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A Representação Da Linguagem e o Processo de Alfabetização

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  A Representação da Linguagem e o Processo de Alfabetização O objetivo do texto é analisar o processo de construção darepresentação da linguagem e suas implicações pedagógicos diante do cenáriode alfabetização de crianças, pensando a linguagem escrita em termos denatureza do objeto. ogo, no processo de alfabetização !averia uma tr adeenvolvendo o método de ensino, centrado na figura do professor, o estado deprontidão da criança #ue aprende e a concepção teórica de escrita. $ linguagem escrita apresenta duas concepções #ue impactam a práticapedagógica% a escrita pode ser vista como um sistema de representação dalinguagem ou como um código de transcrição gráfica de sons, ambas asconcepções diferenciam o método com o #ual o con!ecimento se constrói naalfabetização. &ara #ue se construa uma representação da linguagem, algunselementos são necessários% a diferenciação de elementos, relaçõesrecon!ecidas no objeto e a seleção de elementos e relação #ue serão retidasna representação, assim sendo, uma representação ' possui e exclui algumasdas propriedades e relações prop cias a uma realidade (. O v nculo entra elaspode ser analógico ou arbitrário.)ão se deve comparar a criação de um sistema de comunicaçãoalternativo com a construção de um sistema de representação, no primeirocaso, as relações já estão predeterminadas. )a construção de umarepresentação nem os elementos nem as relações estão predeterminadas. *ma vez constru do, poder+se+ia pensar #ue seria aprendido pelosnovos usuários como um sistema de codificação, contudo não é assim. $dificuldade encontrada pelas crianças no in cio da escolarização sãoconceituais semel!antes s construções dos sistemas. $ partir dessadificuldade apresentada pela autora, surge um problema de ordemepistemológica% #ual seria a natureza da relação entre o real e a suarepresentação-)a escrita, a natureza complexa do signo lingu stico dificulta a escol!ados parmetros, com as obras de /aussure concebeu+se o signo lingu stico  como uma união indissociável entre o significante e significado, mas não seavaliou tal pressuposição no sistema de escrita.)o sistema alfabético e no silábico o intuito é representar as diferençasentre os significantes e no sistema ideográfico de escrita, intenção érepresentar as diferenças nos significados, contudo nen!um dos sistemasconsegue manter o caráter bifásico do signo lingu stico.)a ação educadora, as duas formas de se conceber a linguagem geraposturas pedagógicas distintas% entender a escrita como a representaçãográfica dos sons é assumir um caráter discriminatório tanto visual #uantoauditivo, a linguagem não pode ser um contraste de sons, isso consistiria naseparação do significante do significado, e seu aprendizado estaria ligado aoensino de uma técnica. 0onsiderando a linguagem como um modo derepresentação implica no con!ecimento e compreensão das regras #ue acompõe, o seu aprendizado estaria vinculado ao ensino de um novocon!ecimento conceitual. A concepção das crianças acerca do sistema de escrita  $ espontaneidade é um dos indicadores utilizados pelas crianças paraentender a natureza da escrita, assim sendo, #uando uma criança escreve daforma com a #ual ela acredita ser a 1correta2, nos fornece um material rico e#ue precisa ser analisado e compreendido teoricamente./e pensarmos #ue a criança aprende só #uando é submetida a umensino sistemático, e #ue a sua ignorncia está garantida até #ue receba taltipo de ensino, nada poderemos enxergar. 3...4*ma criança pode con!ecer o nome 5ou o valor sonoro convencional6das letras, e não compreender exaustivamente o sistema de escrita.7nversamente, outras crianças realizam avanços substanciais no #ue dizrespeito  compreensão do sistema, sem ter recebido informação sobre adenominação de letras particulares.O modo tradicional de se considerar a escrita infantil consiste em seprestar atenção nos aspectos gráficos dessas produções, ignorando aspectosconstrutivos. Os aspectos gráficos  t8m a ver com a #ualidade do traço, adistribuição espacial das formas, a orientação predominante 5da direita para a  es#uerda, de cima para baixo6, a orientação dos caracteres individuais5inversões, rotações etc.6 Os aspectos construtivos t8m a ver com o #ue se#uis representar e os meios utilizados para criar diferenciações entre asrepresentações.9á uma distinção entre o modo de representação ic:nico e não+ic:nico;ao desen!ar se está no dom nio do ic:nico, as formas dos grafismos importampor#ue reproduzem a forma dos objetos. $o escrever se está fora do ic:nico%as formas dos grafismos não reproduzem a forma dos objetos, nem suaordenação espacial reproduz o contorno dos mesmos. &or isso, tanto aarbitrariedade das formas utilizadas #uanto a ordenação linear das mesmassão as primeiras caracter sticas manifestas da escrita pré+escolar.)a construção de formas de diferenciação 5controle progressivo dasvariações sobre os eixos #ualitativo e #uantitativo6 as crianças dedicam umgrande esforço intelectual na construção de formas de diferenciação entre as escritase é isso #ue caracteriza o per odo. <sses critérios intra+figura se expressam, sobre o eixo #uantitativo, comoa #uantidade m nima de letras #ue uma escrita deve ter para #ue 1diga algo2 e,sobre o eixo #ualitativo, como a variação interna necessária para #ue umasérie de grafias possa ser interpretada 5se o escrito tem 1o tempo todo amesma letra2, não se pode ler, ou seja, não é interpretável6. $ fonetização da escrita 5#ue se inicia com um per odo silábico e culminano per odo alfabético6 é  o passo #ue se caracteriza pela busca de diferenciaçõesentre as escritas produzidas, precisamente para 1dizer coisas diferentes2.  $ coordenação dos dois modos de diferenciação 5#ualitativos e#uantitativos6 é tão dif cil a#ui como em #ual#uer outro dom nio da atividadecognitiva.  $s concepções sobre a l ngua subjacentes  prática docente = >til se perguntar através de #ue tipos de práticas a criança éintroduzida na l ngua escrita, e como se apresenta este objeto no contextoescolar. 9á práticas #ue levam a criança  convicção de #ue o con!ecimento éalgo #ue os outros possuem e #ue só se pode obter por meio de terceiros, semnunca participar na construção do con!ecimento. 9á práticas #ue levam apensar #ue o con!ecimento já está estabelecido, como um conjunto de  informações fec!adas, sagradas e imutáveis. 9á práticas #ue levam a #ue osujeito 5neste caso a criança em alfabetização6 fi#ue de 1fora2 do con!ecimentocomo espectador passivo ou receptor mecnico, sem encontrar respostas aos1por#u8s2 nem se atrever a formular #uestões em voz alta.)en!uma prática pedagógica é neutra. ?odas estão apoiadas emdeterminado modo de conceber o processo de aprendizagem e o objeto dessaaprendizagem.<m primeiro lugar, a visão #ue um adulto, já alfabetizado, tem dosistema de escrita; )ão !á forma de recuperar por introspecção a visão do sistemade escrita #ue tivemos #uando éramos analfabetos. /omente o con!ecimento daevolução psicogenética pode nos obrigar a abandonar uma visão adultoc8ntrica doprocesso.  $ relação entre escrever e desen!ar letras se apoia em uma visão doprocesso de aprendizagem segundo a #ual a cópia e a repetição dos modelosapresentados são os principais procedimentos para a obtenção de resultados. $ análise detal!ada de algumas das muitas crianças #ue são copistasexperientes, mas #ue não compreendem o modo de construção do #ue copiamé o mel!or recurso para problematizar a srcem desta confusão entre escrever e desen!ar letras. $ redução do con!ecimento do leitor ao con!ecimento das letras e seuvalor sonoro convencional. Os adultos já alfabetizados t8m tend8ncia a reduzir ocon!ecimento ao leitor ao con!ecimento das letras e seu valor sonoro convencional. 7magine ler um texto em árabe, japon8s ou !ebraico% $ primeira reação éde rejeição% como ler se não con!ecemos essas letras- <m alguns casos, aorientação da escrita não está clara e se buscam indicadores para poder decidir 5por exemplo, ver aonde acaba um parágrafo e começa o seguinte6.O con!ecimento da l ngua escrita não se reduz ao con!ecimento dasletras.*)7@<(/7A$A< </?$A*$ &$*7/?$
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