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A apologia de Sócrates

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“A apologia de Sócrates” é um dos textos mais importantes produzidos na sociedade ocidental. Nele o filósofo Sócrates desenvolve, através de uma argumentação extremamente elaborada, sua defesa contra as acusações de corromper a juventude e de não acreditar nos deuses. Diante do tribunal de Atenas, o filósofo não só contradiz seus acusadores como também afirma suas posições e sua disponibilidade em, até mesmo, morrer por elas. Sócrates começa sua defesa contestando a ideia, amplamente difundida,
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   “A apologia de Sócrates” é um dos textos mais importantesproduzidos na sociedade ocidental. Nele o filósofo Sócratesdesenvolve, através de uma argumentação extremamente elaborada,sua defesa contra as acusações de corromper a juventude e de nãoacreditar nos deuses. Diante do tribunal de Atenas, o filósofo não sócontradiz seus acusadores como também afirma suas posições e suadisponibilidade em, até mesmo, morrer por elas.Sócrates começa sua defesa contestando a ideia, amplamentedifundida, de que ele seria um bom orador e, portanto, um excelentemanipulador. O filósofo afirma que, é apenas alguém que sempre falaa verdade e age com justiça ao discursar. Dessa forma, ele pede quenão o julguem pela linguagem que emprega e sim pela sinceridade desua defesa.Ao iniciar seu raciocínio, o autor afirma que seus acusadoressão de dois tipos: aqueles que o acusam há muito tempo e os que ofazem recentemente. Os primeiros são numerosos e exercem suainfluência há muito tempo, não sendo possível identificá-los. Elesacusam Sócrates de “fortalecer o argumento mais fraco’ e de sedispor a cobrar os ensinamentos transmitidos. Já aqueles que oacusam recentemente são homens, como Meleto e Anito, queafirmam que ele corrompe a juventude além de descrer nos deuses.Após diferenciar seus acusadores, o autor explica o que gerouas calúnias e a sua má reputação. Segundo Sócrates, o oráculo deDelfos revelou que ele seria o homem mais sábio do mundo. Por nãose considerar sábio em nenhuma medida, o filósofo iniciou uma buscapor alguém que realmente fosse erudito para assim poder contestar ooráculo. No entanto, ao recorrer àqueles que eram consideradosprudentes pela sociedade, tanto políticos quanto poetas e artesãos,constatou que todos se julgavam conhecedores daquilo que nãosabiam ,sendo arrogantes e eclipsando “o saber que realmentepossuíam”. Dessa forma, Sócrates concluiu ser o homem maisinstruído devido ao fato de não julgar conhecer aquilo que nãoconhecia. Seria, portanto, sua missão prestar assistência ao deus eprovar que aqueles que julgam ser sábios não o são na realidade.Sua atuação como examinador atraiu diversos jovens que passaram aacompanhá-lo, além de realizar seus próprios questionamentos. Ospor eles inquiridos, ficaram extremamente irritados e passaram aafirmar que Sócrates estaria corrompendo a juventude.Ao se contrapor a ideia de que manipularia os mais novos, ofilósofo apresenta dois argumentos. O primeiro é o de que em umasociedade apenas poucos indivíduos tornam os jovens melhores,enquanto a maioria os corrompe. Dessa forma, seria impossível queele fosse o único a fazer mal aos jovens enquanto todo o resto fariabem. O segundo argumento apresentado é o de que as pessoas ruinssempre tentam fazer mal àqueles que as cercam. Ao corromperalguém, ele correria o risco de sofrer algum dano por parte dessapessoa, seria , portanto, algo ilógico por parte dele.  A acusação de que não acreditava nos deuses devido a suacrença dos dáimons também é rebatida logicamente por Sócrates.Este afirma que os dáimons são uma espécie de “filhos bastardos dedeuses como ninfas” e que, portanto, seria impossível crer neles semacreditar na existência dos deuses.Após refutar suas críticas, o autor afirma que caso sejacondenado será devido à malevolência e a raiva de alguns e não pelaveracidade de suas palavras. No entanto, Sócrates afirma não termedo de ser condenado e até mesmo de morrer pois um homemdigno deve assumir suas posições e enfrentar o perigo, sem pensarna morte. O medo da morte é, por sinal, algo censurável já que nãose deve temer o que não se conhece. Além disso, o filósofo afirmapreferir morrer a renunciar à filosofia e alterar sua conduta. Porém,Sócrates defende que a sua morte não será prejudicial a ele mesmo esim à sociedade ateniense já que ele presta um serviço à cidade aoestimular que as pessoas não zelem pelo seu corpo mais do que pelaperfeição da alma. Sócrates se define, portanto, como “uma espéciede dádiva do deus à cidade” já que ele dedicou sua vida ao interessepúblico, permanecendo pobre em nome da maioria.Ao saber que havia sido condenando, o autor afirma não estarsurpreso, porém diz acreditar que se o julgamento tivesse maistempo e fosse decido por um número maior de votos sua pena talvezfosse diferente. Porém, por saber que não cometeu nenhum tipo deinjustiça, o filósofo conclui que não será injusto com ele mesmopropondo alguma pena que inclua um mal. Tanto o encarceramentoquanto o exílio são descartador por ele e a permanência em silencio,sem discursos, é vista como algo ainda pior já que corresponderia adesobedecer ao deus. Por fim, ele propõe uma multa de trinta minasque será fiada Por Platão, Critóbulo e Apolodoro.Por fim, Sócrates se dirige àqueles que votaram a favor de suacondenação à morte. O autor afirma não estar arrependido da formacomo conduziu sua defesa e que prefere morrer a ter que implorar,algo que seus acusadores gostariam. Além disso, ele defende queaqueles que o condenaram serão, posteriormente, condenados pelaverdade e pela injustiça. A respeito da morte, novamente o filósofodefende que ela representa algo bom podendo remeter a um nadaonde o morto não tem consciência e, portanto,dorme profundamente.Ou sendo uma migração da alma para outro lugar no qual ele poderiaencontrar pessoas admiráveis como Homero, além de continuar comos seus questionamentos habituais para tentar identificar um possívelsábio.No último trecho do texto, Sócrates finaliza pedindo que seusfilhos sejam tratados da mesma forma como ele agiu com seusacusadores, ou seja, pela valorização do espírito em detrimento docorpo e pelo questionamento. É assim que o filósofo termina essetexto importantíssimo que representa um marco na civilização  ocidental e, ainda mais, um exercício de lógica na qual o leitor podeentrar.

ISO 14031

Aug 16, 2017
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