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A Influência de Jesus e Da Igreja Primitiva Em Paulo

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  A Influência de Jesus e da Igreja Primitiva em Paulo Falar sobre a relação entre Paulo e Jesus, além da relação entre Paulo e a comunidade cristã primitiva de srcem judaica, é tratar de uma temática que não apresenta caminhos tão fáceis. Algumas questões precisam ser devidamente respondidas quando se investiga este tema:1  1.   Paulo conheceu Jesus pessoalmente? 2.   O que significa a atividade terrena de Jesus para Paulo, e para sua teologia? 3.   Qual a relação entre a teologia de Paulo e a pregação de Jesus? 4.   Como Paulo utiliza a tradição cristã primitiva, com acentos judaicos, a respeito de Jesus Paulo e Jesus: Jesus Segundo a Carne, Cristo segundo o Espírito  É impossível afirmar se Paulo conheceu ou não a Jesus pessoalmente, em vida. As fontes para a investigação estão presentes nos textos paulinos e em Atos dos Apóstolos. Os dados biográficos de Paulo nos Atos não fecham a questão sobre um encontro  pessoal de Paulo com Jesus. Eles se limitam a dizer que Paulo era estudante em Jerusalém na época da crucificação.2  Já as epístolas paulinas trazem poucas informações. A mais reveladora está em 2 Co 5.16, em que Paulo afirma: “Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos d este modo.” O texto, de difícil interpretação, 3 não possibilita saber ao certo se Paulo conheceu a Jesus antes da ressurreição. Mas é certo que Paulo entende que “o conhecimento puramente humano do simples homem Jesus está eliminado.” 4  A Importância da Atividade Terrena de Jesus Para Paulo  Paul o certamente acolheu a Jesus. Segundo Cerfaux, há uma “consonância profunda” entre o pensamento paulino e o pensamento de Jesus.5  Bultmann, ao contrário, afirmou que o Jesus terreno não interessava a Paulo.6 Partindo de 2 Co 5.16, ele afirmava seu ponto de vista em contraposição aos liberais do século XIX, que entendiam ser apenas o Jesus histórico interessante para a pesquisa. Goppelt tece críticas a Bultmann, afirmando que a totalidade de Jesus era importante para Paulo,  já que a morte também é um tema importante para Paulo, e esta pertence aos domínios do Jesus terreno.7 É possível acrescentar ainda que a tradição a respeito da Ceia do Senhor, presente em 1 Co 11.23-29, faz parte do escopo do Jesus terreno, ainda que seja um testemunho limitado em comparação ao testemunho evangélico, e que as implicações da Ceia sejam entendidas numa dimensão mística. A Teologia de Paulo e a Pregação de Jesus  Muitos temas da pregação de Jesus estão ausentes da pregação de Paulo. Não há registros de parábolas, os ditos de Jesus praticamente não aparecem nas epístolas, e não há uma descrição pormenorizada da relação de Jesus com o farisaísmo.8   Por outro lado, alguns temas tratados por Jesus estão presentes em Paulo, mesmo que não sejam citações explícitas da pregação jesuânica. O primeiro tema que pode ser destacado é a atitude em relação à Lei. Jesus coloca-se acima da Lei, alinhando-se aos profetas. Paulo, de igual modo, afirma ser superior à Lei, estabelecendo uma significativa oposição entre Lei e Graça, além de desenvolver a doutrina da Justificação pela Fé.9  O segundo tema está ligado ao anterior: Jesus e Paulo diminuíram a importância dos sacrifícios. Eles nunca atacaram diretamente o Templo e os piedosos que ali se reuniam, mas acentuaram mais o “espírito” daquele que ali oferecia sacrifícios, do que o sacrifício propriamente dito.10  O terceiro tema está ligado ao combate ao particularismo judaico. Jesus e Paulo rompem  particularismos, em nome da autoridade dada por Deus. Jesus elogia a fé do centurião11 e da estrangeira.12 Paulo, por sua vez, rompeu com particularismos afirmando sua missão e apostolado como advindos do próprio Cristo.13  O quarto tema comum é a compreensão de Deus como Pai, tipificada na expressão aramaica “  Abba ”. Tanto Jesus quanto Paulo entendiam a relação com Deus como uma relação filial.14  Paulo e a Tradição Cristã Primitiva   Na pesquisa liberal a respeito do cristianismo primitivo, desde os estudos de Ferdinand Christian Baur e da Escola de Tübingen, reconhece-se duas expressões fundamentais que coexistem no seio da cristandade antiga: o cristianismo judaico e Paulo. O cristianismo de expressão paulina estaria em oposição irreconciliável com o anterior, sendo a relação entre ambos descrita nas categorias de tese e antítese.  O encontro entre as duas expressões do cristianismo primitivo daria srcem a uma síntese joanina, cujo legado foi a cristologia elevada, unida à forte vinculação com as temáticas apocalípticas  próprias do cristianismo palestinense. Em 1912, Wilhelm Heitmüller afirmou existir uma terceira expressão, para o cristianismo primitivo, situada entre a comunidade primitiva palestinense e o cristianismo paulino propriamente dito. Heitmüller chamou esta expressão de “cristianismo helenista”. 15 O cristianismo helenista, radicado em Antioquia, evidenciaria a transição cultural e teológica que permitiria uma melhor caracterização da transição paulina de fariseu para “apóstolo dos gentios”.  A partir do pensamento de Heitmüller, Wilhelm Bousset16 e Rudolf Bultmann17   procuraram caracterizar, sem sucesso, o cristianismo helenista, diferenciando-o da comunidade primitiva nos seguintes termos: - Cristologia: Jesus como Filho do Homem Vindouro (palestinense) X Jesus como  Kýrios celestial   - Escatologia: Ceia como momento de alegria escatológica (palestinense) X Ceia como evento repleto de mistérios e elevações espirituais  Não obstante as diferenciações, as categorias utilizadas eram artificiais, carecendo de maiores fundamentações nas fontes do cristianismo primitivo. Mesmo assim, é preciso investigar os vínculos que unem Paulo às tradições cristãs mais antigas, de forma a configurar de maneira menos artificial o cristianismo de expressão paulina. As pesquisas de Sabatier ,18 Machen,19 Mundle,20 Dodd,21 Fascher ,22 Davies,23   Brunot,24 Schoeps25 e Amiot26 constataram que o pensamento paulino, longe de ser monolítico, apresenta variação significativa, podendo ser dividido em: 1.   Etapa das Epístolas aos Tessalonicenses: etapa em que o pensamento paulino estava concentrado nas ênfases da tradição mais antiga, a tradição escatológica. 2.   Etapa das Grandes Epístolas: nesta etapa, o encontro com o helenismo exigiu a adaptação por parte de Paulo, que procurou tratar dos temas da libertação da Lei e dos princípios éticos pelas listas e lições morais. 3.   Etapa das Epístolas do Cativeiro: nesta etapa, Paulo se concentra no tema da revelação do mistério de Cristo.27  Sobre a influência da Igreja primitiva em Paulo, é possível atestá-la na ausência da menção de João Batista, na consideração de Pedro, Tiago e João como colunas da Igreja,28 na ênfase de Paulo na ressurreição e na insistência na utilização do Antigo Testamento (58 citações), ainda que as comunidades gentílicas sejam destinatários correntes de seus escritos.29  1 Perguntas levantadas por: GOPPELT, Leonhard. Teologia do Novo Testamento . 3ª Ed. Trad. Martin Dreher e Ilson Kayser. São Paulo: Teológica  –   Paulus, 2003. p. 290-313. 2 At 22.2-4; 26.4. 3 Josef Blank publicou um artigo onde reúne argumentos diversos e as discussões exegéticas sobre o texto. Ver: BLANK, Josef.  Paulus und Jesus :  Eine theologische Grundlegung  , 1968. 4 GOPPELT, Leonhard.  Idem , p. 295. 5 CERFAUX, Lucien. O cristão na teologia de Paulo . Trad. José Raimundo Vidigal. São Paulo: Teológica, 2003. p. 23. 6 BULTMANN, Rudolf. Theologie das Neuen Testament  . §22,3. 7 GOPPELT, Leonhard. Teologia do Novo Testamento . 3ª Ed. Trad. Martin Dreher e Ilson Kayser. São Paulo: Teológica  –   Paulus, 2003. p. 295. 8 Esta temática tem certa relevância, dado o fato de que Paulo se chama de “fariseu” (Fl 3.5). Jesus, em muitas seções dos Evangelhos, está em oposição aos fariseus, dado totalmente ausente nas epístolas paulinas. 9 CERFAUX, Lucien.  Idem,  p. 24. Lc 18.14; Jo 4.23-24; Rm 12.1-2. 11 Lc 7.9 Mt 15.28.  13 1 Co 9.1-5. 14 Mc 14.36; Rm 8.15; Gl 4.6. 15 HEITMÜLLER, Wilhelm.  Zum Problem Paulus und Jesus .  In: ZNW 13 (1912). P. 320-337. 16 BOUSSET, Wilhelm.  Kyrios , p. 75-104. 17 BULTMANN, Rudolf. Theologie das Neuen Testament  . §9-15. 18 SABATIER, A.  L’apôtre Paul. Esquisse d’une histoire de as penseé.  4 ª Ed. Paris : 1912. 19 MACHEN, J. G.  The Origin of Paul Religion . Londres: 1921. 20 MUNDLE, W.  Das religiöse Leben des Apostels Paulus . Leipzig: 1923. 21 DODD, C. H. The Mind of Paul: (1) Psychological Approach; (2) Change and Development. In:  Bulletin of the John Rayland Library , 17 (1933). p. 91-105; 18 (1934). p. 69-110. 22 FASCHER, E. Paulus. In:  Pauly-Wissowa Supll. , 8 (1956). p. 431-466. 23 DAVIES, A. P. The First Christian : A  Study of St. Paul and Christians Origins .  New York: 1957. 24 BRUNOT, A. Saint Paul et son message . Paris: 1958. 25 SCHOEPS, H.  –  J.  Paulus. Die Theologie des Apostels im Lichte der Jüdischen  Religionsgeschichtliche . Tübingen: 1959. 26 AMIOT, F.  Les idées maîtresses de saint Paul.  Paris : Lectio Divina, 24, 1959. 27 As três etapas podem ser encontradas em: CERFAUX, Lucien. O cristão na teologia de Paulo . Trad. José Raimundo Vidigal. São Paulo: Teológica, 2003. p. 20-22. 28 Gl 2.9. 29 Kümmel afirma que a explicação para Paulo não citar todo o querigma cristão  primitivo estava no fato de que ele “não necessitava dizer aos seus ouvintes tudo o que deveria ser dito em certo contexto .” Ou seja: além dos seus ouvintes já conhecerem grande parte do querigma, qualquer explanação a respeito do mesmo não deveria ser utilizada sem o devido cuidado em presevar o testemunho da fé. O mesmo fenômeno acontece com os outros textos do Novo Testamento que tem natureza epistolar. Ver: KÜMMEL, Werner Georg. Síntese teológica do Novo Testamento de acordo com as testemunhas principais: Jesus, Paulo, João . 4 ª Edição revista e atualizada. Trad. Sílvio Schneider e Werner Fuchs. São Paulo: Teológica, 2003. p. 180.
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