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A Evolução Da Pesca Em Ribamar 2

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Escola Básica com Jardim de Infância de Ribamar Trabalho realizado por: Inês Cruz Ribamar, dezembro de 2014 2 ÍNDICE…
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Escola Básica com Jardim de Infância de Ribamar Trabalho realizado por: Inês Cruz Ribamar, dezembro de 2014 2 ÍNDICE Introdução…………………………………………………………………………………………pág. 3 Porto de Pesca…………………………………………………………………………………..pág. 4 Embarcações…………………………………………………………….……………………….pág. 6 Instrumentos de Pesca…………………………………………………….………………..pág. 8 Venda do Pescado…………………………………………………………………………….pág. 12 Conclusão………………………………………………………………………………………….pág. 14 Bibliografia…………………………………………………………………………….…………pág. 15 3 1- INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo principal dar a conhecer a evolução da pesca em Ribamar, em particular a pesca que se pratica no pequeno porto da praia de Porto Dinheiro. O estudo da evolução da pesca em Porto Dinheiro não permite por si só estudar a evolução da pesca junto da comunidade de Ribamar, dado que muito do progresso tem passado por outros locais piscatórios como Peniche ou em certas regiões de África. Não é uma surpresa para ninguém se localizarmos embarcações de grande porte, cujos proprietários são pessoas da minha terra, em locais como Marrocos, Gana ou mesmo a África do Sul. Este trabalho abordará a atividade piscatória em Porto Dinheiro desde as suas origens que remontam ao séc. XVI -que coincide com o período provável de povoamento desta região- até à atualidade. Apresentar-se-á uma breve descrição e evolução do porto de pesca, das embarcações utilizadas ao longo dos tempos, dos instrumentos de pesca e da venda do pescado. No final, encontrará também uma breve descrição da pesca que é praticada atualmente. Esta síntese resultou de uma visita de estudo que efetuei a Porto Dinheiro e ao Porto de Peniche, no dia 22 de dezembro de 2014. 4 2- PORTO DE PESCA O Porto de Pesca de Porto Dinheiro teve o seu início de atividade num período coincidente com a fixação de algumas famílias em Ribamar, por volta do séc. XVI. No reinado de D. João III, foi efetuado um censo à população de Ribamar que assinalava a existência de três famílias (conhecidas por vizinhos), correspondendo a cerca de doze habitantes, de acordo com o clube de história local da EB de Ribamar. Fig. 1 – Entrada do porto de pesca de Porto Dinheiro Por esta altura, a praia de Porto Dinheiro tinham outro nome: chama-se Porto Direito, dado que era um porto com boas condições para entrada e saída de embarcações, embora se tenha registado ao longo da sua história alguns naufrágios que custaram a vida a pescadores. No início do séc. XVIII, passou a designar-se Porto Dinheiro, havendo no entanto duas versões que justificam a mudança de nome. Uns falam que se deveu ao facto de ser um porto muito rico em peixe e que portanto se ganharia muito dinheiro, enquanto que outros falam numa lenda que envolve piratas, provavelmente menos aceitável que a primeira versão aqui contada. Fig. 2 – Rampa dos pescadores 5 Interessa sobretudo salientar que este Porto sempre teve preponderância na atividade piscatória, sendo que em meados dos anos 40 do séc. passado haveria um número de pescadores não inferior a 100, o que representaria um número de embarcações nunca inferior a 25. Estes números foram-me facultados pelo Sr. Manuel Ângelo (com 90 anos de idade) que por lá pescou, algumas vezes, com o pai. Atualmente o Porto tem apenas três pescadores efetivos, embora pratiquem a atividade sazonalmente (de abril a setembro). São os únicos que pescam como atividade profissional. Existe também um conjunto de pescadores que o fazem apenas para fins desportivos. A maioria das embarcações de pesca encontram-se atualmente no Porto de Peniche. No entanto, em vários Portos na zona sul do nosso país e em regiões de África se possa encontrar um número bastante elevado de embarcações. Fig. 3 – Porto de Pesca de Peniche. Arrastão Praia Lusitana, cujos proprietários são de Ribamar. 6 3- EMBARCAÇÕES As embarcações utilizadas pelos pescadores têm evoluído muito ao longo da história. Sabe-se que que em Ribamar existia algum conhecimento sobre construção de barcos de pesca a remos e à vela, pelo que durante muitos anos se construíram embarcações na minha terra que eram conhecidos por “ Barcas” e “Azulejos”. Fig. 4 – Estaleiro Naval; Fonte: Clube de Histórica Local EB Ribamar Em Porto Dinheiro, as embarcações era movidas todos os dias da terra para o mar, e no regresso dos pescadores, do mar para a terra. Os maiores eram puxados por juntas de bois. Durante dezenas de anos foram utlizadas embarcações que navegavam recorrendo à força dos homens (através de remos) ou do aproveitamento dos ventos. Fig. 5 – Réplica das primeiras traineiras; Fonte: Clube de Histórica Local EB Ribamar Segundo o Clube de História Local da Escola Básica com Jardim de Infância de Ribamar, até meados do séc. XX foram utlizadas os seguintes tipos de embarcações: a traineira; barco com redes de cercar para bordo (cerca tipo americano); barco de poço com 9 remos por banda, mestre e piqueiro; lanchas de painel ou popa a caíque -navio pequeno com dois mastros e com velas triangulares, constituindo a designação de diversas embarcações pequenas de vela; embarcações de popa, batel ou caíque de popa aberta que se destinavam à pesca da lagosta. 7 Fig. 6 – Barca da armação de Porto Dinheiro; campanha de Ribamar Fonte: Clube de Histórica Local EB Ribamar Atualmente é utilizada em Porto Dinheiro um tipo de embarcação que é conhecida por lancha, construída em fibra. Até há pouco tempo atrás ainda eram utilizadas lanchas em madeira. Bastante mais pesadas e difíceis de manobrar em terra. Fig. 7 – Lancha em fibra Já em Peniche, os barcos são de dimensões muito superiores, existindo barcos em madeira, ferro e fibras. A maioria dos pescadores de Ribamar trabalha em embarcações de pequenas dimensões com 3 ou 4 camaradas a bordo. Existe também um grupo significativo que trabalha em arrastões de dimensão média. Estes barcos utilizam como energia os combustíveis fósseis (gasóleo e gasolina). Fig. 8 – Embarcação Senhora de Monserrate Fig. 9 – Posto de combustível. Porto de Peniche 8 4- INSTRUMENTOS DE PESCA Os instrumentos de pesca utilizados pelos pescadores têm evoluído muito ao longo dos anos, sobretudo ao nível das tecnologias e dos materiais que são utlizados na sua construção. A qualidade e quantidade de engenhos utilizados atualmente não tem termo de comparação com a pesca era praticada há 50 anos atrás. A pesca deixou de ser um atividade artesanal para ser uma atividade industrial, totalmente profissionalizada e massificada. Passámos também de uma pesca em que os marinheiros pescadores utilizavam os conhecimentos de navegação baseados nas referências visuais e na intuição (que foram muito utilizados em Porto Dinheiro) que resultava da experiência acumulada, para uma situação onde a tecnologias são indispensáveis (GPS; Sondas; Internet para previsão do tempo…). Até meados do séc. passado, a localização dos pesqueiros era feita por observação de pontos de referência em terra (cruzamento de referencias visuais) e prospeção do fundo, o que deixava os pescadores numa situação de alguma fragilidade. Hoje em dia, há um conjunto de tecnologias que permitem ao pescador levar a sua embarcação para o local que deseja com uma precisão muito elevada, bem como registar o histórico das navegações efetuadas. Fig.10 – Programa MaxSea muito utilizado pelos pescadores atualmente Quantos às artes de pesca, a evolução também tem sido muito considerável. Embora se mantenham muito dos instrumentos utilizados no séc. passado, como os covos, as redes e as selhas de aparelho. 9 Principais instrumentos de pesca Nome Foto Para que serve Rede Apanha de vários tipos de peixe: robalos; raias; douradas… Covos de madeira Pesca da lagosta até aos finais do séc. XX, muito utilizado em P. Dinheiro Covo em ferro Pesca da navalheira, polvo, safio (se for de maiores dimensões) Alcatruz Apanha do polvo 10 Selha de aparelho (ou cera de aparelho) Vários tipos de peixe: tintureira; safio; raia; moreia; cação; carapaus… Rede do arrasto Utilizada por barcos de maior dimensão. Pesca todos os tipos de peixe e mariscos. A pesca gera também um conjunto de tarefas preparatórias das artes de pesca que são normalmente executados em terra, como por exemplo limpar as redes, preparar as selhas de aparelho, fazer pequenas reparações nas embarcações, entre outros serviços. Esta atividade que pode ser observada com frequência em Ribamar e nos armazéns dos pescadores no Porto de Peniche é realizada, essencial, por pescadores já reformados e por mulheres que trabalham nas redes. Fig. 17 – Reparação das redes utlizadas pelas traineiras. Peniche. Fig. 18 – Trabalhador de Ribamar na reparação de barcos 11 12 5- VENDA DO PESCADO A pesca sempre teve uma acentuada componente de subsistência das famílias. Em Porto Dinheiro, praticava-se um tipo de pesca que visava o lucro (onde o peixe era vendido nas terras mais próximas, onde existiam alguns intermediários (almocreves) que se desloca a Ribamar para comprar o pescado), mas também visava garantir que em casa não faltaria comida para as famílias, que na época eram, em regra, bastante numerosas. Vendiam-se lagostas e outros peixes e o restante era distribuído em quinhões: havia também o hábito de sortear estes quinhões. Parte do peixe destinava-se à conservação, utilizando métodos de salmoura ou secagem. Nos dias de hoje, a pesca visa o lucro e está industrializada, o que não impede que os pescadores tragam algum peixe para casa, com as regras definidas pela legislação que estabelece a quantidade de peixe que os pescadores poderão levar para consumo próprio. A maioria das capturas são leiloadas nas lotas, depois de trazidas pelas embarcações em boas condições de conservação (nas pescas de maior alcance, as embarcações são abastecidas de gelo através das empresas que o produzem e vendem). Fig. 17- Fábrica de gelo no Porto de Peniche Fig. 18 – Lota de Peniche A venda ocorre num processo onde os intermediários, pequenos proprietários de peixarias e grandes superfícies comerciais disputam as aquisições de pescado através de um leilão que ocorre eletronicamente, onde peixe é rigorosamente controlado por técnicos veterinários. Ocorre também que muitas superfícies comerciais de grande dimensão negoceiam diretamente com os pescadores adquirindo todas as capturas por um preço fixado previamente. 13 Fig. 19 e 20 – Pescadores na descarga do peixe 14 6- CONCLUSÃO Este trabalho decorreu de uma proposta que me foi colocada pelo professora Helena Silva, no âmbito do 4º ano de escolaridade. Não sendo um trabalho de fácil execução, pedi ajuda ao meu pai que me levou a Porto Dinheiro e ao Porto de Peniche. Entrevistei também um idoso com 90 anos que pescou na praia de Porto Dinheiro e que me contou como é que as coisas funcionavam há alguns anos atrás. O meu pai ajudou-me também nos textos e na organização geral do trabalho. Recorri a algumas fotografias e imagens retiradas de outros trabalhos por forma a ilustrar o modo como evoluiu a pesca. O trabalho realizado em 2009 pelo Clube de História Local da Escola Básica com Jardim de Infância de Ribamar e o livro “ A vila de Ribamar”, da autoria de Américo de Maçarico, serviram de referência para este trabalho. 15 7- BIBLIOGRAFIA A Pesca Artesanal em Ribamar, Clube de História Local Escola Básica de Ribamar, trabalho orientado pelos professores Gonçalo Rasteiro e Teresa Faria, 2009. Remédio, Américo Teodoro Maçarico, Vila de Ribamar, Edição da Câmara Municipal da Lourinhã, 2002.
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