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A MERDRA Nº 14

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Por Altemar Di Monteiro Lançamo-nos ao desafio de Comunicar a Diversidade, numa Ação que muda a cidade e pulsa enquanto Arte na Rua! Essas são as três…
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Por Altemar Di Monteiro Lançamo-nos ao desafio de Comunicar a Diversidade, numa Ação que muda a cidade e pulsa enquanto Arte na Rua! Essas são as três premissas da ação do Nóis de Teatro na 14º edição do jornal A Merdra, projeto vencedor do Premio Comunica Diversidade, iniciativa da UFRJ em parceria com o Minc que visa fomentar iniciativas que, por intermédio de processos de comunicação popular, ampliem o exercício do direito humano à liberdade de expressão cultural e do direito à comunicação, na medida em que há o reconhecimento de que a forma para o exercício desses atributos não está dada em iguais condições. Nosso grito de Merdra está reverberando cada vez mais e celebramos com esse prêmio a garantia do financiamento das próximas seis edições! Ponto para as artes periféricas, para as artes populares e para o exercício pleno da democracia no Brasil, tendo em vista que esse jornal é de todos os sujeitos que, inquietos e com vontade de transformação, nos enviam as suas colaborações para publicação e distribuição na cidade. Iniciamos também as ações do Edital Nossa Ação Muda a cidade, quando estaremos ocupando praças de bairros de Fortaleza com os espetáculos “A Granja” e “Sertão.doc”, peças que também seguem para o interior do estado com o apoio do Premio FUNARTE Artes de Rua 2013. Começamos o segundo semestre, após as tão sonhadas férias, com muita coisa pra celebrar e pra realizar. E o mês de julho já começa forte com a realização dos amigos teatreiros do Grupo Teruá e outros artistas do Pirambu que gritam “Merdra!” com o seu “II SABACU DA ARTE NO SISTEMA”. Nossa rede de parcerias e de fortalecimento das artes das periferias movimenta-se cada vez mais forte e, nessa edição, podemos ver a programação completa do Sabacu, além de outros textos, artigos, críticas, dicas, poemas, e um bate-bola com o artista Enrico Rocha. Isso é o que chamamos comunicar a diversidade, pensar na multiplicidade de vozes que compõem a nossa cidade, entendendo o grito artístico periférico como uma voz que precisa de urgente escuta, financiamento público continuo de suas ações, entendendo-as cada vez mais como bens públicos de grande necessidade para a cidade, assim como a saúde e a educação. O grupo Teruá se estabeleceu no bairro Pirambu no ano de 2013 e iniciou um processo de promover diálogos com a comunidade e com outros grupos que já mantinham atividades no bairro, como o Sementes do Amanhã, Grupo Complexo de teatro e banda Revolução F5. Além de muitas conversas informais, foram promovidos três encontros dos artistas do Pirambu e da cidade, onde os grupos manifestaram suas muitas necessidades e angustias. Necessidade de se desfazer do estigma de que na periferia só tem violência, necessidade de se fazer ver, de ouvir, de buscar espaço de apresentações, de busca de renda e de apoio para continuar atuando artisticamente. Levantamos um olhar sobre a nossa cidade, Fortaleza, e o rosto que ela vem ganhando. Questionamos as desocupações, as construções, os viadutos, as árvores arrancadas, a policia truculenta, a falta de investimento na cultura, a facilidade com que os recursos chegam aos estádios e a dificuldade dos mesmos em chegar aos lugares onde a demanda é visível, e outras realidades da nossa cidade que interferiam diretamente na arte quefazemos. Toda essa discussão ganhou corpo tendo como pano de fundo o bairro Pirambu, lugar que é moradia para muitos, mas que é evitado por alguns. Estando no bairro Pirambu percebemos que sua população tem necessidade de cultura, assim como todo bairro, mas principalmente nos bairros de periferia, pois o poder público não faz a cultura chegar até os mesmos. Partindo para pontos práticos começamos a listar espaços possíveis para fazer a arte acontecer e circular no Pirambu, listamos também os grupos e expressões de arte existentes e chegamos a conclusão de que era possível fazer um movimento artístico pelo bairro e engatamos na ideia de realizar um festival de arte, para ocupar ruas e espaços, para sermos vistos e ouvidos, pra questionar a cidade e sua gestão, para levantar o debate, para trazer cultura para esta região da cidade, tomando assim uma posição politica de fugir dos grandes centro culturais e dos eixo centro-praia de Iracema- aldeota, onde já há grande circulação de cultura. O I Festival Sabacu da arte no Sistema com o tema: Fortaleza pra quem? Arte e resistência; ocorreu em junho de 2014 tomando conta do EITA – Espaço interativo de trabalhos artísticos, sede do grupo Teruá; Do Centro Cultural Chico da Silva; da praça do chafariz e das ruas do bairro e grupos artísticos de toda a cidade compraram a ideia. Ao todo 23 grupos ou artistas individuais participando com apresentações, com debates, com oficinas, com apoio e produção. Foram realizadas 16 apresentações de palco e rua e 16 oficinas. Essa mobilização foi feita com recursos próprios da equipe de produção, dos artistas que participaram e disponibilizaram materiais, além de promover suas apresentações para a comunidade com recursos do próprio grupo. Os apoiadores do I Festival Sabacu da arte no Sistema foram os próprios artistas e tambémacomunidadelocal. Nas rodas de conversas chegamos a algumas demandascomo: - Fazer esses grupos que fizeram o evento continuarem se articulando em rede, a fim de conhecer os espaços uns dos outrosecirculartrabalhos. - Fortalecer os espaços alternativos ocupados pelos grupos (sedes, praças,ruasetc) - Realizar um documentário sobre arte alternativa em Fortalezaearesistênciadesses grupos. - Continuar realizando o Festival Sabacu da arte no sistema com periodicidade anual ou semestral, entre outras. Posterior ao evento ficou a necessidade do encontro e da permanecia de ações de resistência que se estendessemaolongodoano.. 15 de julho, quarta-feira: Dia de Rock de calçada no Sabacu Local: Praça do Chafariz | 17h30 18h - Brinque Revel 18h40 - Código de Conduta 19h30 - Junkie Warrior 20h20 Macacos Dead Punks 21h - Baticum e o Jogo Doido e mais: Varal da Poeticagem e Paranjana Literario 16 de julho, quinta-feira: 9h - Roda de conversa. Tema: Alternativas Para Viver de Arte Local: Chico da Silva 16h - Cortejo do Eita ao Vila do Mar (Conduzido por Antônio Viana) 16h30 -"Olha os palhaços no meio da rua" (Grupo Teruá); 17h - As Biscartistas 18h Transeuntes (Cia Flex); 18h40 - Isadora Omar (grupo panelinha de teatro); 19h20 - É duro ter cabelo duro (Claudio Ivo); 17 de julho, sexta-feira 14h30 - Dialogos: conversas entre grupos que se apresentaram e o público 16h - Apresentação de Kpop com Ramona Hwang; 16h30 - Cortejo do eita até a praça com os Brincantes de São Francisco 17h - Palhaçada (grupo Pano de roda) 18h -Casa de palhaço(Reinventar), 19h - Explode coração - O amor e o poder (Supernova Cia de teatro) 20h - A Granja (Nois de teatro) 21h - A mulher Barbada e os caixeiros Viajantes 18 de julho, sábado 9h Ocina de Coco de lagoa com Thiago Soares 14h30 - Dialogos: conversas entre grupos que se apresentaram e o público | Local: Chico da Silva 16h - Faça um Artista (coletivo farsa) 16h30 - Musica com Zezeh Lima 16h45 - Senta que lá vem a história (Uni-duni-ler) 17h40 - Música com Inácio do Ciclovida 18h30 - Flor da Roseira 19h - "Ensaio Sobre Amores Doentios e Espíritos Livres da Floresta" 19h30 - De profundis 20h - Prometeu 21h Band Cult Bacaninha 19 de julho, domingo 15h - Roda de Conversa: Proposições de Ações Coletivas 17h Cortejo com o Pessoal do CCJ - Coletivo de culturas juvenis. 17h30 - Bendito (Grupo Teruá); 18h - Baton (maruska); 18h30 - Re-play-me (Efferson Mendes) 19h - Com quantas tampas se faz uma dança (Silvia Moura) 20h -Banda altos versos - projeto Cazuza Para dar continuidade a realização do Sabacu da arte no sistema, manteremos a realização do evento no bairro Pirambu, ocupando os espaços: Eita- sede do grupo Teruá; Centro Cultural Chico da Silva, Praça do Chafariz, Ruas do bairro Pirambu Calçadão do vila do mar O festival acontecerá nesses espaços durante 4 dias de intensa programação cultural. Antes disso vão estar rolando desde de 20 de junho rodas de conversa e ocina, é uma oportunidade de debates, articulações, formação de pensamentos coletivos, articulação de ações e de encontros. Topic 54 - Descer uma parada antes da Av. Leste Oeste, seguir andando pela Av. Pasteur (rua da parada), atravessar Av. Leste Oeste e ir direto até a Rua Nossa Senhoras das Graças, entrar a direita. O Eita ca em frente a padaria. Do terminal do Antônio Bezerra: Grande Circular II ou Antônio Bezerra/ Praia de Iracema. Pedir para descer na escola Flávio Marcilio. Pegar a Av. Pasteur e andar ate a Rua Nossa Senhoras das Graças. Do terminal do Papicu: Grande Circular I. Pedir para descer na Escola Flávio Marcilio. Pegar a Av. Pasteur e andar ate a rua nossa senhora das graças. Do Centro da Cidade: Ônibus Nossa Senhora das Graças na Praça da Estação. Pedir para descer após o boleiro. Passa em frente! Ônibus Beira Rio: descer na Escola Flávio Marcilio. 02 ONDE? COMO CHEGAR? 03 Eu sou um entusiasta do “Sabacu”. Acredito que ele tem uma riqueza poética muito singular, inclusive já no titulo do evento: “Sabacu da Arte no Sistema”. Existe uma singularidade poética inscrita que suscita já uma novidade, uma forma diferenciada de pensar. Dar um sabacu no sistema signica ser jocoso, brincalhão, “malandro”, “moleque”, ir na contra-mão, mas é necessário tomar cuidado: esses sabacus podem ser dados no sistema de outra forma, dependendo inclusive de como a gente pensa esse sistema. A forma como a gente vai lutar contra ele não pode ser habitual. Fiquei muito feliz quando fui convidado para uma das ações prévias do “Sabacu”, o dialogo “Quem é o Público? Dialogo sobre Formação de Plateia”, porque é uma oportunidade de aprofundarmos esse sabacu da arte a ser dado no sistema. Um sabacu junto com o publico. Quem é esse público? Eu quei pensando numa questão que é a última do meu discurso, mas que também pode ser a primeira: “quantidade não é qualidade”. Por exemplo, o que nós, oito participantes desse diálogo, somos enquanto potência de construção deste sabacu? Começo a acreditar que é do pequeno, do não-hegemônico, que a gente começa a construir, de fato, transformações. Eu fui recentemente assistir ao show da Ivete e do Criolo, e passei um tempo pensando na quantidade de gente que tinha ali: muita gente. Tinha uma galera enorme que curtia a Ivete e outra menor que curtia o Criolo, mas houve ali um encontro entre as duas tribos, dois públicos, duas plateias distintas, formadas com interesses distintos (e é importante lembrar que estamos falando de estruturas amplas do mainstream capitalista). Eu co pensando em que canto a gente está, no que se refere ao diálogo com a plateia, na produção cultural contemporânea. O que a gente quer? Para que a gente possa ir começando a pensar com que tipo de público a gente está falando, qual a quantidade desse público, qual a qualidade dele (quando eu digo qualidade não é dizer se é bom ou se é ruim, mas em que espécie ele se localiza nessa sociedade explosiva de consumo em que a gente vive, onde tem tanta coisa pra se ver). Então, nós estamos falando de outro público, de outra plateia, de outra formação de plateia, bem diferente da pensada no show citado. É importante a gente localizar-se nesse contexto, senão a gente vai estar o tempo todo reproduzindo o discurso do próprio sistema que a gente quer dar o Sabacu, onde o que importa é a quantidade e não a qualidade. É importante pensarmos como a gente pode construir poeticamente esses sabacus. De antemão eu pensei nas palavras chave do título desse diálogo: “público”, “diálogo”, “formação” e “plateia”. São quatro palavras muito importantes. Público: Uma pergunta muito singular a se fazer é quem é esse público? E o que é público? A palavra “público” ela é muito dúbia. Às vezes a gente confunde público com plateia. Qual a diferença entre público e plateia? “Dialogo” é uma palavra que tem tudo a ver com o que a gente precisa começar a pensar, essa via de mão dupla, onde conversando com o outro estabelecemos espaços de troca. Dialogo é a chave pra gente pensar a ruptura com o sentimento de colonização, a quebra com oque vem de cima para baixo. Dialogo deveria ser a base de todo o nosso pensar, onde qualquer instancia de formação de plateia deveria ser entendida como um bem comum, que interessa a uma comunidade em diálogo. É necessário tomar cuidado com esse discurso de salvação, onde o artista vai recuperar, resgatar, transformar uma determinada comunidade. Essa é uma cilada muito perigosa, porque de uma maneira geral, os modelos que a gente tem de formação de plateia em Fortaleza, partem desse principio: “vamos chegar, por exemplo, no Bom Jardim, colocar um centro cultural e formar uma plateia lá, porque nós temos uma noção muito aprofundada sobre o que é arte e cultura para salvá-los”. Os jesuítas já zeram isso há muito tempo. A palavra “diálogo” abre portas para gente pensar o Sabacu, para não continuarmos reforçando modelos muito estranhos, que estão sempre no caminho da verticalização dos processos, onde não é construído, de fato, um dialogo. E o que é formação? Nessa palavra, dentro dela, existe a palavra “forma”, e o que é enformar algo? Um bolo é feito numa forma e por isso ca daquele jeito, passível de reprodução. Formação é uma palavra muito perigosa, a gente precisa discutir sobre ela para não cair em outra estrutura catequizadora. A escola, as universidades, a igreja, a prisão, uma serie de instituições de poder na sociedade já estão muito interessadas em formação. Nós também? Essa palavra precisa ser discutida, não para ser descartada, mas para a gente entender que ela é uma palavra complexa e que tem muitas questões nela que a gente precisa entender para não cair no discurso da fôrma. Já a ideia de plateia é bem singular, pensada como aquele que está ali para escutar. Acredito que é necessário construir outros uxos de construção de pensamento na arte, saindo desse espaço de escuta passiva, onde as coisas são ditas como verdades, produzindo uma razão única e inquestionável. Pensar sobre essas quatro palavras é uma chave para pensar o que signicaria formação de plateia. O “dialogo” é uma porta de entrada para pensar no que é “público”; já “formação” e “plateia” precisam ser vistas como palavras perigosas, onde é necessário tateá-las com mais cuidado. Quando a gente forma uma plateia a gente resolve um problema, traz para ela a salvação. É nesse contexto que eu penso que a gente precisa pensar é uma “desformação” (ou deformação) dessa plateia. Anal de contas nós já temos plateia formada pela televisão, pela mídia, pela comunicação, pela publicidade, pelas instituições de poder, pelo que a escola é, pelo que a escola não é. Por tudo o que as pessoas vivem elas já estão muito formadas, elas tem uma maneira de olhar o mundo, elas tem uma visão sobre as coisas. E ai a gente enquanto artistas, enquanto pensadores da cultura, vamos chegar e trazer uma nova forma, uma outra formação? Eu acho que a gente precisaria pensar em como desconstruir essas formações, elas são sistêmicas. É necessário pensar no que seria uma “desformação” de plateia, descontruir ideias, formas, fôrmas. A gente como artista, às vezes, se acha a solução do mundo. Mas acho que já há tantas certezas no facebook... esse fundamentalismo religioso destruindo tudo... essas crises politicas na América latina, são resultados dessas certezas... E as vezes a arte vai para o mesmo canto, colocando a realidade dentro de uma forma para levar para o publico. Enm, acho que precisamos desconstruir esse discurso, para que a gente encontre outras táticas de perceber a sociedade, a comunidade, a formação, a plateia, o que é público e qual é o nosso interesse. Como fazer isso? Eu Não sei. Acho que a palavra chave para nos ajudar a pensar nisso tudo é dialogo. No dialogo a gente consegue construir o novo, a gente encontra com o outro, a gente se encontra com uma possibilidade que a gente não conhece. As possibilidades que não conhecemos é que são a potencia de reviravolta, até porque eu acho que o mercado de cultura brasileiro já procurou tantas salvações e nenhuma delas deu certo, muitas foram engolidas pelo próprio sistema e viraram produto de mercado. Quando a gente pensa um Sabacu da arte no Sistema precisa ser “assistêmico”, para que a gente consiga subverter a ordem. Perguntas importantes vão surgindo: Que público é esse? O que ele pensa? Que teatro fazemos? Com quem devemos dialogar enquanto ato de escuta? Quando a gente escuta o nosso publico ele traz para a gente questões muito importantes, que fazem parte do universo dele, da vida cotidiana dele, e que talvez ele nem saiba dizer, inquietações que estão no campo do sensível. A partir dessa escuta a gente consegue construir outros discursos. É importante a gente notar que a profusão de imagens que tem na periferia suscita uma beleza muito singular, ali existe sim outra forma de pensar o mundo, e às vezes a gente não capta isso. A gente vai ao contrario, captando modelos e formas que não são nossas pra levar para a periferia e mostrar que essa é a forma. E na periferia há outras formas de se relacionar com a cidade que, cotidianamente, dá sabacus no sistema e a gente nem percebe. Pra encerrar, acho que podemos pensar as artes como esse espaço do comum, saindo do pensamento de construir uma salvação, entendendo que não há diferenciação entre artista e público, entre o performer e o seu espectador. Todos nós, juntos, constituímos uma comunidade que deve ser escutada. E ai deixamos de pensar em fazer uma arte PARA o público e vamos fazer uma ARTE realmente PÚBLICA. (Altemar Di Monteiro – transcrição da Roda de conversa: Quem é o Publico - Dialogo sobre formação de plateia - 20/06/2015 – II Sabacu da Arte no Sistema) Foto: Divulgação Todos os dias vemos a violência aumentando em nossas cidades. Todos os dias vemos casos e mais casos de morte. Tudo isso vai virando número, estatística. Cada caso que aparece vai virando dados. O hábito com que nós vamos sendo bombardeados por esse tipo de notícia vai tornando a situação ainda mais banal, tornando-nos frios, insensíveis, indiferentes. O tempo todo somos violentados pelo estado, pela falta de acesso aos nossos DIREITOS, como educação de qualidade, saúde, moradia etc. Somando tudo isso, há um sentimento em nós que não para de crescer: o medo. Um dos principais medos é o de não voltar para casa. E foi exatamente isso que aconteceu a mais ou menos um ano atrás com Luana Barbosa. A atriz e produtora de Presidente Prudente-SP foi alvo das mãos destreinadas da policia. Um único disparo calou a voz de mais essa artista, reetindo uma polícia despreparada que age com desrespeito, violência e abuso. E por isso Lua não voltou para casa. Este não foi e não é um caso isolado. Todos os dias as mídias mostram esse tipo de ação. A violência vem de todos os lados, inclusive daqueles que deveriam nos "proteger". Por esse motivo, nos últimos encontros da Rede Brasileira de Teatro de Rua, ocorrido nas cidades de Rio de Janeiro e Sorocaba, houve o indicativo de que o dia 27 de junho (dia de sua morte) seria o dia da Lua contra a violência policial. Ao nal de junho, 17 cidades de 08 estados zeram mobilizações para marcar a data. Em Fortaleza, o encontro foi marcado por uma intervenção artística na Praça do Ferreira da qual estiveram presentes os grupos: Nóis de Teatro, Pavilhão da Magnólia, Cia Prisma de Arte, Grupo Teatro de Caretas, Pícaros Incorrigíveis, Super Nova- Cia Explosiva e Garajal. Outros grupos tiveram participações em seus eventos e apresentações de espetáculo como: Arte Jucá, Expressões Humanas, Aparecidos Políticos, Cia Epidemia de Bonecos, As 10graças e Grupo Formosura, este no Programa #EntreNóis. Participando do ato na Praça do Ferreira ou lendo o manifesto da Rede Brasileira de Teatro de Rua em suas atividades, os grupos do Ceará marcaram esse dia de luta. Que Lua não seja mais um número de estatística. Que nenhum de nós sejamos números de estatísticas. Pelo direito de
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