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A Evolução Dos Sistemas de Armas Após o 11 de Setembro de 2001

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  - 161 - R. Santos et al /  Proelium VII (3) (2012) 161-182 Rogério F. dos Santos  a1 , Élio T. dos Santos  a , Celso J. P. Freilão Braz  a a  Academia Militar, Rua Gomes Freire, 1169-244, Lisboa, Portugal  ABSTRACT Inserted into the cycle of conferences recently held about September 11th, 2001, the theme of this article, about the development of weapons systems is deemed as absolutely relevant, as the ten-year period since that event, allowed us to ascertain clearly what were the most signicant developments within this issue and to assess the consolidation of some trends that may be in effect within the near future.Due to constraints of space and time, already evident at the time of the confe- rence, the scope of the article is limited to land weapons systems, specically those that traditionally are within the domain of the infantry, cavalry and artillery units. Thus, after a brief framework, including the characterization of the assets used by nowadays asymmetric threat, we shall discuss briey the different te -chnologies and systems that are already or about to be available to maneuver forces within the theater of operations, with the dual purpose of provide them superiority over the threat and maximize their due protection. We will make a brief reference to unmanned aerial systems and network warfare assets, but only on the perspective of immediate interaction with the troops on the terrain.  Next, we will discuss the specic case of the artillery and ground re support, emphasizing the respective operational environment, the combat organization, the evolution of the weapons and ammunition, the targeting and the command and control.  A E  VOLUÇÃO    DOS   S   ISTEMAS     DE   A  RMAS   A  PÓS    O  11  DE   S   ETEMBRO    DE   2001 1 Contacto do primeiro autor – Tel.: 214985660 Email: rgrsantos@yahoo.com (Rogério Santos); eliotsantos@yahoo.com.br (Élio Santos); celsojorgebraz@hotmail.com (Celso Braz)Recebido em 8 Maio 2012 / Aceite em 28 Maio 2012    Proelium  VII (3) (2012) 161-182  - 162 - R. Santos et al /  Proelium VII (3) (2012) 161-182 We will end, by issuing some conclusions about the developments achieved during the period in question and about some predictable tendencies.  Keywords:  Weapons Systems, Force Protection, Infantry Weapons, Combat Vehicles, Ammunitions. RESUMO Inserido no ciclo de conferências recentemente realizado sobre o 11 de se-tembro de 2001, o tema do presente artigo, acerca da evolução dos sistemas de armas, torna-se absolutamente pertinente, já que os dez anos passados desde aquele evento, permitem aquilatar com alguma clareza quais os de-senvolvimentos mais significativos neste âmbito e verificar a consolidação de algumas tendências que marcarão o futuro próximo.Por limitações de espaço e de tempo, já patentes aquando da realização das conferências, o âmbito do artigo circunscreve-se apenas aos sistemas de armas terrestres, tradicionalmente no domínio da infantaria, da cavalaria e da artilharia. Assim, depois de um breve enquadramento, incluindo a tipicação dos meios usados pela atual ameaça assimétrica, abordaremos com brevidade as diversas tecnologias e sistemas que já estão ou começam a estar ao dispor das unidades de manobra terrestre nos teatros, com a nalidade dupla de lhes granjear supe -rioridade sobre as suas ameaças e de lhes maximizar a devida proteção. Faremos  breves alusões a sistemas de armas aéreos não tripulados e sistemas de guerra em rede, mas sempre na perspectiva de imediata interação com as tropas no terreno. De seguida, abordaremos o caso especíco da artilharia e do apoio de fogos terrestres, dando relevo ao respetivo ambiente operacional, à organização para o combate, à evolução dos materiais e das munições, à aquisição de objetivos e ao comando e controlo.Acabaremos, ensaiando algumas conclusões acerca da evolução no período em causa e de algumas tendências visíveis. Palavras-chave:  Sistemas de Armas, Proteção da Força, Armas de Infantaria, Veículos de Combate, Munições. 1.   INTRODUÇÃO A Academia Militar através do Departamento de Ciências e Tecnologia Militarares, decidiu assinalar a passagem do décimo aniversário dos atentados do 11 de setembro de 2001, ocorridos em Nova Iorque e Washington, com um ciclo de conferências  - 163 - R. Santos et al /  Proelium VII (3) (2012) 161-182 interno, dedicado ao evento e suas consequências, mormente na perspetiva das várias ciências militares. Uma dessas óticas pretendeu, com toda a pertinência, abordar a evolução dos sistemas de armas no período em questão. De facto, sem uma mudança tão radical na arte de fazer a guerra, decerto terão havido mudanças signicativas, entre outras matérias, nas armas e nos meios empregues, em teatros de operações de alta intensidade, um dos quais perdura também desde essa data.Tendo o atual campo de batalha dimensões tão díspares como os que lhe são confe-ridos pelas componentes terrestre, aérea, marítima, submarina, subterrânea, espacial e ainda dos espaços electromagnético e cibernético (Powell, 2010), seria necessário, com justiça, dedicar no mínimo uma palestra para cada uma delas. Assim, foi decidido limitar o âmbito da conferência e respetivo artigo, aos sistemas de armas terrestres, tradicionalmente no domínio da infantaria, da cavalaria e da artilharia, de alguma forma a especialidade dos professores envolvidos na preparação da conferência. Muito haveria a dizer sobre os sistemas de armas aéreos, navais e espaciais, que logicamente também têm evoluído continuamente. A componente aérea é essencial na conduta das operações e está fortemente presente em todos os teatros, com o intuito de granjear a supremacia e apoiar fortemente as operações terrestres e na-vais. Mas, obviamente tal componente seria por si só tema para outra conferência ou ciclo. Referiremos apenas com brevidade a eminência dos veículos aéreos não tripulados, já que alguns deles, pela sua nalidade e simplicidade de operação são mesmo controlados pelas tropas terrestres.A vital importância que as sociedades da informação, comunicação e conhecimento detêm, a par das suas evidentes vulnerabilidades, veio trazer a guerra a uma nova dimensão de conito, o espaço cibernético. Também neste caso, pela vastidão e com - plexidade do tema, seria impossível ir mais além do que uma breve referência aos sistemas de guerra infocentrada em rede.Desde que o homem, ainda no longínquo Paleolítico, começou a fabricar utensílios – armas –, primeiro para caçar e posteriormente para fazer a guerra, foi inerente a neces- sidade de desenvolver artefactos cada vez mais sosticados, que conferissem ao caçador e, sobretudo, ao combatente, vantagens signicativas tanto no ataque como na defesa. É sabido que o sucesso das sociedades e dos seus exércitos na guerra depende de múltiplos fatores concorrentes, como sejam a organização, a estratégia, a tática, a lide-rança, o moral, a formação e o treino, entre outros (Boot, 2006). Igualmente importante,  para não dizer fundamental, tem sido a inovação e a superioridade do armamento. De facto, inovações importantíssimas ao nível dos sistemas de armas, como foram o aparecimento do arco, das armas de metal, do combate montado – a cavalaria -, das máquinas pesadas de guerra, da pólvora, dos canhões, do mosquete, da metralhadora, do avião, do carro de combate, ou da arma atómica, conferiram aos seus primeiros utilizadores uma enorme vantagem que decidiu os respetivos conitos a seu favor. A necessidade da detenção da superioridade no âmbito dos sistemas de armas por  parte dos exércitos atuais mantém-se, evidentemente temperada pela conjuntura  política e económica. É sabido que as guerras são os maiores laboratórios para  - 164 - R. Santos et al /  Proelium VII (3) (2012) 161-182 a investigação e desenvolvimento de novas armas e sistemas e que os períodos  pós-guerra são, pelo contrário, os de maior contenção orçamental.Para poder perceber a lógica da evolução dos sistemas de armas após o 11 de setembro de 2001, é preciso identicar igualmente os eventos precedentes mais marcantes, a começar pelo colapso da União Soviética e o nal da Guerra Fria, que fez terminar a corrida a sistemas de armas estratégicos de elevada letalidade ou a produção de inúmeros sistemas táticos pesados destinados a conitos de movimento e objetivos profundos – as guerras de terceira geração (Lind, 2004). O m da Guerra Fria trouxe consigo uma mudança notória da conitualidade, com o emergir de novas ameaças: catástrofes ambientais, eclosão de nacionalis-mos, estados falhados, terrorismo transnacional, emergência de novas potências nucleares e proliferação de armas de destruição massiva. As guerras de 4ª geração, que se tinham tornado emergentes desde a conferência de Bandung em 1954,  passaram agora a proeminentes, em detrimento das guerras de 3ª geração. Para adaptação a tal vicissitude, os conceitos estratégicos dos países e alianças e as ciências militares das forças armadas tiveram que ser convenientemente alterados.Outros agentes muito importantes para as tendências evolutivas dos sistemas de armas e que convém ter em mente, têm sido (Powell, 2010): ã A pressão dos órgãos de comunicação social, cada vez mais presentes nos teatros e com um considerável poder de inuência na opinião pública;ã As políticas dos estados, formuladas com o objetivo de garantir o menor número de baixas possível nos conitos atuais;ã Os custos associados à formação e ao treino cada vez mais técnicos e se -letivos dos soldados contemporâneos; ã A evolução do conceito de Proteção da Força 2  (Force Protection), enm, o corolário lógico dos agentes anteriores. 2.   EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA As armas e sistemas de armas têm sofrido, ao longo dos séculos, uma permanente evolução causada pelo surgimento de sucessivas novas ameaças, com ecácia ofensiva e destrutiva acrescida e cada vez mais de difícil contenção. A evolução tecnológica, não sendo o único fator de valorização das forças militares, será um dos fatores fundamentais para a denição da organização e emprego das forças militares, sendo preponderante na qualidade do poder militar. A tecnológica tem sofrido enormes progressos que proporcionaram a evolução dos sistemas de armas cada vez mais sosticados. Esta evolução vem exigir, nos 3  No âmbito da NATO, entende-se por Proteção da Força como “todas as medidas e meios para minimizar a vulnerabilidade do pessoal, instalações, equipamento e operações face a qualquer ameaça e em todas as situações, a m de preservar a liberdade de ação e a ecácia operacional da força”.
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