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A influência do meio digital na literatura contemporânea: novas formas de escrita literária (Lauren Rodrigues Ruiz)

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UNIVERSIDADE DE SOROCABA PRÓ-REITORIA ACADÊMICA CURSO DE LETRAS: HABILITAÇÃO EM PORTUGUÊS E INGLÊS LAUREN RODRIGUES RUIZ A INFLUÊNCIA DO MEIO DIGITAL NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA: NOVAS FORMAS DE ESCRITA LITERÁRIA Sorocaba/SP 2013 LAUREN RODRIGUES RUIZ A INFLUÊNCIA DO MEIO DIGITAL NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA: NOVAS FORMAS DE ESCRITA LITERÁRIA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência para obtenção do Diploma de Graduação em Letras; Habilitação em Português/Inglês, da Universidade de Sorocaba. Orientador: Prof. Ma. Denise Lemos Gomes Sorocaba/SP 2013 LAUREN RODRIGUES RUIZ A INFLUÊNCIA DO MEIO DIGITAL NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA: NOVAS FORMAS DE ESCRITA LITERÁRIA Monografia apresentada ao Curso de Letras da Universidade de Sorocaba, como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciatura em Letras Português/Inglês. Aprovado em: BANCA EXAMINADORA: Ass.: Pres.: Ass. 1° examinador Ass. 2° examinador AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, pela força espiritual para a realização desse trabalho. Á minha família pela compreensão, carinho, e em especial todo apoio ao longo deste percurso. Aos meus amigos pela cumplicidade, ajuda e paciência principalmente nos momentos mais difíceis quando precisei de bons conselhos. Aos meus dois orientadores, Luiz Fernando Gomes que desde o começo esteve me acompanhando e instigando a busca de respostas para minhas perguntas, mas que por motivo de força maior não pode estar presente nesse último estágio. E minha atual orientadora, Denise Lemos Gomes que sempre me motivou a pesquisar e argumentar sobre o tema. Agradeço também a todos os professores que me acompanharam durante a graduação, e que tiveram grande importância na minha vida acadêmica, ao longo desses três anos. “ Olhos que viram o sol não são facilmente ofuscados por luzes menores.” Virginia Woolf. SUMÁRIO INTRODUÇÃO........................................................................................... 10 1 CIBERESPAÇO E MEIO DIGITAL .................................................... 12 1.1 MANIFESTAÇÕES.............................................................................13 1.2 NOVAS ADAPTAÇÕES NA LEITURA E ESCRITA .................... 14 2. O MEIO DIGITAL E O HIPERTEXTO ............................................ 18 2.1 PRODUÇÃO DO TEXTO LITERÁRIO E A LINEARIDADE..... 20 2.1.1 Os rótulos do hipertexto ...................................................................22 3 A POESIA CONCRETA NO ESPAÇO ESCOLAR ........................... 23 3.1 LITERATURA CONTEMPORÂNEA E O CONCRETISMO....... 28 3.2 POESIA DIGITAL ............................................................................... 31 3.3 DA ANTIGUIDADE ATÉ O SÉCULO XIX...................................... 36 ANÁLISE DE DADOS DA ENTREVISTA............................................. 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................... 42 REFERÊNCIAS.......................................................................................... 43 ANEXO 1 ..................................................................................................... 44 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – “Eis os Amantes”, Augusto de Campos, 1953 ...................... 25 FIGURA 2 – “O Quasar”, Augusto de Campos, 1975................................ 26 FIGURA 3 – “Morituro”, Augusto de Campos, 1994................................. 27 FIGURA 4 – “Eu/Tu”, Ana Cláudia Gruszynski; Sérgio Caparelli ......... 32 FIGURA 5 – “Ovo” de Símias de Rodes, 325 A.C...................................... 33 FIGURA 6 – “Ovo” de Símias de Rodes, versão José Paulo Paes............ 33 FIGURA 7 – “S Having a Bird de Jim Andrews, (Canadá) ..................... 35 RESUMO O tema do presente trabalho é analisar a influência do meio digital na Literatura Contemporânea: Novas formas de escrita literária. Por se valer de instrumentos provenientes da tecnologia, possibilita a modificação no fazer literário, na interlocução e em seus modos de recepção, atraindo novos leitores.Vale a pena estudar, e pesquisar esse tema, pois poderemos descobrir se os textos eletrônicos consistem um meio mais interativo do que os textos impressos em papel, conduzindo invariavelmente a uma maior centralidade sobre o papel do leitor. Metodologicamente, este trabalho adotou o tipo de pesquisa exploratória, por se tratar de uma pesquisa bastante específica. Podemos afirmar que ela assume a forma de um estudo de caso, sempre em consonância com outras fontes que deram base ao assunto abordado, como também é o caso da pesquisa bibliográfica, e da entrevista com um especialista no assunto, que teve experiências práticas com o problema pesquisado. Instigados principalmente pelas transformações promovidas pelo computador sobre a cultura contemporânea, nas últimas décadas, vários pensadores ligados à linguística, à semiótica e a áreas afins têm aprofundando estudo sobre a relação entre os meios eletrônicos de expressão e a linguagem. Com esta finalidade também iremos expor as elaborações de escritores, webdesigners, e programadores sobre o que entendem como o “próprio” da experiência de textos eletrônicos, acentuando aquilo que nestas descrições se refere a forma de implantação das produções de textos eletrônicos e suas circunstâncias. Palavras-chave: Leitura, Hipertexto, Literatura Contemporânea, Meio Digital ABSTRACT The theme of this study will examine the influence of digital media on contemporary literature: new forms of literary writing. For what it’s worth of instruments from the technology, makes it possible to make modification in literary dialogue and their modes of reception, attracting new readers. Methodologically, this work took the form of exploratory research, because it is a quite specific research, we can say that it takes the form of a case study, always in line with other sources that gave foundation to the subject, as is also the case of bibliographical research, and the interview with an expert on the subject, which had pratical experience with the problem researched. Keywords: Reading, Hypertext, Contemporary Literature, Digital Media 10 INTRODUÇÃO O tema do presente trabalho analisou a influência do meio digital na Literatura Contemporânea: Novas formas de escrita literária.Com a disseminação da Internet, a partir da segunda metade dos anos 90, a literatura se reconfigura e começa a ser devolvida ao cotidiano das pessoas. Por se valer de instrumentos provenientes da tecnologia, possibilita a modificação no fazer literário, na interlocução e em seus modos de recepção, atraindo novos leitores e escritores. Instigados principalmente pelas transformações promovidas pelo computador sobre a cultura contemporânea, nas últimas décadas, vários pensadores ligados à linguística, à semiótica e a áreas afins têm aprofundado o estudo sobre a relação entre os meios eletrônicos de expressão e a linguagem. Nesse contexto, tem sido enfatizado que, mais do que um mero sistema de comunicação, o suporte material da linguagem é capaz de promover inovações quanto à maneira como o vocabulário se organiza, gerando consequências também sobre a cultura, em sentido amplo. Como não poderia deixar de ser, a literatura, enquanto meio privilegiado de expressão da palavra e da cultura, tem servido como um objeto-modelo para o estudo de tais relações. O problema da pesquisa se encontra no conflito potencial entre as práticas de textualidade eletrônica e uma certa tradição europeia e americana identificada como "literatura". De fato, a tecnologia é o grande agente de transformações e o principal fator responsável pela criação de novas linguagens, de uma nova ordem de discurso. O interesse está em descobrir de que maneira essas novas marcas influem sobre a inovação criativa da literatura. Este trabalho teve o objetivo de incorporar novos discursos a fim de desmistificar os conceitos e preconceitos tradicionais em relação ao Ciberespaço, suas manifestações diante da contemporaneidade, e as novas adaptações na leitura e escrita. Com essa pesquisa eu pretendo, que as pessoas percebam a importância social do uso do computador, tanto do ponto de vista tecnológico, quanto da linguagem e da comunicação. A rede mundial de computadores, internet, revela-nos um panorama das práticas de leitura e escrita de literatura presentes em suas redes sociais, como o facebook, os blogs, e os grupos de discussão. A 11 intenção é descobrir de que maneira as novas constelações entre a cultura do livro e a realidade midiática influem sobre a inovação criativa da literatura. Metodologicamente, este trabalho adotou o tipo de pesquisa exploratória, por se tratar de uma pesquisa bastante específica, podemos afirmar que ela assume a forma de um estudo de caso, sempre em consonância com outras fontes que deram base ao assunto abordado, como também é o caso da pesquisa bibliográfica, e da entrevista com um especialista no assunto, que teve experiências práticas com o problema pesquisado. Para o embasamento da pesquisa tivemos ‘contato’ com os principais autores: LÉVY, Pierre, VALENTE, José Antonio; PRADO M.E.B E ALMEIDA, RAMAL, Andrea Cecilia, COSCARELLI, Carla Viana, GOMES, Luiz Fernando, ANTONIO, Jorge Luiz. O trabalho foi dividido em três capítulos, o primeiro capítulo tratou do Ciberespaço e do Meio Digital; que na verdade nada mais é do que uma explicação sobre a chegada das novas formas de comunicações, com a descoberta e o uso do computador, como ferramenta utilizada para conectar pessoas, e todos os recursos possíveis para facilitar a vida do internauta. Nesse capítulo também contém as manifestações sobre esse novo meio de tecnologia, e as novas adaptações na leitura e escrita, em relação as mudanças nesses processos, e como isso vem se desenvolvendo. O segundo capítulo discutiu o do Hipertexto, explicando o que é, como funciona, quais são os tipos de hipertexto que existem, suas vantagens e até desvantagens O terceiro, e último capítulo abordou o Concretismo, a história da poesia concreta até os dias de hoje, passando pelos seus criadores, a ligação que ela tem com o hipertexto, as várias formas de poesia concreta que existem, as imagens, ícones, como funcionam. Nesse capítulo encontramos a última parte que é objeto de estudo a Literatura Contemporânea, começando com as manifestações artísticas, desde os clássicos, passando por românticos, realistas e modernos até os dias de hoje, mostrando a perda do discurso fechado que geralmente possuía no século passado. 12 1 - CIBERESPAÇO E MEIO DIGITAL A pesquisa a respeito da influência do meio digital na Literatura Contemporânea: Novas formas de escrita literária requer o estudo conceitual de ciberespaço e meio digital, assim temos a afirmação de Pierre Lévy (1993): “Vivemos um desses raros momentos em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado.” O temor em relação ao novo faz parte da história do homem, pois o surgimento de qualquer dispositivo tecnológico tende a ameaçar de destruição e desuso competências adquiridas, descobertas anteriores ou objetos existentes a que são atribuídos valores sagrados e insubstituíveis. Portando a nova configuração técnica é entendida como uma faceta tecnológica, ao passar para uma nova forma - a hipertextual - e para um novo meio - o digital. De acordo com Lévy, (2000): O Ciberespaço abre uma nova forma de comunicação com a chegada dos microprocessadores usados nos computadores pessoais: o caminho da interatividade, da relação simultânea do local com o não-local, do regional com o planetário. Os bancos de dados, a acumulação e a conservação da informação são apenas uma das faces que a computação oferece, neste caso específico, podendo ser considerada como uma continuidade do trabalho realizado pela escrita. A cultura do ciberespaço é classificada, então, universal sem totalidade, conceito que caracteriza não mais uma fonte emissora da mensagem, nem um sentido da história, mas uma multiplicidade de pequenas proposições lutando por sua legitimidade. O ciberespaço evidencia a ruptura com o sentido único e com as identidades fixas, ou seja, o bom senso e o senso comum, respectivamente, uma vez que o sentido é sempre um constructo, um acontecimento. Aqui, um acontecimento da ordem da ciência, da técnica, da ação, da cultura e do pensamento. O espaço cibernético introduz o terceiro tipo de comunicação, com um novo caráter de interação que nós poderíamos chamar de “Todos e Todos”, que é a emergência de uma inteligência coletiva. Do interior do espaço cibernético encontramos uma variedade de ferramentas, de dispositivos, de tecnologias intelectuais. Por exemplo, um aspecto que se desenvolve cada vez mais, nesse momento, é a inteligência artificial. Há também os hipertextos, os multimídia interativos, simulações, mundos virtuais, dispositivos de tele 13 presença.O espaço cibernético se encontra também na origem de uma nova arquitetura, de um novo urbanismo. Até de uma nova política, porque se trata de uma nova pólis que está se constituindo. É assim que pedagogos, artistas, psicólogos, que geralmente não se interessavam por fenômenos técnicos tem passado a se preocupar com estes problemas. Internet e a Web foram as tecnologias que mais influenciaram as transformações da informação e comunicação, criando inclusive uma cultura própria a qual Castells (2003) denominou “sociedade em rede”. Nessa nova cultura, a informação é produzida e armazenada em diferentes locais, possibilitando o trabalho cooperativo realizado através da rede, e disponibilizada ao usuário por meio de uma interface única.” Portanto a integração entre a capacidade de memória e velocidade de processamento de um computador conectado ao ciberespaço com outros computadores através da Internet permite criar uma sinergia entre os recursos de informação que favorece socializar competências e desenvolver atividades colaborativas, possibilitando o “estar junto virtual”. ( Valente e Prado, 2003) O computador de hoje é um desktop virtual, com um plano de signos organizados seletivamente e baseados em expectativas de similaridade para construir um simulacro visual, mediador da nossa relação com o ciberespaço. No plano dessa realidade sensorial, o cursor do mouse é o nosso "dedo virtual" que arrasta outros "objetos virtuais" para o "lixo virtual" ou aciona o "telefone" (modem ligado à linha telefônica) que nos conecta a outros sistemas e à Internet. O meio digital se constituiu, no espaço sem precedentes para o registro e recuperação de documentos textuais, sonoros e imagéticos e que, ao ensejar uma enorme gama de possibilidades de armazenagem, memória e formatos, passou também a requerer novos elementos facilitadores de sua recuperação. Em um sentido mais amplo, o Meio Digital pode ser definido como o conjunto de veículos e aparelhos de comunicação baseados em tecnologia digital, permitindo a distribuição ou comunicação digital das obras intelectuais escritas, sonoras ou visuais. Meios de origem eletrônica utilizados nas estratégias de comunicação das marcas com seus consumidores. Tendo sua origem do Latim (digitalis.e). 14 1.1 MANIFESTAÇÕES Para entender e discutir as tecnologias da informação e da comunicação, é preciso apontar as principais transformações que as influenciaram segundo o contexto brasileiro , em que os novos processos e dinâmicas da sociedade em rede - mais nítidos e vigorosos nos países econômica e tecnologicamente mais desenvolvidos - convivem com padrões tradicionais da vida social e econômica e em que prevalecem fortes tendências de exclusão social e digital. Segundo o autor Lévy, (2000): O espaço cibernético é um terreno em que está funcionando a humanidade, hoje. É um novo espaço de interação humana que já tem uma importância enorme sobretudo no plano econômico e científico e, certamente, essa importância vai ampliar-se e vai estender-se a vários outros campos, como por exemplo na Pedagogia, Estética, Arte, Política e Literatura. O espaço cibernético é a instauração de uma rede de todas as memórias informatizadas e de todos os computadores. Atualmente, temos cada vez mais conservados, sob forma numérica e registrados na memória do computador, textos, imagens e músicas produzidos por computador. Então, a esfera da comunicação e da informação está se transformando numa esfera informatizada. O interesse é pensar qual o significado cultural disso. Com o espaço cibernético temos uma ferramenta de comunicação muito diferente da mídia clássica, porque é nesse espaço que todas as mensagens se tornam interativas, ganham uma plasticidade e têm uma possibilidade de metamorfose imediata. A partir do momento que se tem o acesso a isso, cada pessoa pode se tornar uma emissora, o que obviamente não é o caso de uma mídia como a imprensa ou a televisão. Então, poderíamos fazer uma tipologia rápida dos dispositivos de comunicação onde há um tipo em que não há interatividade porque tem um centro emissor e uma multiplicidade de receptores. Antes da escrita, o saber era ritual, místico e encarnado por uma comunidade viva. Tem um ditado africano que diz que “quando um velho morre é uma biblioteca que pega fogo, que se incendia”. Temos um segundo tipo ideal de relação com o saber que é o ligado à escrita, o saber trazido pelo livro. Em geral é um livro único suposto a conter tudo, como por exemplo, a Bíblia. Aí a figura do conhecimento não é mais o velho, mas o comentador, o intérprete. 15 O novo portador do saber, no nosso atual horizonte seria a própria humanidade. Estamos falando não da humanidade no sentido genérico mas de uma humanidade viva enquanto espaço cibernético. Portanto, o espaço cibernético aqui é entendido como esse espaço virtual onde a comunidade conhece a si mesma e conhece seu próprio mundo, porque são duas faces da mesma coisa. 1.2 NOVAS ADAPTAÇÕES NA LEITURA E ESCRITA O registro escrito é fundamental para perpetuar culturas, conhecimento, registrar valores, crenças, história, e memória social, por tal motivo fez-se necessário apontar as novas adaptações na leitura e escrita decorrentes da influência tecnológica. Nas culturas que não conheciam a escrita, a transmissão da história se dava através das narrativas orais: o narrador relatava as experiências passadas a ouvintes que participavam do mesmo contexto comunicacional. Era uma espécie de história encarnada nas pessoas: quando os mais velhos morriam, apagavam-se dados irrecuperáveis pelo grupo social. O saber e a inteligência praticamente se identificavam com a memória, em especial a auditiva; o mito funcionava como estratégia para garantir a preservação de crenças e valores. O tempo era concebido como um movimento cíclico, num horizonte de eterno retorno. Segundo a autora Andrea Cecilia Ramal, a introdução de uma nova tecnologia não torna automaticamente obsoletas as tecnologias anteriores e, na maioria das vezes, as tecnologias mais avançadas incorporam aquelas que as precederam, nas quais estão virtualmente contidas. No caso da escrita, a folha impressa não implicou no fim da página manuscrita. Caneta e papel têm, ainda hoje, seu charme e função para anotações e comunicações pessoais. Assim a história da escrita não se constitui num movimento progressivo em que novas tecnologias foram assumindo e usurpando o lugar das precedentes, as formas emergentes envolveram e cresceram com aquelas que já existiam. A escrita inaugurou uma segunda etapa na história humana. Com ela, mudaram as relações entre o indivíduo e a memória social. O sujeito pôde projetar sua visão de mundo, sua cultura, seus sentimentos e vivências, no papel. Ao fazer isso, pôde analisar o próprio conhecimento das coisas e do mundo, e fazê-lo chegar até os homens de outras culturas e outros tempos. O saber que era condicionado pela subjetividade se tornou objetivo e possível de se distanciar; a experiência pôde ser compartilhada sem que autor e leitor necessariamente 16 participassem do mesmo contexto. Entr
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