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1958 a Direção Do Tratamento e Os Princípios de Seu Poder in Escritos Jacques Lacan OCR

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Escritos, Jacques Lacan, 1966
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  1958 A DIREÇÃO D TRATAMENT . EscRITos Jacques Lacan CAMPO FREUDIANO NO BRASIL �      \   A direção do tratamento e os princípios de seu poder RELATÓO DO COLÓQO DE ROYAUMONT 0-3 DE JLHO DE 958 I. Quem analisa hoje? 1 Que uma anáise raga consigo os raços da pessoa do analisado, fala-se disso como se fosse óbvio Mas acredita-se dar mostras de audácia ao manifesar ineresse pelos efeios que nela surtiria a pessoa do analista. É isso, peo menos, que justifica o frêmio que nos percorre ane as expressões em voga sobre a conratransferência, o que sem dúvida contribui para hes mascarar a impropriedade conceitua: pensem na aivez de espírio de que damos esemunho ao nos mostrarmos feitos, em nossa argia, da mesma daquees que modamos. O que escrevi aí é uma impropriedade. É pouco para aquees a quem visa, quando hoje em dia já nem se faz cerimônia em decarar que, sob o nome de psicanálise, esá-se empenhado numa reeducação emocional do paciene [22]. Situar nesse nvel a ação do analista impica uma posição de princpio diane da qua udo o que se possa dizer da conraransferência, mesmo não sendo inúi, funcionará como uma manobra diversionista. Pois é para-aém disso que se situa, a parir daí, a imposura que aqui queremos desaojar.3 1. Primero relatório do Colóquio Inteacional reunido nessa data, a convte da Socedade Francesa de Psicanálise publicado em L Psychanalyse, vo1.6.  Os números ene colchetes remetem às referências coocadas no nal deste relatório 3 Para voltar contra o espírito de uma sociedade uma expressão por cujo valor podemos avaliá-la quando a rase em que Freud se iguala aos pré-socráticos Wo es war soll Ich werden - traduz-se nela muito simplesmente para uso francês, por: O Eu deve desaojar o Isso 59 [585]  592 Escritos Écrits -]acques Lacan Nem por isso esamos denunciando o que a psicanálise tem hoje de anifreudiano Pois, nesse aspecto, deve-se reconhecer que tirou a máscara, uma vez que ela se vangloria de ultrapassar aquilo que aliás ignora, guardando da dourina de Freud apenas o suficiene para senir o quanto lhe é dissonante o que ela [586 acabou de enunciar de sua experiência. Preendemos mosrar como a impotência em susentar auenicamene uma práxis reduzse, como é comum na história dos homens, ao exercício de um poder 2 O psicanalisa ceramente dirige o raameno. O primeiro princípio desse ratameno, o que lhe é solerado logo de saída, que ele enconra por toda pare em sua formação, a pono de ficar por ele impregnado, é o de que não deve de modo algum dirigir o paciene A direção de consciência, no sentido do guia moral que um fiel do catolicismo pode encontrar nese, achase aqui radicalmene excluída Se a psicanálise levana problemas para a eologia moral, não se rata daqueles da direção de consciência, a cujo respeio lembramos que a direção de consciência ambém os suscia A direção do raameno é oura coisa Consise, em primeiro lugar, em fazer com que o sujeio aplique a regra analíica, iso é, as direrizes cuja presença não se pode desconhecer como princípio do que é chamado a siuação analíica , sob preexo de que o sueio as aplicaria melhor sem pensar nelas Essas diretrizes, numa comunicação inicial, revesem-se da forma de instruções, as quais, por menos que o analista as comene, podemos considerar que, aé nas inflexões de seu enunciado, veicularão a dourina com as quais o analisa se consiui, no pono de conseqüência que ela atingiu para ele O que não o oa menos solidário da profusão de preconceios que, no paciene, esperam nesse mesmo lugar, conforme a idéia que a difusão culural lhe tenha permiido formar acerca do procedimeno e da nalidade da empreiada. Isso já basa para nos mosrar que o problema da direção revela, desde as direrizes iniciais, não poder formularse numa linha de comunicação unívoca, o que nos obriga a permanecer aí, no momeno, para esclarecê-lo pelo que o segue Digamos anas que, ao reduzi-lo à sua verdade, esse empo consise em fazer o paciene esquecer que se raa apenas de palavras, mas que isso não jusifica que o próprio analisa o esqueça [16]  A direção do tratamento e os princípios de seu poder- 1958 593 3. Aiás, havíamos anunciado que é pelo ado do analista que tencionamos introduzir nosso assunto Digamos que, no investimento de capita da empresa comum, [5] o paciente não é o único com dificudades a entrar com sua quota Também o anaista tem que pagar: -pagar com palavras, sem dúvida, se a transmutação que eas sofrem pela operação analítica as eleva a seu efeito de interpretação -mas pagar também com sua pessoa, na medida em que, haja o que houver, ele a empresta como suporte aos fenômenos singulares que a análise descobriu na transferência; -e haveremos de esquecer que ele tem que pagar com o que há de essencial em seu juízo mais íntimo, para intervir numa ação que vai ao cee do ser (Ke unseres Wesens, escreveu Freud [6) seria ee o único a ficar fora do jogo? Que não se preocupem comigo aqueles cujos votos se dirigem a nossas armas, ante a idéia de que eu me esteja expondo aqui, mais uma vez, a adversários sempre felizes por me devolverem à minha metafísica Pois é no seio da pretensão deles de se bastarem com a ecácia que se eleva uma afirmação como esta a de que o analista cura menos pelo que diz e faz do que por aquilo que é 22] Sem que, aparentemente, ninguém peça explicações dessa afirmação a seu autor, nem o lembre do pudor, quando, dirigindo um sorriso de enfado ao ridículo a que se expõe, é à bondade, a sua (é preciso ser bom, não há transcendência nesse contexto), que ee apela para pôr fim a um debate sem saída sobre a neurose de transferência4 Mas, quem teria a crueldade de interrogar aquele que se verga sob o fardo da bagagem, quando seu porte leva claramente a supor que ela está cheia de tijoos? No entanto, o ser é o ser, seja quem for que o invoque, e temos o direito de perguntar o que ele vem fazer aqui 4. Colocarei novamente o analista na berinda, portanto, na medida em que eu mesmo o sou, para observar que ele é tão 4 Comment terminer !e traitement anaytque, Revue Franç. de Psychanalyse, 194 IV, p.19 e passim. Para avaliar a inuência de tal formação ease C.-H. Nodet L psychanayste, L'Éolution Psychiatrique, 197 V p.689-9.
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