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A História de Israel No Debate Atual

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  A História de Israel no DebateAtual Este artigo foi publicado, de forma mais resumida, em Cadernos de Teologia n. 9  (maio de 2001),Campinas: FTCR da PC!Campinas, p #2!$# %cr&scimos ao te'to so feitos sempre ue surgemno*idades ABSTRACT This article surveys some perspectives in the current research of the History of Israel , the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century wasshattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the History of Israel is no longeracceptable to most scholars. n increasing number of   scholars !uestion the use of the biblical text as a source for the History of Israel#. Theimplementation of   modern literary criticism on the biblical text re!uires a moving away from issues of historicity, and this allows the biblical stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a History of Israel using only the archaeological context   and non$biblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this. It appears a revisionistHistory of %yria&'alestine will compete against the traditional History of Israel as scholars from both sides continue their research. Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a B!lia He!raica era uia con#iável  $ara a reconstru%&o da história do anti o Israel. 'os (atriarcas a Esdras, tudo era histórico. )e al um dado arqueoló ico n&o com!inava com o te*to !!lico, arran+avase uma inter$reta%&o di#erente que o acomodasse ao testemunho dos te*tos, como no caso da destrui%&o das -ine*istentes muralhas de /ericó $elo ru$o de /osué12   . E'emplos+ 3s  patriarcas  eram $ersona ens históricos, o que $odia ser com$rovado $elos te*tos meso$ot4micos de 5uzi, do século XI6 a.., em seus muitos $aralelos, de estruturas sócioecon8micas a tradi%9es le ais, com :n 1;<=. E a mi ra%&o dos amoritas, que ocu$aram a >eso$ot4mia e a (alestina no #inal do terceiro mil?nio a.., criava as condi%9es ideais $ara a entrada dos $atriarcas na re i&o da (alestina e e*$licava seus nomes, sua ln ua e sua reli i&o. José  era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes contados em Gn 37-50. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de gro-vi!ir, especialmente duranteo governo dos invasores asi ticos hicsos. A escravidão  dos he#reus no Egito e o êxodo  no podiam ser questionados, pois te$tos egípcios testemunham que %ams&s '' utili!ou hapirus () he#reus* na constru+o de ortale!as no delta do ilo em regime de tra#alho or+ado.  Estela de /erneptah, ara sucessor de %ams&s '', comprova a e$istência de israelitas na terra de  1ana na segunda metade do s&culo 2''' a.1., o que nos permitia i$ar a data do ê$odo aí por volta de 450 a.1. A conquista da Palestina  pelas 4 tri#os israelitas so# o comando de osu&, como narrada no livro que leva o seu nome, contava com testemunhos arqueolgicos respeit veis, como a destrui+o de importantes cidades canan&ias na segunda metade do s&culo 2''' a.1., em#ora muitos autores preerissem e$plicar a entrada na terra de 1ana de outro modo, como pacíica e progressiva iniltra+o de semin6mades pastores a partir da rans8ord9nia. constru+o e a consolida+o do poderoso império davídico-salomônico  eram consideradas como pontos i$os e imut veis na historiograia israelita, constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel  ou de Introdução à Bíblia  quanto :s datasdos acontecimentos e :s reali!a+;es da sociedade israelita.<s reinos separados de Israel e Judá , aps a morte de Salomo, eram#em testemunhados pelos te$tos assírios e #a#il6nicos, e at& pela Estela de /esha, rei do vi!inho país de /oa#, sendo tudo, por sua ve!, muito #em detalhado nos livros dos %eis, parte da coni vel <#ra=istrica >euteronomista.< exílio babilônico  e a volta e reconstrução de Jerusalém  durante a&poca persa, marcando o nascimento do 8udaísmo #aseado no emploe na ?ei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas, constituíam mat&ria real e sem maiores pro#lemas, gra+as : conia#ilidade dos te$tos #í#licos que detalhavam os acontecimentos desta &poca.< melhor livro para detalhada e$posi+o e deesa deste consenso & o de ohn @right, História de Israel , So Aaulo, Aaulus, B7C, tradu!ido da segunda edi+o inglesa de B74. @right pertence : escola americana de historiograia de D. . l#right e esta sua F=istria de 'srael oi o manual mais utili!ado por ns nos anos 70 e C0 do s&culo passado. o-n .rig-t e sua /istria de srael Jon !ri t lançou uma # a  edição de sua História de Israel  em $%&$' Poucas mudanças (oram (eitas' ) autor atuali*ou o livro quanto a al umas descobertas arqueol+ icas e mostrou-se mais prudente nas a(irmaç,es sobre a istoricidade de certos acontecimentos e persona ens bíblicos' as manteve. basicamente. as posiç,es da / a  edição' 0i* o autor. no Pre(ácio da # a  edição. que. em muitos pontos onde anteriormente avia certo consenso. o1e á um verdadeiro caos de opini,es con(litantes' 2 cita. como exemplo. a  questão das ori ens de Israel e a data e a istoricidade dos patriarcas' 3(' !4I567. J'.  A History of Israel . Piladelpia. 8estminster Press. $%&$' 9ma : a  edição do livro (oi lançada. ap+s a sua morte em $%%;. com uma Introdução  e um  Apêndice  de 8illiam P' !ro<n. no ano /===. pela 8estminster Jon >nox Press' A tradução brasileira desta : a  edição (oi publicada pela Paulus no (inal de /==#. como a 7  a  edição, revista e ampliadaa partir da 4 a  edição srcinal.  !ri t (oi. até a sua morte. Pro(essor de 6ebraico e de Interpretação do Anti o 7estamento no 9nion 7eolo ical ?eminar@. 4icmond. ir inia. 9?A' 9ma resena da B6ist+ria de IsraelB de !ri t. (ocali*ando especialmente a : a  edição. (eita por Cudovico 5armus. pode ser lida na revista  Estudos ! licos n. #$ . Petr+polis. o*es. /==$. pp' %=-%#' @ $reciso lem!rar, $orém, que a historio ra#ia alem&, desde . de ette, em 10C7,  $assando $or /ulius ellhausen, em 1D, até >artin 5oth, em 1D=0, n&o $artici$ava inte ralmente deste consenso, ne ando, $or e*em$lo, a historicidade dos $atriarcas. as, a 3/istria de srael4 est5 mudando 6 consenso foi rompido % par5frase racionalista do te'tob7blico ue constitu7a a base dos manuais de 3/istria de srael4 no & mais aceita % se89nciapatriarcas, os& do Egito, escra*ido, 9'odo, conuista da terra, confederao tribal, imp&rioda*7dico!salom;nico, di*iso entre norte e sul, e'7lio e *olta para a terra est5 despedaada 3 uso dos te*tos !!licos como #onte $ara a FHistória de IsraelG é questionado $or muitos. A arqueolo ia am$liou suas $ers$ectivas e #alar de Farqueolo ia !!licaG ho+e é  $roi!ido e*iste uma Farqueolo ia da (alestinaG, ou uma Farqueolo ia da )ria(alestinaG ou mesmo uma Farqueolo ia do JevanteG.3 uso de métodos literários so#isticados $ara e*$licar os te*tos !!licos, a#astanos cadavez mais do ?nero histórico, e as Festórias !!licasG s&o a!ordadas com outros olhares. A Ftradi%&oG herdada dos ante$assados e transmitida oralmente até K é$oca da escrita doste*tos #reqLentemente n&o conse ue $rovar sua e*ist?ncia.A constru%&o de uma FHistória de IsraelG #eita somente a $artir da arqueolo ia e dos testemunhos escritos e*tra!!licos é uma $ro$osta cada vez mais tentadora. Mma FHistória de IsraelG, que dis$ense o $ressu$osto teoló ico de Israel como F$ovo escolhidoG ou F$ovo de 'eusG que sem$re a sustentou. Mma FHistória de Israel e dos (ovos 6izinhosG, melhor, uma FHistória da )ria(alestinaG ou uma FHistória do JevanteG $arece ser o $ro rama $ara os $ró*imos anos. E h pesquisadores de renome na rea, como %ol %endtor, e$egeta alemo, proessor em&rito da Hniversidade de =eidel#erg, que 8 em BB3 airmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1,  p. 3I-53, que os pro#lemas da interpreta+o do Aentateuco esto intimamente ligados aos pro#lemas mais amplos da reconstru+o da histria de 'srael e da histria de sua religio. Este arti o quer tra%ar um $anorama destas mudan%as $elas quais vem $assando a FHistória de IsraelG nos Nltimos trinta e tantos anos, a$ontar as di#iculdades que a crise vem criando e $ro$or al umas $istas de leitura $ara os interessados no assunto. 1. Patriarcas? Que Patriarcas?  Em BJ7, o norte-americano 7omas C' 7ompson  come+ou sua tese de doutorado na Hniversidade de K#ingen, na lemanha. < temaL as narrativas patriarcais. Sua id&ia undamentalL se algumas das narrativas so#re os patriarcas he#reus estavam se reerindo historicamente ao segundo milênio a.1., como quase todos os arquelogos e historiadores acreditavam naquela &poca, ento hompson poderia distinguir nelas as mais antigas histrias #í#licas da tradi+o posterior mais ampliadaM4N   .Ouando hompson come+ou seu tra#alho, ele estava to convencido da historicidade das narrativas so#reos patriarcas no Gênesis, que aceitou, sem questionar, os paralelos eitos entre os costumes patriarcais e os contratos amiliares encontrados na cidade de u!i, no norte da /esopot9mia, e datados da &poca do @ron!e %ecente (ca. 500-400 a.1.*M3N   .>ois anos mais tarde, por&m, em BJB, hompson perce#eu que os costumes amiliares de u!i e as leis so#re propriedades no eram e$clusivos nem de u!i, nem do segundo milênio, mas, mais provavelmente, reletiam pr ticas típicas do primeiro milênio a.1. 'sto que#rava o paralelismo eito pelos autores entre u!i e o mundo patriarcal e tirava a garantia de que os costumes patriarcais reletiam pr ticas do segundo milênio. Du*i e os Patriarcas Um bom exemplo desse paralelismo pode ser lido no comentário de SPEISER, E. A., (enesis , Garden City, e! or#, $o%bleday, &'(), na clássica cole*+o The nchor )ible , no %al o a%tor disc%te cerca de - coincid/ncias entre os cost%mes patriarcais e os cost%mes de %0i, como os casos da esposa1irm+ Sara 2Gn &-,&1- e paralelos3, a ado*+o de %m estran4eiro, Elie0er, como 5erdeiro 2Gn &6,-3, a m+e de al%4%el como A4ar 2Gn &(,&1(3. Estes e o%tros exemplos podem ser mais 7acilmente 8istos em 9:GE;S, <.,  bra*o e sua +enda. (nesis -,-$/,-- , S+o Pa%lo, ;oyola, -, pp. =>1)6. l&m do mais, e$aminando a ip+tese amorita , segundo a qual teria havido grande migra+o de n6mades vindos das ronteiras do deserto siro-ar #ico para a /esopot9mia e para a Síria-Aalestina no inal do terceiro milênio, hompson perce#eu que no havia prova alguma para tal pressuposto, pois o que se desco#riu nos Pltimos anos & que os amoritas sosedent rios do norte da /esopot9mia,vivendo da agricultura e da cria+o de gado. 'sto &testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do

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Aug 1, 2017
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