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A Evolução Do Jovem Marx Em Althusser

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  GT MARXISMO, CONCEPÇÃO E MÉTODO. ANAIS do VII ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO Belém, Universidade Federal do Pará, Maio de 2016. ISBN 978-85-7395-161-5 A EVOLUÇÃO DO JOVEM MARX NAS LEITURAS DE ALTHUSSER   FERREIRA, Luciana Rodrigues lucianarofer@gmail.com Universidade Federal do Pará Escola de Governança Pública do Estado do Pará   MONTE, Emerson Duarte edm489@gmail.com Universidade do Estado do Pará  Introdução As mudanças e o desenvolvimento intelectual e estrutural do Marx da juventude (de 1840 a 1844), que estava entre 22 e 26 anos de idade, apresentando em pouco tempo, entre a defesa de sua tese de doutorado em 1841 e os Manuscritos de 1844, uma evolução crítica de seus fundamentos em Hegel e Feuerbach, sua opção pelo comunismo, teoria da alienação do trabalho etc., marcam o período específico de transformação e ruptura na compreensão da realidade e problemática (o homem) do jovem Marx, conforme se observa no quadro 1: Quadro 1  –   Cronobiografia resumida, 1840-1844   Período/Ano   Fatos históricos   ã Estudo dos maiores materialistas da filosofia antiga e helenistica: 1840-1841  Demócrito e Epicuro (objeto de sua tese de doutorado) ã Formulação de juízo de valor sobre Hegel.   1842-1843   ã Trabalho na Gazeta Renana (Redator e Diretor)   ã Ler Essência do Cristianismo de Feuerbach. ã Na qualidade de diretor, demite -se (sob pressão) da Gazeta Renana. ã Casa -se com Jenny Von Westphalen, fica em Kreuznach até outubro de 1843. ã Março -Agosto: escreve a Crítica da Filosofia de Hegel. 1843   ã Setembro: escreve  carta a Arnold Ruge  sobre a Elaboração dos Anais Franco-Alemães, demonstrando seu conhecimento sobre comunismo, socialismo e propriedade privada. Ressalta a necessidade debater sobre assuntos fundamentais para os Alemães: religião e política. ã Outubro -Dezembro: escreve Questão Judaica   ã Escreve entre fins de 1843 e início de 1844: Contribuição para a crítica   1844    da filosofia do Direito em Hegel: Introdução . ã Elabora e publica primeiro e único volume dos  Anais franco-alemães ,  GT MARXISMO, CONCEPÇÃO E MÉTODO. ANAIS do VII ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO Belém, Universidade Federal do Pará, Maio de 2016. ISBN 978-85-7395-161-5 no qual é publicado a Questão Judaica e Contribuição para a crítica da filosofia do Direito em Hegel: Introdução. ã   Colabora com a imprensa dos operários alemães. ã   Conhece a liga dos justos e inicia estreita amizade com Engels, cujo artigo  Esboço de uma crítica a economia política    publicado nos Anais Franco-Alemães, que o influenciou profundamente. ã   Abril-Agosto: escreve os  Manuscritos Econômicos Filosóficos . ã   Marx e Engels participam das tarefas dos militantes em Paris e Bruxelas, e planejam no final de 1844 seu primeiro trabalho juntos:  A sagrada    Família . Fonte: MARX (2010); LUCKÀCS (2007). O presente trabalho é uma pequena contribuição sobre esta matéria, complexa e de diferentes posições, fundamentada na leitura das obras de Louis Althusser. Objetiva,  portanto, refletir sobre a evolução teórica-política do Jovem Marx, a partir do  posicionamento de ruptura epistemológica de Marx, face de seus escritos de juventude. Para isso, fundamenta- se nos estudos de Althusser da década de 1960: “Sobre o jovem Marx” (ALTHUSSER, 1979) e “Sobre a evolução do jovem Marx” (ALTHUSSER,  1978).   2. A ruptura epistemológica na obra de Karl Marx   A leitura estrutural do marxismo desenvolvida por Althusser propõe a ruptura entre o Marx da juventude e o Marx da maturidade. Para Althusser, tem-se no Marx da  juventude uma estrutura de pensamento diferente da estrutura do pensamento do Marx da maturidade, estas estruturas permitem que Marx pense algumas coisas há seu tempo e outras não. Desta forma a estrutura promove uma “unidade profunda” desse pensamento, consequentemente, uma problemática.   Portanto, a problemática é, para Althusser, uma estrutura de elementos,   a “unidade profunda de um determinado campo conceitual”, na qual a mudança de estrutura do Marx da juventude promove uma ruptura com o Marx da maturidade.    Neste contexto, têm-se a primeira crítica de Althusser relacionada à forma de compreensão das obras do jovem Marx, apresentando como equívoco pensar os elementos do pensamento de Marx sem liga-lós a sua estrutura/problemática, o que significaria utilizar o método de leitura analítico-teleológico para compreender o  pensamento de Marx, no sentido de explorar ou explicar elementos estruturados em sua obra da maturidade na obra de juventude. Por exemplo, analisar o Estado e o trabalho operário nas obras da juventude com vistas a compreender ou analisar estruturas expostas  GT MARXISMO, CONCEPÇÃO E MÉTODO. ANAIS do VII ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO Belém, Universidade Federal do Pará, Maio de 2016. ISBN 978-85-7395-161-5 na maturidade, ou seja, fora do pensamento estruturado de determinado período em uma unidade específica:   Filósofos, ideológicos, religiosos se lançaram numa gigantesca empresa de crítica e de conversão: que Marx retorne às fontes de Marx e que confesse nele o homem maduro que não é senão o jovem Marx dissimulado. Ou, se ele persiste e se empedernece na sua idade, que confesse então o seu pecado de maturidade, que reconheça que sacrificou a filosofia à Economia, a ética à ciência, o homem à história. Que ele consinta ou recuse em consentir, a sua verdade, tudo o que lhe  pode sobreviver, tudo o que pode ajudar a viver e a pensar os homens que somos, está contida nessas poucas Obras da    Juventude . (ALTHUSSER, 1979, p. 41, grifo do autor).   Com isso, Althusser propõe um método de leitura estrutural da obra de Marx  para compreensão da unidade profunda do pensamento (problemática) como determinante da  prática social/política do contexto vivenciado, apresentando a defesa de uma ruptura epistemológica  de Marx e a mudança de problemática a partir de 1845. Para isso, fundamenta-se, pelo método de leitura estrutural, em três aspectos geralmente  problemáticos para a compreensão das obras do jovem Marx: político, teórico e histórico.    No sentido político e teórico, Althusser ratifica a necessidade de abandonar a leitura analítico- teleológica, a qual apresenta “uma forma de leitura dos textos do jovem Marx em que predomina mais a livre associação de ideias ou a simples comparação dos termos do que mesmo a crítica histórica” (ALTHUSSER, 1979, p. 43) , lendo suas obras da  juventude a partir de suas obras da maturidade. Explica:   Reconhecer-se-á, sem dúvida, que essa leitura pode dar resultados teóricos, mas que não passam da preliminar de uma verdadeira inteligência dos textos. Pode-se, por exemplo, ler a Dissertação de Marx, comparando-se os termos dela ao pensamento de Hegel, pode-se ler a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel  (1843) comparando-se os  princípios dela a Feuerbach ou ao Marx da maturidade; pode-se ler o manuscrito de [18]44 cotejando os seus princípios com os de O   Capital . Essa comparação pode ser superficial ou profunda. Pode dar    lugar a equívocos que nem por isso deixam de ser erros. Também pode, ao contrário, abrir perspectivas interessantes.   [...]   Creio que é necessário penetrar até os fundamentos para compreender a  possibilidade e o sentido do traço mais marcante desse método: o   ecletismo . Quando se escava a superfície do ecletismo, encontra-se   sempre, a menos que se trate de formas absolutamente despidas de  pensamento, essa teleologia teórica  e essa auto-inteligibilidade  da ideologia como tal. (ALTHUSSER, 1979, p. 43-44; 45).    GT MARXISMO, CONCEPÇÃO E MÉTODO. ANAIS do VII ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO Belém, Universidade Federal do Pará, Maio de 2016. ISBN 978-85-7395-161-5 Temos assim, para Althusser, o pensamento como estrutura articulada que se dirige a um determinado objeto, caso contrário, o perigo do ecletismo  é iminente. Por isso, no âmbito do conceito de problemática, compreende-se a importância da posição do  problema, também em uma atitude prática, pois ela comanda também as soluções, consequências diretas das questões que se colocara, conforme descreve no excerto abaixo:   Essa  posição do problema  (essa problemática) comanda evidentemente as suas soluções : se a Razão é o fim da História e a sua essência, então é bastante torná-la reconhecida  até nas suas aparências contraditórias: toda solução reside, por conseguinte, na onipotência   crítica da filosofia que deve tornar-se prática dissipando as aberrações   da História em nome de sua verdade. [...]. Assim o Estado não é mais que a verdade em ato, a encarnação da verdade da História. É bastante convertê-lo nessa verdade. [...].  Eis aí portanto as soluções requeridas pela maneira de colocar o problema fundamental . [...], isto é, que os   objetos sobre que essa ideologia dá aparência de refletir através dos seus problemas não são nem mesmo representados na sua realidade “imediata”.  Quando se alcança o fim dessa comparação, não apenas as soluções trazidas pela ideologia aos seus problemas caem (pois não são mais que a reflexão desses problemas sobre eles próprios) como também a própria  problemática cai, e o que então aparece é a deformação ideológica em que toda a extensão: mistificada dos    problemas e dos objetos. Compreende-se então que Marx queria dizer ao falar da necessidade de abandonar o terreno da filosofia   hegeliana porque “não era somente nas suas respostas, mas também nas questões, que havia uma mistificação”. (ALTHUSSER, 1979, p. 68, grifo do autor).    No âmbito da perspectiva histórica, qual o problema da história? É um problema filosófico, colocada fundamentalmente na contradição entre razão e história. Assim, a história parece como se fosse um problema filosófico, tem-se desta forma a deformação da história. Compreende-se no jovem Marx a história da humanidade como a história da alienação do homem.   3. Considerações Finais   Althusser defende em seus escritos que “Marx fundou uma nova ciência: a ciência da história”, para ele “[...] essa descoberta cientifica é um acontecimento teórico e político sem precedentes na história” (ALTHUSSER, 1978, p. 119).   Todavia, defende a “ausência de continuidade”, uma “diferença teórica”, entre as filosofias da História do  Marx da  juventude que falava do homem, de sistema das necessidades, de sociedade civil, de alienação, de justiça, de espírito e liberdade do Marx da maturidade que pôs a falar de modo de produção, de forças produtivas, de relações de produção, de formação social, de ideologias, de luta de classes, chamando este “salto dialético” de um “corte epistemológico, uma ruptura” (ALTHUSSER, 1978. p. 121).  
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