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A Babesiose (Também Conhecida Como Piroplasmose, Febre

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BABESIOSE A babesiose (também conhecida como piroplasmose, febre do carrapato e água vermelha) é uma doença transmitida por carrapatos e causada por protozoários do gênero Babesia que invadem e se multiplicam em eritrócitos. Isso geralmente resulta na destruição dos eritrócitos, com conseqüente anemia, perda de peso e muitas vezes a morte do animal. Etiologia: Todos os organismos do gênero Babesia são protozoários intraeritrocíticos ou piroplasmas . Para entender a babesiose é necessário ente
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  BABESIOSE A babesiose (também conhecida como piroplasmose, febre do carrapato e águavermelha) é uma doença transmitida por carrapatos e causada por protozoários do gênero Babesia que invadem e se multiplicam em eritrócitos. Isso geralmente resulta nadestruição dos eritrócitos, com conseqüente anemia, perda de peso e muitas vezes amorte do animal. Etiologia:  Todos os organismos do gênero Babesia são protozoários intraeritrocíticos ou piroplasmas .Para entender a babesiose énecessário entender o ciclo de vida doprotozoário, o qual envolve estágios nohospedeiro (mamífero), bem como osestágios que ocorrem dentro do vetor(carrapato).Após a inoculação pelo carrapato, Babesia spp. Entra no sangue circulante emultiplica-se assexualmente por esquizogonia em eritrócitos. O protozoário causa adestruição dos eritrócitos, resultando em severa anemia e outros efeitos devido àcirculação de hemoglobina livre no sangue. Babesia bigemina é considerada uma grande babésia, a qual em esfregaços desangue aparece como organismos em forma de pêra e unidos por um ângulo agudo dentrodo eritrócito. Babesia bovis é considerada uma pequena babésia, vista como organismos redondosdentro dos eritrócitos. Ocasionalmente eles aparecem em um ângulo obtuso.O carrapato (vetor) é essencial para a manutenção do parasita. Após a ingestão dosangue contaminado, o protozoário infecta os ovos do carrapato e continua a multiplicar-seno interior das larvas emergentes. Nas larvas, eles se alojam nas glândulas salivares, deonde são inoculados no próximo hospedeiro bovino.As babésias movem-se pela hemolinfa e vão parar no ovário dos carrapatos fêmeasinfectando seus ovos.Dentro de um ou dois dias após sairem do bovino hospedeiro, essas fêmeasdepositam seus ovos no pasto.  As babésias continuam se desenvolvendo nos tecidos das larvas emergentes docarrapato, migrando para as glândulas salivares.As larvas movem-se para as pontas das folhas no pasto, aguardando paraparasitarem um novo hospedeiro bovino que passar por ali.Quando as larvas (ou ninfas e adultos, conforme a espécie de babesia) sealimentarem de sangue novamente, elas irão injetar os protozoários alojados em suasglândulas salivares no sangue do novo hospedeiro bovino. Epidemiologia  É extremamente importante conhecer algumas características dos carrapatos a fimde que possamos melhor entender a biologia da babesiose. A distribuição geográfica docarrapato e, conseqüentemente da babesiose, pode ser classificada dentro das seguintesáreas:Áreas livres: são locais onde o carrapato não ocorre devido às condições climáticasadversas e sendo assim, a babesiose também não ocorre. ã Áreas de instabilidade enzoótica: são locais com uma estação fria bemdefinida, fazendo com que os bovinos permaneçam longos períodos sem que haja contatocom carrapatos (e com Babesia spp). Isso leva a uma queda nos níveis de anticorpos eassim, nas estações mais quentes do ano, ocorrem surtos de babesiose. ã Áreas endêmicas: são locais onde a prevalência de carrapatos é bastantealta no decorrer de todo o ano, fazendo com que os animais estejam imunologicamenteprotegidos. Nessas regiões ocorrem apenas casos isolados de babesiose.A susceptibilidade à babesiose bovina depende de alguns fatores e surtos da doencageralmente ocorrem relacionados ao que segue:Surtos de babesiose bovina ocorrem quando animais são transportados de uma zona livre para uma zona endêmica ou de instabilidade enzoótica. Esses animais sãocompletamente susceptíveis à doença.Os bovinos vistos na foto ao lado foram transportados de uma zona livre para umazona endêmica de babesiose onde adquiriram a doença que foi rapidamente fatal.Animais jovens são naturalmente resistentes à babesiose devido à immunidadepassiva. Após o parasitismo por carrapatos infectados, o sistema imune desses animais éconstantemente desafiado, levando à imunidade adquirida contra a enfermidade.Entretanto, se ocorrer um período de frio intenso e conseqüentemente o parasitismopor carrapatos diminuir drasticamente, quando os carrapatos voltarem durante a estaçãoquente a imunidade contra babesiose terá quase desaparecido, deixando-os novamentesusceptíveis.Clinicamente, a babesiose é menos severa e a taxa de mortalidade é mais baixa emraças asiáticas, naturalmente resistentes ao calor, do que em raças européias.Conseqüentemente, quando raças altamente produtivas como Holandês e Jersey sãointroduzidas em áreas tropicais, casos da doença podem ser vistos.O número de carrapatos alimentando-se em um animal ao mesmo tempo também éum fator de risco. Se há uma inoculação muito elevada de Babesia spp, a resistênciapreviamente adquirida pode ser ultrapassada e a doença então ocorre. Sinais Clinicos  Os sinais clínicos de babesiose iniciam duas a três semanas após a inoculação pelocarrapato. O primeiro sinal visto na infecção por B. bigemina é a febre alta.Anorexia e atonia ruminal são observadas juntamente com o isolamento do animaldo resto do rebanho. O animal fica indócil, procura permanecer deitado e à sombra.O animal infectado permanece com o dorso arqueado e o pêlo arrepiado. Dispnéia etaquicardia também podem ocorrer.Inicialmente as mucosas ficam avermelhadas tornando-se pálidas com a progressãoda anemia. Icterícia também pode ser observada.A anemia é o principal fator causador de fraqueza e perda da condição corporal.Cerca de 75% dos eritrócitos podem ser destruídos num espaço de poucos dias.Esse quadro crítico regride em cerca de uma semana, e se o animal sobreviver, elepode apresentar perda de peso, aborto, queda na produção de leite e um prolongadoperíodo de recuperação.A taxa de mortalidade é extremamente variável e pode atingir níveis de 50% ou maisaltos.HemoglobinúriaAlguns animais infectados com Babesia bovis desenvolvem babesiose cerebral epodem apresentar sinais neurológicos. Os animais com sinais neurológicos inicialmenteapresentam-se incoordenados, deprimidos e podem deitar-se com a cabeça extendida.Se não tratado, o bovino entra em decúbito lateral, com a cabeça voltada para trás,com movimentos involuntários das pernas, vindo o animal a morrer em seguida.Os animais que sobrevivem podem recuperar-se lentamente da anemia e perda dacondição física. Achados de Necropsia  Toda a carcaça pode estar ictérica ou pálida. O sangue tende a estar pouco viscoso eo plasma pode estar tingido de vermelho.Edema pulmonar ou subcutâneo também pode ser observado. O fígado pode estarmuito pálido devido à anemia ou alaranjado devido à icterícia (foto ao lado). Histopatologia As lesões microscópicas refletem a ocorrência de severa hemólise. O fígado tem ossinusóides dilatados e congestos, degeneração dos hepatócitos e severa colestase. Diagnóstico A presença de carrapatos é um importante fator para o estabelecimento dodiagnóstico de babesiose.O diagnóstico é feito pela identificação de numerosos organismos infectandoeritrócitos em esfregaços de sangue ou cérebro de animais com sintomatologia clínica.Para se obter os melhores resultados, esfregacos finos de sangue devem serapropriadamente corados por Giemsa (solução nova, diluída e filtrada).A forma dos organismos é variável conforme a espécie de Babesia , podendo serpequenos ou grandes, piriformes, arredondados ou anelares. Infecções mistas tambémpodem ocorrer.  Esfregaços finos de cérebro ou rim podem revelar numerosos organismos dentro decapilares extremamente congestos. Diagnóstico diferencial Anaplasmose, uma outra doença transmitida por carrapatos, é causada por umaricketsia (  Anaplasma spp.) e freqüentemente confundida com babesiose em bovinos.Os organismos invadem os eritrócitos e podem ser confundidos com Babesia spp.Entretanto,  Anaplasma é bem menor e localizado mais perifericamente no eritrócito (  A.marginale ) ou bem no centro do eritrócito (  A. centrale ). Eritrócitos infectados sãoremovidos da circulação pelo baço (eritrofagocitose).Na anaplasmose ocorre anemia mas não há hemólise intravascular.Conseqüentemente, anaplasmose NÃO É caracterizada por hemoglobinúria. CONTROLE, PREVENÇÃO E TRATAMENTO O controle da babesiose requer o controle do vetor, o carrapato, o qual é obtidoatravés da estratégica aplicação de acaricidas (banho carrapaticida).Entretanto, o uso inadequado desse método pode criar uma alta susceptibilidade nogado, que se torna vulnerável à nova transmissão de babésia. Também pode ocorrerresistência do carrapato aos acaricidas, sendo necessária uma rotatividade através do usode diferentes produtos acaricidas.Para obter-se os melhores resultados, o uso simultâneo do banho carrapaticida e omanejo das pastagens devem ser implantados para garantir a ausência de carrapatos e dababesiose.Um método bastante empregado em áreas onde a babesiose causa perdaseconômicas é a PREMUNIÇÃO (ou infecção deliberada) usando o sangue de animaisinfectados para desencadear uma resposta imune primária em animais altamentesusceptíveis.Esse método foi (e ainda é em algumas áreas) amplamente utilizado no Brasil e noMéxico devido ao seu baixo custo e fácil acesso.A premunição baseia-se na idéia de provocar uma primeira exposição a Babesia spp.através de doses pequenas de antígeno. Para isso, eritrócitos infectados são transferidosde um animal infectado para um susceptível, em geral recém-adquirido de uma área livrede babesiose.Esse procedimento é monitorado através do controle da temperatura corporal doanimal e do uso de subdosagens de quimioterápicos específicos para babesiose, evitandoa ocorrência da doença clínica aguda e ao mesmo tempo permitindo que o animal monteuma resposta imune primária ao protozoário. Se bem sucedido, esse método favoreceráuma resposta imune secundária rápida e eficiente quando da exposição ao carrapato e,conseqüentemente, à re-infecção por Babesia spp.Embora a premunição seja um dos poucos métodos efetivos para o controle dababesiose, há alguns inconvenientes no seu uso: ã O uso de sangue contaminado com outros agentes etiológicos deenfermidades em bovinos como o vírus da leucemia bovina, vírus da língua azul, Theileria Spp.,  Anaplasma Spp. e outras espécies de babesia também pode ocorrer, assim como atransmissão de outros agentes emergentes ou ainda não identificados. ã Outro problema ocorre quando sangue não infectado é utilizado para fazer apremunição. Sendo assim, a identificação das babésias deve ser feita corretamente. ã O sucesso no tratamento da babesiose com medicamentos efetivos (váriosprodutos estão disponíveis) depende muito do diagnóstico rápido da doença. Em casosavançados de anemia (e suas conseqüências) geralmente o tratamento não é eficaz. ã  Tratamentos à base de quimioterápicos são eventualmente usados em conjunto comvacinas imunizantes, para evitar ou diminuir as possíveis reações adversas da vacina.Algumas vacinas estão sendo usadas para a prevenção da babesiose e outras aindase encontram em desenvolvimento. No Brasil, as vacinas são baseadas tanto em cepasintactas de Babesia e  Anaplasma como em frações imunogênicas desses agentes. Vacinasbaseadas apenas em eritrócitos infectados (congelados) têm sido amplamente usadas(substituindo a premunição convencional - com sangue total).Vacinas recombinantes estão atualmente em desenvolvimento. O progresso dessesestudos depende do entendimento dos mecanismos reguladores e efetores específicosnecessários para uma proteção adequada.
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