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A Indústria de Telequipamentos No Brasil_set1802

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  A INDÚSTRIA DETELEQUIPAMENTOS NOBRASIL: EVOLUÇÃO RECENTEE PERSPECTIVAS Regina Maria Vinhais GutierrezPedro de Almeida Crossetti* * Respectivamente, gerente e economista do Departamento da Indústria Eletrônica do BNDES.Os autores agradecem a colaboração do gerente Rosiney Zenaro, do engenheiro Vinícius Lima Magalhães, do estagiário de engenharia Rodrigo Felix Ribeiro, do coordenador de serviços Arthur Adolfo Guarido Garbayo e da bibliotecária Maria de Lourdes de Jesus, bem como da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), do Instituto Eldorado e das empresas Celestica, Ericsson, Lucent, Motorola, Nokia, Nortel,Siemens e Trópico.                                                                              O   artigo tem por objetivo traçar um perfil do atual momento do segmento de telequipamentos no Brasil,apontando tendências e desafios. A conjuntura recessiva no setor de telecomunicações e os movimentos de con- solidação e concentração do mercado implicam novas e diferenciadas relações entre os diversos agentes econô- micos do setor. Em particular, sob o ponto de vista da demanda de equipamentos de telecomunicações, houve um estreitamento do mercado potencial, diminuindo no- tavelmente o raio de manobra dos fabricantes, nacionais e internacionais.Por outro lado, a conjuntura desfavorável, dentro e fora do País, reforçou a tendência, já verificada na indústria eletrônica, de reestruturação em direção à ter- ceirização da produção, visando à redução de custos pela desmobilização de ativos. Isso fortaleceu a posição de um terceiro ator nesse mercado – a empresa monta- dora (Contract Equipment Manufacturer) –, enquanto as fabricantes srcinais vêm concentrando as atividades em pesquisa e desenvolvimento (P&D), projeto de produto e logística, fortalecendo as vantagens competitivas.Em economias periféricas, como a brasileira, a terceirização da produção aliada à ausência de ativida- des de maior valor agregado, como projeto e pesquisa,gerou uma estrutura industrial minimizada e frágil, em que instrumentos de política pública, como a Lei de Informá- tica, têm sido essenciais para manter um mínimo de atividade produtiva e investimentos em P&D.Os desafios infligidos nos próximos anos são fortalecer as unidades produtivas das empresas estabele- cidas no País, com maior agregação de valor à produção local, e viabilizar estratégias de exportação sustentáveis,que justifiquem o Brasil como local prioritário de produção. A Indústria de Telequipamentos no Brasil: Evolução Recente e Perspectivas  R  esumo  24  P ouco depois da privatização das empresas do SistemaTelebrás, ocorrida em julho de 1998, o BNDES publicou um estudosobre as empresas fabricantes de equipamentos para telecomunica-ções [Melo e Gutierrez (1998)], no qual analisava as perspectivasque se abriam para essa indústria e alertava para o risco que corriam,principalmente, as empresas e as tecnologias nacionais.Naquela ocasião, as telecomunicações encontravam-seem expansão no mundo inteiro. O Brasil, com as ambiciosas metasde investimento fixadas pelo Paste (Programa de Recuperação eAmpliação do Sistema de Telecomunicações e do Sistema Postal),apresentava-se, nesse contexto, como o segundo mercado mundialnos anos que se seguiriam, atrás apenas da China. Entretanto, a faltade uma visão setorial poderia redundar em um não aproveitamentodessa oportunidade para a consolidação de uma indústria de telequi-pamentos brasileira competitiva e, conseqüentemente, geradora deempregos qualificados.Já, inicialmente, a grande oferta de capital externo, inclusi-ve através das fabricantes multinacionais, favorecida pelo câmbiosobrevalorizado, impulsionou as importações, muitas delas des-necessárias. Visando atenuar esse efeito, foram lançados peloBNDES, em setembro de 1997 e nos últimos meses de 1998, progra-mas de apoio aos novos investimentos, tanto das operadoras quantodas fabricantes. Os altos valores dos investimentos em serviços, quelimitaram a participação do Banco, nem sempre possibilitaram quesua ação fosse eficaz. Entretanto, o apoio à implantação e expansãode linhas produtivas foi muito bem-sucedido.Nos últimos cinco anos, a aquisição, pelas operadoras, debens e tecnologias nacionais foi estimulada pelo BNDES por meca-nismos de crédito variados, apoiando-se sempre no cumprimento daLei de Informática – Lei 8.248/91, substituída pela Lei 10.176/00 – aqual exigia, em contrapartida a seus benefícios, aplicações empesquisa e desenvolvimento (P&D) e o cumprimento de um ProcessoProdutivo Básico (PPB). Este último foi, de fato, o único instrumentode política industrial para a indústria eletrônica existente durante adécada de 1990.O estouro da bolha ponto-com em anos mais recentes,reduzindo a oferta de crédito para o setor, e a desvalorização do real,desestimulando a captação de recursos externos por empresasremuneradas exclusivamente no País, como é o caso das presta- BNDES Setorial,  Rio de Janeiro, n. 18, p. 23-90, set. 2003  I ntrodução 25  doras de serviços de telecomunicações, reduziram a pressão porimportações. Tal moderação foi favorecida também pela maturaçãodos novos investimentos produtivos, capacitando a indústria brasilei-ra a atender satisfatoriamente às operadoras. A grande dimensão domercado interno favoreceu ainda incursões dessa indústria no mer-cado internacional, dando início a um movimento de exportações.A grande concorrência instaurada na telefonia móvel bene-ficiou usuários com reduções de preços. Contudo, a ela juntou-se adesvalorização cambial, que provocou a redução do montante emdólares dos dividendos e elevou as dívidas dolarizadas. Ademais, ocusto cada vez mais elevado de aquisição de assinantes afetoudiversas operadoras, desencadeando um processo de reorganiza-ção que diminuiu consideravelmente o número de competidores. Aindústria, por seu turno, viu ser radicalmente reduzido o número declientes e, portanto, potencializado o seu risco de mercado.Quanto aos serviços fixos, em que pese a expansão quecertamente beneficiou os consumidores, a falta de preocupação comuma política industrial que adequasse metas de ocupação de mer-cados à capacidade produtiva instalada e também ao poder decompra da população levou a oscilações dramáticas no mercado detelequipamentos, impactando forte e negativamente as fabricantes.Após um ano de investimentos que compeliram a indústria a um ritmoextremamente acelerado, o ano de 2002 encontrou o saldo de dezmilhões de terminais fixos estocados nas operadoras e grandesestoques nas fabricantes, sem perspectivas de novas encomendas.Cabe olhar em particular para as empresas de tecnologianacional. Seu pequeno porte e sua inexperiência em mercados in-ternacionais, agravados pela inexistência de uma política de comprasque favorecesse a sobrevivência das tecnologias brasileiras, emgrande parte desenvolvidas no Centro de Pesquisa e Desenvolvi-mento da Telebrás (CPqD), tornaram muito difícil a sua existênciaem um clima de concorrência globalizada, como o que se instalou noPaís. Parte delas desapareceu, algumas compradas por transnacio-nais como forma de ganhar presença em mercados, e outra partevem requerendo atenções especiais em fortalecimento e continui-dade de desenvolvimentos, sendo raros os casos de internaciona-lização exitosa.Contudo, revisitar as fabricantes de telequipamentos em2003 trouxe ao BNDES algumas constatações muito positivas. Existeuma indústria efetivamente implantada e a demandar uma ocupaçãocontínua, mas que em segmentos como o de terminais celulares éfrancamente exportadora. As dificuldades enfrentadas pelas matri-zes mundiais das grandes empresas têm levado ao fechamento defábricas e à sua relocalização nos maiores mercados atuais – naregião Ásia-Pacífico. Entretanto, apesar do momento recessivo,essas empresas têm-se mantido no Brasil, pois, como será visto, A Indústria de Telequipamentos no Brasil: Evolução Recente e Perspectivas  26
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