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A PATERNIDADE DE DEUS Ele não é paizinho, mas é meu Pai, nosso Pai e Pai de Jesus

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A PATERNIDADE DE DEUS Ele não é paizinho, mas é meu Pai, nosso Pai e Pai de Jesus Josemar Valdir Modes 1 RESUMO A paternidade divina, atribuída à Primeira Pessoa da Trindade, traz consigo a implicação
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A PATERNIDADE DE DEUS Ele não é paizinho, mas é meu Pai, nosso Pai e Pai de Jesus Josemar Valdir Modes 1 RESUMO A paternidade divina, atribuída à Primeira Pessoa da Trindade, traz consigo a implicação do real relacionamento entre criatura e Criador para a verificação da sua manifestação plena. Jesus é a expressão singular e máxima deste relacionamento que serve de fundamentação teórica e prática para o tipo de relacionamento que o ser humano pode expressar e experimentar. Deus é Pai de Jesus, da criação, de Israel e de todos aqueles que são envolvidos num profundo e real relacionamento com o Pai de todos. PALAVRAS-CHAVE Paternidade, Deus Pai, filiação. ABSTRACT The divine fatherhood, assigned to the First Person of the Trinity, brings with it the implication of the real relationship between creature and Creator for the verification of its full manifestation. Jesus is the unique and maximum expression of this relationship that serves as a theoretical and practical substantiation for the kind of relationship that the human being can express and experience. God is the Father of Jesus, the creation, of Israel and all those who are involved in a deep and real relationship with the Father of all. KEYWORDS Paternity, Father God, sonship. 1. INTRODUÇÃO Na atualidade fala-se muito de Deus e muito com Deus usando o termo Pai. Orações, pregações e canções descrevem Deus desta maneira. A grande pergunta que ecoa em nossas mentes e sobre a qual se deve refletir é: será que as pessoas que chamam Deus de Pai conhecem de fato o significado desta afirmação? A paternidade de Deus é um assunto muito profundo e que traz enormes ensinamentos para os cristãos como para as demais pessoas. Quando se fala de Deus como Pai está se falando da primeira Pessoa da Trindade 2, o que exige uma compreensão da mesma. Ao mesmo tempo, 1 Formado em Teologia pela Faculdade Batista Pioneira. Tem uma especialização na área de Liderança e Gestão de Pessoas pela Faculdade Teológica Batista do Paraná, um mestrado livre na área de Missão Integral da Igreja pelo Seminário Teológico Batista Independente e um mestrado em Teologia Pastoral pela Faculdade Teológica Batista do Paraná. É Doutorando em História pela Universidade de Passo Fundo, com concentração em história e cultura. Trabalha como Pastor na Igreja Batista Emanuel, como Coordenador de Graduação na Faculdade Batista Pioneira e é membro da Comissão Consultiva da Revista Ensaios Teológicos da Faculdade. 2 TRINDADE Existe apenas um Deus único e verdadeiro, mas na unidade da Divindade existem três pessoas coeternas e coiguais, da mesma substância, mas de subsistência distinta e, estas três pessoas são o Pai, o Filho e o Espírito Santo. In.: RYRIE, Charles Caldwell. Teologia básica: ao alcance de todos. Trad. Jarbas Aragão. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p Mas se cada pessoa é plenamente Deus e tem todo o ser divino, então tampouco devemos pensar que as distinções pessoais são alguma espécie de atributos acrescentados ao ser 2 exige-se um entendimento do uso deste termo no período do Antigo Testamento como também do Novo. A Bíblia traz diversas referências onde Deus é chamado de Pai, portanto, não é errado chamá-lo desta forma, desde que se saiba porque Ele é denominado assim. Compreender o ensino bíblico sobre este assunto é de fundamental importância para a aplicabilidade do mesmo na atualidade. Há também a necessidade de se compreender a extensão da paternidade de Deus. Quem ela abrange? Quais pessoas são afetadas por ela? As respostas proporcionarão oportunidades de se estudar as implicações que a paternidade de Deus traz sobre a vida do ser humano bem como se poderá ver o agir de Deus como Pai. Os questionamentos levantados acima são a base de estudo deste trabalho. Acreditase que a paternidade de Deus exceda grandemente a paternidade exercida pelos seres humanos, sendo a mesma uma espécie de modelo de relacionamento paternal. Talvez seja mais correto afirmar que a paternidade humana é um reflexo da divina, e, por isso, a humana deveria se espelhar na divina e não o contrário, ou seja, dever-se-ia buscar em Deus o Pai que o ser humano deve ser. Muitas vezes observa-se a paternidade divina pela perspectiva da humana, o que é um grande erro. Isso representa usar uma imagem limitada para tentar compreender o ilimitado, o que torna a tarefa impossível! 2. O SIGNIFICADO DA PATERNIDADE 2.1 No Antigo Testamento O Antigo Testamento emprega um vocábulo hebraico que aparentemente é derivado da linguagem infantil dos bebês. Este substantivo é āb. O termo designa principalmente aquele que gera, ainda que por extensão também designe ancestral e, metaforicamente, um originador, líder ou alguém que possui algum vínculo em alguma medida. (PAYNE, J. B. in HARRIS, 2008, p.5s.). divino Em vez disso, cada pessoa da Trindade tem todos os atributos de Deus, e nenhuma das pessoas tem algum atributo que não seja também possuído pelas outras. Por outro lado, precisamos dizer que as pessoas são reais, que não são apenas modos diferentes de enxergar o ser único de Deus a única maneira de fazê-lo é dizer que a distinção entre as pessoas não é uma diferença no ser, mas sim uma diferença de relações. Trata-se de algo bem distante da nossa experiência humana, na qual cada pessoa distinta é também um ser distinto. De algum modo o ser divino é tão maior que o nosso que dentro do seu ser único e indiviso pode haver um desdobramento em relações interpessoais, de forma tal que existam três pessoas distintas. GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p 3 Esta expressão (āb) aparece 1191 vezes no Antigo Testamento. A maior parte destas referências está ligada à figura paterna, ou seja, tem sentido literal. Mas o termo pode também se referir a qualquer homem que ocupa cargo ou recebe reconhecimento semelhante ao do pai. (PAYNE, 2008, p.5s.). Há ainda casos em que o termo se refere ao avô ou um ancestral antigo, principalmente se este é o fundador de uma tribo. Um exemplo disto é Abraão, que é considerado o pai dos hebreus (Dt 26.5; Is 51.2; Jo 8.39). Assim Iavé tornou-se pai de Israel seu filho (Is 63.16) quando formou a nação (Is 64.8[7]; Dt 32.18). Mesmo assim, sua paternidade diz respeito principalmente àquela relação pactual e salvadora, na qual ele amou Israel (Os 11.1; Jr 31.20). (PAYNE, 2008, p.5s.). Algumas vezes a paternidade é também relacionada com a criação. Como exemplo pode-se citar o texto de Jó 38.28: Acaso a chuva tem pai?, onde o texto sugere que o homem não consegue criar a chuva, mas é Deus que a faz. Mas, apesar destas referências à criação, não há no Antigo Testamento nenhuma referência que relacione Deus como sendo o Pai de todos os homens. (PAYNE, 2008, p.5s.). Na sociedade patriarcal da antiguidade, a figura do pai é dotada com duas características específicas. De um lado, o pai rege como chefe do lar, e como pessoa a quem se deve respeito, tendo autoridade absoluta sobre a sua família. Do outro lado, tem a responsabilidade de guardar, sustentar e ajudar os demais membros. Estas duas características também estão presentes quando uma divindade é descrita ou invocada como pai. (HOFIUS, O. In: COENEN, Lothar, 2007, p No Novo Testamento A ideia de Deus como Pai 3 é bem característica do ensino neotestamentário, sendo exposta de forma bem clara através do ensino de Jesus. (GUTHRIE, D.; MARTIN, R. P. In: HAWTHORNE, Gerald, 2008, p.383). Um dos termos usados para se referir a Deus como Pai no Novo Testamento é o vocábulo grego Abba. Ele aparece em apenas três vezes (Mc 14.36; Rm 8.15 e Gl 4.6) e é citado em todas às vezes em orações. O termo vem do aramaico e originalmente está ligado também com a linguagem infantil. Quando a criança é desmamada, era instruída a falar Abba, ou seja, era uma das primeiras palavras pronunciadas por uma criança. Mais tarde o termo passou a ser usado por 3 PATERNIDADE DIVINA é um conceito teológico presente em todo o Novo Testamento. Deus é apresentado como Pai de Jesus (Ef 1.3); como Pai da criação, mostrando um sentido de paternidade cósmica, ou seja, o poderoso criador e sustentador de tudo o que existe (Ef 3.14); e especificamente como Pai daqueles a quem Ele adota como filhos (Ef 1 e 2). A paternidade destaca o relacionamento, amor e cuidado de Deus para com tudo o que está relacionado ao Ser Divino. In.: GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p 4 todos os membros da família. Jesus em suas orações empregou este termo, expressando assim o relacionamento que tinha com o Pai. A Igreja Primitiva também adotou este termo ao se referir a Deus em suas orações. Patēr é outro termo usado para denotar a figura paterna. Ele é usado para se referir a um ancião venerado de forma respeitosa. Quando se refere a Deus, é usado com o sentido adjunto de gerar, criar. Quando se chama Deus de patēr, está se reconhecendo que Ele é o pai universal. (HOFIUS, 2007, p ). 2.3 Aspectos da paternidade de Deus Ser Pai é uma obra exclusiva da primeira pessoa da Trindade. Quando uma pessoa se torna pai, a sua essência não muda. O mesmo se aplica a Deus. Mas há uma diferença considerável entra a paternidade humana e a divina: Deus é Pai eterna e perfeitamente. (CAMPOS, 2002, p.131). Ele é um Pai glorioso (Jo ; Ef 1.17), santo (Jo 17.11), justo (Jo 17.25), perfeito (Mt 5.48), misericordioso (Lc 6.36; 2Co 1.3), gracioso (Mt 7.11; Rm 1.7; Tg 1.17), fiel no cumprimento de suas promessas (Dt 7.6-9; Lc 24.49; At 1.4, 8; At 2.1ss.; 14ss.) que escolhe seus filhos adotivos (Jo 6.37, 44, 65; Ef 1.3, 4; 2Ts 2.13), incansável (Jo 5.17), onisciente e todo-poderoso (Mc 13.32; 14.36), que envia seu Filho para salvar seu povo (1Jo 4.14; Jo ), auto existente (Jo 5.26), livre em seus atos (Jo 5.21; Rm ; ), que se revela através do Filho (Mt 11.27). (FERREIRA, 2008, p.245). Enquanto o mundo pagão na época do Novo Testamento se apegava a deuses com temor ou incerteza, Deus é apresentado nas Escrituras Sagradas como um Pai presente o tempo todo, o que revela um íntimo relacionamento entre Ele e a criatura. A paternidade de Deus serve como modelo, origem, da paternidade humana, o que mostra não ser Deus chamado Pai com base em uma analogia humana, como se a paternidade humana fosse a maior aproximação ao relacionamento entre Deus e a humanidade. (GUTHRIE; MARTIN, 2008, p.383). 3. A EXTENSÃO DA PATERNIDADE DE DEUS Em alguns escritos teológicos percebe-se uma certa distinção entre as três pessoas da Trindade Pai, Filho e Espírito Santo indicando que o Pai é mais importante. Cabe ressaltar que o Pai não é o Deus da Bíblia mais do que o é o Filho ou o Espírito. Os três são um Deus. A base para esta ideia está na sujeição do Filho em fazer a vontade do Pai e também a do 5 Espírito que resolveu voluntariamente não falar de si próprio. (CHAFER, 1974, v.1, p ). Essa ordem na Trindade não é um tipo de subordinacionismo, porque essa não é uma ordem de essência, mas de relacionamento. (SMITH, 1994, v.1, p.152). Quanto à essência, Pai, Filho e Espírito Santo são da mesma substância, iguais em poder e glória, mas, quanto ao relacionamento, o Pai é o primeiro, o Filho é o segundo e o Espírito Santo é o terceiro. Essa ordem também não deve ser entendida em termos de organizações humanas, como se ela fosse uma hierarquia, mas em termos de uma disposição adequada e apropriada. (LETHAM, 2004, p.400). A obediência do Filho ao Pai não é a obediência de um inferior a um superior, nem uma obediência servil, onde a vontade de um é imposta sobre o outro. Pelo contrário, como os envolvidos são Pai e Filho, a relação é entre dois iguais, e a obediência do Filho ao Pai é espontânea. (KÖSTENBERGER, 2014, p.158). A paternidade de Deus tem diversas manifestações: 3.1 A paternidade sobre a criação Sobre a criação a paternidade atinge uma extensão imensurável e são inúmeras as referências bíblicas que apontam para esta direção. Deus é mencionado como o Pai dos espíritos (Hb 12.9); Pai das luzes (Tg 1.17); Pai dos anjos (Jó 38.7), Pai dos seres humanos (Ml 2.10), todos eles em potencial, ou então numa dimensão meramente de criação, sem o aspecto relacional onde a paternidade é expressa em sua plenitude, sendo então Pai de fato apenas daqueles que O deixam ser Pai. (CHAFER, 1974, p ). Há teólogos, como Franklin Ferreira e Alan Myatt (2008, p.238) que defendem com plena convicção de que a criação do ser humano revela a paternidade de Deus, e isso se aplica então a toda raça humana. A criação do homem à imagem e à semelhança de Deus sugere uma relação de filiação, pelo menos num sentido metafórico. Deus é pai de todos os homens, remidos ou não. Isso explica o poder do seu amor universal. Ver Atos 17.27; Luc. 3.8 e João Apesar de estar em foco principalmente o seu ato criador, também é verdade que os homens compartilham da sua natureza espiritual e moral. (CHAMPLIN, 2006, v. 5, p. 107). Mas o que ressalta de fato a paternidade de Deus na criação é o relacionamento existente entre o Criador e a criatura. Havia comunicação entre o casal e Deus. Deus caminhava entre o jardim, o que sugere a proximidade que tinha com o ser humano. Este carinho e amor demonstrados rompem-se com a queda do ser humano. Mas, ainda assim, Deus demonstra o 6 Seu amor disciplinando a criatura, visando a sua redenção. (FERREIRA; MYATT, 2008, p.238). 3.2 A paternidade sobre o povo de Israel A primeira menção explícita da paternidade de Deus refere-se à escolha de Israel como o povo de Yahwéh (Ex ). Moisés, ao se referir à nação de Israel usa termos característicos da filiação correspondente ao povo: yālad e hīl, que descrevem o processo de dar à luz um filho, desde a concepção... o nascimento (FERREIRA; MYATT, 2008, p.238). (Dt 32.18). Os profetas em suas mensagens sempre destacaram o papel de Deus como o Pai da nação. (Is 63.16; 64.8). A aliança é um símbolo do relacionamento entre Deus e o povo, destacando também este relacionamento existente entre Pai e filho (Jr 31.3,9). As referências à disciplina de Deus com relação à desobediência do povo mais uma vez apontam para a paternidade (Jr 31.18). (FERREIRA; MYATT, 2008, p.238). Em todo o ensino do Novo Testamento transparece esta realidade da paternidade de Deus sobre a nação de Israel. O rei israelita era visto como um filho individual de Deus (Sl 2). Esta ideia é essencialmente nacionalista, porém não exclui a paternidade individual. (GUTHRIE; MARTIN, 2008, p.383) Em resumo, a noção da paternidade de Deus, no Antigo Testamento, volta-se para o relacionamento de Deus e o seu povo eleito, num sentido coletivo. Deus trata seu povo com todo o carinho, amor e disciplina que um pai naturalmente tem por seus filhos. Por outro lado, a idéia (SIC) de Deus como Pai de indivíduos, embora não esteja totalmente ausente (cf. Pv 3.12), não é muito evidente... Em tudo, a paternidade de Deus é vinculada com a doutrina da eleição. (FERREIRA; MYATT, 2008, p.239). 3.3 O Pai de Jesus Cristo A frase o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo refere-se ao que Deus foi em toda a eternidade: Pai de Jesus Cristo! Este relacionamento entre o Pai e o Filho demonstra somente os aspectos da emanação e manifestação e não inclui a concepção comum de derivação, inferioridade ou distinção com relação ao tempo do começo. (FERREIRA; MYATT, 2008, p.240). O filho e o Pai estiveram sempre em pé de igualdade. 7 As próprias profecias referentes a Jesus já o declaram como sendo Filho de Deus (Lc 1.32). A Sua concepção virginal também atesta este fato. João em seu Evangelho fala do relacionamento entre o Pai e o Filho deste a eternidade. (FERREIRA; MYATT, 2008, p.240). 3.4 A paternidade sobre todos os que creem A natureza do relacionamento paternal de Deus para com o Filho é de confiança e amor absoluto. Assim, tudo foi posto nas mãos do Filho. O amor do Pai pelo Filho é tão forte que rejeitar o Filho é também insultar o Pai (Jo ). Mesmo antes de o mundo ser criado, o Filho participava na glória do Pai (Jo 17.5). O Pai sempre é Pai do Filho. (FERREIRA; MYATT, 2008, p.240). Em seus ensinos, Jesus ensinava a paternidade de Deus referente a indivíduos (Mt 5.16, 45, 48), A paternidade de Deus se torna o referencial da vida cristã. Os crentes devem viver para a glória de Deus, amar seus inimigos para se mostrarem como filhos de Deus e serem perfeitos como o Pai é perfeito. (FERREIRA; MYATT, 2008, p. 239). Jesus deixa claro que Deus não é Pai de todas as pessoas. Segundo Jesus, quem rejeita o Filho é também rejeitado pelo Pai. Assim Deus não é Pai destas pessoas (Jo 8.44). Se fossem os filhos do Pai, então amariam ao Filho do Pai também. Mas, não sendo do Pai, eles não são capazes de ouvir, muito menos de amar ao Filho (Jo ). As obras das pessoas revelam quem é o seu Pai. Estes judeus, supostamente, tinham crido nele (Jo 8.31); mas era uma fé falsa, e Jesus revelou isso, ao mostrar que eles não o amavam (Jo 10.42), mas sim queriam matá-lo (Jo 10.37). Eles eram homicidas e mentirosos, como o pai deles, o diabo. (FERREIRA; MYATT, 2008, p. 241). Mas para que o ser humano se torne verdadeiramente filho de Deus, é preciso crer em Jesus Cristo. Os seres humanos estão mortos em seus pecados e, a partir do momento que nascem novamente (conversão), tornam-se filhos de Deus. Esta transformação operada na vida do ser humano, unicamente por Deus, traz o homem a um profundo relacionamento com o Criador. (CHAFER, 1974, p ). A partir desta mudança de vida, o próprio Espírito Santo dá testemunho de que o convertido é filho de Deus (Rm ). É também através do Espírito que o cristão consegue ter acesso a Deus com a intimidade de chamá-lo de Pai. (FERREIRA; MYATT, 2008, p. 242). Abba é a palavra aramaica para Papai, um termo de grande intimidade e respeito afetuoso. Normalmente é a primeira palavra que uma criança proferia, mas os adultos poderiam usá-la para seus pais também... Talvez porque insinua tal intimidade, os judeus nunca a usaram [como menção] acerca de Deus. (FERREIRA; MYATT, 2008, p. 242). 4. IMPLICAÇÕES DA PATERNIDADE DIVINA 8 4.1 Para Jesus Em primeiro lugar, existe amor paternal para com Jesus (Jo 5.20; 15.9). Em segundo lugar, existe comunhão entre o Pai e o Filho; portanto, neste sentido, a paternidade implica companhia (Jo 16.32; 8.29). Em terceiro lugar, o Pai exerce autoridade. Ele ordena, e o Filho obedece e cumpre. Jesus disse que ele veio para fazer a vontade do Pai (Jo 6.38; ; 4.34). Em quarto lugar, o Pai quer exaltar o Filho, e o Filho exalta o Pai (Jo 17.1; 5.22). (FERREIRA; MYATT, 2008, p. 245). É importante ressaltar que a Paternidade, quando se reporta à relação entre a Primeira e a Segunda Pessoa da Trindade, tem nuances únicas. Jesus sempre destaca esta distinção, ao declarar o Meu Pai e vosso Pai (Jo 20.17). Na Sua invocação paternal Jesus situa-se no seio de uma filiação especial. Com o vocativo Abba, a revelação de Deus adquire contornos de novidade que qualificam o Filho, na realidade, na Sua condição de Filho num sentido absolutamente singular. Parece inegável que esta filiação de Jesus se exprime como verificável em termos de conhecimento com toda a riqueza que a acepção bíblica do termo comporta que Ele próprio tem do Pai. Este conhecimento deriva do conhecimento que o próprio Pai Lhe faculta: tudo me é transmitido por Meu Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e Aquele a quem O dá a conhecer (Lc 10,21-22; Mt 11,25-27). (BRUCE, 2008, p.1748). 4.2 Para os cristãos Há pelo menos duas implicações diretas e importantes no que se refere ao fato de os cristãos serem filhos de Deus: 1) por serem filhos significa que eles têm um profundo relacionamento com o Pai (pelo menos deveriam ter). O verdadeiro sinal que identifica o cristão como filho de Deus é a intimidade, e não a obediência. A obediência é consequência de uma vida próxima de Deus. Esta ideia vai em direção ao tema salvação pela graça e não pelas obras. A obediência e o serviço são essenciais na vida cristã, mas mesmo um descrente pode obedecer formalmente e de forma legalista. (FERREIRA; MYATT, 2008, p.245). 2) Como filhos, os cristãos são objetos de amor. A expressão do amor
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