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A Cultura Latino-Americana No Caderno 2 Do Jornal Estado de São Paulo

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O presente artigo tem o intuito investigar durante os meses setembro, outubro e novembro de 2012 informações sobre a cultura latino-americana no Caderno 2, suplemento cultural do jornal Estado de São Paulo , mais conhecido como Estadão.
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  1 A cultura latino-americana no Caderno 2   do Jornal Estado de São Paulo 1 Leandro Willian Pires TRAVASSOS 2  O presente artigo tem o intuito investigar durante os meses setembro, outubro e novembro de 2012 informações sobre a cultura latino-americana no Caderno 2, suplemento cultural do jornal Estado de São Paulo, mais conhecido como Estadão. O recorte temporal faz parte de um estudo dividido em três períodos que vai desde 2000 a 2015 que servirão de base para a dissertação  A representação da cultura latino-americana nos suplementos culturais da grande imprensa brasileira  a ser defendida em 2016 no Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. De antemão, destaca-se que no breve levantamento é notório a baixa incidência de matérias publicadas sobre as expressões culturais dos países vizinhos, revelando dessa forma qual o tipo de ponto de vista do diário brasileiro e a relevância dada aos assuntos culturais desses países. Embora o Brasil seja considerado como parte integrante da América Latina, seu interesse pela região ainda é tomado pela apatia e desinteresse. Os temas latino-americanos comumente são engavetados para dá lugar a destaques a culturas hegemônicas. O motivo poderia estar em que essas literaturas têm maior prestígio e espaço na imprensa das nações hegemônicas, particularmente nos Estados Unidos. Para Barbosa (2006), a América Latina “só sai do limbo do noticiário em situações de excepcionalidade: tragédias, golpes de Estado, violência, abuso de poder, desastres naturais, ou seja, em todas as que reforçam o caráter de periferia”.  Esse tipo de abordagem dos impressos brasileiros atrelado ao modelo de  jornalismo importado dos norte-americanos acaba por incutir uma concepção alheia da cultura e da história da América Latina, muitas das vezes distorcida da realidade e longe da importância que a região representa em sua totalidade. A partir da análise busca-se instigar o leitor a visualizar claramente os elementos que envolvem a problemática e propor uma leitura reflexiva sobre realidade latino-americana que também diz a cada um dos brasileiros, diga-se de passagem, considerados também latino-americanos. 1  Artigo apresentado na Disciplina de Práticas Sociais do Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia  –  PpgEM/UFRN. 2  Formado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela UFRN e mestrando do Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia  –  PpgEM/UFRN.    2 Da cultura O conceito de cultura não é unanime. Para o sociólogo francês Edgar Morin o terno traz em seu significado a ambiguidade. “Cultura: falsa  evidência, palavra que  parece una, estável, firme, ao passo que é a palavra-armadilha, oca, sonífera, minada, dupla, traidora ”  (Morin, 1998:125). Santos (2006) faz uma reflexão sobre o conceito de cultura, sem, no entanto, apresentar uma definição única. Pelo contrário, ele apresenta uma definição ainda mais ampla: Cultura é uma dimensão do processo social, da vida de uma sociedade. Não diz respeito apenas a um conjunto de práticas e concepções, como, por exemplo, se  poderia dizer da arte. Não é apenas uma parte da vida social como, por exemplo, se poderia falar da religião. Não se pode dizer que cultura seja algo independente da vida social, algo que nada tenha a ver com a realidade onde existe. (SANTOS, 2006, p. 44) Canclini também compartilha desse pensamento ao colocar a cultura como um instrumento de desenvolvimento político e social. Segundo Canclini, é possível ver a cultura “como parte de la socialización de las clases y los gr  upos en la formación de las concepciones políticas y en el estilo que la sociedad adopta en diferentes líneas de desarrollo” (1987, p.25).  Benitez relaciona a cultura aos valores “materiais” e “espirituais” cultivados ao longo do curso da história dos povos. “O desenvolvimento desses valores materiais e espirituais está vinculado às circunstâncias econômicas, sociais, políticas e tecnológicas ” (1989, p.41) .  Nessa perspectiva, um dos instrumentos que contribuem consideravelmente para a promoção do desenvolvimento cultural dos povos são os meios de comunicação. São eles os responsáveis por relatar que acontece no mundo e promover as diversas culturas.  Na realidade, cultura e comunicação são dois termos que se interpenetram desde o surgimento dos primeiros meios de comunicação social. Apesar da existência de outros agentes mediadores e transmissores de cultura, como a Educação ou a Família, é inegável o poder que os media exercem sobre um número elevado de indivíduos. (SILVA, 2006, p.3)  3  No entanto, ao passo que os meios de comunicação são agentes culturais, são eles que também transformam a cultura em mercadoria. Segundo Jameson (2001, p.73), “a cultura tornou--se profundamente econômica, igualmente orientada para a produção de mercadorias. A ideia de uma “Indústria Cultural” foi trazida por Adorno e Horkheimer (1985) ao refletirem sobre o caráter mercantil que a cultura assumiu frente ao capitalismo no século XX. A cultura é uma mercadoria paradoxa. Ela está tão completamente submetida a lei da troca que não é mais trocada. Ela se confunde tão cegamente com o uso que não se pode mais usá-la. É por isso que ela se funde com a publicidade (ADORNO e HORKHEIMER, 1985,121). Bolognesi (1996, p.83) fala também desse caráter mercadológico da cultura ao afirmar que, tanto a arte quanta a cultura estão atreladas a “ atividade de exploração e expansão do capital”, além de participarem do “ universo simbólico como um dos mecanismos privilegiados de sedimentação do imaginário dominante ” . Essa hegemonia é exercida principalmente pelos meios de informação e da cultura de massas que tem a tendência de “mercantilizar” a produção cultural, a “massificar a arte e a literatura” por meio de variados suportes tirando a “ autonomia dos campos culturais ” (Canclini, 2008,  p. 20). Cabe nesse contexto de mercantilização da cultura, situar como a cultura latino-americana é difundida pelo Caderno 2, suplemento cultural do jornal Estado de São Paulo, visto a importância que o mesmo assume na disseminação da cultura. O Consumo da cultura na América Latina Uma pesquisa da Organização dos Estados Ibero-americanos divulgado em 2013 3  revelou que o aceso, a qualidade e a oferta de cultura nesse século cresceu na América Latina, mesmo com o baixo investimento por parte dos governos no campo cultural. Hábitos como ouvir música, assistir vídeos e ler são as práticas favoritas dos 3   “Encuesta latinoamericana de hábitos y prácticas culturales 2013” /disponível: <em http://ep00.epimg.net/descargables/2014/09/17/5930e8faeef75f360abe6b0cbfdb4340.pdf>Acesso em 28.10.2015.  4 latino-americanos, em razão da gratuidade e fácil acesso. Embora acesso a cultura tenha aumentado nos 20 países pesquisados de língua espanhola, mais o Brasil, na contramão, a média do Produto Interno Bruto (PIB) dedicada à cultura está abaixo de 0,5%. O estudo mostrou que no quesito cinema, 65% dos latino-americanos disseram não ter ido ao cinema no último ano, quanto à música, seis em cada dez latino-americanos escutam música gravada. Com relação aos livros, 45% dos entrevistados reconhece que não lê nunca ou quase nunca por motivos profissionais ou educativos. Em relação aos meios de comunicação, os latino-americanos costumam dedicar uma média de 3,5 horas por dia à televisão e 3,7 horas a mais nos finais de semana. Em relação à rádio, em média são dedicadas 3,9 horas diárias de segunda-feira a sexta-feira e a leitura de jornais consome 3,7 dias por semana. E por último, o acesso a Internet e as redes sociais, o estudo mostrou que grande  parte da população acima de 51 anos (80%) nunca usou e-mail ou internet, contra 57% das pessoas com idades entre 31 anos e 50 anos, e 33% dos mais jovens. O Facebook é a rede social mais usada em todos os países (38%), seguida pelo YouTube (21%). O levantamento realizado pela Organização dos Estados Ibero-americanos vem mostrar que embora o acesso à cultura na América Latina tenha crescido exponencialmente com a presença da internet, a região ainda sofre com falta de políticas culturais e como bem destacou a publicação online 4  do dia 17 de setembro de 2014 do EL PAÌS “A América Latina tem fome de cultura” . Já no campo da produção cultural, a América Latina sofre o efeito “amnesia”. Ainda hoje a região é estigmatizada como cultura menor. Segundo Amaral (2006, p. 37-38) a produção latino-americana existe apenas como uma “ expressão exótica, mágica e fantástica ”  pouco, ou nada, comparada à arte erudita produzida nos meios artísticos metropolitanos, sendo por isso relegada ao esquecimento ou a exclusão. A imprensa brasileira e a América Latina  A imprensa brasileira reproduz nitidamente essa concepção. A relação do Brasil com o restante da América Latina é marcado pela apatia e desinteresse, evidenciado  principalmente pela forma como a impressa brasileira aborda os temas pertinentes aos 4  Publicação disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/17/cultura/1410981112_655895.html> Acesso em 28.10.15
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