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a evolução do conceito de revolução no jovem marx

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o trabalho trata da evolução do conceito da política e da revolução em Marx no período de sua juventude.
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  INTRODUCTION A distinção entre revolução política e revolução social não é uma novidade do  pensamento marxista. Deixando de lado as inspirações contidas na revolução francesa, até mesmo na Alemanha essa ideia aparece antes de Marx, nos escritos de Heine e Moses Hess 1 . Porém, foi dentro dos debates marxistas que essa distinção se tornou amplamente conhecida. Ao analisar os escritos da juventude de Marx, nos deparamos com uma frase surpreendente para a análise desses conceitos: “toda e qualquer revolução dis solve a antiga sociedade; nesse sentido, ela é social. Toda e qualquer revolução derruba o antigo  poder; nesse sentido, ela é política. ”  [não traduzir a citação] A primeira vista, seria possível de interpretar que não há uma distinção exata entre a revolução social e a revolução política no pensamento de Marx. Porém, não é isso que encontramos ao estudo mais prolongado de sua obra de juventude. Muito pelo contrário, trata-se dos assuntos mais importantes e mais frequentes nesse período de sua atividade  política e intelectual. Para compreendermos o que significa a distinção e também as relações entre a revolução política e a revolução social, devemos ter em mente quais eram os objetivos de Marx (e de grande parte de sua geração) com seu trabalho (métier): combater a “ miséria alemã ” . 2    –   o descompasso entre a situação político-institucional da Alemanha na época em relação a sua herança cultural. L ’Allemagne après la Révolution française  : le developpement d’un liberalisme impuissante A revolução francesa é o evento que marca o início da contemporaneidade. Seu resultado foi a destruição do que restava da sociedade feudal na França e o estabelecimento da sociedade burguesa. 3  Nas palavras de Marx: Camille Desmoulins, Danton, Robespierre, Saint-Just, Napoléon, les héros, de même que les partis et la masse de la première Révolution française, accomplirent dans le costume romain et en se servant d'une  phraséologie romaine la tâche de leur époque, à savoir l'éclosion et l'instauration de la société bourgeoise moderne. Si les premiers 1  Auguste CORNU, tome I, 20, 237, 240-41. 2  Jos é  Paulo Netto, 14 In: Marx  –   Cadernos... 3  CORNU, TOME I, P. 3   brisèrent en morceaux les institutions féodales et coupèrent les têtes féodales, qui avaient poussé sur ces institutions, Napoléon, lui, créa, à l'intérieur de la France, les conditions grâce auxquelles on pouvait désormais développer la libre concurrence, exploiter la propriété  parcellaire du sol et utiliser les forces productives industrielles libérées de la nation, tandis qu'à l'extérieur, il balaya partout les institutions féodales dans la mesure où cela était nécessaire pour créer à la société  bourgeoise en France l'entourage dont elle avait besoin sur le continent européen. 4   A revolução francesa de forma alguma se esgotou no território francês. Principalmente a  partir de Napoleão, que usando seu código civil como instrumento de propagação dos seus princípios, ela se estendeu por todo o mundo. 5   No período da revolução, a Alemanha sofria com um grande atraso econômico em relação a França e a Inglaterra devido ao fraco desenvolvimento durante os séculos XVII e XVIII. O Rei Frédéric II, considerado como um liberal, avait essayé de créer en Prusse des manufactures, mais cet essai n’avait  pas donné de grands résultats et à la fin du XVIIIème siècle la Prusse était, comme du reste l’ensemble de l’Allemagne, un État féodal avec un régime de production essentiellement agraire. 6  Os príncipes alemães tentaram em vão se defender das ofensivas francesas durante a revolução. Sem sucesso, a frança começou a ocupar uma parte do território Alemão. O resultado foi a destruição do ancien empire, o abalo do sistema feudal e a penetração de ideias revolucionárias na Alemanha. Estes fatores serão fundamentais para o surgimento dos primeiros movimentos liberais alemães, levantando as bandeiras da liberdade e igualdade política, além da formação de um Estado nacional unitário alemão. 7  A ocupação francesa na Alemanha se fez mais presente na região da Renânia. Lá a indústria e o comércio se desenvolveram em um nível muito mais elevado que no resto do território alemão. Por ter sido anexada a França durante o período de 1795-1814, a Renânia se favoreceu das reformas econômicas, administrativas, políticas e sociais que da revolução. O antigo regime semifeudal foi substituído por um Estado moderno, com uma organização econômica moderna. 8   4  Marx, 18 brumaire,... 5  Tigar e Levy; p.250 6  Cornu, p. 3-4 7  Cornu, p. 4 8   « L ’ ancienne organisation f  é odale hi é rarchis é e, fond é e sur la Division entre nobles, bourgeois et paysans, avait é t é  abolie, l ’é galit é  politique, juridique et fiscale avait é t é   é tablie, les privil è ges, corv é es et dimes  Esse processo estabeleceu uma nova relação entre as classes na Renânia, favorecendo a burguesia e a parte rica do campesinato, que defendiam a ocupação francesa na Renânia. Porém, no fim do período napoleônico a ocupação começava a se desgastar na Renânia e com a queda de Napoleão, o Congresso de Viena decidiu o religamento da Renânia a Prússia. Este território passou então ao comando do Rei Frederico-Guilherme III. 9  Do processo de queda de Napoleão foi criada a Santa Aliança, que tinha como objetivo principal organizar a contrarrevolução. Na Alemanha, as pautas da burguesia de criação de um parlamento foram frustradas pela criação das Dietas Provinciais, organizadas da mesma maneira que as instituições políticas do antigo regime. Também neste período começa a perseguição do movimento liberal. 10  O movimento liberal dos anos pós- ocupação se chamava “Burschenschaft”. Esse movimento era formado predominantemente por estudantes e alguns intelectuais. Tinham a característica de ressaltar os valores alemães e combater as influências francesas dentro do território. Por sua fraca base social, não conseguiram resistir a opressão comandada  pelo estado prussiano e foram massacrados em 1817. Após a derrota, o movimento liberal resistiu na Alemanha apenas sob a forma de sociedade secreta, a “União dos Intransigentes”. 11  A inexistência de uma oposição liberal nacional facilitou a implantação da política reacionária do Rei. Apenas na província renana, que contava com uma burguesia mais  poderosa, o Rei encontrou resistência. Após ter sido religada a um país muito mais pobre que a sua província, os Renanos não aceitaram a política feudal de favorecimento da nobreza rural. 12  Essa resistência se baseou na união de burgueses, proletários e camponeses, que sofriam altas taxas tributárias pelo fato de serem o estado mais rico da Prússia. Além supprim é s. Ces r é formes avaient é t é  accompagn é es d ’ une transformation profonde du r é gime é conomique, qui avait boulevers é  la structure sociale de la province. La mise sous s é questre et la vente des biens de la noblesse et du clerg é…  [ont] stimul é  les progr è s de l ’ agriculture …  [et] L ’é tablissement du r é gime de libert é   é conomique …  [a] favoris é  l ’ essor de l ’ industrie et du commerce rh é nans.  »  - Cornu, p. 5 9  Cornu, p. 6-7 10  Cornu, p. 8. 11  Cornu, p. 9 12  Cornu p. 10-11  disso, eram prejudicados pela forte concorrência de produtos ingleses, o que causava uma crise de sua indústria e comércio. 13  Contra a péssima situação econômica, essa fração dos renanos começou a se organizar e conseguiram que o governo prussiano suprimisse as “Douanes intérieures” e implantasse também tarifas protecionistas. Isso facilitou a circulação interna dos produtos renanos, principalmente do vinho e também a luta contra a concorrência dos produtos ingleses. 14  Com o desenvolvimento propagado pelas medidas político-econômicas 15 , também a Renânia se ligou politicamente a Prússia. Mas, a burguesia começava a ganhar consciência de sua força à medida que sua potência econômica aumentava 16 .  Nessa época surgem alguns movimentos liberais: um fundado sobre o liberalismo francês no sul da Alemanha, que reivindica liberdade e soberania popular contra o poder dos príncipes. E outro nascido em Königsberg, inspirado na doutrina kantiana, pleiteando o direito de todos os membros do Estado de participar ao governo em nome da autonomia da pessoa moral. 17  Contra esses movimentos se levantou um outro de caráter reacionário, liderado  por L. von Haller, defendia a autoridade dos príncipes de da Igreja como proprietários do Estado. Também ligados a essa corrente estava o teórico do Direito Savigny, que a partir de sua concepção histórica do direito, reconhecia a legitimidade apenas das instituições fundadas no passado. Ou seja, no ancien régime. Os conservadores saíram vitoriosos desse combate, mas já não era possível a aniquilação total do movimento liberal como em 1817. A nova relação de classes na Prússia não permitia mais a permanência do sistema desejado pela Santa Aliança. A 13  Cornu, p. 11 14  COrnu, p. 12 15  Le rythme de la production et de la circulation des marchandises s ’ acc é l é rait peu à  peu particuli è rement en Rh é nanie. De 1815 à  1830, le nombre des broches passait de 100.000 à  150.000, celui des m é tiers à  tisser doublait et l ’ importation du coton triplait   ; doublaient é galement la production du fer qui s ’é levait en 1830 à  82.000 tonnes, les exp é ditions de charbon qui passaient à  Ruhrort de 2,5 à  5,5 milions de quintaux ainsi que le commerce qui atteignait en 1830 le chiffre de 200 millions de thalers. Cornu. P. 13. 16  Cornu, p. 14 17  Cornu, p. 14

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Oct 17, 2017

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