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A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO: SENTIDOS DO EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA DIAS, Isaltino – UNIVALI – isaltinodias@ibest.com.br EIXO: Filosofia e Educação / n. 13 Agência Financiadora: Sem Financiamento A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO: SENTIDOS DO EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA Introdução O presente trabalho, originado de uma Dissertação de Mestrado, pretende contribuir para a discussão sobre a presença do Ensino de Filosofia no Ensino Médio em sua relação com
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  A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO: SENTIDOS DO EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA DIAS , Isaltino – UNIVALI – isaltinodias@ibest.com.br EIXO : Filosofia e Educação / n. 13 Agência Financiadora : Sem Financiamento A FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO: SENTIDOS DO EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA Introdução O presente trabalho, srcinado de uma Dissertação de Mestrado, pretende contribuir para a discussão sobre a presença do Ensino de Filosofia no Ensino Médio em sua relação com a formação de professores em exercício. Ao investigar os sentidos que os professores atribuem ao exercício docente encontra um verdadeiro processo de inserção social no ambiente escolar, pois os professores deparam-se com situações que os levam a uma mudança: do aprender Filosofia ao ensinar Filosofia. Mudança esta que leva anos para efetivar-se. Procura-se contribuir com o debate em torno à questão do professor, sua formação e seu exercício docente, discutindo aspectos da experiência docente do ensino de Filosofia, trazendo à reflexão os sentidos que os professores de Filosofia atribuem ao seu exercício docente. Objetiva repensar a formação dos professores de Filosofia a partir de suas práticas com o intento de ampliar da qualidade de seu ensino. Partiu-se dos estudos realizados no Grupo de Pesquisa Formação de Professores e posteriormente no Grupo de Pesquisa Educação e Trabalho e procurou-se compreender os sentidos do trabalho dos professores. Conhecer cientificamente tais sentidos objetiva contribuir para o exercício desta profissão, para o seu melhoramento e organização de suas condições, além de abrir caminhos para o trabalho dos formadores de professores. Estabeleceu-se como problema e objetivou-se pesquisar: quais sentidos são atribuídos ao exercício da docência pelos professores de Filosofia do Ensino Médio? Como Objetivo geral: investigar os sentidos atribuídos pelos professores de Filosofia do Ensino Médio ao exercício da docência. E como objetivos específicos: a) Analisar a percepção da docência a partir dos relatos dos professores de Filosofia; b) Conhecer as   2 experiências profissionais dos professores de Filosofia; c) Examinar a dinâmica da docência dos professores de Filosofia; Aspectos históricos, legais, formativos e investigativos O movimento nacional pelo retorno da Filosofia como disciplina às escolas de Ensino Médio iniciou-se na década de 1970 e chegou ao auge na década de 1980 acompanhando a redemocratização. Os que buscavam a sua re-introdução viam a possibilidade de superar o limite da falta de professores preparados realizando levantamento do número de professores habilitados, pelo desenvolvimento de projeções das necessidades pelas secretarias estaduais e, a partir de então, pelos cursos de atualização e reciclagem. Os defensores da presença efetiva da Filosofia no currículo do Ensino Médio apontam a necessidade de formação adequada para os professores. Nos últimos anos vem ocorrendo uma “sistematização coletiva do conhecimento”, contribuindo para a reconstrução do conhecimento na área. No Sul do País três simpósios sobre o ensino de Filosofia foram realizados. O primeiro efetivou-se em Passo Fundo (RS), em abril de 2001; o segundo, em Ijuí (RS), de 24 a 26 de abril de 2002, e o último, em Curitiba (PR), de 23 a 25 de abril de 2003. Elementos das compilações de alguns trabalhos ali discutidos são utilizados neste estudo. A realidade das leis que regem o ensino de Filosofia e o funcionamento das instituições escolares, posteriores à lei 5.692/71, parecem ter-se desvirtuado significativamente, afetando negativamente o exercício profissional dos professores. A atual LDB garantiu a presença da Filosofia na escola média como conteúdo. Após sua presença como disciplina ter sido vetada pelo Presidente da Republica alegando falta de mão-de-obra qualificada e em número suficiente vivemos o momento da inclusão obrigatória da Filosofia como componente curricular no currículo do Ensino Médio (Parecer CNE/CEB n° 4/2006), seja como disciplina ou adotando outras formas flexíveis, como os projetos. Entretanto, o ensino de Filosofia, ou seja, o exercício docente, é que carece de maior atenção, encontrando-se na insegurança. Mas, uma dificuldade começa a deixar de existir, pois a legislação anterior era muito genérica, vaga e imprecisa quanto à presença da Filosofia no nível médio, dando margem à instabilidade profissional dos docentes.   3 Algumas circunstâncias condicionam a formação inicial dos futuros professores de Filosofia como a pouca atenção quanto à implementação de programas que venham estimular e desenvolver a pesquisa educacional. Os cursos mais atingidos são os que pertencem ás áreas de humanidade, como os de Filosofia. Os órgãos de pesquisa direcionam os recursos para a formação cientifica e para o ingresso nos cursos de pós-graduação, forçando os cursos de licenciaturas a atuarem próximos aos de bacharelado, distanciando-se do aspecto formativo da docência. A formação de professores é negligenciada também nos cursos de pós-graduação em Filosofia, que criam e mantém o mito do professor pesquisador. Ao valorizar este acabem desvalorizando os que optam pelo que se pode chamar de professor lecionador. Internamente a definição dos cursos de licenciatura, passando pelo engajamento dos seus professores, precisa estabelecer um debate sobre sua natureza e papel pedagógico abrangendo ainda no que consiste a formação dos futuros professores. O investimento na formação docente, inicial e continuada, aparece incisivamente como possibilidade de preparar os professores para as demandas atuais, dando oportunidade de reflexão sobre a prática pedagógica e a possibilidade de transformá-la. Pouco ou nada é escrito sobre a formação que os professores de Filosofia adquirem em seu próprio exercício docente ao longo dos anos. Entretanto, é inegável que o próprio exercício docente confere novos sentidos, seja à formação inicial, seja à prática pedagógica, à profissionalização e até à própria vida pessoal do professor. A UNESCO promoveu uma coleta de dados em todo o Brasil destinada a mapear o ensino de Filosofia em especial na educação média, objetivando avaliar o impacto que o programa “Olimpíadas da Filosofia”, patrocinado por ela mesma, exerce sobre o ensino como um todo. Embora o Brasil não tenha participado deste evento o levantamento de dados foi feito e deu condições para produzir em mapa do ensino de Filosofia no Ensino Médio. Apresenta-se um cenário da situação nacional do ensino de Filosofia o mais completo possível. Em termos gerais o ensino de Filosofia feito no Brasil ainda é bastante tradicional, muito embora tenha avançado com relação a um ensino descontextualizado e focado na história da Filosofia, voltando-se mais para temas e problemas filosóficos. Os professores têm procurado utilizar uma metodologia mais dialógica, participativa e cooperativa. Eles buscam um ensino mais ativo, não circunscrito à análise e explicação de textos, até recentemente predominante.   4 O aspecto tido como mais positivo nas metodologias utilizadas na educação média é a abertura. Como não existem programas, manuais ou técnicas obrigatórias, o professor pode usar criativamente seus conhecimentos e suas capacidades. Destacam-se os esforços dos professores de filosofia em torno de determinadas práticas e métodos sob a luz das condições de ensino, dos desafios e objetivos que se constroem em torno do ensino de Filosofia. Abertura significa, sobretudo, a possibilidade de os professores, com os problemas enfrentados, aproximarem-se dos estudantes e conseguir perspectivar o trabalho de modo a superar resultados extremos e pouco expressivos, como o mero exercício do confronto de opiniões, por um lado, e o mero estudo de conteúdos, por outro. Os professores enfrentam alguns inconvenientes, tais como o pequeno número de instâncias de formação continuada, a ausência de suportes didáticos mais bem definidos e a eventual formação deficiente, somadas à ausência de instâncias que estimulem um trabalho critico-reflexivo sobre a prática. Em Santa Catarina destaca-se a pesquisa, transformada em livro com o título de “Professores de Filosofia: crises e perspectivas” publicado em 2006. Segundo o autor, Dr. Prof. Celso Carminati, este estudo surgiu da necessidade de mostrar e compreender como alguns professores de Filosofia do Ensino Médio avaliam a formação inicial e como concebem as próprias práticas docentes. Isto porque “muitas pesquisas têm-se limitado às discussões sobre o lugar que a disciplina de Filosofia tem ocupado no Ensino Médio, sem enfocar especificamente o problema da formação dos professores que a ministram nesse nível de ensino”. (p.18). Embora enfrente resistências no próprio corpo docente é imprescindível discutir os diferentes aspectos da formação dos profissionais que lecionam Filosofia, mesmo que implique repensar a própria formação e prática pedagógica. Destaca-se o terceiro capítulo da obra citada no qual procura compreender e explicar a representação dos professores sobre a formação inicial e sua prática docente e o quarto capítulo no qual se discute os diversos desafios à realidade da formação e da prática docente dos professores de Filosofia. Num primeiro momento, esta pesquisa surgiu da experiência como Professor do Ensino Médio. Ao lecionar Filosofia no Ensino Médio, no período noturno, logo no início de seu retorno ainda não bem consolidado, me sensibilizei com esta realidade de docência.
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