Documents

A Obra de Arte Que Enfurece Deve Ser Retirada

Description
Texto do Estadão.
Categories
Published
of 7
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
  A obra de arte queenfurece deve ser retirada? 'Open Casket', obra exposta na Bienal do Whitney Museum, suscita debate sobracismo na arte 0   Foto: Benjamin Norman/The New York Times 'Open Casket', de Dana Schutz, baseada na fotografia do corpo mutilado de Emmett Till emseu caixão, exibida na Bienal do Whitney Museum  horrivelmente mutilado de Emmett Till jazendo em seu caixão,em 1955, cerca de 10 dias depois de o rapaz afro-americano de14 anos ter sido brutalmente assassinado por dois homens brancos no Mississipi supostamente por flertar com uma balconista branca. A artista é branca, e o uso que fez dasimagens chocou muitos no mundo artístico como umaapropriação indevida que, segundo eles, deveria ser removida.O primeiro protesto foi individual: no dia em que a exposição foiaberta, um artista afro-americano, Parker Bright, parou diantedo quadro vestindo uma camiseta com “Black Death Spectacle”(espetáculo da morte negra, em tradução livre) escrito à mãonas costas, às vezes bloqueando parcialmente a vista, às vezesentabulando conversa com outros visitantes da exposição. Umafoto de Bright no Whitney foi postada no Twitter. As objeções à pintura se tornaram virais com uma carta abertade Hannah Black, uma escritora de srcem britânica que vive emBerlim, assinada solidariamente por outros, afirmando que aimagem de Till era “assunto para negros”, fora do âmbito paraum artista branco. Alguns negros atacaram o quadro de Schutzcomo uma exploração do sofrimento negro “para lucro ediversão” e pediram que ele não só fosse retirado da exposição,mas ainda por cima destruído.Para mim, como para outros, o terreno continuou movediço como surgimento de uma profusão de artigos de opinião,entrevistas, blogs e postagens no Facebook e e-mails entreamigos. A discussão tem sido incômoda, tonificante e, em últimaanálise, benéfica. A censura, e mais ainda a destruição de obrasde arte, é abominável? Sim. As pessoas ofendidas ou ultrajadaspor uma obra de arte ou uma exposição devem realizarprotestos? Claro. E um museu deveria antever a possibilidade deuma obra de arte ser controversa na classificação ouprogramação? Sim para isso, também.  Dentro do novo National Museum of African American History and Culture, o caixão de Till ocupa um nicho que se tornou umsantuário. Lonnie G. Bunch III, o diretor fundador desse museu,disse que sua presença “quase provoca uma catarse nas pessoascom toda a violência que a comunidade sofreu ao longo dostempos”.Muitas pessoas se acharam num meio termo, olhando os doislados, procurando precedentes.O que me veio à mente são obras de arte anteriores por pessoasque transpuseram divisões étnicas em sua descrição do traumasocial. The Passion of Sacco and Vanzetti   (1931-32), uma sériede Ben Shahn, um artista branco judeu, fez um comentáriopungente sobre o julgamento dos imigrantes Nicola Sacco eBartolomeo Vanzetti em Massachusetts durante os anos 1920;um caso politicamente carregado que espelhou questõesrelativas a etnicidade, classe e corrupção no sistema judicial.No mesmo âmbito, foi um professor e compositor branco judeu, Abel Metropol, o autor da dolorosamente bela  Strange Fruit  ,uma balada contra o linchamento celebrizada por Billie Holliday que, em 1939, “enfrentou o ódio racial de frente” como escreveuDavid Margolick em  Strange Fruit: Billie Holiday, Café Society,and an Early Cry for Civil Rights (Fruta Estranha: Billie Holiday, Café Society e um Clamor Inicial por DireitosCivis, em tradução livre). A pintura de Schutz não é a única obra de arte inspirada nolinchamento de Till: existe uma balada que Bob Dylan compôs e  'Strange Fruit', música eternizada na voz de Billie Holiday, foi composta por Able Meeropol,um judeu branco   escritores da historia negra, e o confronto, como se escreveuem The New York Times Book Review em 2008, “ajudou aabalar a ideia de que pode e deve haver uma única ver são de'como foi a escravidão'”.Os que hoje pedem a retirada da pintura de Schutz parecem sealinhar com os artistas negros que em 1977 iniciaram umacampanha epistolar contra o que consideravam os estereótiposnegativos de negros na obra inicial de Kara Walker, a artistaafro-americana conhecida por seus retratos impiedosamenteswiftianos da vida nas fazendas sulinas antes da Guerra Civil.Eles também parecem estar lado a lado com os católicos  Foto: Philip Greenberg/The New York Times 'The Times Thay Ain't a Changing Fast Enough!', obra de Henry Taylor em exposição naBienal do Whitney Museum, busca inspiração no assassinato de Philando Castile por um policial
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks