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  1 A HISTÓRICA TERRITORIALIZAÇÃO DA ILHA GRANDE DE SANTA ISABEL/PI E PRAIA DA PEDRA DO SAL/PI Ricardo Rayan Nascimento Rocha 1  Leandro Inakake de Souza 2  Kesley Paiva da Silva 3   RESUMO Com a necessidade de problematizar o espaço geográfico em nível local a partir de suas contradições sócio históricas e assim evidenciar a sua relevância enquanto fator social, este artigo objetiva analisar o processo de territorialização da Ilha Grande de Santa Isabel/PI e Pedra do Sal/PI, objetos de estudos desse trabalho, que repercute histórica e socialmente nas relações de poder, entre os atores envolvidos, a partir da histórica apropriação e dominação de terras no contexto local. Para isso, metodologicamente, este artigo tem como abordagem qualitativa, tendo em vista o englobamento de  perspectivas analíticas que tal pesquisa pode gerar, através do levantamento bibliográfico, revisão em  periódicos que retratem tal problemática, pesquisa documental em órgãos públicos, entrevistas semiestruturadas com a comunidade local, além de incursões realizadas para se compreender a vivência do extrativismo com os autóctones que ocupam tal área. Assim, ficou evidente que existe um dualismo entre as informações dos entrevistados x documentos de aforamento da terra pela SPU, no qual, alguns contrapontos são questionadores. Além disso, percebe-se uma histórica relação social dos entrevistados com o comércio, sobrevivência e ligação cultural/social como forma de afirmação territorial. Percebe-se novos cenários emergindo e assim, o “homem territorial”, construído nos diversos agentes envolvidos, atuará em novas configurações de territorialização, desterritorialização e reterritorialização, sendo palco de transformações, rupturas e contradições a serem problematizadas. Portanto, é relevante, aprofundar a pesquisa local acerca das relações sociais/espaciais locais caminho de retaliação histórica em busca de um território livre e múltiplo. Palavras-chave : Território. Territorialidade. Ilha Grande de Santa Isabel/PI. Pedra do Sal/PI. 1   INTRODUÇÃO Ao longo do tempo, a organização social e econômica das sociedades aconteceu por meio de variadas formas, imprimindo no espaço geográfico, as transformações de cunho  político, econômico, social, etc. Isto acontece devido ao homem globalizado que, pós- revolução industrial, materializa suas transformações dentro do modo de produção vigente, o modo de produção capitalista, dentro de uma lógica. Partindo deste contexto global, o 1  Turismólogo/Comissão Ilha Ativa/E-mail: rayan.rayan.rr@hotmail.com  2  Zootecnista/ Especialista em Educação do Campo e Agricultura Familiar Camponesa/ Presidente da Comissão Ilha Ativa – CIA/ E-mail: leandroinakake@gmail.com  3  Bióloga/ Especialista em Ecologia/ Comissão Ilha Ativa/ E-mail: kesley.bio@gmail.com   2 espaço geográfico passa a problematizar outros patamares, como por exemplo, o território, que conota duplamente, entre o material e o simbólico, aproximando-se de terra-territorium quanto de térreo-territor (terror, aterrorizar), tem ligação com dominação de terra e inspira medo para aqueles que são dominados, ou seja, impedidos de entrar ou ter acesso a terra (Haesbaert, 2005).  No Brasil, a questão agrária possui um desafio a ser alcançado no qual a maior parte das terras estão em posse de corporações nacionais e multinacionais, alimentando o agronegócio indo de encontro à agricultura familiar (FERNANDES et al 2012), além de que,  políticas publicas precisam ser efetivadas, principalmente, a partir do momento em que se vive uma negação dos direitos territoriais e criminalização de movimentos sociais que defendem a socialização do território. Comunidades pesqueiras, quilombolas, indígenas, que territorializam-se no espaço geográfico como forma de reproduzir seus modos de vida, imbuídos de um direito social sobre a terra, vivem a realidade de terem seus territórios, rifados/mercantilizados pela iniciativa pública e privada. Quanto ao contexto econômico do espaço, fator determinante de suas novas relações, no litoral piauiense 4 , existem variadas formas de geração de renda, principalmente no tocante das comunidades pesqueiras e extrativistas. Por mais que o turismo que, timidamente, se inicia como forma de geração de emprego e renda no litoral, tais comunidades vivem  principalmente por meio de atividades de subsistência como o extrativismo de frutícetos,  pesca, cata de caranguejo, além da dependência dos autóctones com as políticas sociais e emprego público local. É importante destacar as relações incrustradas no espaço geográfico, que territorializam-o, por meio de novas relações estabelecidas que fogem da concretude. Lefebvre, em  A produção do espaço afirma que o espaço não é autônomo, estruturalmente, ou seja, alheio ao externo, e sim, peça que se relaciona, dialeticamente com as relações de  produção, e paralelamente, relações sociais e espaciais (FILHO, 2013). O território, construído socialmente por essas comunidades, apesar de rico e “territorializado” com suas práticas socioeconômicas, apresenta alguns paradoxos que 4  O litoral piauiense representa 66 km, iniciando na Barra das Canárias – fronteira com o Maranhão e segue pela Ilha Grande de Santa Isabel, passando pelo farol e Praia da Pedra do Sal, indo até a Barra da Timonha, foz do rio São João da Praia, na fronteira com o Ceará.  3 implicam em problemas de ordem social/espacial, no qual moradores de algumas comunidades inseridas na Ilha Grande de Santa Isabel/PI e Pedra do Sal/PI, objetos de estudo desta pesquisa, não possuem direito jurídico sobre a terra, mesmo estando há muito tempo, ocupando tal área. Paralelo a tal contrassenso, uma onda de empreendimentos de cunho “ambiental” 5 e turístico 6 , vem instalando-se em áreas de extrativismo da comunidade, instabilizando o modo de vida local. Assim, cabe ressaltar que tal pesquisa faz parte de ações da Comissão Ilha Ativa – CIA 7 , entidade que possui várias linhas de atuação no contexto local por meio de um compromisso socioambiental, através de atividades de pesquisa e extensão, no qual percebeu o cenário do espaço geográfico e consequentemente, territorial da Ilha Grande de Santa Isabel/PI e Pedra do Sal/PI, como alarmante a ser problematizado por meio de um trabalho científico. Metodologicamente, este trabalho buscou caminho na pesquisa de natureza qualitativa,  por meio da análise de entrevistas transcritas realizadas com autóctones do objeto de estudo já citados e documentos da SPU, além de revisão de documentos, materiais bibliográficos  pertinentes que tivessem como foco a terra e seu valor de apropriação (Lefebvre, Haesbaert, Santos, etc.) e periódicos que problematizam tais objetos de estudos nos últimos anos. Optou- se por alguns autores/teóricos pela convergência acerca de território e espaço, uma vez que no campo da geografia, existem variadas contribuições, seja do espaço enquanto físico e social. Ressaltamos que o presente artigo representa um recorte de dados adquiridos durante o Projeto “Sociobiodiversidade da Ilha”, financiado pelo Tropical Forest Conservation Act - TFCA e executado pela ONG “Comissão Ilha Ativa”, que tem como área de atuação, a Unidade de Conservação Área de Proteção Ambiental – APA Delta do Parnaíba que envolve os estados do Maranhão, Ceará e Piauí. Portanto, busca-se dentro desta pesquisa, analisar, por meio de uma abordagem 5  De acordo com a pesquisa realizada por Ibiapina (2013), a geração de energia eólica aparece como oportunidade por representar uma fonte renovável e apresentar “baixos” impactos, porém, tais impactos de cunho social e ambiental não podem ser negligenciados. 6   Atualmente, a Pure Resorts & Residences vem analisando a proposta de inserção de um resort e condomínio de luxo natural na comunidade da Pedra do Sal, com promessa de geração de emprego e renda, além de alavancar a atividade turística em nível municipal e estadual. 7  Disponível em: http://comissaoilhaativa.org.br/   4 histórica, o processo de territorialização da Ilha Grande/PI e Pedra do Sal/PI, viabilizando um olhar crítico sobre necessidade de observar o espaço e seus fatores sociais/espaciais e evidenciando a contemporaneidade dos processos de desterritorialização que colocam em questionamento, os impactos a serem gerados, futuramente. De um lado, comunidades que reproduzem seus modos de vida nessas áreas e de outro, herdeiros que se dizem donos da terra e paralelo a esses cenários, outro cenário se constrói no qual, grandes empreendimentos com  propostas turísticas e ambientais vem instalando-se com promessa de progresso e desenvolvimento. Vale salientar que existem poucas produções científicas que problematizem o fator território enquanto processos de territorialização (multirerritorialidade x desterritorialidade, tal dualidade no contexto colocado por Haesbaert) e sua apropriação em nível local e este vazio, já coloca como desafiador, analisar tais objetos de estudos por meio dessa perspectiva. A partir deste contexto, é necessário buscar informação a partir de um fio condutor histórico sobre tais ocupações que materializam a territorialidade, pois isto reflete em resultados e problemas atuais das comunidades citadas, como é o caso desse novo cenário ameaçador dos interesses das comunidades tradicionais, aqui problematizadas. Conhecer o passado e contrapor com presente, obriga-nos a investigar tais  problemáticas neste artigo, objetivando construir reflexões que possibilite um caminho de retaliação histórica dos direitos agrários em nível local ainda a ser alcançado. 2   ABORDAGEM METODOLÓGICA 2.1   REVISÃO DE LITERATURA Conforme pesquisa realizada pela Comissão Ilha Ativa – CIA (2012), um dos objetos de estudo deste trabalho científico, Ilha Grande de Santa Isabel/PI 8 , faz parte da Área de Proteção Ambiental – APA Delta do Parnaíba, no qual, tal unidade de conservação foi criada objetivando proteger o “Delta do rio Parnaíba”, por meio da fauna, flora, dunas, recursos hídricos, melhoria de qualidade de vida dos autóctones locais, preservação de suas culturas e tradicionalismo assim como fomento da prática do turismo ecológico. Com 240 km² de território, a Ilha Grande de Santa Isabel/PI possui uma organização 8  Representa a maior ilha do Delta do Rio Parnaíba, possui toda sua área dentro da Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba, Unidade de Conservação de Uso Sustentável (CRESPO, 2007).
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