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A cultura visual na escola e os processos mediadores do Design na perspectiva freiriana

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Artigo de 2013 Referência: FARIAS, R. G. S. DE; COSTA, E. P. A cultura visual na escola e os processos mediadores do Design na perspectiva freiriana. In: VIII Colóquio Internacional Paulo Freire, p. 1–16, 2013. Recife. Disponível em: . Acesso em:
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  A CULTURA VISUAL NA ESCOLA E OS PROCESSOS MEDIADORES DO DESIGN NA PERSPECTIVA FREIRIANA Rosileide Guedes Sant’Ana de Farias 1 Elizabelle Pereira Costa 2 RESUMO: Este artigo é caracterizado por um levantamento bibliográfico e pela defesa do zelo pelo Design da Informação como instrumento da construção e da manutenção de artefatos  pedagógicos mais eficientes e eficazes, com destaque específico aos artefatos envolvidos no estudo da disciplina de Arte. Em meio a um cenário social mutante e complexo, sinaliza a Cultura Visual como importante ferramenta que instrumentaliza o processo educacional. A adoção de conceitos, respectivamente para Cultura Visual e mediação cultural, baseados na dialógica de Paulo Freire relacionados ao Design da Informação, são defendidos e justificados como necessários na educação do olhar do sujeito crítico para a interpretação de imagens na sua prática de liberdade.  Palavras-chaves : Cultura Visual. Arte/Educação. Design da Informação. INTRODUÇÃO Entende-se que os impactos evolutivos delineados pela civilização tecnológica hoje são fundamentais no Brasil, no âmbito escolar e da cultura. A comunicação no decorrer da história tem conduzido o ser humano a novas formas de pensar, refletindo em seu comportamento e direcionamentos. Paulo Freire, assim como outros autores srcinários de seus pensamentos e práticas, tem contribuído significativamente para que o processo educativo tenha comprometimento com a liberdade e com a consciência na busca por mudanças. Com o propósito de dialogar com as transformações existentes neste início do século XXI e reinterpretar a maneira como o conhecimento é desenvolvido, faz-se imperativa a discussão de que este não está centrado apenas no sujeito ou apenas no objeto, mas sim na dialética existente entre ambos em uma determinada cultura.  Na perspectiva freireana, essa relação tem um enfoque mais abrangente que se apoia na dinâmica entre a linguagem e a realidade do que é significativo ao sujeito. Sob o ponto de 1  Mestranda em Design da Informação pela Universidade Federal de Pernambuco  –   UFPE. Email: rosileideguedes@gmail.com 2  Doutoranda em Design da Informação pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Email: elizabellecosta@yahoo.com.br. Como citar este artigo FARIAS, R. G. S. DE; COSTA, E. P. A cultura visual na escola e os processos mediadores do Design na perspectiva freiriana. In: VIII Colóquio Internacional Paulo Freire, p. 1–16, 2013. Recife. Disponível em: <http://coloquio.paulofreire.org.br/participacao/index.php/coloquio/viii-coloquio/paper/view/471/32>. Acesso em:    2 vista epistemológico do construtivismo crítico, a visão de Freire reflete o mundo que a envolve. O saber tanto é srcinado como produzido culturalmente e é formado pelos indicadores qualitativos desse conhecimento, isto é, do que é 'eleito' ou não, no seu grau de importância. A Cultura Visual, nesse sentido, está intrinsicamente associada com as identidades sociais e as representações que são construídas, tanto na vida cotidiana, quanto na escola. A interpretação das ideias e a maneira de construir seus conceitos, através dos objetos artísticos e imagens em uma cultura, são extremamente importantes na formação do indivíduo, e somente pode ser interpretado algo que é passível de ser compreendido. A escolha desse tema srcinou-se de alguns questionamentos após leituras realizadas, sendo essas despertadas pelas inquietações de Coutinho (2006) e Coutinho e Freire (2007), somadas às percepções e às experiências pela prática em sala de aula, tanto no ensino fundamental, como na formação de professores no ensino superior. O objetivo deste trabalho é o de evidenciar a necessidade de uma educação através da cultura visual de forma adequada, através dos artefatos educacionais, voltados ao ensino da arte na escola e à inserção dos  processos do Design da Informação sob a ótica da leitura crítica de mundo. CULTURA VISUAL Em 1917, período em que a Europa sofria os impactos sobre a teoria do evolucionismo, o antropólogo Edward B. Tylor (1832-1917) definiu o termo Cultura (do latim colere , que significa cultivar) como “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos  pelo homem como membro da sociedade”  (LARAIA, 2006, p. 14). Essa primeira tentativa de definição de Cultura passou a ser objeto de estudo sistemático tratada como possuidora de causas e de regularidades. Seguidamente a isso, por essas características e por possuir diversificação e desigualdade de estágios, a Cultura se configurou como importante instrumento na concepção do processo evolutivo estabelecendo uma escala antropológica entre civilizações classificadas em ‘mais evoluídas’ e as ‘menos evoluídas’.  Em contrapartida a esses conceitos, surge a principal reação pelo método classificado como comparativo do antropólogo alemão Franz Boaz (1858-1949), cujos pilares são: a reconstrução da história dos povos ou regiões particulares, como também a comparação da vida social de diferentes povos, cujo desenvolvimento segue as mesmas leis, que defende o  particularismo histórico de cada cultura em detrimento de diversos episódios históricos, a    3  partir de observações de culturas consideradas ‘primitivas’ , portanto, sendo pioneiro nesse campo e criador da Etnografia. Diante dessas premissas, evidencia-se então que o processo de uma cultura seja 'resultante do meio em que o homem foi socializado'. Laraia (2006) cita o antropólogo americano Alfred Louis   Kroeber que, por volta de 1940, fez a distinção entre o orgânico e o social. Ainda segundo o estadunidense, o aprendizado está intrinsecamente associado à prática que é vivenciada e não pela determinação genética. Com o passar do tempo, uma versão antropológica moderna surgiu a partir da releitura desse conceito, suscitando duas vertentes: o  processo adaptativo (sistema biológico ao modo de vida: crença, econômico, tecnológico e etc.) e a corrente idealista (sistema: cognitivo, estrutural e simbólico). Entendemos que é nesses aspectos que a cultura condiciona o homem e a  forma de ver o mundo,  como parte de uma herança cultural de determinado grupo, como repetição de  padrão cultural na sua lógica própria, de forma dinâmica e cumulativa e que pode ser um  processo interno (lento) ou externo (brusco ou mais lento). Conectando aos primórdios tempos da pintura pré-histórica, os meios pelos quais a expressão da cultura humana tem sido manifesta, indo através das imagens, milênios antes da  palavra escrita. Contudo, o advento da era Gutemberg, no século XV, alavancou expressivamente a cultura da escrita, desacelerando assim a cultura da imagem. Mais tarde, no século XX, a era da imagem se consolida e desenvolve-se vertiginosamente, tornando-se híbrida, até a era digital de nossos tempos. Evidencia-se, então, que o código verbal não pode se desenvolver sem imagens. Os discursos imagéticos carregam intrinsicamente essa premissa e consequentemente denotam isso. Com o indicativo de Santaella e Nöth (2008, p. 14), a palavra 'teoria' contém na sua raiz, uma imagem, pois a 'teoria' na sua etimologia, significa 'vista ’,  que vem do verbo grego theorein : 'ver, olhar, contemplar ou mirar'. Sim, a teoria das imagens sempre implica em uso das imagens . O universo das imagens se divide em dois domínios: o perceptível e o mental  –   ambos não existem separadamente, pois estão inextricavelmente ligados em: desenhos,  pinturas, gravuras, fotografias e as imagens cinematográficas, televisivas, videográficas e infográficas. Neste campo, as imagens são mediações entre o homem e o mundo. O segundo domínio é imaterial: são as imagens de nossa mente que aparecem como visões, fantasias, imaginações, esquemas, representações mentais. Concordando com essas colocações, Elkins (2003) e Brea (2005), apud Hernández (2007, p. 21) nos remetem ao conceito de Cultura Visual, que, em alguns aspectos, também se conceitua como estudos visuais. É um recente campo de estudos, direcionado à construção    4 das artes visuais, na mídia e na vida cotidiana , ocupando uma parte significativa na experiência do dia a dia das pessoas. As discussões em torno dos Estudos da Cultura Visual remetem ao desafio de  possibilitar não apenas uma 'alfabetização visual', mas também incluir a criticidade da leitura,  permitindo assim uma construção dos saberes como: analisar, interpretar, avaliar e criar a  partir das informações que estão vinculadas, oriundas de textos, orais, auditivos, escritos, corporais e pelos que estão associados às imagens que exacerbam as representações tecnologizadas da sociedade contemporânea. As representações visuais srcinam-se e do mesmo modo fazem intercessão de e com as formas que cada indivíduo estabelece, como também na maneira de socialização e aculturação, onde individualmente cada pessoa se encontra envolvida desde o nascimento e durante o percurso da vida. E são essas formas de relação que cooperam para dar sentido ao modo particular de sentir e de pensar, de olhar-se e de olhar. Diante desses aspectos, Goodman (apud GARDNER, 1987, p. 76-7), filósofo norte americano e fundador do Projeto Zero da Harvard, declara que a maneira que se lê um rabisco depende do contexto em que ele se insere, do marco gráfico que o cerca e do contexto mental do observador. Nesse sentido, uma garatuja num desenho infantil constitui um significado, num atlas tem outro, num texto outro conceito e assim por diante. O direcionamento se dará pelo contexto gráfico e as informações que o leitor possui. O ato de ler, conforme Pillar (2006), implica em hibridar informações do objeto, suas características e detalhes distintos como: cor, formato, concepção do leitor ao ler, instrução referente ao objeto, suas conclusões, sua ideia. Deste modo, o processo da leitura está associado ao que está à frente do nosso olhar e do 'background' que possuímos a partir dele. E COMO EDUCAR VISUALMENTE NESSA CULTURA? Desde os primórdios da última década do século XX, o mundo vivencia o impacto mutante advindo de novas tecnologias informacionais. Este tem sido o fenômeno econômico de mais alto impacto social e cultural contemporâneo, pois gera grandes transformações na  produção de bens e serviços e na cultura local.  Nesse panorama, os veículos comunicacionais, srcinados desse processo, como a  Internet  , estão associados nessa globalização e realizam, entre outras modificações, uma transformação radical na apresentação dessa informação, atingindo milhares de pessoas mundialmente.
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