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A Casa Da Rua Beker

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Sarah Sarah tempestades estão se formando em seus olhos Sarah Sarah nunca é nunca é uma boa hora pra se dizer adeus Sarah- Gerfersom Starship1984 Robert Já era a terceira vez que Robert se metia em encrenca, só que dessa vez ele se ferrou legal, foi um erro ter assaltado aquela farmácia perto do posto 14. Ele sabia, algo lhe avisara que não iria dar certo mas ele não deu ouvidos a sua intuição alias nunca deu, e agora Robert pensava, 27 anos e a única coisa que você tem na vida é um Chev 74 prata dois jeans, um casaco que foi do seu pai e agora uma bala bem no meio do seu estômago. Ele nem se importava tanto com a dor, mas com a possibilidade de ser pego, o sangue esse sim era um outro problema, "nunca leve um tiro no estômago" lhe diziam, o fim é bem mais rápido. Muitas coisas passavam por sua cabeça uma delas era porque foi assaltar aquela porra? foi tudo tão rápido que ele nem notou o cara atraz dele com aquela pistola automática um segundo e bum, acho que o matei foi um reflexo consolava-se o que dirão no tribunal? Assaltante mata policial em nome do dever, aqui no Texas é cadeira elétrica sem muitas conversas e sem nenhum perdão. Muito bem Robert agora você conseguiu lascar sua vida de vez, parabéns pensava ele dirigindo seu Chev 74 prata com uma mão e apertando o ferimento no seu estômago com a outra no volante. Não podia ir a um hospital é claro, não tinha amigos e o parente mais proximo era um primo pastor presbiteriano que sob hipotese alguma lhe daria abrigo, sentia um verdadeiro idiota de estar naquela situção, lembrou da velha casa da rua Beker, podia se esconder lá e chamar o Rod, ele podia lhe prestar algum tipo de ajuda desde que fosse bem remunerado, é parece um bom plano... Sarah Quando Sarah era bem pequena seu pai Samuel Bullock um ex-veterano da primeira guerra sempre lhe dizia "Seja boa com estranhos que lhe pedem ajuda, pois você mesma um dia pode ser uma estranha pedindo ajuda", ele não entendia bem essa coisa de ajudar estranhos e se o estranho for mal, com tudo era obediente ao pai e sempre que podia fazia o que ele mandava, ela gostava mais da sua mãe não se sabe o porque mal lhe dava atenção e quase nunca tinha tempo para estar com ela mas sua estima pela Dona Raquel era assim que sua mãe se chamava. Era inegavel. Crescera cercada de uma grande família mas se tornara meio reclusa era tímida e calada, mesmo quando os pais morreram num desastre de carro ela se tornou ainda mais fechada, até que conheceu Stephen aí tudo mudou. Mesmo tendo apenas quinze anos e ele dezesseis ficou bem claro para ambos que eles haviam nascidos um para o outro, então ela se tornou radiante, passou até a frequentar a sinagoga todos notavam a diferença, até parece que nem tinha passado por uma grande tragédia. Eles viviam grudados dia e noite, até que ele a pediu em casamento, ela aceitou claro mas em seguida foi convocado para guerra... Robert saiu do carro cambaleante segurava forte o ventre com um pano que a essas alturas já estava ensopado de sangue, tentou caminhar em linha reta mas o que conseguiu foi um zig-zag mal feito. Ele era um cara alto uns 1,85 e era forte mas a perda de sangue o deixara quase que a ponto de desmaiar, havia ligado para o seu velho conhecido Rod pelo celular e lhe colocado a par da situação, agora era só esperar e manter-se vivo até ele chegar. Caminhou até a porta tentando não cair, a velha porta não ofereceu resistência e escancarou-se mesmo com um chute débil do Robert, já era por volta das três da tarde Robert estava exausto sentiu-se como se toda a casa estivesse rodando e rodando e derrepente tudo ficou escuro... A Casa da Rua Beker A casa da rua Beker era uma reliquia do século 18 ela fora construida por um rico barão do gado seu nome era Patt McNamara, na verdade era pra ser um presente para sua esposa Emily, ele estava apaixonado e mesmo a grande diferença de idade não o impediu de desposa-la, o pai dela devia uma vultuosa quantia ao banco central e Patt se encarregou de pagar a dívida do futuro sogro, e sem nenhuma pretensão pedira a mão da jovem Emily, coisa muito comum aliás naqueles dias. Mas o fato é que o oportunismo do ricaço também tinha boas intenções, ele estava apaixonado, no auge dos seus setenta anos depois de três casamentos terminados em viuvez se sentira novo para recomeçar. Mesmo com a relutancia da noiva fato pouco importante, o casamento foi um acontecimento, o noivo como tinha dinheiro de sobra mandou construir a famosa casa e não poupou exageros, marmores turcos, madeira de lei, mandou fazer um chafariz em forma de anjo bem no meio seu jardim, que era digno de um pálacio indiano. Essa casa fora construída em tempo recorde, alguns dizem que levou pouco menos de um ano outros dizem que levou um ano e meio mas na verdade, ela já estava meio que construída bem antes deles se conhecerem. A casa era um tipo de sonho dele mas aí ele a conhecera e cansou de dizer que seria presente de casamento, só que como toda boa história de casas antigas tem que ter um pouco de tragédia, cerca de dois anos depois de casados a então senhora Emily McNamara achou de se apaixonar pelo caseiro, um rapaz jovem e bonito, claro ela se aproveitava das viagens de negócios do seu marido pra traílo, por outro lado o velho Patt desconfiava porem fazia vista grossa desde que sua esposa cuidasse bem da casa e representasse o papel de boa esposa para a sociedade estava tudo bem. O propio Patt frequentava quase que diariamente o bordel da Violett, ele também já havia se cansado da sua mulher já tinha um certo tempo. Numa quente manhã de verão enquanto o velho Patt se ausentava de casa, todos os empregados pararam para presenciar uma calorosa discursão entre Emily e o caseiro, algo sobre um relacionamento homossexual entre ele e o jardineiro, os gritos e as ofenças foram ficando piores a cada momento ninguem sabia direito o que fazer, até que o caseiro quiz por fim na balburdia e virou as costas pra Emily, ela se enfurenceu e o empurrou da escada, todos viram ele rolou como um pacote as escadas e só parou quando chegou ao fim dos degraus. Ele havia morrido com o pescoço quebrado, ela se desesperou mas nada podia ser feito, "O que fazer? O que diriam? Como Patt reagiria?" Ela correu para o seu quarto e procurou a arma que seu marido lhe confiara e até tentou colocar na boca para atirar, mas foi surpreendida por Roger o jardineiro que a atacou com uma tesoura de jardinagem cortando seu pescoço. Foi uma tragédia de proporções épicas, Patt logo fora avisado e correu para casa, chegando lá deparou-se com a terrível cena, um corpo no pé da escada, outro estendido no meio da cama com a cabeça separada do corpo e o jardineiro totalmente fora de sí, segurando uma tesoura ensaguentada, Patt sacou sua arma e colocou na boca atirando logo em seguida. A sociedade da época ficou chocada com a tragedia da mansão Beker, os jornais noticiaram por meses, não faltou interessados na compra da casa pois ela havia baixado de preço por conta da tragédia. Vários outros fatos violentos ocorreram nos anos seguintes, com o tempo a casa foi perdendo o valor comercial até que foi comprada pela família Bullock no final dos anos trinta. Robert estava inconsciente há pelo menos três horas, sentia uma dormencia nas extremidades dos seus membros, sentia uma paz, uma estranha paz como nunca sentira ou pelo menos não se lembrava de ter sentido essa estranha sensação, sentia-se estranhamente confortável, apesar de estar consciente do perigo que estava correndo, imagens vinham em sua cabeça e desapareciam na mesma velocidade em que vinham, imagens de quando era criança e corria de patins pela alameda próxima a sua casa, sentiu-se bem, mas lá no fundo lembrou-se que é comum sentir-se confortável quando se está proximo da morte, achou de muito mal gosto morrer bem ali tão jovem, lutou o máximo que podia para acordar, fez um esforço sobre humano e acordou meio debil, com tudo girando a sua volta, demorou um pouco para notar onde estava, aos poucos as informações lhe viam a mente, estava num quarto deitado numa cama será que Rod já havia chegado? Claro ninguem mais sabia onde ele estava só o Rod. Já era noite podia sentir o frio lá fora, o quarto estava em silencio absoluto, levantou o cobertor pra certificar -se do ferimento estava limpo porém sangrava, só que agora um pouco menos, estava doendo muito quando se mexia então resolveu por hora ficar quieto evitaria a dor e o sangramento. A porta se abriu derrepente e uma jovem de cabelos vermelhos apareceu, ela devia ter uns vinte anos e parecia bastante tranquila; -Então voce acordou? Ótimo! Disse ela de forma pratica. -Onde está o Rod? Perguntou ele se ajeitando na cama. -Quem ? -Não me diga que foi você quem me trouxe sozinha pra cá? -Foi eu sim, e não sei de Rod nenhum, não tinha outro lugar pra desmaiar, alias o ferimento no seu abdome está sério é melhor ir a um hospital, eu mesmo chamaria mas estou sem telefone. -Não será preciso o meu amigo Rod vem me buscar, mas que é você afinal? -Sarah, e você deve estar numa encrenca danada, espero que esse tal Rod venha logo eu já fiz minha boa ação do dia. -Tem um lugarzinho no céu graças a mim? Disse Robert tentando ser engraçado. -Eu não quero saber como você levou esse tiro ou como veio parar aqui, mas é melhor resolver logo como vai sair eu não quero me envolver mais do que eu posso. -Obrigado por dar abrigo a um estranho se não fosse por você eu não sei oque seria de mim. Vou tentar lhe importunar o menos possível. -Espero que sim, vou estar na outra sala se precisar de algo me chame, que horas seu amigo vem? -Logo, espero. Ela saiu do quarto e fechou a porta com cuidado como se não quisesse fazer barulho, "Algumas coisas estavam confusas na minha cabeça, sempre soube que a casa da rua Beker estava abandonada e agora ela tem uma garota morando nela, será que eu estava vendo coisas?" Essa era a menor das suas preocupações no momento, ele não estava sentindo suas pernas estava com muito medo mas Robert era assim, sempre procurava se manter frio nas piores situações, aprendera isso com sua mãe que dizia nunca demonstre seus sentimentos quanto mais as pessoas souberem sobre você mais elas terão poder sobre você. Deve ser por isso que ela nunca demonstrou carinho algum por ele, agora tanto faz ela morreu mesmo e se ele não saisse dali também estaria morto. A cabeça de Robert era um mosaico de imagens e idéias confusas sentia-se estranho quase esquecera de como viera parar ali, não tinha certeza de quanto tempo havia se passado desde a hora que chegou, ouvia vozes que vinha de fora do quarto sons confusos, uma discursão que não conseguia indentificar, sobretudo sentia-se em paz. Era estranho mas se sentia em paz seu corpo estava meio que anestesiado com aquela dor toda, começou a pensar em Sarah... foi quando ela entrou no quarto novamente; -Melhor? perguntou ela. -Comparado a que? Respondi secamente. Sabe tenho algumas perguntas pra você. Continuei, quem está morando aqui com você? E você mora aqui desde quando? Pensei que essa casa estivesse abandonada. -Nossa quantas perguntas. Ela respondeu meio sinica. Eu deveria estar te enchendo de perguntas mas ao inves de perguntas eu estou cuidando de você, por exemplo quem é voce? Como levou esse tiro? -Me desculpe não queria te encher, só que desde menino eu sei que essa casa está abandonada e derrepente você está aqui e tem outras vozes, tem mais alguém aqui? -Do que você está falando? Eu moro aqui desde pequena desde que meus pais morreram e quanto ter mais alguem aqui eu moro aqui com o meu marido. -Marido? -Sim o nome dele é Stephen, estamos casados há dois anos é por isso que eu preciso que você resolva logo sua situação antes que ele volte. -Eu acho que estou morrendo sinto muito. Respondi. acho que seu marido quando voltar vai ter que recolher um cadáver. -Porque voce está falando isso? -A gente sabe quando o fim está proximo, eu revi essa cena minha vida inteira é como um sonho que se repete toda noite... Quando o seu marido voltar?! -A qualquer momento ele é soldado estava no front e já deu baixa. -Onde ele está no Iraque? -Iraque? Não ele estava na Europa, ele estava na invasão da costa da Normandia. Isso foi há dois meses depois ele deu baixa e está vindo pra casa. -Normandia, olha eu não sou muito bom em história mas...meu Deus. As palavras travaram na boca de Robert, ele começou a perceber tudo, derrepente sua cabeça se encheu de informações e ele caiu em si. O destino havia lhe preparado uma estranha rota -Agora escute com atenção, continuou, a quando seu marido foi pra guerra? -Há dezoito meses. Ela respondeu começando a chorar. -Qual data? Insisti. -18 de janeiro de 1945. Sarah estava em prantos parecia que uma tempestade havia se formado em seus olhos. -Ele mandou uma carta dizendo que estava voltando, e eu estou esperando por ele. - A guerra acabou há pelo menos cinquenta anos... -Então...Ele não virá? -Você sabe que não. Acho que você sempre soube só não quiz acreditar eu sinto Sarah. -Então fale...diga. Ela o olhou firme com os olhos vermelhos de tanto segurar o choro. -Me diga, eu... -Sim está morta. -Eu percebia as coisas mudando lá fora, o tempo é engraçado, ontem eu acordei tossindo muito, sentia uma forte dor no peito, lembro que fiquei com febre alta o dia inteiro, estava anciosa recebi a carta de Stephen e quase não me aguentei depois não me lembro de muita coisa...meu Deus hoje é cinquenta anos depois... Ela o olhou com olhos cheios de uma tristeza que ele jamais vira em alguem antes. -Se serve de consolo eu também estou morrendo, posso sentir nos meus ossos. -Morrer é muito tedioso não? questionou ela, -Sim, morrer é uma merda conclui. Robert morrera segundos depois daquela definição tentou respirar mais fundo mas suas forças não o permitiam mais prosseguir, seu destino estava inexoravelmente traçado, talvez ele precisasse estar ali para fazer com que Sarah finalmente percebesse que já tinha partido, talvez a vida nem seja assim tão poetica, talvez mas logo depois de sua morte Robert também se libertara, como um recém nascido olha pro mundo pela primeira vez e se surpreende com coisas que sempre estiveram lá mas agora com sutilezas que só alguem liberto pode enxergar. Olhou para Sarah e aos poucos foi a reconhecendo, seus cabelos e depois seu rosto, sua boca, seus contornos foram aos poucos sendo revelados. Foi como uma viagem ao passado e ela também aos poucos foi recordandando-se de alguem que ela tanto esperara, olhou para ele e o reconheceu, como não pode ter percebido antes, sua voz seu olhar o mesmo olhar que foi embora naquele dia, tanta espera até parece que foi ontem, mas finalmente o seu amado havia voltado pra casa. Não termina Joe Alvez
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