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001 - A questão do método em psicologia do trabalho.doc

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1 A QUESTÃO DO MÉTODO EM PSICOLOGIA DO TRABALHO LIMA, Maria Elizabeth Antunes. A questão do método em Psicologia do Trabalho. In: GOULART, Iris Barbosa (org.) Psicologia organizacional e do trabalho: teoria, pesquisa e temas correlatos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. p. 123-132. Não há estrada principal para a ciência e só aqueles que não temem a fadiga da galgar suas escar
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  A QUESTÃO DO MÉTODO EM PSICOLOGIA DO TRABALHOLIMA, Maria Elizabeth Antne! . A questão do método em Psicologia do Trabalho. In: GOULART Iris!arbosa org.# Psicologia organi$acional e do trabalho: teoria %esquisa e temas correlatos. &ão Paulo:'asa do Psic(logo )**). %. +),-+,). Não há estrada principal para a ciência e só aqueles que não temem a fadiga dagalgar suas escarpas abruptas é que têm a chance de chegar aos seus cimosluminosos. (K. Marx  !refácio #egunda $di%ão &rancesa de  O 'a%ital  ' Intr #$% o meio acad/mico é am%lamente di0ulgada a idéia da e1ist/ncia e da necessidade# deum método %re0iamente concebido a 2im de orientar e de certa 2orma condu$ir nossasin0estiga34es e diagn(sticos dos %roblemas além de %autar nossa %r5tica %ro2issional.este artigo %retendemos %roblemati$ar essa questão e se decidimos 2a$/-lo em umes%a3o necessariamente limitado 2oi %orque a %rem/ncia do tema sobretudo %elos seusim%actos decisi0os na realidade nos im%6s tal tare2a.o nosso entender o te(rico que conseguiu a0an3ar mais nessa questão 2oi 7. 'hasin. Antes de mais nada ele de2ine método como uma ... arruma3ão o%erati0a a priori   da sub8eti0idade consubstanciada %or umcon8unto normati0o de %rocedimentos ditos cient92icos com os quais oin0estigador de0e le0ar a cabo o seu trabalho... m seguida acrescentaque todo método %ressu%4e um 2undamento gnosiol(gico ou se8a umateoria aut6noma das 2aculdades humanas %reliminarmente a %ossibilidadedo conhecimento ou então se en0ol0e e tem %or com%reensão um modusoperandi   uni0ersal da racionalidade. ';A&I +<<=#.  A%(s %ro%or essa de2ini3ão o autor desen0ol0eu uma cr9tica ao tratamento geralmentedado > questão do método ou se8a a essa tentati0a de 2undar o discurso cient92ico e guiar sua constitui3ão %or meio do ordenamento aut5rquico e inde%endente da ati0idadesub8eti0a %ostulando em seguida como ati0idade cient92ica de rigor a 2undamenta3ãoonto-%r5tica do conhecimento Istoé aquela que em 0e$ de basear-se em um métodotenta re%rodu$ir teoricamente a l(gica intr9nseca ao ob8eto in0estigado. 'hasin +<<=#. Ao concordar com a de2ini3ão a cr9tica e a %ostula3ão de 7. 'hasin %retendemos %ro%or aidéia tal0e$ um %ouco destoante da %ers%ecti0a atual de que não é dese850el um método%ara subsidiar nossas in0estiga34es e nossa %r5tica no cam%o da Psicologia do Trabalho ou de qualquer outra es%ecialidade dentro da Psicologia#. A0an3ando um %ouco maisarriscar9amos a2irmar que o método %elo menos na %ers%ecti0a e1%osta acima éindese850el %ra a constru3ão do conhecimento em todo e qualquer cam%o da ci/ncia. Ao nos %rendermos a um método %erdemos o contato com a realidade a ser com%reendidaou in0estigada na medida em que %assamos a nos a%oiar em um modus operandi  aut6nomo e inde%endente dessa realidade. Toda a %ara2ern5lia que acom%anhatradicionalmente os métodos ditos cient92icos s( 0em contribuir %ara este a2astamento: ashi%(teses as quest4es orientadoras e muitas 0e$es os instrumentos e os %rocedimentossão quase sem%re baseados em %ressu%ostos arbitr5rios que se im%4em ao ob8eto a ser  &  conhecido. Assim ao tentarmos criar as condi34es de %rodu3ão do conhecimentoacabamos quase sem%re %or im%edi-la.Pro0a0elmente alguns irão considerar nossa %ers%ecti0a bastante di2erente daquelacomumente adotada nas discuss4es sobre o tema mas o que estamos %ostulando ésim%lesmente o seguinte: ao %ro%ormos conhecer um dado ob8eto ou uma dada situa3ãode0emos antes de tudo dirigir nosso olhar em sua dire3ão tentando dei1ar de ladoqualquer idéia a%rior9stica que %ossamos ter a seu res%eito. Ou se8a em 0e$ de im%ormosnossa l(gica a esse ob8eto de0emos tentar des0endar sua %r(%ria l(gica.  o que é maisim%ortante: somente a%(s deci2r5-lo e conhec/-lo em todos os seus mati$es é queestaremos e2eti0amente de %osse de um método. Portanto é o %r(%rio ob8eto que nos2ornece o caminho %ara conhec/-lo e deci2r5-lo sendo que o método neste caso não éconstru9do no in9cio mas ao 2im do %rocesso. 'hasin +<<=#.m outras %ala0ras cremos que o correto é come3ar %elo real %elo concreto %ara de%oischegarmos >s abstra34es >s generali$a34es e até mesmo ao %r(%rio método. Isto signi2icaque o conhecimento de um dado ob8eto de0e ser constru9do a %artir da com%reensão decomo este ob8eto se constitui e não dos %ressu%ostos que eu %ossa ter a seu res%eito.  Assim retomando os termos de 7. 'hasin %ro%omos uma cienti2icidade enrai$ada e regida%ela terrenalidade das coisas e dos homens concretos. O caminho é aberto %or meio do%r(%rio ob8eto que de0e ser deci2rado no cor%o a cor%o da %esquisa tendo de ca%tar detalhadamente a matéria analisar as suas 05rias 2ormas de e0olu3ão e rastear suacone1ão 9ntima. ?ar1 @. a%ud 'hasin +<<=#. Portanto não h5 guias ma%as oue1%edientes que %a0imentem a caminhada ou %ontos de %artida ideais %re0iamenteestabelecidos. O rumo s( est5 inscrito no %r(%rio ob8eto e o roteiro da 0iagem s( é 0is90elolhando %ara tr5s ...B quando a rigor não tem ser0entia nem %ara outras 8ornadas ...Be1atamente %orque é a luminosidade es%ec92ica de um ob8eto es%ec92ico. 'hasin +<<=#.m suma nossa %ro%osta é a de que nos a%ro1imemos daquilo que %retendemosconhecer sem qualquer ti%o de intermedia3ão met(dica anteci%adamente estabelecida ouse8a sem um caminho %ré-con2igurado nem a %retensão de ter acesso a uma cha0e deouro que nos abriria as %ortas %ara o nosso ob8eto. ntendemos assim que s( é %oss90el2alar de um método se este se basear no res%eito > integridade ontol(gica das coisas edos su8eitos o2erecendo a%enas uma indica3ão genérica dos %assos da ati0idade mentalna esca0a3ão das coisas e alcan3ando o m51imo de autonomia em rela3ão >quilo que%retendemos e1aminar  + . A Qe!t% # 'M(t # ) e* P!i+ l ia # Trabalh  A%(s a leitura dessas bre0es e certamente %ro0ocati0as# re2le14es %ro0a0elmente o leitor de0e estar se %erguntando: Cquais seriam as conseqD/ncias %r5ticas de tudo isso %ara os%sic(logos do trabalhoEF Acreditamos que a %rinci%al delas %ossa ser tradu$ida em termosbastante sim%les: o %sic(logo de0e abordar da 2orma mais direta %oss90el as situa34es detrabalho buscando des0end5-las e com%reend/-las %ara s( então agir sobre elas. +   ';A&I 7. 'urso de Ontologia no ?estrado em iloso2ia. +<<H#. -  aturalmente essa abordagem de0e ser baseada no res%eito >s es%eci2icidades de cadasitua3ão e na re8ei3ão a qualquer idéia a%rior9stica sobre a mesma.mbora isso %ossa %arecer (b0io demais %ara alguns conclu9mos que seria 05lido eo%ortuno# o tratamento dessa questão uma 0e$ que de acordo com nossa e1%eri/ncia a%r5tica do %sic(logo do trabalho tem caminhado em uma dire3ão o%osta isto é sua a3ãosobre a realidade tem sido baseada sobretudo em %ressu%ostos ou até mesmo em%reconceitos. Uma 2orte e0id/ncia disto est5 no 2ato bastante conhecido de que esses%ro2issionais buscam subs9dios %ara suas a34es %rinci%almente nos manuais dedescri3ão das 2un34es que %or sua 0e$ são baseados 2undamentalmente nas %rescri34esnegligenciando toda a rique$a que %ro%orciona o conhecimento das ati0idades reais isto édaquilo que e2eti0amente as %essoas 2a$em no seu cotidiano de trabalho. 75 sãosobe8amente conhecidas as demonstra34es 2eitas %elos ergonomistas a res%eito dadistncia ine0it50el entre o trabalho %rescrito e o trabalho real. Je acordo com osresultados obtidos %elos %esquisadores dessa 5rea se quisermos com%reender de 2ormae2eti0a uma dada situa3ão laboral temos de nos a%oiar nessas duas dimens4es massobretudo naquela que nos remete > e2eti0idade dos gestos e das 0i0/ncias %resentes nocotidiano daqueles que a 0i0em: o trabalho real. Além disso temos nos de%arado 2reqDentemente com a0alia34es de 2orte cunho moralista ou contendo um 0iés nitidamente %sicologi$ante# 2eitas %or %sic(logos do trabalho ares%eito de situa34es que en2rentam no seu dia-a-dia o que s( 0em re2or3ar nossacon0ic3ão de que quase sem%re desconhecem os %roblemas %ara os quais sãocon0ocados a %ro%or solu34es. Assim são comuns as tentati0as de rotular as %essoascomo Cirres%ons50eisF Csem com%romisso com a em%resa e com os resultados do seutrabalhoF ou Cdi29ceis no trato %essoalF quando a an5lise mais a%ro2undada das situa34estra$ > tona %roblemas gra0es na organi$a3ão do trabalho e que são em grande medidares%ons50eis %elas atitudes adotadas %or essas %essoas. O im%acto mais ne2asto de tudoisso sobre a realidade %arece-nos mais do que e0idente: o desconhecimento do quee2eti0amente est5 ocorrendo condu$ a diagn(sticos equi0ocados e %ortanto a a34esinadequadas ) . ?as o leitor %ode também se interrogar sobre o que e2eti0amente estamos %ro%ondo e deque 2orma acreditamos ser %oss90el alcan3ar um conhecimento mais seguro a res%eito dassitua34es. ossa %ro%osta consiste basicamente na tentati0a de conhecer o maisdetalhadamente %oss90el as condi34es materiais e organi$acionais do trabalho. Alémdisso tentamos com%reender o ti%o de rela3ão que os indi09duos estabelecem com tais )   Ti0emos um e1em%lo 0eemente dos im%actos desse desconhecimento ao %artici%armos de uma 0istoria técnica emuma em%resa a con0ite do ?inistério PKblico do Trabalho. A%(s analisarmos minuciosamente o %rocesso de trabalho%or meio do contato direto com os trabalhadores na %rodu3ão 0imos entre outras coisas que eles se quei1a0ammuito da 2alta de uma treinamento o%eracional adequado. &egundo eles os no0atos eram treinados %elos %r(%rioscolegas e a%(s %ouco tem%o de e1%eri/ncia tinham de res%onder >s mesmas e1ig/ncias de %rodu3ão im%ostas aosmais antigos. 'omo ainda não esta0am de0idamente %re%arados acaba0am sobrecarregando os colegas maise1%erientes que muitas 0e$es eram obrigados a assumir %arte da %rodu3ão e1igida aos no0atos. Ao entre0istar a%sic(loga da em%resa e1%usemos essa quei1a e sua res%osta 2oi a de que 2a$ia treinamentos 2reqDentemente sendoque estes consistiam em encontros 2ora da em%resa com a 2inalidade de melhorar as rela34es inter%essoais e %asmem# sem%re baseados em uma %roibi3ão: não era %ermitido 2alar sobre os %roblemas do trabalho Ou se8aalém de não ter entendido que a demanda dos trabalhadores era basicamente %or treinamentos técnicos e não %or treinamentos em rela34es humanas essa %sic(loga %artia do %ressu%osto de que os %roblemas de relacionamentoque ocorriam entre eles não esta0am 0inculados >s di2iculdades im%ostas %ela organi$a3ão do trabalho e entre elesnaturalmente esta0am inclu9das as 2alhas na sua ca%acita3ão técnica# mas deri0a0am sim%lesmente dascaracter9sticas de %ersonalidade. .  condi34es o sentido que atribuem >s ati0idades que reali$am as %ress4es %sicol(gicasque so2rem no trabalho e como se de2endem das mesmas. M im%ortante tambémconte1tuali$ar essa ati0idade e entend/-la nos seus determinantes hist(ricos sociaisecon6micos e culturais. Ou se8a a base da nossa %r5tica est5 na a%reensão mais am%la%oss90el das dimens4es concretas da situa3ão de trabalho e na e1%licita3ão dos seusim%actos sobre os indi09duos.Je 2orma mais ob8eti0a a abordagem que temos desen0ol0ido e adotado nas nossas%esquisas e diagn(sticos consiste no estudo detalhado das condi34es ergon6micas e%sicossociais das situa34es de trabalho. Portanto sem%re que é %oss90el o %rocessoabrange as duas an5lises: a An5lise rgon6mica do Trabalho A..T.# e a An5lisePsicossocial do Trabalho A.P.T#. embora o %onto de %artida se8a sem%re a tentati0a dea%render o trabalho real %or meio da A..T. a %artir de um certo momento ambas asan5lises %assam a ser reali$adas simultaneamente e seus resultados con2rontados earticulados. Assim a A..T. baseando-se na obser0a3ão direta dos su8eitos em situa3ãode trabalho busca coletar dados re2erentes >s agress4es ambientais ritmos distribui3ão2ormal e in2ormal das tare2as hor5rios escalas qualidade das matérias-%rimas 2ormas deconce%3ão e de reali$a3ão do trabalho ou trabalhos %rescrito e real# modos o%erat(rios ehabilidades e1igidas. A A.P.T. %or sua 0e$ a%oiando-se sobretudo no discurso dessessu8eitos tenta resgatar suas hist(rias de 0ida incluindo um resgate detalhado do seuhist(rico ocu%acional# além de analisar os signi2icados que atribuem ao seu trabalho asrela34es inter%essoais entre %ares com a hierarquia e com os clientes# as %ress4es%sicol(gicas a que são submetidos a as de2esas que elaboram contra elas. m suma a A..T. %ermite a e1%lora3ão das condi34es concretas de reali$a3ão das ati0idades a %artir da obser0a3ão direta e a A.P.T. a%(ia-se 2undamentalmente no discurso dostrabalhadores tentando a%render as dimens4es sub8eti0as e inter-sub8eti0as. A A.P.T.en2oca es%ecialmente a interioridade dos indi09duos enquanto a A..T tenta com%reender o es%a3o social onde esta se e1teriori$a , . Ambas se com%letam e s( a %artir de sua intera3ão é que alcan3amos uma com%reensãomais com%leta da situa3ão de trabalho isto é uma com%reensão que 0ai além dasquest4es imediatas e que %ortanto ultra%assa a materialidade do gesto laboral mas semnegligenci5-la. Assim ao reunir essas duas 2ormas de an5lise tentamos ir além daimediaticidade tanto do com%ortamento dos indi09duos quanto da situa3ão de trabalho N .M interessante ressaltar que a%arentemente as duas abordagens são incom%at90eis 85 queuma a %sicossociol(gica baseia-se no discurso e na 0i0/ncia sub8eti0a dos trabalhadoresenquanto a outra a ergon6mica na descri3ão ob8eti0a do trabalho. O risco é de que umacaia no sub8eti0ismo ou no %sicologismo# e que a outra 2ique restrita > situa3ão maisimediata de trabalho sem atentar %ara as%ectos relati0os > interioridade dos indi09duos eaos %rocessos de singulari$a3ão. Acreditamos que a Knica 2orma de e0itar isto é buscandoo que Lima .P.A. +<<# chama de compreensão da subeti)idade concreta  isto étentando ,   M im%ortante ressaltar que as duas an5lises baseiam-se na %artici%a3ão ati0a dos trabalhadores e são reali$adas a%artir das in2orma34es tra$idas %or eles dentro de uma %ers%ecti0a %r(1ima > da %esquisa-a3ão. N   '2. LI?A .P.A. CA organi$a3ão da %rodu3ão e a %rodu3ão da L..R.F e CA rgonomia e a %re0en3ão da L..R.:%ossibilidades e limitesF In: ARA7O 7.  LI?A ?.  Q LI?A . P. +<<#.   /

Subiectul III

Jul 30, 2017
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