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A Esquina de um Clube Imaginário Ada Dias Pinto Vitenti1 Brasília, 02 de agosto de 2004. 1 Mestre em História Social pela Universidade de Brasília – UnB. Sumário Primeiro Passo 03 Clube da Esquina 06 Para Lennon e McCartney 09 Paisagem da janela 11 Tudo o que
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    A Esquina de um Clube Imaginário Ada Dias Pinto Vitenti 1  Brasília, 02 de agosto de 2004. 1  Mestre em História Social pela Universidade de Brasília  –   UnB.   2 Sumário Primeiro Passo 03 Clube da Esquina 06 Para Lennon e McCartney 09 Paisagem da janela 11 Tudo o que você podia ser/ O que foi feito deverá 13 Clube da Esquina nº 2 16 Bibliografia 18   3 1.   Primeiro passo Embora em um primeiro momento possa parecer deveras aborrecido voltarmos ao século XIX, tal exercício se faz aqui como escolha, pois pretendemos passear por algumas noções que nos são caras e que, negando-as ou não, as vozes da produção historiográfica do dito século ainda ecoam entre nós. Primeiramente pensamos na idéia de história do século XIX como disciplina acadêmica, presa aos rigores da análise das fontes escritas, documentos cujo conteúdo deveria ser submetido obrigatoriamente à verificação de sua veracidade e nos quais fato e ficção deveriam estar explicitamente demarcados. Vários pressupostos formulados por essa história que se pretendia científica ainda fazem parte do trabalho do historiador contemporâneo, ainda que muitos tenham servido como estímulo a verdadeiras reviravoltas tanto no campo metodológico como temático Da historiografia atual. Respeitando os limites de um breve ensaio, não pretendemos construir aqui um resumo da trajetória da historiografia no século XX. Contudo, acreditamos ser importante para o tema aqui trabalhado ressaltar alguns pressupostos teóricos que utilizamos e dos quais o mais importante talvez seja a reabilitação narrativa. A cientificidade imposta à pesquisa e à escrita histórica do século XIX rechaçou de seus limites a narrativa, ligada à literatura e à ficção. Ilusão daqueles historiadores que nunca deixaram de produzir grandes narrativas, ainda que estas não recebessem esse nome e viessem revestidas da autoridade de verdade factual. Sim, a História teria como meta atingir a verdade do acontecido, mas não como mímesis. Entre aquilo que teve lugar um dia, em um tempo físico já transcorrido e irreversível, e o texto que conta o que aconteceu, há u ma mediação. (…) O que o historiador pretende é reconstruir o passado, para satisfazer o pacto de verdade que estabeleceu com o leitor, mas o que constrói pela narrativa é um terceiro tempo, situado nem no passado do acontecido nem no  presente da escritura. Esse tempo histórico é uma invenção/ficção do historiador, que, por meio de uma intriga, refigura imaginariamente o  passado. Mas sua narrativa almeja ocupar o lugar deste passado, substituindo-o. É, pois, representação que organiza os traços   4 deixados pelo passado e se propõe como sendo a verdade do acontecido. 2  O imaginário, parte constitutiva e constituinte da realidade social, não apenas forja todo fragmento passado com o qual o historiador possa a vir trabalhar como também está  presente na própria representação que o pesquisador fará do objeto analisado. Posto isso  percebemos que distinções entre fato e ficção não podem mais fazer parte das nossas  preocupações. A dimensão fictícia e imaginária de todos os relatos de acontecimentos não significa que eles não tenham realmente acontecido, mas, sim, que qualquer tentativa de descrever   os acontecimentos (mesmo enquanto estão ocorrendo) deve levar em conta diferentes formas de imaginação. 3    Nesse sentido gostaríamos de iniciar este ensaio, cujo tema é o “Clube da Esquina” trabalhando a música como narrativa historiográfica. A flexibilização da noção que se tinha sobre o que poderia ser ou não uma fonte da análise historiográfica, não deixou de fora as manifestações artísticas em sua plenitude. Aqui foi escolhida a música, mais especificamente os “discursos musicados” 4 , entendidos não como reflexo das impressões de seus compositores sobre a realidade circundante, mas sim como produtores de sentidos, de  práticas, pois lemos e ouvimos tais discursos como textos cujo alimento é o imaginário compartilhado, instituído e instituinte das representações reatualizadas cotidianamente. O argumento norteador funda-se no entendimento de que o estoque do cancioneiro popular, ao recolher do cotidiano temas e situações diversas para desenvolve-los e devolve-los em forma de arte, constrói, ademais, um arquivo de potencial inestimável, aberto à investigação. 5   2   Pesavento, Sandra Jatahy. ‘Mudanças epistemológicas: a entrada em cena de um novo olhar’.  História &  História Cultural  . Belo Horizonte: Autêntica, 2003, p. 50. 3 . Kramer, Lloyd. ‘Literatura, Crítica e Imaginação Histórica: O desafio literário de Hayden White e Dominick LaCapra’. In: Hunt, Lynn (org.).A Nova História Cultural. São Paulo:Martins Fontes, 2001, p. 136. 4   Mello, Maria T. Negrão de. “Quê qui tu tem, canário? Cultura e Representação no repertório de Xangai” in Cléria B. Costa e Maria Salete K. Machado (org.).  Imaginário e História . São Paulo/Brasília: Marco Zero e Paralelo 15, 1999, p. 153. 5  Idem, ibidem, p. 155.
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