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A Evolução Da Pesquisa Em Educação Menga e André

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A Evolução Da Pesquisa Em Educação Menga e André
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  As autoras e a editora empenharam-se para citar adequadamente e dar 0 devido credito a todos os detentores dos direitos autorais de qualquer material utilizado neste livro, dispondo-se a pos sfveis acertos caso, inadvertidamente, a identificac;:ao de algum deles tenha sido omitida. Nao e esponsabilidade da editora nem das autoras a ocorrencia de eventuais perdas ou danos a pessoas ou bens que tenham srcem no uso desta publicac;:ao. Apesar dos melhores esforc;:os das autoras, do editor e dos revisores, e inevitavel que surjam erros no texto. Assim, sao bem-vindas as comunicaC;:6es de usuarios sobre correc;:6es ou sugest6es referentes ao conteudo ou ao nfvel pedag6gico que auxiliem 0 aprimoramento de edic;:6es futuras. Os comentarios dos leitores podem ser encaminhados a LTC -Livros Tecnicos e Cientificos Editora pelo e-mailltc@grupogen.com.br. Oireitos exclusivos para a lingua portuguesa Copyright © 2013 by Menga LUdke e Marli E. O. A. Andre LTC -Livros Tecnicos e Cientificos Editora Ltda. Vrna editora integrante do GEN I Grupo Editorial Nacional Reservados todos os direitos. E proibida a duplicac;:ao ou reproduc;:ao deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletronico, medinico, gravac;:ao fotoc6-pia, distribuic;:ao na internet ou outros), sem permissao expressa da editora. E.P.V. - Editora Pedagogica e Vniversitaria e ur selo editorial do GEN I Grupo Editorial Nacional Travessa do Ouvidor, 11 Rio de Janeiro, RJ -CEP 20040-040 Tels.: 21-3543-0770/11-5080-0770 Fax: 21-3543-0896 Itc @grupogen.com.br www.epu.com.br Capa: Studio Creamcrackers Editorac;:ao eletronica: ~nth res CIP-BRASIL.CATALOGA :AO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ L975p LUdke, Menga. Pesquisa em educac;:ao: abordagens qualitativas / Menga LUdke, Marli E. O. A. Andre. - [2 . ed]. -Rio de Janeiro: E.P.U., 2013. 21 cm ISBN 978-85-216-2250-5 1. Educac;:ao -Brasil 2. Pesquisa educacional 3. Metodologia. I Andre, Marli Eliza Oalmazo Afonso de. II. Tftulo. 13-0508. coo: 370.981 COU: 37(81) obre as autoras Menga udke e professora titular da Pontificia Universidade Ca- li ca do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Universidade Catolica de Pe II polis (UCP). Doutorado em Sociologia na Universidade de Paris X p s- doutorado na Universidade da California, Berkeley, e no Instituto d uca~ao da Universidade de Londres. A autora tem longa expe I i ncia no desenvolvimento de trabalhos de pesquisa e no ensino da d sc iplina Metodologia da Pesquisa Educacional. Marli E. D. A. ndre e professora e pesquisadora no Programa de tudos Pos-Graduados em duca~ao: PSicologia da Educa~ao da Pon lif k ia Universidade Catolica de Sao Paulo (PUC-SP). Ph.D. em Edu ('1:1\.:8. 0, area de Psicologia da Educa~ao pela Universidade de Illinois. z pos-doutoramento no Center for Instructional Research and ,urriculum Evaluation (CIRCE) da Universidade de Illinois, quando I alizou estudos e pesquisas na area de MHodos Qualitativos. A autora tem obras publicadas sobre 0 assunto, alem de participar do comite · cJ itorial de varios periodicos.  ~PjTU O 1 Evolu< ao d pesquis em educa< ao A palavra pesquisa ganhou ultimamente popularizac;;ao, que chega por vezes a comprometer seu verdadeiro sentido. Pode-se notar esse fenomeno em varias instancias da vida social. Na esfera do compor tamento politico, por exemplo, observa-se verdadeiro surto de pes quisas , que procuram r eve lar as tendencias eleitorais de determinados grupos sociais, nao sem correr 0 risco (por vezes intencional) de dirigir essas tendencias, como j foi revelado em estudos socio16gicos (Thiollent, 1980). Trata-se, pois, de uma concepc ao de pesquisa bas tante es treita. Tambem no ambito dos ensinos de niveis fundamental e medio, tem-se usado e abusado do tema de maneira a compromete-lo, quem sabe, para sempre na compreensao dos estudantes. A professora . pede para os alunos pesquisarem determinado assunto e 0 que eles fazem, em geral, e consultar algumas ou apenas uma obra, do tipo enciclopedia, onde coletam as informac oes para a pesquisa . As vezes sao recortados jornais e revistas, em busca de elementos para compor o produto final, a pesquisa a ser apresentada ao professor. Ora, esse tipo de atividade, embora possa contribuir para despertar a curiosida de ativa da crianc a e do adolescente, nao chega a representar verda dei ramente conceito de pesquisa, nao passando provavelmente de uma atividade de consulta, importante, sem duvida, para a aprendizagem, mas nao esgotando sentido do termo pesquisa. Para se realizar uma pesquisa e preciso promover confronto en tre os dados, as evidencias, as informac oes coletadas sobre determina-    2 Capitulo 1 do assunto e 0 conhecimento te6rico construido a respeito dele. Em geral isso se faz a partir do estudo de urn problema, que ao mesmo tempo desperta 0 interesse do pesquisador e limita sua atividade de pesquisa a determinada por<;:ao do saber, a qual ele se compromete a construir naquele momento. Trata-se, assim, de uma ocasiao privile-  g iada, reunindo 0 pensamento e a a<; ao de uma pessoa, ou de urn gru- 1 po, no esf~r<; o de elaborar onhe ~~entos sobre aspectos da realidade que deverao serVlr para a composI<;:ao de solu<;:oes propostas aos seus problemas. Esses conhecimentos sao, portanto, frutos da curiosidade, da inquieta<;:ao da inteligencia e da atividade investigativa dos indivi duos, a partir e em continua<;:ao do que ja foi elaborado e sistematizado pelos que trabalharam 0 assunto anteriormente. Tanto pode ser confirmado como negado pela pesquisa 0 que se construiu a respeito desse assunto, mas 0 que nao pode e ser ignorado. Essa concep<;:ao de pesquisa, como uma atividade ao mesmo tem po momentanea, de interesse imediato e continuada, por se inserir numa corrente de pensamento, nos remete ao carMer social da pes quisa, muito bern explicitado por varios autores, destacando-se na literatura especifica nacional Pedro Demo 1981). Esse autor soube muito bern caracterizar a dimensao social da pesquisa e do pesquisa dor, mergulhados que estao na corrente da vida em sociedade, com suas competi<;:oes interesses e ambi<;:oes ao lado da legitima busca do conhecimento cientifico. Esse mesmo conhecimento vern sempre e necessariamente marcado pelos sinais de seu tempo, comprometido portanto com sua realidade historica e nao pairando acima dela como verda de absoluta. A constru<;:ao da ciencia e urn fenomeno social por excelencia. A pesquisa, entao, nao se realiza numa estratosfera situada acima da esfera de atividades comuns e correntes do ser humano, sofrendo assim as injun<;:oes tipicas dessas atividades. Encontramos por vezes, entre nossos alunos e ate mesmo na literatura especializada, uma certa indica<;:ao de que a atividade de pesquisa se reservaria a alguns eleitos, que a escolheram, ou por ela foram escolhidos, para a exercer em carater exclusivo, em condi<;:oes especiais e ate mesmo assepticas em sua torre de marfim, isolada da realidade. Nossa posi<;:ao ao contrario, Evoluf ao d pesquisa em educaf ao ua a pesquisa bern dentro das atividades normais do pro fissional ti n e duca<;:ao seja ele professor, administrador, orientador, superVIsor, IIva liador etc. Nao queremos com isso subestimar 0 trabalho da pes  Iui sa como fun<;:ao que se exerce rotineiramente, para preencher ,ex   ctativas profissionais. 0 que queremos e aproxima-Ia da vIda dlana do educador, em qualquer ambito em que ele atue, tornando-a urn I nstrumento de enriquecimento do seu trabalho. Para isso e necessario l esmistificar 0 conceito que a encara como privilegio de alguns seres clo tados de poderes especiais, assim como e preciso entende-Ia como atividade que requer habilidades e conhecimentos especfficos. E igualmente importante lembrar que, como atividade humana e social, a pesquisa traz consigo, inevitavelmente, a carga de valores, preferencias, interesses e principios que orientam 0 pesquisador. Claro esta que 0 pesquisador, como membro de urn determmado tempo e de uma especifica sociedade, ira refletir em seu trabalho de pesqmsa os valores, os principios considerados importantes naquela sociedade, naquela epoca. Assim, a sua visao do mundo, os pontos de p rti~ os fundamentos para a compreensao e explica<;:ao desse mundo mfluenciarao a maneira como ele propoe suas pesquisas ou,_ em out~ s palavras, os pressupostos que orientam seu pensamento vaG tambem nortear sua abordagem de pesquisa. Situado entre as ciencias humanas e sociais, 0 estudo dos fenomenos educacionais nao poderia deixar de sofrer as influencias das  evolu<;:oes ocorridas naquelas ciencias. Por muito tempo elas procuraram seguir os modelos que serviram tao bern ao desenvolvimento das ciencias fisicas e naturais, na busca da constru<;:ao do conheCImento cientifico do seu objeto de estudo. Assim, tal como naquelas ciencias, 0 fenomeno educacional foi estudado par muito tempo como se pudesse ser isolado, como se faz com urn fenomeno fiSiCO para uma analise acurada, se possivel feita em urn laboratorio, onde as variaveis que a compoem pudessem tambem ser isoladas, a fim de se constatar a influencia que cada uma delas exerceria sobre 0 fenomeno em questao. A propria no<;ao de variavel como dimensao quantificavel do fe nomeno teve, e ainda tern, grande destaque nos livros de metodologla de pesquisa em educa<;ao, indicando claramente 0 tipo de concep<;oes  4 Capitulo 1 basicas e principios que orientam a abordagem que tanto tempo pre dominou nas pesquisas educacionais. Durante muito tempo se acre ditou na possibilidade de decompor os fenomenos educacionais em suas variaveis basicas, cujo estudo analitico, e se possivel quantitativo, levaria ao conhecimento total desses fenomenos. Com a evoluc   ao dos proprios estudos na area da educac;:ao , foi-se percebendo que poucos fenomenos nessa area podem ser submetidos a esse tipo de abordagem analitica, pois em educac;:ao as coisas acontecem de maneira tao inextricavel que fica dificil isolar as variaveis envolvidas e mais ainda, apontar clara mente quais sao as responsaveis por determinado efeito. Claro que se pode tentar urn esforc;:o no sentido de urn estudo analitico, como se faz na chamada pesquisa experimental, mas e im portante lembrar que, ao faze-Io, esta-se correndo 0 risco de submeter a complexa realidade do fenomeno educacional a urn esquema simplificador de analise. 1sso po de inclusive acarretar 0 sacrificio do conhecimento dessa realidade em favor da aplicac;:ao acurada do esquema. Esse esquema experimental pode-se revelar muito util em determinado estagio do estudo, quando ja se delinearam as linhas gerais do fenomeno e se quer por em destaque as relac;:oes entre certas variaveis envolvidas, cuja selec;:ao se faz em func;:ao de alguns indicadores e ne cessariamente a partir de uma reduc;:ao. Esta-se assim assumindo os efeitos dessa reduc;:ao a bern do esclarecimento de uma parte, de urn segmento do fen orne no estudado, dentro de determinadas condic;:oes. Nao se poderia, portanto, a nao ser dentro de estreitos limites, atribuir o conhecimento assim obtido a totalidade do fen orne no estudado e mU .ito menos a variedade de circunstancias em que ele ocorre. Enfim, queremos dizer que urn estudo experimental em educac;:ao tern sua importancia e sua utilidade quando aplicado dentro de seus limites naturais. Essa utilidade nao tern sido muito frequente ao longo da historia da pesquisa em educac;:ao pois esta se realiza sempre de maneira tao comp1exa que nao se compatibiliza facilmente com a rigidez do esquema experimental. Outra caracteristica tipica dessa abordagem, que predominava entre as pesquisas educacionais ate bern pouco tempo atras, era a Evolufao da pesquisa em educat ao 5 t'l  nc;:a numa perfeita separac;:ao entre 0 sujeito da pesquisa, 0 pesqui   ~ r e seu objeto de estudo . Acreditava-se entao que em sua atividade investigativa 0 pesquisador deveria manter -se 0 mais separado possivel do objeto que estava estudando para que suas ideias, valo r s e preferencias nao influenciassem 0 seu ato de conhecer. Assim e procuraria garantir uma perfeita objetividade, isto e, os fatos, os cla dos se apresentariam tais quais sao, em sua realidade evidente. 0 co nhecimento se faria de mane ra imediata e transparente aos olhos clo pesquisador. Tambem nesse ponto a evoluc;:ao dos estudos de educac;:ao, assim como de outras ciencias sociais, tern levado a perceber que nao e bern as sim que 0 conhecimento se processa. Os fatos, os dados nao se re velam gratuita e diretamenre aos olhos do pesquisador. Nem este os enfrenta desarmado de todos os seus principios e pressuposic;:oes. Ao contrario, e a partir da interrogac;:ao que ele faz aos dados, baseada em tudo 0 que ele conhece do assunto -portanto, em toda a teo ria disponivel a respeito -, que se vai construir 0 conhecimento sobre 0 fato pesquisado. o papel do pesquisador e justamente 0 de servir como veiculo inteligente e ativo entre esse conhecimento construido na re~ e as novas evidencias que serao estabelecidas a partir da pesquisa. E pelo seu traba lh o como pesquisador que 0 conhecimento especifico do assunto vai crescer, mas esse trabalho vern carregado e comprometido com todas as peculiaridades do pesquisador, inclusive e principalmen te com as suas definic;:oes politicas. 'Todo ato de pesquisa e urn ate politico , ja disse muito bern Rubem Alves (1984). Nao ha, portanto, possibilidade de se estabelecer uma separac;:ao nitida e asseptica entre o pesquisador e 0 que ele estuda e tambem os resultados do que ele estuda. Ele nao se abriga, como se queria anteriormente, em uma po sic;:ao de neutralidade cientifica, pOis esta implicado necessariamente nos fenomenos que conhece e nas consequencias desse conhecimento que ajudou a estabelecer. I Para urn aprofundamento sobre esta quesUio , ve ja-se 0 artigo de Miriam Limoeiro 0 mito do metodo , Boletim Carioca de Ge ografia ana xxv 1976.
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