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A Psicomotricidade no Processo de Inclusão

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A Psicomotricidade no processo de Inclusão Dayse Campos de Sousa Breve histórico da psicomotricidade “A história do saber da psicomotricidade, representada já um século de esforço de ação e de pensamento, a sua cientificidade na era da cibernética e da informática, vai-nos permitir certamente, ir mais longe da descrição das relações mútuas e recíprocas da convivência do corpo com o psíquico. Esta intimidade filogenética e ontogenética representam o triunfo evolutivo da espécie humana, um longo
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  A Psicomotricidade no processo de Inclusão Dayse Campos de Sousa Breve histórico da psicomotricidade “A história do saber da psicomotricidade, representada já um século de esforço de ação e de pensamento, a sua cientificidade na era da cibernética e da informática, vai-nos permitir certamente, ir mais longe da descrição das relações mútuas e recíprocas da convivência do corpo com o psíquico. Esta intimidade filogenética e ontogenética representam o triunfo evolutivo da espécie humana, um longo passado de vários milhões de anos de conquistas psicomotoras  ”  .(Fonseca1988, p.99). O corpo humano sempre foi valorizado, desde a Antigüidade. Nacultura grega havia o culto excessivo do esplendor físico. Ao corpo, eraconferido um lugar de destaque, constatável nas esculturas de mármore,sempre presentes nos estádios ou locais de cultos. Ainda que a tônica fosse odualismo corpo-alma, o movimento já era motivo de estudos e, relativamente,as emoções passaram e não ser mais negadas, adquirindo cunho próprio; masa força do homem estava justamente em poder controlar suas emoções, ouseja, evitar que essas emoções aflorassem.Os filósofos da época, como Platão, professavam uma concepção clássica do corpo, “um lugar de transição da existência do mundo de uma alma imo rtal”. Platão apr  esenta a dicotomia entre psico - motricidade pela cisãoentre o corpo e a alma, como foi considerada na antigüidade, afirmando umdualismo radical dentro do ser humano, existindo assim duas realidades. Ohomem é alma e corpo, mas é a alma que domina, que é a parte mestra, oprincípio e a finalidade. Para os gregos o corpo expressa a beleza da alma, asaúde do corpo é uma virtude.Descartes afirma a dualidade corpo e alma, na organização de doiseixos de reflexão e análise: uma fisiologia para o corpo e uma teoria de paixões para a alma. “É a alma que dá ordens ao corpo e comanda seus movimentos”.  O corpo passa a ter vida própria, mas influenciado pelas paixões. A teoria doindivíduo livre e voluntário diz respeito a um ser que domina suas reaçõescorporais e cuja força reside no controle que exerce sobre as paixões.Apesar de todo o peso do pensamento romântico, foi sobre asombra de uns pensamentos racionais e dicotômicos, no que tange às noçõesde corpo e mente, que a psicomotricidade surgiu no final da modernidade. Noentanto, o percurso desta ciência vai sendo marcado pelas diferentesconcepções que o homem vai construindo acerca do corpo, ao longo dahistória, sob a influência de movimentos como o romantismo, movimentohumanista e, como veremos mais adiante, a psicanálise.No início do século XX, a psicomotricidade é caracterizada peloparalelismo psicomotor, vestígios de um imperialismo neurológico. Apaternidade fica para Dupré, psiquiatra francês que, em 1907, formulou anoção de psicomotricidade, através de uma linha filosófica psiquiátrica,evidenciando o paralelismo psicomotor, ou seja, a associação estreita entre odesenvolvimento da motricidade, inteligência e afetividade. A patologia cortical,a neurofisiologia e a neuropsiquiatria são conhecidas como as três vias deacesso do conceito de psicomotricidade.O paralelismo psicomotor define-se como uma tentativa desuperação ao dualismo cartesiano (mente e corpo). Levin (1995) fala doprimeiro corte epistemológico. Nessa etapa, a influência da neuropsiquiatria édeterminante numa clínica centrada no aspecto motor e num corpoinstrumental, uma ferramenta de trabalho para o reeducador que se propõe aconsertá-lo. Eram propostos ao sujeito uns modelos de exercitações: exercíciospara educar a atividade tônica (exercícios de mímica, de atitudes e deequilíbrio), a atividade de relação e o controle motor (exercícios rítmicos, decoordenação e habilidade motora, e exercícios que tendem a diminuirsincinesias).Morizot (1984) nos fala que a partir da década de 30, começaram aser incorporadas outras noções, decorrentes de pesquisas no campo dapsicologia e da psicanálise e, que, apenas como citação, recorda ascontribuições de Charcot que se interessava pela função motora, para fazerdela a base da patologia psiquiátrica. Das contribuições de Head na sua  abordagem do esquema corporal; de Schilder com sua visão psicanalítica daimagem do corpo e, a importância de Gesell e as contribuições de Wallonsobre os aspectos psicofisiológicos da vida afetiva, a consciência corporal, arelação intrínseca tônus-emoção. O propósito deles foi definir a realidade do fenômeno da “consciência de si”, que se manifesta como consciência de seu corpo e que permite a auto-apreensão em face dos outros.Em 1935, impulsionado pelas obras de Wallon, Edouar Guilmaninicia a prática psicomotora que estabelece, por meio de diferentes técnicasprovenientes da neuropsiquiatria infantil, a reeducação psicomotora, que sãoexercícios para reeducar a atividade tônica, a atividade de relação e o controle motor. Esta primeira aproximação “prática” entre a conduta psicomotora e o caráter da criança foi utilizado posteriormente, como modelo para diferentesreeducações pedagógicas e psicomotoras, como, por exemplo, na Argentina,por Dalila M. Costalat. Era um trabalho dirigido a crianças que apresentavamdéficit em seu funcionamento motor e não governavam eficazmente seu corpo,o que ocasionava uma serie de problemas em seu meio social.Na Alemanha, em 1942, Kofka, Kohler e os psicólogos da Gestaltinteressaram-se pelos mecanismos da percepção. Os trabalhos de Schultz oude Jacobson que definiram os primeiros métodos de relaxação e ospsicopedagogos que estudaram os desenvolvimentos sensório-motores dacriança, como Claparède, Montessori e Piaget na área da psicologia evolutiva,propiciaram uma melhor compreensão no desenvolvimento da criança.Os trabalhos de Henri Wallon (1925), apud Fonseca (1988)forneceram observações definitivas acerca do desenvolvimento neurológico dorecém-na scido e da evolução psicomotora da criança. Wallon diz que “omovimento é a única expressão e o primeiro instrumento do psiquismo”. Wallon apud Camus (1986), estuda a relação entre motricidade e caráter,diferentemente de Dupré, que correlacionou a motricidade com a inteligência.Essa diferença permite a Wallon relacionar o movimento ao afeto, a emoção aomeio ambiente e aos hábitos da criança. Para Wallon o conhecimento, aconsciência e o desenvolvimento geral da personalidade não podem serisolados das emoções. A partir de sua obra foi possível construir, pela síntesede muitas correntes e teorias, uma técnica terapêutica nova, cujo objetivo era a  reeducação das funções motoras perturbadas. Sua obra continuou durantedécadas a influenciar a investigação sobre crianças instáveis, impulsivas,emotivas, obsessivas, apáticas, delinqüentes, a diversos campos de formaçãocomo psiquiatria, psicologia e pedagogia. Wallon foi o principal responsávelpelo nascimento do movimento de reeducação psicomotora, que foi conduzidomais tarde por J. de Ajuriaguerra e Gizele Soubiran, (1983)Wallon realizou um trabalho importante sobre os aspectospsicofisiológicos da vida afetiva, a consciência corporal, a relação intrínsecatônus-emoção, que chama de diálogo tônico, assinalando que a atividade derelação e a atividade postural têm, em sua srcem, uma raiz comum. AindaWallon estudou, em 1945, os prelúdios psicomotores do pensamento edescreveu os estágios do desenvolvimento.Julian de Ajuriaguerra e R. Datkine, 1947/48, na França apudFonseca (1988) provocaram uma mudança na história da psicomotricidade,com as primeiras técnicas reeducativas vinculadas aos distúrbiospsicomotores. Nessa época, Ajuriaguerra atualiza o conceito depsicomotricidade, associando-o ao movimento. Em seu manual de Psiquiatria Infantil, Ajuriaguerra delimita com clareza os transtornos psicomotores, “queoscilam entre o neurológico e o psiquiátrico”. Com essas contribuições, a psicomotricidade se diferencia de outras ciências e adquire sua própriaespecificidade e autonomia. Ajuriaguerra com suas novas concepções teóricaspassa para a história da psicomotricidade como o único que conseguiu romperefetivamente com o imperialismo neurológico e com o conceito de paralelismopsicomotor de Dupré.Em 1960, na França, a Universidade de Salpêtriere confere ocertificado da capacidade em reeducação da psicomotricidade sob a açãocientífica de Wallon. Posteriormente, citando os neurologistas como: Rybot,Bonnier, Picq, Head, Schilder e outros, Wallon, através do conceito doesquema corporal, introduz dados neurológicos nas suas concepçõespsicológicas, diferenciando-se de Piaget que também muito influenciou nateoria e prática da psicomotricidade.Piaget foi um dos autores que mais estudou as inter-relações entre amotricidade e a percepção, através de ampla experimentação. Ele considera
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