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A Intolerancia Contra as Religioes de Matrizes Africanas No Brasil

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Intolerância contra a negritude
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  A intolerância contra as religiões de matrizes africanas no Brasil - 08-20-2015 por Por Dentro da África - Por dentro da África - http://www.pordentrodaafrica.com A intolerância contra as religiões de matrizes africanas no Brasil por Por Dentro da África - quinta-feira, agosto 20, 2015 http://www.pordentrodaafrica.com/cultura/a-intolerancia-contra-as-religioes-de-matrizes-africanas-no-brasilCominformações da ONUAs religiões de matrizes africanas são parte da diversidade religiosa do Brasil. Entre algumas dessasmanifestações, que têm como referência a cultura trazida pelos africanos durante mais de 300 anos deescravidão, estão catimbó, cabula e principalmente umbanda e candomblé, que se propagaram com maisintensidade pelo Brasil.Desde sua chegada ao Brasil, os praticantes de religiões de matrizes africanas foram alvo de perseguiçõespor manifestarem a sua fé. Mas ainda hoje, em 2015, os episódios de intolerância religiosa fazem parte docotidiano. No contexto da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), a ONU destaca essasmanifestações brasileiras e de forte ligação com a África.  1 / 6  A intolerância contra as religiões de matrizes africanas no Brasil - 08-20-2015 por Por Dentro da África - Por dentro da África - http://www.pordentrodaafrica.com “Eu costumo dizer que a África e o Brasil se casaram e tiveram dois filhos: candomblé e umbanda. Ocandomblé é uma religião de matriz africana, a sua srcem está na África, sobretudo no sudoeste daÁfrica. É uma religião brasileira e que se constituiu não só com essa matriz, mas com o sincretismo apartir da relação com o cristianismo, com cultos e vivências indígenas. A umbanda tem outra forma desincretizar além dessa construção africanista porque promove outras relações com o misticismo, valoresciganos, kardecistas e hinduístas”, explicou, em entrevista exclusiva ao Centro de Informação da ONUpara o Brasil (UNIC Rio), o babalorixá Márcio de Jagun, ressaltando que, para os detratores, tanto oscandomblecistas quanto os umbandistas são chamados de “macumbeiros”.Apesar da influência africana desde o século XVI, o candomblé e a umbanda se consolidaram nasociedade brasileira nos últimos 200 anos, principalmente no início do século XX, quando o público pôdeter conhecimento das práticas a partir, por exemplo, das pesquisas de Pierre Verger, etnólogo francês ebabalawo, que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana e ao comércio deescravos.Essas práticas religiosas de matrizes africanas também fazem referência à comida, à música, aos tecidos eaos costumes não apenas dos escravos, mas dos colonizadores. Como exemplo deste sincretismo estão aindumentária e as louças que foram acrescentadas ao culto, como referência aos costumes portugueses.“Após a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República, vimos um movimento eugenista crescerno Brasil. A ideia era embranquecer o país, dar identidade europeia. Então, toda essa cultura afro foi  2 / 6  A intolerância contra as religiões de matrizes africanas no Brasil - 08-20-2015 por Por Dentro da África - Por dentro da África - http://www.pordentrodaafrica.com criminalizada: o samba, a capoeira, a prática religiosa… Tudo era estigmatizado”, destaca, em entrevistaao UNIC Rio, o babalawo Ivanir dos Santos, acrescentando que a África está muito presente no seio dahistória e da construção da religiosidade, mas isso não recebe a importância que deveria. Desafios para mensurar os praticantes De acordo com o último censo, de 2010, menos de 1% da população brasileira pratica as religiões dematrizes africanas. Mas esse universo não condiz com a realidade, já que ele não expressa a quantidade depessoas que, juntamente com outras religiões, frequentam os cultos de matriz afro. O documento do IBGEinforma que há cerca de 407 mil praticantes da umbanda, 167 mil do candomblé e cerca de 14 mil deoutras religiões de matrizes africanas.“O ultimo censo mostrou a diversificação do campo religioso. O catolicismo, religião hegemônica, vemdecrescendo, o que vem abrindo espaço para o crescimento dos neo-pentecostais. Já os afro-religiosos,representam menos de 1%. O que vários especialistas têm dito, e eu concordo, é que esse número estásubestimado. Há que se fazer uma pesquisa mais cuidadosa de maneira a saber como isso pode serperguntado para chegarmos mais perto da religiosidade brasileira. Antigamente, sabemos que em muitosterreiros, vários cultos eram realizados na igreja católica. Desta forma, deveria ser aceitável na declaraçãoque a pessoa se identificasse com mais de uma religião”, diz a antropóloga Sonia Giacomini.Ciente da demanda para estudar e divulgar o trabalho desenvolvido nas casas, uma pesquisa coordenadapor Giacomini e Denise Fonseca e desenvolvida pelo Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória  3 / 6  A intolerância contra as religiões de matrizes africanas no Brasil - 08-20-2015 por Por Dentro da África - Por dentro da África - http://www.pordentrodaafrica.com Afrodescendente da PUC-Rio mapeou 847 terreiros do Rio de Janeiro. O resultado foi divulgado no livro“Presença do Axé: Mapeando terreiros no Rio de Janeiro”, que revelou também o mapa da intolerânciareligiosa.“Grande parte das perguntas do estudo, que também foi desenvolvido pela pesquisadora Denise Pini, erasobre o funcionamento da casa. Além dessas questões, o conselho religioso resolveu que teria que ter umaoutra bem importante: se a casa tinha sofrido algum episódio de discriminação. Como as respostas forammuito minuciosas, pudemos identificar quem eram os agressores, quem eram as vítimas e, desta forma,um mapa da intolerância.” Acirramento da Intolerância Religiosa  Casa de Pai Anderson deOxaguiãnFoto: UNIC Rio/Natalia da LuzEm junho, uma menina de 11 anos, praticante do candomblé, levou uma pedrada na cabeça, após saída doculto na Vila da Penha, Rio de Janeiro. A família registrou a ocorrência como lesão corporal e prática dediscriminação religiosa.Márcio, que é membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR-RJ),diz que não é concebível que alguns religiosos incitem a violência e que seus superiores sejam alheios aessa discussão. Eles precisam ser responsabilizados. O parágrafo VI do artigo 5º da Constituiçãobrasileira diz que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercíciodos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. A LeiCaó (Lei 7.716/89) considera crime a intolerância religiosa.  4 / 6
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