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17-A Grande Muralha Financeira Da China Esta Desmoronando

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A Grande Muralha Financeira Da China Esta Desmoronando
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  Por Jim Rickards A China está em um impasse. A segunda maior economia do mundo desafiou as previsões de desaceleração em 2016, liberando uma quantidade massiva de gastos públicos e aumentando muito a dívida para estimular a economia. O país atingiu sua meta de crescimento, apesar dos opositores, e ajudou exportadores de commodities, como a Austrália, no processo.Mesmo assim, 2017 pode ser diferente. A China está encontrando forças contrárias extremamente fortes que levarão suas políticas orientadas à dívida – que são insustentáveis – a atingir um estado crítico, o que exigirá uma resposta radical. Essa resposta pode assumir a forma de uma grande desvalorização do yuan, de controle de capitais muito mais rígido, de uma crise muito mais severa ou dos três juntos.Nenhum dos resultados extremos ficará confinado à China. Qualquer desvio da atual trajetória de crescimento do país tem implicações negativas sérias para investidores ao redor do mundo.A adversidade que a China está enfrentando, a qual examinaremos em detalhes a seguir, inclui confontros com o presidente Trump nos tópicos de comércio, tarifas e manipulação de moedas, instabilidade política interna proveniente dos esforços do presidente chinês para expandir e centralizar seu poder político, a possível crise geopolítica relacionada à Coreia do Norte, Taiwan e Mar da China Meridional, a aproximação de Trump da Rússia e seu afastamento da China, a crise da bolha chinesa, fuga de capitais e a delicada relação chinesa com o FMI.Em suma, talvez estejamos testemunhando uma quebra no acordo entre China e EUA, que domina o crescimento e a política mundiais desde 2001 .Nesta edição especial do Strategic Intelligence , analisamos todas as forças sociais, econômicas e políticas se alimentando da China hoje e consideramos as implicações para seu portfólio de investimentos. O processo de conectar os pontos é complicado, mas, utilizando nossas técnicas de análise e nossos modelos – incluindo a teoria da complexidade, inferência causal e psicologia comportamental –, podemos atravessar a neblina da retórica e da propaganda política que vêm de Washington e Pequim para que você tenha uma estimativa razoável do que será o futuro dos mercados conforme as duas maiores economias mundiais – a China e os EUA – resolvem (ou não) suas diferenças. A grande muralha financeira da China está desmoronando WWW.EMPIRICUS.COM.BR Fevereiro/17    RICKARD’S STRATEGIC INTELLIGENCE   Além de nossos modelos técnicos, acredito que não haja substituto para viagens internacionais e contato face a face com especialistas e cidadãos comuns dos países que buscamos compreender. Recentemente, fiz uma viagem de uma semana para a China, visitando Xangai e Nanquim.Em Xangai, me encontrei com um grupo de quarenta grandes economistas chineses, a maioria de grandes bancos e corretoras, em um evento anual chamado China Chief Economist Forum. Fui um dos principais palestrantes no fórum, que incluiu 400 convidados dentre grandes investidores instituicionais e administradores de riqueza na China.Em Naquim, eu me encontrei com membros dos governos das províncias e com especialistas em desenvolvimento econômico. Eles estão construindo um centro de alta tecnologia de pesquisa de excelência no sul da cidade chamado UTown. Eu até pude entrar em um laboratório secreto da Huawei utilizado para testar algoritmos de mineração de dados. A Huawei está intimamente ligada ao Exército de Libertação Popular e foi banida de quase todas as empresas americanas por suspeita de hacking e espionagem de infraestrutura.Eu também aproveitei toda oportunidade que tive para conversar com motoristas, atendentes, recepcionistas e transeuntes. Não é tão difícil quanto parece. Em um país como a China, poucas pessoas já viajaram para o exterior, de modo que apreciam a oportunidade de praticar a língua inglesa com um americano nativo. Pessoas que você encontra nas ruas costumam ser uma melhor fonte de informações do que os especialistas em salas de conferência. Perguntei para um estudante se as pessoas estavam tentando tirar dinheiro do país. Seus olhos se iluminaram e ele respondeu, “Sim, todos que conheço!”Informação coletada dessa forma não se limita à conversa. É possível aprender muito apenas observando. Minha viagem de Xangai a Nanquim foi em uma das linhas ferroviárias de alta velocidade que estão sendo construídas sob a direção do governo central em Pequim.O trem era o melhor do mundo. Ele viaja a 320 km/h e quase não faz barulho conforme desliza por trilhos especialmente soldados. Eu tinha um lugar na classe econômica que era mais agradável que a 2   Seu editor em Bund, Xangai.  Entre 1900 e 1940, a área era chamada de “Wall Street  Asiática” e era o centro comercial e financeiro do país.  Em 1940, foi ocupada pelo  Japão e, depois de 1949, ficou sob o controle comunista. Desde a década de 1990, o Bund experimentou um renascimento e sua arquitetura em estilo art deco foi restaurada. Agora a área é ocupada por bancos, hotéis e lojas chineses.    RICKARD’S STRATEGIC INTELLIGENCE   maioria dos lugares de classe executiva em companhias aréas. As estações de trem nas duas cidades são espaçosas, limpas e eficientes. Deixam as cidades americanas no chinelo; na verdade elas são melhores que alguns dos mais novos aeoroportos do mundo. O melhor de tudo? A passagem foi barata; apenas ¥ 429,50 (cerca de $ 62) ida e volta. Uma viagem similar no trem Acela, da empresa Amtrak, teria custado $ 400, e o serviço teria sido muito inferior, sem mencionar a necessidade de enfrentar as multidões das estações de Nova York e da Pensilvânia.Apesar de ter gostado da viagem, fiquei pensando: como pagar por estações de trem e linhas ferroviárias de bilhões de dólares cobrando $ 62 por uma viagem de ida e volta de 550 km? A resposta: é impossível. Todo o empreendimento está sendo financiado por dívida que não pode ser paga. A estatal China Railway Corporation está perdendo mais de $ 1 bilhão por ano, e várias empresas públicas estão perdendos bilhões na construção e produção de equipamento.As conquistas da China, apesar de impressionantes quando observadas de fora, estão sendo alcançadas com um montanha de dívida que não poderá ser paga. Como e quando a dívida será refinanciada, inflacionada ou se tornará um caso de inadimplência é uma das questões mais importantes pairando sobre os mercados de capitais. Falaremos sobre essa questão mais detalhadamente. O desafio Trump Em uma entrevista com Chris Wallace na Fox News Sunday, no dia 11 de dezembro de 2016, perguntaram ao presidente eleito Donald Trump sobre um telefonema que ele havia recebido da presidente de Taiwan. Ele respondeu o seguinte: “Eu entendo completamente a política da China Única, mas não sei por que temos que ficar presos a ela a não ser que façamos um acordo com a China que esteja relacionado a outras coisas, incluindo o comércio. Quer dizer, veja, a China está nos prejudicando com desvalorizações cambiais, com impostos nas fronteiras quando nós não fazemos isso, com a construção de uma grande fortaleza no meio do Mar da China  Meridional, o que eles não deveriam estar fazendo e, francamente, em não nos ajudar na Coreia do Norte.  Lá existem armas nucleares, e a China poderia resolver esse problema, mas não está fazendo nada. Por isso, eu não quero que a China me diga o que fazer …” Essa citação resume bem os desafios que a China enfrentará após a eleição de Trump. O primeiro desafio é que Trump é direto e não se esconde atrás da costumeira conversa fiada diplomática, o que pode ser difícil para os chineses, porque sua cultura é dominada pela necessidade de evitar o conflito direto ou constrangimento. Quando os chineses se sentem humilhados como resultado da pressão dos adversários, eles tentam reverter a situação sendo agressivos de volta. O resultado pode ser uma escalada nas tensões, independentemente das questões envolvidas, o que pode dificultar a chegada a acordos.  3   Trump e Xi Jinping estão em rota de colisão no que diz respeito à questões envolvendo comércio, tarifas e manipulação de moedas. Questões geopolíticas dificultarão ainda mais a resolução das questões econômicas.    RICKARD’S STRATEGIC INTELLIGENCE   A citação também lista as principais áreas de discórdia – comércio, tarifas, taxações, manipulação de moedas, Coreia do Norte, Taiwan e o Mar da China Meridional. As políticas americanas nos últimos dezesseis anos, nos governos Bush e Obama, minimizaram essas questões em troca de bens manufaturados baratos e da boa vontade chinesa em financiar trilhões de dólares da dívida do governo americano.Agora, Trump está mudando as regras do jogo. Ele está dizendo que as vagas de trabalhos fechadas nos EUA não compensam os produtos e o financiamento barato. E aposta que a China não tem alternativa a não ser produzir esses bens e continuar comprando dívida americana mesmo que os EUA imponham taxas para ajudar a criar empregos na indústria.Trump está disposto a utilizar a alavancagem da esfera geopolítica em questões como Taiwan, Coreia do Norte e Mar da China Meridional para obter concessões da China na questão cambial, além de subsídios comerciais, como apoio estatal pela perda de dinheiro em setores de exportação, como aço.E as ações de Trump não se limitam a palavras. Sua equipe é composta de funcionários experientes e conselheiros notadamente críticos das políticas comerciais chinesas há décadas. O novo represante de Comércio, Robert Lighthizer, tem um histórico de imposição de tarifas a parceiros comerciais injustos que vai até o governo Reagan, na década de 1980. Dan DiMicco, assessor para comércio de Trump, é ex-CEO da Nucor Corp. e esteve na ponta recebedora do dumping de aço por parte da China.Outro conselheiro de comércio de Trump, Peter Navarro, é um acadêmico e critica bastante a China. Ele escreveu o livro Death by China. O trabalho de Navarro é um mapa de políticas que Trump tentará implementar. Os conselheiros de Obama, como John Kerry e Jack Lew, falavam bastante e agiam pouco, mas a equipe de Trump está pronta para o combate.O problema é que a China pode não ter muito a oferecer, apesar da pressão. Trump pode não perceber que a moeda chinesa está caindo, não por causa de manipulação do governo, mas por causa de forças de mercado na forma de fuga de capitais. Na verdade, a principal manipulação de moedas na China hoje é um esforço para fortalecer o yuan, mas esses esforços parecem estar fracassando.A China talvez não esteja em posição de continuar comprando dívida do Tesouro americano. As reservas da China estão caindo, e o país se tornou vendedor líquido dos Treasuries. Parece que os dias de financiamento barato de dívida acabaram para os EUA, independentemente das políticas de Trump. Isso não significa que os juros aumentarão, apesar das altas recentes. Os EUA simplesmente forçarão os bancos americanos a comprar a dívida do Tesouro que os chineses não puderem comprar. Tendo em vista que a China ainda tem superávit comercial, ela ainda está alocando suas reservas em ouro, euros e DSEs e se distanciando do dólar.Em suma, a China não pode acabar com o subsídio às exportações porque precisa dos empregos que sua indústria de exportação cria. O partido comunista é um regime ilegítimo que continuará no poder apenas enquanto fornecer empregos e aumentar o padrão de vida do povo chinês. Assim que a máquina de geração de empregos chinesa parar de funcionar, pode haver insatisfação popular em uma escala muito maior que a dos protestos da Praça da Paz Celestial, em 1989. É uma ameaça existencial ao poder comunista. Desse modo, os subsídios continuarão.  4  
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