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A função da “atmosfera” e o efeito de “fantástico” no cinema de ficção científica lo-fi contemporâneo: os casos de Love, Sound of my Voice e Under the Skin

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A função da “atmosfera” e o efeito de “fantástico” no cinema de ficção científica lo-fi contemporâneo: os casos de Love, Sound of my Voice e Under the Skin
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PQNR   Introdução O cinema de ficção científica (FC) lo-fi (ou Low-fi sci-fi  , no srcinal em inglês), diz respeito a uma safra de filmes, geralmente de baixo orçamento e “independente”, que se insere de maneira específica no contexto mais amplo do cinema de FC. Segundo definição do website Lo-fi Sci-fi  1 , o cinema de FC lo-fi   compreende “[f]ilmes que têm mais especulação do que efeitos espetaculares. Mais focados em grandes ideias do que em grandes orçamen-tos” 2 .   O termo lo-fi sci-fi remete, no entanto, a um contexto mais amplo, com ponto de partida na música ou nas artes sonoras. Marcelo Conter assinala que “ Lo-fi   são registros fonográficos musicais de baixa definição, reconhecidos na maior parte das vezes no uso de equipamentos deteriorados (...), e que produzem uma crítica tecnológica do modo como a música pop é constituída pela indústria fonográfica” (2013, p. 1). Ainda segundo Conter, Em termos de estética, uma das contribuições do lo-fi está na incorpora-ção dos ruídos dos equipamentos elétricos, eletrônicos e magnéticos na paisagem sonora musical, atualizando e embaralhando os conceitos de si-nal e ruído, e, principalmente, as noções de tonalismo e de notação musical na partitura, uma vez que este não consegue transcrever ruídos (Conter, 2013, p. 10). 3   Um cinema de FC lo-fi   poderia ser, nesse sentido, um cinema que cultua um para-digma analógico, determinadas imperfeições estéticas e “ruídos” na contramão do cinema mainstream   de celebração das “tecnologias de última geração”, por sua vez identificadas com o termo hi-fi  . Este trabalho tem por objetivo investigar os conceitos de “atmosfera” (Lovecraft 2011) e “fantástico” (Todorov 2008) no cinema de FC lo-fi  , partindo da análise fílmica de três produções frequentemente associadas a esse gênero (ou subgênero): Love   (2011), de Wil Eubank, Sound of my Voice   (2011), de Zal Batmanglij, e Under the Skin   (2013), de Jonathan Glazer (no Brasil, lançado como Sob a Pele   ). Em que pese a heterogeneidade do cinema de FC dito lo-fi  , bem como o fato de que nem todos os seus representantes apresentam o mesmo grau de inventividade e apreço a narrativas intelectualmente instigantes, nossa hipótese inicial é a de que um aspecto eventu-almente comum a boa parte dessa filmografia em questão talvez seja o investimento em “at-mosfera”, por vezes em detrimento daquilo que se convencionou chamar, vulgarmente, de “ação” 4 . Sob essa perspectiva, filmes como Punishment Park (1971, dir. Peter Watkins), Up- stream Color (2013, dir. Shane Carruth), Computer Chess   (2013, dir. Andrew Bujalski) ou  A La-  gosta   (  The Lobster  , 2015, dir. Yorgos Lanthimos), capitalizariam muito mais sobre sua atmos-fera pro-fílmica, construída extra e intra-diegeticamente, do que sobre cenas de ação aventu-resca. A estranheza provocada por tais filmes resultaria muito mais de seu investimento cal-culado em atmosfera do que em personagens inauditos ou situações espetaculares. De acordo com o Penguin's Dictionary of Literary Terms & Literary Theory (1999, p. 59), o conceito de at-mosfera responde pelo    .&2 DFJJK4 L 4 5,-/0* 2( 6('+*&5#7(8 # * #5#%'*MMM )*+,-%.(/0* 1%2%3'%.(? $M NO? -M N? PQNR   Humor e sentimento, a qualidade intangível que apela tanto à percepção sensorial quanto extra-sensorial, evocados por uma obra de arte. Por exemplo, a cena de abertura em Hamlet  , tensa e apreensiva, e até mesmo frenética. Em contraste, o começo de O Alquimista  , de Ben Jonson, clara-mente indica que a peça será cômica ao ponto do pastelão. Um exemplo excelente no romance é a descrição de Egdon Heath feita por Hardy em The Return of the Native  5   Nessa mesma obra de referência, o conceito de “atmosfera da mente” (  atmosphere of the mind   ), cunhado por Henry James, parece complementar. Trata-se de um termo que denota o que o autor subjetivo (  subjective writer   ) de um romance procura transmitir ao leitor, um es-tratagema que permite que o leitor, num dado momento, “habite” a “mente do autor”, “res-pire seus ares” e seja permeado por sua visão srcinal (James, 1999, p. 59).  Atmosfera, por H. P. Lovecraft Nesse sentido, um ensaio de H. P. Lovecraft parece esquemático e premonitório do cinema de FC lo-fi aqui debatido. Trata-se de “Notas sobre a ficção interplanetária”, texto escrito em meados de 1934, no qual Lovecraft oferece um ensaio prescritivo de como a FC deve ser explorada, de maneira a poder fazer sua justa reivindicação à seriedade artística e mérito literário, assim evitando “[a] insinceridade, o convencionalismo, o lugar-comum, a artificialidade, a falsa emoção e a extravagância pueril [que] reinam triunfantes nesse gênero saturado (...)” (2011, p. 89). Segundo Lovecraft (2011, p. 91, grifos no srcinal), “[o] verda-deiro 'herói' de um conto maravilhoso não é ser humano algum, mas apenas um conjunto de  fenômenos  . (…) A atmosfera, e não a ação, é o que deve ser cultivado no conto maravilhoso”.  Autor do célebre conto “A cor que caiu do espaço” (“ The color out of space  ”, publicado em  Amazing Stories   em 1927), Lovecraft (2011, p. 90) observa que, para superar a barreira da inverossimilhança, o escritor de literatura fantástica deve atentar “[a]o emprego de um rea-lismo meticuloso (…), somado a um acúmulo de natureza atmosférica ou emocional da mais absoluta sutileza”.  A reboque da prescrição do investimento em atmosfera, Lovecraft invoca intensa-mente (um)a ideia de realismo literário. Nas cerca de 10 páginas que totalizam seu ensaio, o autor utiliza enfaticamente a palavra “realismo” por cerca de seis vezes, ao menos uma vez o adjetivo “realista”, e pelo menos duas vezes o conceito de “verossimilhança”. Lovecraft (2011, p. 92-93) destaca o “realismo na ambientação”, julgando que Uma boa história interplanetária deve ter personagens humanos e realistas; não os cientistas, assistentes pérfidos, heróis invencíveis e lindas heroínas filhas de cientistas como o lixo habitual deste jaez. A bem da verdade, não há motivo para que haja qualquer “vilão”, “herói” ou “heroína”. Esses tipos artificiais pertencem a formas de enredo artificiais e não têm lugar na ficção séria de qualquer espécie (Lovecraft, 2011, p. 94). Em sua diatribe, Lovecraft parece referir-se à fórmula narrativa recorrente no que se convencionou chamar de space opera  , sub-gênero da FC muito comum na literatura  pulp  de seu tempo. Vale lembrar que a space opera   e sua fórmula foram prontamente importadas pelo cinema, subsistindo até hoje em algumas das mais caras superproduções de Hollywood. Ao sugerir o descarte de fórmulas fáceis e estereótipos, Lovecraft enfatiza: “[o] tom adotado
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