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a conquista da américa - a questão do outroLIVRO

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A Conquista da América A Questão do Outro Tzvetan Todorov Martins Fontes 2ª edição Tradução de BEATRIZ PERRONE MOI Índice 1. Descobrir A descoberta da América Colombo hermeneuta 17 Colombo e os índios 41 II. Conquistar As razões da vitória 63 Montezuma e OS signos 75 Cortez e os signos 117 3 III. Amar Compreender, tomar e destruir 151 Igualdade ou desigualdade 175 Escravisino, colonialismo e comunicaç 203 IV. Conhecer Tipologia das relações com outrem 223 Durán, ou a mestiçagem das cultur
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  A Conquista da AméricaA Questão do Outro Tzvetan TodorovMartins Fontes2ª edição Tradução de BEATRIZ PERRONE MOIÍndice1. DescobrirA descoberta da América 3Colombo hermeneuta 17Colombo e os índios 41II. ConquistarAs razões da vitória 63Montezuma e OS signos 75Cortez e os signos 117  III. AmarCompreender, tomar e destruir 151Igualdade ou desigualdade 175Escravisino, colonialismo e comunicaç 203IV. Conhecer Tipologia das relações com outrem 223Durán, ou a mestiçagem das culturas 245A obra de Sahagún 267EpílogoA profecia de Las Casas 297Notas bib1io 311Índice das ilustrações 317Referências 3191DescobrirA descoberta da AméricaQuero falar da descoberta que o eu faz do outro, O as sunto é imenso. Malacabamos de formulá-lo em linhas gerais já o vemos subdividir-se em categoriase direçõesmúltiplas, infinitas. Podem-se descobrir os outros em si mes mo, e perceber quenão se é uma substância homogênea, e radicalmente diferente de tudo o que nãoé simesmo; eu é um outro. Mas cada um dos outros é um eu também, sujei to comoeu. Somente meu ponto de vista, segundo o qual todos estão lá e eu estou sóaqui, poderealmente sepa rá-los e distingui-los de mim. Posso conceber os outros como umaabstração, como uma instância da configuração psí quica de todo indivíduo, comoo  Outro, outro ou outrem em relação a mim. Ou então como um grupo social concreto ao qual nós não pertencemos. Este grupo, por sua vez, pode estar contidonuma sociedade:as mulheres para os homens, os ricos para os pobres, os loucos para os normais . Ou pode ser exterior a ela, uma outra sociedade que, dependendo do caso,serápróxima ou longínqua: seres que em tudo se aproximam de nós, no plano cultural,moral e histórico, ou desconhecidos, estrangeiros cuja língua e cos 3tumes não compreendo, tão estrangeiros que chego a he sitar em reconhecer quepertencemos a uma mesma espé cie. Escolhi esta problemática do outro exterior,de modoum pouco arbitrário, e porque não podemos falar de tudo ao mesmo tempo, paracomeçar uma pesquisa que nunca poderá ser concluída.Mas como falar disso? No tempo de Sócrates, o orador costumava perguntar aoauditório qual o seu modo de ex pressão, ou gênero preferido: o mito, isto é, anarraçào,ou a argumentação lógica? Na época do livro, a decisão não pôde ser tomada pelopúblico. A escolha teve de ser feita para que o livro existisse. Temos de noscontentarem ima ginar, ou desejar, um público que teria dado tal resposta, e não outra, eem escutar aquela sugerida ou imposta pelo próprio assunto. Escolhi contar umahistória.Mais próxima do mito do que da argumentação, mas distinta em dois pia flOS: emprimeiro lugar, é uma história verdadeira (o que o mito podia mas não devia ser);em segundo lugar, meu in teresse principal é mais o de um moralista do que o deum historiador, O presente me importa mais do que o passado. Não tenho outromeiode responder à pergunta de como se comportar em relação a outrem a não sercontando urna história exemplar(este é o gênero escolhido), uma história tãoverdadeiraquanto possível, mas tentando nunca perder de vista aquilo que os exegetas daBíblia chamavam de sentido tropológico, ou moral. Neste livro se alternarão, umpouco  como num romance, os resumos, ou visões de conjunto resumidas, as cenas, ouanálises detalhadas re cheadas de citações, pausas, em que o autor comenta oque acabade acontecer, e, é claro, elipses, ou omissões freqüen tes. Não é esse o ponto departida de toda história?Entre os vários relatos que temos à disposição, escolhi um: o da descoberta econquista da América. Por conve niência, estabeleci uma unidade de tempo - oscem anosque seguem a primeira viagem de Colombo, isto é, basica mente, o século XVI.Estabeleci também uma unidade de es paço - a região do Caribe e do México,chamada àsvezes de Meso-América, e, finalmente, uma unidade de ação - a4percepção que os espanhóis têm dos índios será meu úni co assunto, com umaúnica exceção, no caso de Montezu ma e os seus.Duas razões fundamentaram a escolha deste tema co mo primeiro passo nomundo cia descoberta do outro. Em primeiro lugar, a descoberta da América, oumelhor, a dosamericanos, é sem dúvida o encontro mais surpreendente de nossa história. Na descoberta dos outros continentes e dos outros homens não existe, realmente,estesentimento radical de estranheza. Os europeus nunca ignoraram total mente aexistência da África, ou da Índia, ou da China, sua lembrança esteve semprepresente,desde as srcens. A Lua é mais longe do que a América, é verdade, mas hoje sabemos que aí não há encontro, que esta descoberta não guar da surpresas damesma espécie.Para fotografar um ser vivo na Lua, é necessário que o cosmonauta se coloquediante da câmara, e em seu escafandro há um só reflexo: de um outro terráqueo.No iníciodo século XVI, os índios da Amé rica estão ali, bem presentes, mas deles nada sesabe, ain da que, como é de esperar, sejam projetadas sobre os seresrecentemente
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