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A Construção Da Narrativa e a Mulher Vista Na Ótica Polifônica No Romance Madona Dos Páramos

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Análise literária
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  A Construção da narrativa e a mulher vista na ótica polifônica noromance  Madona dos Páramos Ricardo Guilherme Dicke é um escritor mato-grossense nascido em Chapada dosGuimarães, no dia 16 de outubro de 1936 e morreu no dia 9 de !ulho de #$ %e& o curso de%iloso'ia no (nstituto de %iloso'ia e Ci)ncias *ociais da +%R$ osteriormente especiali&ou-se em./eidegger e o roblema do 0bsoluto. e .%enomenologia. de erleau ont2$ rabalhou como pro'essor, tradutor e !ornalista$ 4studou pintura com %rank *che''er entre 1965 e 1969, e com(an *erpa e (ber) Camargo entre 1969 e 1951$ 0lém disso, estudou cinema no Rio de aneiro$ Dicke era 'ilho de garimpeiro, morou em 7rias cidades de ato Grosso, e demonstragrande autonomia ao 'alar sobre o estado em suas obras, caracteri&ando também o seuregionalismo, sendo suas obras marcadas pela descri8ão signi'icatia da egeta8ão, os animais, atradi8ão e imagin7rio cuiabano$ ublicou os romances  Deus de Caim  :196#;< Caieira  :1955;  Madona dos Páramos :19#1;<  A Chave do Abismo  :19#6;< Último Horizonte  :19##;< Cerimônias do Esquecimento :1999;<  Rio Abaixo dos aqueiros  : 1; e ! alário dos Poetas  : 1;$ ublicou também oliro de contos #oada do Esquecido e in$onia Eq%estre  : 6; e um ensaio Con&unctio!''ositorum no (rande ert)o  :  ;$ ela +%, recebeu o pr)mio Doutor /onoris Causa em =$ ee seu romance ! alário dos Poetas adaptado para teatro sendo apresentado em >isboano ano de ?$Ricardo Guilherme Dick trabalha com o imagin7rio mato-grossense em suas obras por meio da mimese @ue a literatura possibilita, nos apresenta uma 'orma de mitologi&a8ão @ue est7enrai&ada na cultura do poo$ 0 partir dessa caracteri&a8ão de suas obras, podemos identi'icar uma cultura identit7ria @ue nos remete na dire8ão de uma realidade 7rdua para o mito e dessemito para o eu, a introspec8ão indiidual dos personagens$  Aesse sentido, nossa eri'ica8ão transita entre o regional, o uniersal e o indiidual, por@ue, mesmo contendo uma identidade comum de um espa8o em @ue se ie, h7 a particularidade de cada ser, e essa eBpressão ntima de cada personagem é 'eita por meio da poli'onia @ue ecoa conhecimentos de amplitude global, dando o& narratia aos personagens$ 7nestas obsera8es podemos di&er @ue Dicke 'oge da caricatura do personagem regional 'eita por outros autores como osé de 0lencar e onteiro >obato$ 4ssa liberdade criatia dee-se Es   possibilidades de ruptura de 'ronteiras @ue a pFs-modernidade trouBe, e @ue Dicke a aproeitoucom maestria$ Cor'us  deste trabalho é constitudo pela obra  Madona dos Páramos , sendo esta obramuito signi'icatia, uma e& @ue ela trabalha tanto com o eBterior @uanto com o interior de cada personagem, @ue d7 uma capacidade isual di'erenciada ao leitor$ emos um narrador oniscienteem terceira pessoa e este transita sua o& entre um personagem e outro, @ue é um dos elementoscaracteri&adores da obra, por@ue compe a signi'ica8ão do conteBto e da tensão apresentada noenredo, o leitor consegue obserar de 7rios pontos de ista, podendo 'a&er uma capta8ão melhor da realidade e da 'antasia passada na mente e no espa8o 'sico$4sta transi8ão de o&es ocorre de maneira @uase imperceptel nos primeiros momentos,isso por@ue @uase não h7 marca8ão estilstica entre a passagem do narrador obserador para onarrador personagem, a percep8ão pode ocorrer muito depois da troca de narrador, isto se d7deido a linguagem usada por Dicke @ue não deiBa lacunas de intelectualidade entre o narrador eos personagens, o @ue !7 caracteri&a um noo tipo de narra8ão e de cria8ão, em @ue temos personagens detentores de um pensamento Hnico, com caractersticas prFprias @ue d7 personalidade, mas com uma 'ala tão elaborada @uanto a do narrador, o @ue não ocorre na maioriadas literaturas em @ue .o narrador representa o criador, o literato culto ocidental, en@uanto a personagem representa toda a sorte de culturas eBFticas e marginali&adas. :Iarbosa, #;$%alar sobre o narrador nesta an7lise é importante, pois necessitamos entender esse processo criatio para analisar a rela8ão entre as personagens, uma e& @ue temos acesso aos'luBos de consci)ncia de todos eles, a partir da nossa no8ão de consci)ncia ntima dessas rela8esinterpessoais, podemos leantar hipFteses sobre os interesses e das capacidades dos personagens,estes @ue t)m uma i)ncia @ue carrega uma carga de iol)ncia desde muito cedo, e isto acopladoao conteBto atual da estFria lea-os a comportamentos animalescos, perdem-se os limites @ue sãoconencionados socialmente, h7 uma ontade eBcessia de libertinagem, uma busca por umaterra sem leis, uma reolta contra o sistema ciil$  problema apresentado na narratia !7 come8a nas primeiras p7ginas da obra, @uandoosé Gomes est7 'ugindo da cadeia, esta @ue 'oi demolida pelos presos e os policiais 'orammortos, e encontra uma idosa pela rua, abita$ 4les t)m uma conersa con'litosa e abita, moida pelo medo da iol)ncia @ue costuma ocorrer, amaldi8oa osé Gomes com as seguintes palaras.J$$$K lembre-se de abita, a @ue nunca !ogou praga sem pegar e @ue te amaldi8oa neste instante,1  oc) h7 de penar no mundo @ue nem cachorro de ndio, escute o @ue te 'alo.$ :p$1=;$ 0o mesmotempo em @ue percebemos @ue h7 uma 'uga sendo este o problema citado acima, tambémnotamos algumas caractersticas na 'ala da personagem abita, a @uestão de uma tradi8ãoregional, marcada pela cren8a e também pelo contato com indgenas se mostrar 're@uente, umae& @ue ela compara o so'rimento causado pela praga ao cachorro de ndio, isso sãocaractersticas @ue nos di& muito sobre o local onde esses personagens habitam, nos remete a umimagin7rio dessas pessoas, e, logo apFs, emos @ue a cren8a não se solidi'ica sF nessa personagem idosa, mas osé Gomes necessita da ben8ão para seguir em 'rente e a pede em nomede sua mãe, @ue remete a uma tradi8ão de respeito Es mães, como podemos perceber no trecho aseguir .Aão, ou 'ugido, ou longe, a ben8ão, não negue, preciso, em nome de minha mãe @ue asenhora não conheceu.$ :p$16;$osé Gomes, depois de conseguir sua ben8ão, segue na sua 'uga a caalo pelo sertão$ Aessa !ornada ele se !unta a Garci, @ue é outro 'ugitio da cadeia$ osteriormente eles encontramuma casa com 7rias pessoas brutalmente mortas, e logo o grupo respons7el pelo massacrechega até eles$ 4ste grupo é constitudo por 7rios outros 'ugitios, tendo como lder +rutu$+rutu decide ir E uma 'a&enda do coronel >ouren8o, @ue 'ica prFBima dali, para roubar mantimentos e também para 'a&er outro massacre, desta e& ele !usti'ica o atentado tendo como preteBto, além da busca por alimentos, o 'ato de o coronel ter escraos em sua 'a&enda, para issoele escolhe como comparsas >opes ango de %ogo e edro eba$L importe ressaltar @ue mesmo @ue o narrador se!a onisciente e se!a obserador, ele nãoé onipresente, ele sF acompanha o maior nHmero de pessoas do grupo, se algum personagem saiem busca de alguma coisa ou para resoler algum problema, o @ue é nos mostrado é o grupo @ue'ica, o maior nHmero de pessoas$ *F 'icamos sabendo sobre o @ue acontece nas margens danarratia por meio da memFria, @uando um personagem relata ou lembra de algumacontecimento$ 0lém desses 'atos ocorridos no tempo presente, as do&e personagens elMnioCa!abi, Iabalão, Chico (nglaterra, Caeira, edro eba, Cangu8u, +rutu, osé Gomes, Garci,Iebiano %lor, >opes ango de %ogo e a o8a sem Aome, @uando obtém a o& narratia,constantemente caem num 'luBo de consci)ncia e também de memFria$ Com isso, o leitor tem asin'orma8es sobre o passado de cada personagem @ue é mostrado de maneira muito bemdetalhada, como se 'osse um conto dentro do romance$    Aeste ponto da narratia @ue ai se desenoler toda a trama e o nosso 'oco de an7lise$+rutu e seus comparsas ão E 'a&enda, roubam e 'a&em um massacre$ Aa 'a&enda estaa>ouren8o, seu genro, sua 'ilha e os empregados$  leitor sabe do @ue aconteceu por meio do personagem edro eba @ue relata 0marramos os cabras na cama de casal, despe!amos por cima um galão degasolina e tacamos 'ogo, depois o @ue sobrou 'oi obra do ento$ udo ardeu bonito$ 4,antes tiramos as orelhinha dele, para mode recorda8ão, pois como amos 'a&er umacoisa dessas sem lear as orelhas da@ueles @ue 'oram mortos por nFsN, @ue estão com+rutu para dar sorte$ Ouanto E mo8a, +rutu disse para @u), menina, teu pai 'oi ser assimN *abemos tudo sobre ele, não pense @ue não sabemos não$ Pamos le7-la conosco,os camaradas ão gostar, mas primeiro eu, claro$ :p$ 11; 0 partir da@ui, a mo8a @ue eles raptaram é tratada como o8a sem Aome, pois ela serecusa a se apresentar para eles pelo motio do massacre @ue matou seu pai, como !7mencionamos$ 0 chegada da o8a sem Aome é muito signi'icatia no enredo, por@ue ela é o @ueai moer toda a estFria da@ui em diante$ Come8a a desenoler uma tensão seBual animalesca,sem pudores, entre gestos e di7logos abertos, como se pode perceber .Iele&inha, acalme-se, te pe8o, oc) est7, sim em Ftimas mãos oc) ainda est7 tão linda &angada, até @ue pode bem dar-meum pouco de pra&er, esse corpo @ue tão pouco te custou$$$ +m dia$$$ Comigo$. :p$ 1;$0 o8a sem Aome, para se de'ender, usa o sil)ncio$  sil)ncio impe aos poucos orespeito, mesmo @ue este respeito se!a passel de @uestionamento$ Ouando lhe perguntam seunome, ela simplesmente recusa-se a responder  Q Como oc) se chama, meninaN*il)ncio 'orte @ue em da@ueles belos, pontiagudos, dolorosos peitos @uear'am, da@ueles 'ormosos olhos a&uis @ue brilham sem olhar, embaciados, perdidos aolonge em Fdio e néoa, nublagem de desespero, da@uela linda boca de l7bios carnudos econtrados, @ue Es e&es tremem$  Q Aão nos @uer di&er teu nome, linda mo8aN Q Cachorros, malditos  0 chegada da o8a sem Aome deiBa todos os homens do grupo 'ascinados por ela numsentido seBual, num primeiro momento, tale& isso se!a motiado pela situa8ão em @ue seencontraam, 7rios deles !7 estaam h7 muitos anos na cadeia e possielmente essecomportamento e pensamento se!a motiado, também, pela abstin)ncia seBual$ +rutu sentia-sedono da o8a sem Aome, e como todos os outros homens também tinham interesse, estes se perdiam em pensamentos e olhares transgressores para a mo8a$ +rutu 'icou sabendo das3
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