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A PERDA DA MAGIA NA MÚSICA - Artigo Escrito Por Miles Hoffman e Traduzido Por Marcos de Menezes

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Is an essay writte by the musician Milles Hoffman The Lost of Magic in Music ,translated by brazilian neoromantical composer Marcos de Menezes in portuguese language.
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  A Perda da Magia na Música  –  Miles Hoffman (2005) Tradução para o português brasileiro por Marcos de Menezes (2015) 1    A PERDA DA MAGIA NA MÚSICA  Título srcinal: Music´s missing magic, Miles Hoffman, 2005.   http://archive.wilsonquarterly.com/essays/music-without-magic.  Tradução para o português brasileiro (autorizada pelo autor) de Marcos de Menezes, 2015. http://concertodascoisas.blogspot.com.br/p/a-perda-da-magia-na-musica.html Nós esperamos da música nada menos do que ela dê sentido a nossas  vidas. E, por séculos, a música clássica ocidental fez exatamente isso. Mas, no século XX, muitos compositores se dirigiram por um novo e menos satisfatório caminho e não está claro se a música irá um dia reaver o que ela perdeu.  Em 1817, Franz Schubert musicou versos do poeta Franz von Schober (em uma canção intitulada “À Música”) que, em português diriam algo assim:   Oh arte graciosa, em quantas horas cinzentas, quando a órbita feroz da vida me acercava, você iluminou gentilmente meu coração para o calor do amor, e me convidou para um mundo melhor. Geralmente com um suspiro, emitido por uma harpa, um doce e bendito acorde, escancarou o céu para tempos melhores; Oh arte graciosa, por isso eu te agradeço!     A canção de Schubert pode ser a mais bela nota de gratidão jamais escrita, mas é também algo mais. É um credo, uma declaração de fé no maravilhoso poder da música, e por sua natureza, uma afirmação de seus poderes. Nós podemos  vê-la também como uma afirmação de esperanças. O poeta agradece à música pelo que ela fez por ele, mas nada há em suas palavras que possa nos sugerir que os poderes da música estariam exauridos. Ademais, o nobre e exaltado caráter da música de Schubert deveria nos levar a acreditar que os poderes da música seriam nada menos que eternos e eternamente confiáveis.  A Perda da Magia na Música  –  Miles Hoffman (2005) Tradução para o português brasileiro por Marcos de Menezes (2015) 2   Mas, exatamente como essa nossa graciosa arte exercita seu poder? Como ela nos conforta, encanta e ilumina nossos corações? Nós devemos iniciar nossa busca por respostas posicionando duas questões fundamentais: uma dor fundamental e uma busca fundamental. A dor fundamental é a de nossa condição humana: a solidão. Nenhuma surpresa aqui: nascemos sozinhos, estamos solitários em nossa consciência, morremos sozinhos e, quando pessoas por nós amadas morrem, somos deixados sós. E a dor, ela mesma, incluindo-se a dor física, isola-nos e nos faz sentirmos ainda mais sozinhos, completando um círculo vicioso. Nossa busca fundamental - de forma alguma desligada de nossa solidão - é a questão do significado, a busca por dar sentido ao nosso tempo na Terra, de fazer o tempo em si mesmo ter sentido. Onde a música entra nisso? Música é, simultaneamente, um bálsamo para a solidão e uma poderosa e renovável fonte de sentido - sentido no tempo e sentido para o tempo. A primeira coisa que a música faz é banir o silêncio. O silêncio é de uma só vez uma metáfora para a solidão e é a solidão em si mesma: é a solitude dos sentidos. A música supera o silêncio, substitui-o. Ela nos provê de uma companhia ao ocupar nossos sentidos e, através de nossos sentidos, nossa mente e nossos pensamentos. Ela tem, quase que literalmente, uma presença. Sabemos que o som e o toque são os únicos estímulos sensoriais que literalmente nos afetam, e que fazem partes de nós se moverem: ondas sonoras fazem as fibras finas em nosso ouvido interior vibrarem e, se as ondas sonoras forem suficientemente fortes, elas podem fazer todo o nosso corpo vibrar, Nós podemos mesmo dizer que, sobretudo, o som é uma forma de toque e que, de um jeito particular, a música é capaz de nos atingir e nos abraçar. Uma forma de nos confortarmos quando estamos sós, está em sentir que ao menos alguém nos compreende e entende o que estamos passando. Quando sentimos a simpatia de alguém e, especialmente, quando sentimos sua empatia, nós experienciamos o companheirismo e não mais nos sentimos sozinhos. E, por mais estranho que isso pareça, a música pode prover empatia. A estrutura da música, sua essência natural - com vários eventos simultâneos, complexos, surpreendentes e intervenientes, associações, referências ao passado e ao futuro ocorrendo - é um espelho exato da psique, do complexo entrelaçamento de nossas emoções. Isso faz dela um modelo perfeito no qual podemos projetar nossos complexos pessoais de emoções. E quando fazemos  A Perda da Magia na Música  –  Miles Hoffman (2005) Tradução para o português brasileiro por Marcos de Menezes (2015) 3   essa projeção, nós escutamos na música nossas próprias emoções - ou as imagens e memórias de nossas emoções - refletidas de volta. E porque essa reflexão é tão acurada, nós nos sentimos compreendidos. Nós nos reconhecemos e nos sentimos reconhecidos. É uma forma de ilusão, mas é uma bela e confortadora ilusão. E, de fato, não é inteiramente uma ilusão, porque mesmo que as especificidades humanas possam diferir, nós compartilhamos os mesmos tipos de emoções. Nós todos conhecemos o amor, a perda e a espera e, em medidas distintas, nós todos conhecemos a alegria e o desespero. Enfim, nós estamos conectados com o compositor musical por nossa humanidade em comum. E se um compositor houver encontrado uma forma comovente de expressar suas próprias emoções, então, em certa medida, esse compositor não poderá evitar igualmente expressar e tocar as nossas emoções. Não deve ser esquecido em meio a essas considerações psicológicas aquilo que  Joseph Conrad chamou a inexaurível alegria que reside na beleza   . A beleza pura da música nos eleva e nos traz esperança, relembrando-nos, em nossos momentos sombrios e em nossas horas cinzentas, de que a vida pode ainda sustentar sonho e beleza. Ademais, o exato mo(vi)mento da música, seu movimentar rítmico no tempo, carrega inevitáveis associações com a vida, com suas forças positivas e sentimentos. Vida é movimento e movimento é  vida. Jubilosamente, a música pode literalmente nos fazer voltar à ação quando estivermos atordoados ou calados pela tristeza. Eu disse movimento através do tempo   ? Ah, o tempo... Ele passa na música. Mas não sem proposito, não sem razões, não sem... significado. E esse é justamente o ponto: a música dá significado ao tempo. Se todos os elementos e eventos que surgem e interveem em uma peça de música realmente significam alguma coisa, se eles nos relembram, refletem, confortam, inspiram ou excitam - então, por definição, o tempo que se gasta para eles acontecerem também significa alguma coisa. Quando eu tocava na  National Symphony Orchestra em Washington, D.C., anos atrás, eu usava regularmente uma pequena brincadeira. Ante de começarmos um movimento lento sinfônico, eu  virava para meu colega de palco e dizia, Vejo você em 45 minutos   . Uma boa peça de música precisa durar certa quantidade de tempo: não há saída. E embora isso possa ser apenas um pequeno fragmento auto contido de tempo, um pequeno mundo em si mesmo, dentro desse fragmento o tempo é usado, arranjado e manipulado de forma a que essa passagem de tempo faça sentido.  A Perda da Magia na Música  –  Miles Hoffman (2005) Tradução para o português brasileiro por Marcos de Menezes (2015) 4   Eu tenho um amigo que gosta de falar que levou mil anos para se inventar o acorde de Dó maior. O sistema de escrita musical claramente definido em escolas maiores e menores é chamado Tonalismo, ou harmonia tonal, e a música escrita nesse sistema é chamada de música tonal. Nós podemos apenas imaginar como a música antiga realmente soava (e meu amigo exagera), mas nós sabemos que desde os primórdios do Canto Gregoriano, algo em torno de 600 D.C., levou-se cerca de mil anos para o Tonalismo evoluir e conseguir aceitação geral. Ao redor de 1700, ele havia atingido a posição de incontestável supremacia na música ocidental. O que significa para uma obra estar em um tom ? Bem, quando uma peça está no tom de Dó maior, por exemplo, isso significa que o acorde de Dó maior funciona como a fundamental, o centro harmônico de gravidade da obra. Uma peça em Dó maior vai estabelecer a harmonia em Dó Maior no início (usando as notas do acorde de Dó maior) e retornar a ela indubitavelmente ao final. Em termos técnicos, a harmonia da nota central ou fundamental é chamada de tônica , e a força gravitacional da tônica - incorporada no sistema e inteligentemente explorada pelo compositor, mesmo que ele não esteja consciente dela - é inexorável. Entretanto, entre o seu início e o fim, uma obra tonal irá inevitavelmente atravessar varias outras harmonias, maiores e menores. Essas harmonias não se sucedem de forma aleatória: elas são ordenadas em progressões, uma harmonia levando a outra, às vezes de forma previsível, outras vezes de forma inesperada e surpreendente. E o mais importante aspecto dessas progressões - na verdade, aquilo que define qualquer música tonal - são os acordes dissonantes, que contem sons inquietantes e incômodos, sempre levam eventualmente a acordes consonantes, que agradam aos ouvidos . Devo enfatizar imediatamente que as qualidades agradáveis dos acordes e intervalos consonantes, e o poder das relações tonais em geral, não são construções arbitrárias. Elas foram estabelecidas empiricamente ao longo dos séculos. Elas estão firmemente estabelecidas nas leis da física acústica, tendo nisso as frequências das notas em hertz (e um fenômeno natural chamado série harmônica ou série de harmônicos) um papel de vital importância. Isso explica porque Leonard Bernstein, em suas aulas na Harvard University em 1973 (publicadas em um livro intitulado “A pergunta sem resposta”), devotou um tempo considerável para a discussão da série harmônica, e o porquê de ele
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