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A Farsa do Advogado Pathelin Personagens: Pathelin – Advogado, esperto e ardiloso Guilhermina – Sua mulher, astuciosa Guilherme – Comerciante, simplório Teobaldo – Pastor, ingênuo e confiante Juiz – Autoritário, solene Cenário: No teatro medieval os cenários são simultâneos, isto é, todos os locais da ação eram justapostos. Aconselhamos a estilização. Pode ser feito com rotunda escura e elementos mutáveis de acordo com o estilo da peça. Cena
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  A Farsa do Advogado Pathelin  Personagens: Pathelin  – Advogado, esperto e ardiloso Guilhermina  – Sua mulher, astuciosa Guilherme  – Comerciante, simplório Teobaldo  – Pastor, ingênuo e confiante Juiz  – Autoritário, solene  Cenário: No teatro medieval os cenários são simultneos, isto !, todos os locais da a ão eram  #ustapostos$ Aconselhamos a estili%a ão$ Pode ser feito com rotunda escura e elementos mutáveis de acordo com o estilo da pe a$ Cena &  Pathelin  – Por 'eus, (uilhermina$ Por mais )ue dê tratos * +ola, não consigo desco+rir um meio de ganhar um vint!m$ ouve tempo, no entanto, em )ue não faltavam clientes nem +elos escudos$ Guilhermina  – Pois !, esse tempo #á vai longe$ Para mim, a advocacia ! a pior profissão do mundo$ -m dia +em, um dia mal, ora enganando, ora enganado$ Nunca vi coisa assim$ Pathelin  – . posso #urar )ue não há nesta cidade melhor advogado do )ue eu$ Ningu!m conhece como eu as correntes, as molas, as engrenagens dos processos$ Não há )uem se#a mais e/perto do )ue o doutor Pathelin para torcer as leis$ Sou um verdadeiro mestre$$$ Guilhermina  0cortando1 – $$$de trapa a2 Neste dom3nio você não cede a ningu!m o primeiro lugar$ Pathelin  – Não confunda os nomes nem as coisas$ Sou simplesmente há+il$ Guilhermina  – 4ela ha+ilidade$$$ .nfim, tudo neste mundo pode ter dois mundos$ Pathelin  – &sso não vem ao caso$ 5 )ue precisamos ! achar algum modo de ganhar dinheiro$ 6e#a em )ue estado estão o seu vestido e a minha roupa$ At! parece )ue estamos vestidos de ga%e, como an#os de procissão$ Guilhermina  – 7 verdade$ Cada ve% )ue sento ou encosto em algum lugar, tenho medo de dei/ar colado um peda o da minha saia$ 5 dia em )ue isto acontecer, só me resta o recurso de fingir de paral3tica e esperar passar o resto da vida sentada$$$ Por)ue ganhar outro vestido, não tenho a menor esperan a$ Pathelin  – Pois você ganhará um, e ho#e mesmo$ Guilhermina  – 5 )ue8 6ocê enlou)ueceu8 Pathelin  – 9onge disso$ Nunca tive tanto #u3%o$ Guilhermina  – .stá se vendo$ Pathelin  – 7 isso mesmo$ Aca+o de ter uma id!ia magn3fica$ Guilhermina  – inha Nossa Senhora2 Suas id!ias magnificas #á o levaram ao pelourinho$ Será )ue o lugar ! tão +om )ue dese#e voltar para lá8 Pathelin  – 'ei/e;se de tolices$ 5 )ue pretendo fa%er não terá a menor conse)<ência$ Guilhermina  – um2 Pathelin  – 6amos, de )ue cor e de )ue fa%enda você )uer seu vestido8 Guilhermina  – 'a cor e da fa%enda )ue você conseguir e/tor)uir do comerciante, )ue for +astante tolo para lhe vender fiado$ Pathelin  – .stá +em$ 6ocê verá )ue o esp3rito ! mais forte )ue a mat!ria e )ue o homem de esp3rito não precisa de dinheiro para vestir sua cara;metade e a si próprio$ At! #á$ Guilhermina  – 6á com 'eus$ Se encontrar algum otário, não se es)ue a de +e+er com ele$Cena &&  Pathelin  – 'eus o guarde, senhor (uilherme$  Guilherme  – . ao senhor tam+!m, doutor Pedro$ Pathelin  – Ainda +em )ue o senhor me reconhece$ Não houve maior amigo do falecido senhor seu pai do )ue eu$ 'eus de glória * sua alma$ =ue santo homem era ele2 as o senhor ! retrato vivo dele$$$ Guilherme  – >odos di%em isto$$$ Pathelin  – . ! coisa evidente$ as, como vão os negócios8 Guilherme  – um$$$ Assim$ 5 senhor sa+e, com!rcio ! profissão ingrata$ Pathelin  – Sem d?vida, mas para um homem honesto, inteligente e ativo como o senhor, as coisas não podem dei/ar de ir +em$ Guilherme  – 4om, sempre dá para viver, mas os negócios podiam ir melhor$$$ Pathelin  – Certamente$ .nfim, )uando se tem suas )ualidades f3sicas e morais, )uando se ! assa% +em feito de corpo para atrair os olhares femininos e +astante inteligente paratirar proveito duma impressão causada a uma rica senhora$$$ 6endendo;lhe a +om pre o uma fa%enda )ue ela não e/amina por)ue tem o olhar em+evecido no vendedor$$$ Guilherme – =ual nada, doutor Pedro$$$ Pathelin  – 5ra vamos, eu o conhe o$$$ Seria preciso )ue neste ponto o senhor não parecesse nada com o falecido senhor seu pai ; )ue 'eus o tenha2 Aliás ! muito #usto$ As+elas coisas devem ser pagas$ Se 'eus lhe deu +elos dotes, foi para )ue o senhor tirasseproveito deles$ Guilherme  – 5 senhor está me confundindo$$$ Pathelin  – 'i%er a verdade confunde;o8 as meu 'eus, )uanto mais eu o olho o acho mais parecido com o senhor seu pai$ 5s mesmos olhos, a mesma +oca, o mesmo nari%$$$ Ah, duas gotas d@água não seriam mais parecidas$ Guilhermina  – 5 senhor conheceu muito o meu po+re pai8 Pathelin  – Se o conheci2 Não havia dois amigos mais inseparáveis nesta cidade$ .u gostava de sair com ele por)ue as mo as o olhavam, e eu ia rece+endo as so+ras$ =ue homem era ele2 4om comerciante e finório como ele só$ Ningu!m o enganava$ ./atamente como o filho2 Guilherme  – 5 senhor sa+e, no com!rcio, se não se a+re os olhos, todos nos rou+am$ Pathelin  – Naturalmente$$$ as )ue linda fa%enda ! esta$$$ Guilherme  – 7 fa%enda de uão, muito +em tecida, ve#a$ Pathelin  – 7 muito cara8 Guilherme  – Nem tanto$$$ 'o%e soldos a vara$$$ Pathelin  – . o senhor di% )ue não ! cara8 Guilherme  – A tos)uia está tão dif3cil$ 5 senhor não sa+e como a fa%enda tem sumido de pre o$$$ >enho tido tanto pre#u3%o$$$ 5s tecelBes aumentaram o pre o do tra+alho, os carneiros tem morrido de peste ou então pela falta de cuidados dos pastores$ .u mesmo estou com um caso desses$ Pathelin  – =ual8 Guilherme  – -m patife de um pastor )ue eu próprio criei$ atava;me os carneiros para comê;los ou vendê;los$ 'epois vinha di%er )ue tinham morrido de peste$ Aca+ei desco+rindo e a +rincadeira vai lhe custar cara$ i% )uei/a ao meirinho e ele mandou +uscar o pastor para apresentá;lo ho#e diante do #ui%$ 5 canalha pegará pelo menos umas +oas horas de pelourinho$ Pathelin  – Se o senhor precisa de um advogado estou *s suas ordens$ Não ! para me ga+ar, mas não sou dos piores$ 9i)uido em um instante o seu caso$ Se o senhor )uiser posso mandar enforcá;lo$ Guilherme  – Não )uero tanto, o pelourinho +asta$$$ as, voltando * fa%enda, tudo isso fa% com )ue o pre o dos tecidos tenha su+ido prodigiosamente$ Pathelin  – .stou tentado com esta fa%enda$ =ue maravilha de tecido2 Só uma casa de primeira ordem se poderia encontrar tal coisa$ Guilherme  – 9eve;a, o senhor não se aprenderá$ 7 um tecido forte e de cor firme$ Pathelin  – .stou vendo$ .stou vendo$ Só acho um pouco caro$ Se o senhor dei/asse a vara a de% soldos$$$ Guilherme  – Por 'eus, )ue não posso$ 'o%e soldos foi )uanto ela me custou$ .stou lhe vendendo pelo pre o de custo$ Pathelin  – 4em vá lá$ Não vou +rigar com o filho do meu maior amigo por tão pouco$ 5 senhor pode cortar$  Guilherme  – =uantas varas8 Pathelin  – Para mim, uma$$$ duas$$$ três e meia$ Para minha mulher, duas e meia$ .la ! alta$$$ ., ! isso mesmo$ Cinco varas e meia$ Não, seis$ Guilherme  – Por)ue não leva toda a pe a8 São sete varas$ Pathelin  – 7, está +em$ So+ra um pouco, mas não fa% mal$ Guilherme  – a%enda nunca ! demais$ .stá a3 a pe a$ São nove escudos$ Pathelin  – 5 senhor virá rece+ê;los em minha casa onde #antará comigo um admirável pato )ue minha mulher está co%inhando$ Guilherme  – as eu não posso, estou muito ocupado$ Pathelin  – 5ra, dei/e de +o+agem$ Ds seis horas o senhor ! o+rigado a dei/ar a lo#a$ 5 senhor não ! #udeu para tra+alhar de noite$ Guilherme  – .stá +em$ =uando eu for levarei a fa%enda$ Pathelin  – 'e modo algum$ .ntão vou dei/ar um comerciante conceituado como o senhor, filho de um grande amigo meu, carregar uma pe a de fa%enda8 A+solutamente2 &sso ! +om pra gente sem importncia$ Guilherme  – as$$$ Não senhor$$$ .u posso levar$ .stá +em assim$ Pathelin  0apanhando a fa%enda1 – Não consinto de modo algum$ Só assim o senhor virá * minha casa$ Guilherme  – as eu posso ir levando a fa%enda$ Pathelin  – Será )ue o senhor desconfia de mim8 Guilherme  – Não$ as acho inconveniente )ue o senhor ande com fa%endas de+ai/o do +ra o pela cidade$ Pathelin  – . o senhor ficaria +em carregando fa%endas8 Não consentirei nunca em tal coisa$ Guilherme  – Nada de cerimEnias$ 'outor Pedro, eu posso levar muito +em$ Pathelin  – Se o senhor não tem confian a em mim, se acha )ue sou desonesto, ! outra coisa$ as neste caso não lhe fa o a in#?ria de pensar )ue o senhor me #ulga de tal maneira$ Guilherme  – Não #ulgo, não$ .nfim, se não há outro meio$$$ Pathelin  – .stá claro )ue não há outro meio$ 6enha sem falta *s seis horas$ Posso garantir )ue o senhor não terá comido em sua vida muitos patos como o )ue o senhor vai comer em minha casa$ =uanto ao vinho, prefiro nem falar$ 5 senhor mesmo o  #ulgará$ A propósito, como )uer )ue lhe pague8 .m ouro ou em prata8 Guilherme  – Prefiro em ouro, se for de +om peso$Pathelin – eu ouro ! antigo$ 7 do tempo do falecido rei$ Guilherme  – .ntão não se es)ue a de tê;lo * mão )uando eu lá chegar$ Pathelin  – Sim, mas o senhor só rece+erá depois do #antar$ Por 'eus mestre (uilherme, só assim o senhor conhecerá o caminho de minha casa$ Seu falecido pai o conhecia muito+em$ Nunca dei/ava de me cumprimentar )uando passava$ as o senhor não se dá com gente po+re$$$ 0sai1 Guilherme  0só1 – Po+re sou eu$$$ .u$$$ 5 dinheiro )ue ele vai me pagar ficará +em guardado$ 4em di% o ditado )ue não há um esperto )ue não encontre outro mais esperto$.sse advogado, mestre da trapa a, levou por do%e soldos um tecido )ue não vale nem nove$$$ Cena &&& Casa de Pathelin - Sala   Pathelin  0entrando1 – .ntão8 Guilhermina  – .ntão o )ue8 Pathelin  – .u não lhe di%ia8 Pode #ogar fora seu vestido velho$ Guilhermina  – =ue dia+o ! isto8 Pathelin  0desdo+rando a fa%enda1 – 6e#a e creia$ Guilhermina  – 6irgem Nossa Senhora2 Algum cliente dei/ou isto como penhor8 6ocê comprou fiado8 eu 'eus, )uem pagará8 Pathelin  – =uem pagará8 as #á está paga e +em paga$ Posso afirmar a você )ue o comerciante )ue me vendeu não ! nenhum tolo$  Guilhermina  – Fá sei$ 6ocê prometeu, mediante uma assinatura ou #uramento, pagar a fa%enda dentro de algum tempo$ 4elo tra+alho2 =uando chegar o termo, como não haverá dinheiro, eles virão e levarão tudo$ Pathelin  – 'ei/e estar )ue não levariam grande coisa$$$ as não se preocupe, torno a repetir )ue a fa%enda #á está paga e )ue eu nem assinei contrato nem fi% #uramento algum$ Guilhermina  – 6á enganar a outra$ Não se es)ue a de )ue estamos casados #á há alguns anos$ Conhe o você como a palma da minha mão$ Pathelin  – Não temos tempo a perder, por isso vou lhe contar o caso em duas palavras$ 6ocê conhece o mestre (uilherme CEvado8 Pois +em, ! o comerciante mais avarento e ladrão )ue #á vi, tal )ual seu falecido pai$ Pois muito +em, e, com a minha lá+ia, a+ordei;o fa%endo mil elogios a um e ao outro, assinalando a semelhan a entre am+os, fa%endo;lhe tantas cortesias, )ue )uando chegou a hora de me fiar a fa%enda apesar de gemer, não teve coragem de negar$ Guilhermina  – A eterna história da raposa e do corvo$$$ Pathelin  – Sem tirar nem pEr$ .nfim, prometi;lhe pagar a)ui na hora do #antar$ Copiosamente regado com um vinho )ue ainda está nas uvas$ . prometi tam+!m, um pato )ue ainda está no ovo$ Agora chegou a sua ve% de tra+alhar$ Guilhermina  – =ue devo fa%er8 Pathelin  – Coisa muito simples$ Furar por todos os santos do c!u )ue há on%e meses estou de cama, doente, louco furioso, fa%endo o desespero de todos os m!dicos$ 5 resto ! por minha conta$ 6ocê sa+erá fa%er isso8 Guilhermina  – . muito mais$ Não ! em vão )ue sou sua esposa$ Chorarei lágrimas de sangue, hei de convencer o comerciante de )ue ele está louco ou )ue viu o dia+o$ Pathelin  – Gtimo2 6amos preparar a farsa$ 6ou deitar;me, por)ue (uilherme não deve tardar$ 0sai1 Guilhermina  0só1 – 6alha;me 'eus2 . Santo 5nofre ilagroso, a#udai;me nessa empresa, )ue eu vos prometo dar uma vela de cera$$$ Se acaso tiver o dinheiro )ue ela custa antes de minha morte$ 0sai1 Cena &6  Primeiro na rua, diante da casa de Pathelin. Depois no interior. Sala. Entardecer.   Guilherme  0na rua1 – Creio )ue #á está na hora de +e+er o vinho e comer o pato #á do tal doutor Pathelin2 Ah2 eu )uerido dinheiro, at! )ue enfim vou te ver$ eu cora ão )uase pára )uando me lem+ro )ue vendi fiado uma pe a de fa%enda$ o2 o2 'r$ Pedro Pathelin$ Guilhermina  – =ue +arulho ! esse8 Se o senhor tem alguma coisa a di%er, fale +ai/o$ Guilherme  – 'eus vos guarde, minha senhora$ Guilhermina  – ale +ai/o$ Guilherme  – as o )ue há8 Guilhermina  – .u lhe pe o, pelo amor de 'eus, não grite2 Guilherme  – 5nde está seu marido8 Guilhermina  – eu 'eus, onde ! )ue o senhor )ueria )ue ele estivesse8 Guilherme  – 5 doutor Pedro não está a38 Guilhermina  – =uisera 'eus )ue ele estivesse com +astante sa?de para não estar a)ui$ Guilherme  – as o )ue )uer di%er com isto8 Guilhermina  – Coitado do homem$$$ .le está na cama$$$ 5n%e meses de mart3rio2 Guilherme  – =uem8 Guilhermina  – 'esculpe, mas não posso ficar a)ui muito tempo$ >enho )ue voltar para perto do meu doente$ Guilherme  – as )uem ! o seu doente8 Guilhermina  – =uem há de ser senão o meu marido8 Guilherme  – 5 doutor Pedro Pathelin8 Guilhermina  – Não consta )ue eu tenha outro marido$ Guilherme  – as não há )uin%e minutos )ue ele esteve comigo, e por sinal me comproufiado uma pe a de fa%enda$ 6im a)ui para rece+er o dinheiro$
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