo no palco Figura 24 Capas de livros de dança Figura 25 Capas de livros de fotografia Figura 26 Exemplos de miolos de livros Figura 27 Rafes do Projeto Figura 28 Captura de imagem para projeto Figura 29 Captura de imagem para projeto Figura 30 Mancha Gráfica Inicial Figura 31 Mancha Gráfica Alternativa... 46 Figura 32 Geração de Alternativa número Figura 33 Geração de Alternativa número Figura 34 Geração de Alternativa número Figura 35 Interior do Livro Figura 36 Interior do Livro Figura 37 Interior do Livro Figura 38 Interior do Livro Figura 39 Interior do Livro Figura 40 Geração de Capa número Figura 41 Geração de Capa número Figura 42 Geração de Capa número Figura 43 Aproveitamento de papel Figura 44 Fonte Adobe Caslon Pro Bold Figura 45 Fonte Arabian One Night... 55 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO HISTÓRIA DA DANÇA DO VENTRE EVOLUÇÃO HISTÓRICA EVOLUÇÃO TÉCNICA MODALIDADES VÉU LEQUE (FAN VEIL) ESPADA SNUJS VÉU DE SEDA PUNHAL PANDEIRO TAÇAS FLORES CANDELABRO DANÇAS FOLCLÓRICAS KHALEEGE SAID DABKE MELEAH LAFF JARRO IMIGRAÇÃO ÁRABE DANÇA DO VENTRE NO BRASIL DANÇA DO VENTRE EM CURITIBA LIVRO PESQUISA FOTOGRÁFICA - ANÁLISE TÉCNICA PROJETO FOTOGRÁFICO METODOLOGIA CRONOGRAMA DE CAPTURA DE IMAGENS PROJETO GRÁFICO - LIVRO METODOLOGIA PESQUISA - LIVROS SIMILARES CAPA MIOLO CONTEÚDO DETALHAMENTO TÉCNICO GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS TIPOGRAFIA CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS GLOSSÁRIO ANEXOS... 62 3 1 INTRODUÇÃO A dança do ventre é uma arte. Em cada um dos detalhes, do figurino devidamente escolhido à interpretação da música apresentada, cada detalhe faz parte de uma cultura e tem um pouco de história. Brilhos, acessórios, sorrisos, cada elemento compõe uma figura de beleza e arte, cada detalhe faz a diferença no conjunto da obra. O trabalho começa tentando buscar um pouco da origem da dança do ventre, com suas raízes na era neolítica e em rituais dedicados à Deusa, em celebração à fertilidade feminina. Como a quantidade de registros escritos sobre a origem da dança é escassa, são várias as especulações e prováveis origens, descritas no capítulo 1. A evolução dos movimentos utilizados na dança, nas formas de interpretação da música pela bailarina, nos figurinos utilizados e nos acessórios é vista de forma bem clara ao buscar referências de bailarinas de antigamente e bailarinas atuais. A dança passou a ter um caráter de apresentação e entretenimento, não apenas o lado cultural das regiões do Oriente, e foi absorvendo aos poucos alguns elementos de outras culturas. Novos acessórios passaram a ser utilizados durante apresentações, o próprio número de lugares que dispunham de apresentações de dança do ventre cresceram e tiveram maior destaque. Essa evolução da dança, as modalidades e folclores estão descritos no capítulo 2. Além de entender um pouco do que é a dança e suas modalidades, evoluções técnicas e históricas, faz-se necessário entender um pouco da imigração árabe, descrita no capítulo 3. Os árabes vieram para o Brasil em meados do século XIX, ganhando destaque no século XX. O início da dança do ventre no Brasil está relacionado com essa imigração, motivo pelo qual é recente. Toda pesquisa feita sobre a provável origem, a evolução ao longo dos anos, a imigração árabe e sua história no Brasil é base para o projeto principal, um livro fotográfico com informações sobre o que é a dança do ventre. O detalhamento técnico, a editoração, a pesquisa de imagens semelhantes, a captura das fotografias para o projeto final, a diagramação e escolha de fontes e detalhes gráficos do livro também estão descritos de forma específica nos capítulos 4 e 5. 4 Depois de toda pesquisa e dedicação ao projeto final, o capítulo 6 fecha o trabalho de forma a considerar todos os pontos do trabalho em si, nomeando as dificuldades e satisfações para terminar todo o projeto. 5 2 HISTÓRIA DA DANÇA DO VENTRE A dança do ventre é uma dança praticada originalmente em diversas regiões do Oriente Médio e da Ásia Oriental. Segundo BENCARDINI (2002), o nome original é Raqs el Sharqi, cujo significado em árabe é Dança do Leste. Posteriormente este nome foi traduzido pelos franceses como Danse du Ventre e pelos norte-americanos como Belly Dance. A origem é controversa; pesquisadores da dança como BENCARDINI (2002), LEITE (2002), dentre outros, consideram comum atribuir a origem da dança à rituais de fertilidade no Egito, embora alguns estudos de egiptologia pesquisados, como o artigo de COELHO (2013), afirmem que não há registros desta modalidade de dança nos papiros - as danças egípcias possuíam natureza acrobática. É possível que alguns dos movimentos, como as ondulações abdominais, já fossem conhecidos no Antigo Egito, com o objetivo de ensinar às mulheres os movimentos de contração do parto. Com o tempo, foi incorporada ao folclore árabe durante a invasão moura no país, na Idade Média. Não há, contudo, registros em abundância da evolução na Antiguidade. Por possuir elementos corporais e sensuais femininos, acredita-se que sua origem seja ligada ao Período Matriarcal, desde o Neolítico, cujos movimentos revelam sensualidade, sendo sua forma primitiva considerada um ritual sagrado. A origem está relacionada aos cultos primitivos da Deusa Mãe, Grande Deusa ou Mãe Cósmica: provavelmente por este motivo, os homens eram excluídos do cerimonial. As mais antigas noções de criação se originavam da ideia básica do nascimento, que consistia na única origem possível das coisas e esta condição prévia do caos primordial foi extraída diretamente da teoria arcaica de que o útero cheio de sangue era capaz de criar magicamente a prole. Acreditava-se que a partir do sangue divino do útero e através de um movimento, dança ou ritmo cardíaco, que agitasse este sangue, surgissem os frutos , a própria maternidade. Essa é uma das razões pelas quais as danças das mulheres primitivas eram repletas em movimentos pélvicos e abdominais. As manifestações primitivas, cujos movimentos eram bem diferentes dos atualmente executados, tiveram passagem pelo Antigo Egito, Babilônia, Mesopotâmia, Índia, Pérsia e Grécia, tendo como objetivo através dos ritos religiosos o preparo de mulheres para se tornarem mães. 6 Apesar de falar sobre o provável surgimento da dança do ventre, a maioria dos artigos e livros concorda que as informações são escassas e duvidosas sobre o assunto: Não há evidências concretas para fechar a questão sobre quando e onde esta dança começou e as mudanças pelas quais passou. Esta dança faz parte de uma tradição cultural, transmitida por gerações, e não documentada (LEITE, 2002, p. 27). Há dúvidas sobre o surgimento da dança, hoje conhecida pelo nome de dança do ventre, com vestígios deixados no Egito, Mesopotâmia, Grécia e em tantas outras regiões do mundo (SABONGI e SABONGI, 2000, p. 1). LEITE (2002) encontra explicação para este fato: Um dos motivos é que até pouco tempo uma tradição cultural dificilmente era considerada tema de estudo dentro da universidade. Por isso, o pouco número de estudos sobre a dança e a falta de evidências sobre suas origens. Mesmo que algum pesquisador se dedicasse a precisar tais origens se depararia com uma tradição difusa, pertencente e imiscuída na cultura de vários países e povos em diferentes atempos da história da humanidade. Foi dançada no Oriente Médio, norte da África, seus movimentos têm relações com as danças indianas e também com o flamenco espanhol (p. 28). Devido a esta escassez, não há, por exemplo, registros escritos sobre a origem da dança do ventre, há apenas hipóteses sobre sua provável origem. Aos poucos, porém, novos artigos e livros estão surgindo como base para uma pesquisa teórica sobre essa dança, suas características, benefícios e até mesmo formas de ensinar. 2.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA Tendo sido influenciada por diversos grupos étnicos do Oriente, a dança do ventre absorveu os regionalismos locais, que lhe atribuíam interpretações com significados variados. Surgiam desta forma, elementos etnográficos bastante característicos, como nomes diferenciados, geralmente associados à região geográfica em que se encontrava; trajes e acessórios adaptados; regras sobre 7 celebrações e casamentos; elementos musicais criados especialmente para a nova forma; movimentos básicos que modificaram a postura corporal e variações da dança: a chamada Dança Folclórica Árabe. De acordo com as pesquisas de LEITE (2002), a dança começou a adquirir o formato atual a partir de maio de 1798, com a invasão de Napoleão Bonaparte ao Egito, quando recebeu a alcunha Danse du Ventre pelos orientalistas que acompanhavam Napoleão. Porém, durante a ocupação francesa no Cairo, muitas dançarinas fugiram para o Ocidente. Conforme as manifestações políticas e religiosas de cada época, a dança era reprimida ou cultuada: o Islamismo, o Cristianismo e conquistadores como Napoleão Bonaparte reprimiram a expressão artística da dança por ser considerada provocante e impura. Neste período, os franceses encontraram duas castas de dançarinas. As Awalim (plural de Almeh), poetizas, instrumentistas, compositoras e cantoras, cortesãs de luxo da elite dominante, e que fugiram do Cairo assim que os estrangeiros chegaram; e as Ghawazee (plural de Ghazeya), dançarinas populares, ciganas - descendentes dos grupos de ciganos dumi (ou nawar) e helebi (os mais comuns no Egito e na região do Levante), que passavam o tempo entretendo os soldados. As Ghawazee descobriram nos estrangeiros clientes em potencial e foram proibidas de se aproximarem das barracas do exército. No entanto, a maioria não respeitava as novas normas estabelecidas e, como consequência, quatrocentas Ghawazee foram decapitadas e as cabeças foram lançadas ao Nilo. A história dá um salto, e em 1834, o governador Mohamed Ali proíbe as performances femininas no Cairo, por pressões religiosas. Em 1866, a proibição é suspensa e as Ghawazee retornam ao Cairo, pagando taxas ao governo pelas performances. No início da ocupação britânica em 1882, clubes noturnos com teatros, restaurantes e music halls, já ofereciam os mais diversos tipos de entretenimento. O cinema egípcio começa a ser rodado em 1920, e usa o cenário dos clubes noturnos, com cenas da música e da dança regional. Hollywood passa a exercer grande influência na fantasia ocidental sobre o Oriente, modificando os costumes das dançarinas árabes. Surgem bailarinas consagradas, nomes como Nadia Gamal e Taheya Karioca, entre muitos outros ainda hoje estudados pelas praticantes da Dança Oriental. Criam-se bailarinas para serem estrelas, com estudos sobre dança, ritmos árabes e teatralidade. 8 Nas duas primeiras décadas do século XX, a dança era a arte que mais influenciava as demais artes, segundo LEITE (2002). A percepção oriental sobre o mundo árabe influenciou diversos elementos presentes na moda, teatro, artes visuais e decoração. Conforme as dançarinas do oriente iam em busca de trabalho como dançarinas - na Europa ou na América, acabavam incorporando elementos de outras danças à, então, dança do ventre, assim como na música. Essa mescla com outros elementos mudou um pouco o contexto cultural da dança do ventre, passando a ser uma arte comercial no ocidente, fazendo com que essa dança adentrasse no mundo dos cabarés também (BUONAVENTURA, 2010, p. 20). No Brasil a dança foi difundida pela mestra síria Shahrazad e mestra Saamira Samia. Na década de 1990, a dança do ventre teve o maior impulso durante a exibição da novela O Clone, pela Rede Globo de Televisão, produção a qual tinha por tema as peripécias de uma muçulmana marroquina em terras brasileiras. A Dança do Ventre, por não ter sido, em origem, uma dança moldada para o palco, não apresenta regulações quanto ao aprendizado. Os critérios de profissionalismo são subjetivos, tanto no ocidente quanto nos países árabes, embora já comecem a ser discutidos no Brasil. 2.2 EVOLUÇÃO TÉCNICA Os movimentos são marcados pelas ondulações abdominais, de quadril e tronco isoladas ou combinadas, ondulações de braços e mãos, tremidos (shimmies) e batidas de quadril, entre outros. Segundo a pesquisadora norte-americana Morroco, as ondulações abdominais consistem na imitação das contrações do parto: tribos do interior do Marrocos realizam ainda hoje, rituais de nascimento, em que as mulheres se reúnem em torno da parturiente com as mãos unidas, e cantando, realizam as ondulações abdominais a fim de estimular e apoiar a futura mãe a ter um parto saudável, sendo que a futura mãe fica de pé, e realiza também os movimentos das ondulações com a coluna. Estas mulheres são assim treinadas desde pequenas, através de danças muito semelhantes à Dança do Ventre. Ao longo dos anos a dança sofreu modificações diversas, com a inclusão dos movimentos do ballet clássico russo em Em seus estudos, Morocco afirma que a Dança do Ventre tem sua origem diretamente ligada à fertilidade e à maternidade. Em um artigo escrito baseado nas 9 informações obtidas pela pesquisadora com a bailarina Farab Firdoz, Morocco diz que os movimentos como tremidos, ondulações abdominais, e outros realizados em alguns solos de chão, foram inspirados nos movimentos de labor e nascimento, que eram parte de uma cerimônia religiosa, de milhares de anos atrás; mas, com o advento do monoteísmo e dos vários estilos de restrições religiosas, deixou de ser religiosa e passou a ser secular, tanto como entretenimento ou como um ritual terapêutico. Em áreas remotas do oriente, que ainda não foram contaminadas pelas ideias ocidentais, todas as mulheres se reuniriam em torno de uma parturiente realizando certos tipos de movimentos, com o propósito de hipnotizá-la encorajandoa a fazer o mesmo, a fim de facilitar o nascimento e reduzir a dor das contrações, e lembrar umas às outras de que compartilham o mesmo destino e experiências como mulheres. (MORROCO, 1974). Aos poucos, os estilos de dança foram sendo definidos, segundo os estudos de Morroco, de acordo com o que cada região apresentava e dava destaque. LEITE (2002) define estilos de dança: Norte-americana: manifestações mais intensas de quadril, deslocamentos amplamente elaborados, movimentos do Jazz, utilização de véus em profusão, movimentos de mã
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