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A Rítmica Musical - Uma Estratégia Na Prática Do Estágio...

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  1    A rítmica musical: uma estratégia na prática do estágio supervisionado em Educação Especial  Maria Luiza Feres do Amaral   liza.amaral@hotmail.com  Ian Ricardo Carvalho Keil ianguitarras@gmail.com  Ricardo Rocha Passos kadorrp@hotmail.com  Mônica Zewe Uriarte uriarte@univali.br Universidade do Vale do Itajaí Resumo.  Este artigo configurou-se a partir da disciplina de Estágio Supervisionado - Pesquisa da Prática Pedagógica, do quinto período do curso de licenciatura em Música da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, realizado com alunos portadores de necessidades especiais da OFARTE em Itajaí, SC, cuja faixa etária abrange alunos de 10 a 50 anos de idade. A temática sobre a relação educação musical e educação inclusiva, surgiu devido à carência de materiais didáticos e bibliográficos sobre o tema. Sendo assim, decidiu-se realizar uma pesquisa–ação com a utilização do ritmo folclórico do boi- de - mamão como proposta metodológica, partindo do principio que a educação musical deve ser iniciada pela conscientização rítmica através da  percussão corporal. A escolha deste tema folclórico buscou difundir essa tradição bastante  peculiar no litoral catarinense, acreditando que a busca por elementos do cotidiano dos alunos favorece a interação professor/aluno, assim como, a identificação e familiaridade, muito necessárias para trabalhos em escolas de educação especial. Essa pesquisa teve como fundamentação teórica os educadores musicais Dalcroze e Orff, envolvidos com o ensino da música a partir do desenvolvimento rítmico. Durante as intervenções, os alunos puderam vivenciar as potencialidades do corpo como o movimento, a concentração, e de certa forma a independência motora, pois acreditamos que o ritmo é o elemento musical que favorece a sensibilidade, bem como a percepção do coletivo. Palavras-chave:  educação, rítmica corporal; boi- de- mamão. Primeiros passos Muito se comenta que há diferentes princípios, formas e processos de observação que poderiam ajudar no ensino de crianças especiais. Quanto mais conhecimento o professor tem acerca do estudante, maior é a adequação de suas  propostas de ensino e a sua segurança para promover o desenvolvimento de seus alunos. (BIRKENSHAW-FLEMING apud JOLY, 1993, p. 80). O objetivo central desta pesquisa foi investigar a utilização de determinados  procedimentos e estratégias em educação musical no universo da educação inclusiva, através de uma metodologia envolvendo jogos e brincadeiras, os quais proporcionam de XVII ENCONTRO NACIONAL DA ABEM DIVERSIDADE MUSICAL E COMPROMISSO SOCIAL O PAPEL DA EDUCAÇÃO MUSICAL SÃO PAULO, 08 A 11 DE OUTUBRO DE 2008IMPRIMIRFECHAR  2   maneira prazerosa, o desenvolvimento cognitivo musical e corporal dos sujeitos inseridos no processo. Desta forma, algumas questões foram levantadas: há diferença significativa no processo ensino-aprendizagem de música para alunos com necessidades especiais? Temos princípios, olhares e propostas específicas para esse grupo educacional? De que maneira deve ser concebida a aula de música? Existe uma estreita relação entre música, educação e as pessoas com necessidades especiais. Assim, as atividades musicais têm papel importante na formação e no desenvolvimento do individuo como um todo, justificando sua inclusão no contexto educacional e social. Muitas manifestações artísticas, especialmente a música, aparecem com predominância em relatos de experiências e de pesquisas, como  propulsora de aspectos relacionados com a qualidade de vida e na mudança de comportamento de pessoas portadoras de necessidades especiais. Para entendermos essa relação, o conceito de saúde nos serviu de suporte, a saber: segundo o dicionário médico: Saúde é o estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e seu ambiente, o que mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais, o estado relativamente persistente, em que o individuo consegue integrar as suas tendências instintivas, de maneira razoavelmente satisfatória.” (BLAKISTON, 1979, p. 254). Tendo como referência estes conceitos, podemos dizer que saúde não significa apenas a ausência de doenças, mas uma sensação de bem estar geral, envolvendo condições físicas, mentais, emocionais e espirituais do ser humano e do seu meio ambiente. A música pode provocar ou expressar diversos estados de espírito como a angústia, felicidade, relaxamento e agitação, por isso ela possibilita ao individuo momentos de reflexão exercendo uma força dinâmica capaz de organizar e impulsionar o movimento. Unido ao ritmo, o som pode induzir e/ou auxiliar na ação. Segundo Correia: O som e, conseqüentemente a música, tem um impacto direto sobre as funções motoras e o sistema vegetativo passando a construir um valioso instrumento auxiliar no diagnóstico médico e na promoção do desenvolvimento de potencialidades físicas, mentais, emocionais e sociais do homem. (CORREIA, 2001, p.38).  3   Partindo dessa realidade, buscou-se problematizar o ensino de música para alunos especiais e analisar condições que garantissem o acesso dos mesmos a uma formação qualificada.  A rítmica musical: uma experiência a partir de Dalcroze e Orff O aprendizado da rítmica corporal e instrumental são elementos imprescindíveis em atividades musicais, do mesmo modo que a criação é importante para que os alunos  possam vivenciar de forma integral as informações e o conhecimento em música, realizada mediante avaliação continua e formativa. O ensino de música deve ser construído a partir do fazer musical e da realidade dos alunos, contemplando seus interesses, preferências e saberes, desenvolvendo habilidades, atitudes e valores considerados necessários para a formação do individuo como cidadão. (DEL BEN; HENTSCHKE, 2002, p. 50). Para Dalcroze e Orff, o ensino da música parte do desenvolvimento rítmico. Dalcroze coloca a rítmica, como uma linguagem corporal através da qual são relacionados os ritmos musicais, com papel de destaque na Educação Musical. Em sua experiência enquanto educador, percebeu que os alunos realizavam a música de forma mecânica, desprovida de sensibilidade, realizando os ritmos de forma artificial, levando o autor a criar em 1903 a Eurritmia. Esse método propõe a percepção rítmica através da sensibilidade, para que se distingam os componentes musicais como dinâmica, compasso, frase, entre outros. É desenvolvido pela repetição de exercícios e pelos ritmos naturais do corpo, além de que, aperfeiçoa a memória e enriquece o cérebro. O registro através do corpo propicia uma fixação profunda e racional da aprendizagem,  por isso é muito importante o aluno vivenciar todas as potencialidades do corpo com acuidade e concentração, para conseguir compreender e dominar com precisão os movimentos. (GOULART, 2004, p. 3). Para Orff, a base de seu método é o ritmo da linguagem, a palavra representa a célula geradora. O método Orff nos legou três importantes caminhos, a saber: o  primeiro refere-se à descoberta do ritmo da palavra em todo o seu potencial, o segundo diz respeito ao ritmo no corpo transformando-o num instrumento de percussão, e por ultimo, o uso do instrumental especifico. Somamos as estes três pilares, a valorização e o resgate do folclore, presente em todos os momentos, além da ênfase nos exercícios de criação e improvisação.  4   Partindo deste pensamento, uma das preocupações dos professores/estagiários, foi a de atrelar os conteúdos e atividades da aula de música com as atividades específicas, como os movimentos corporais e os instrumentos de percussão. Buscou-se dinâmicas de iniciação rítmica com uma abordagem adequada para familiarizar os alunos com esses conteúdos. Atividades que trabalharam a coordenação motora a partir do som e do silêncio em música, mencionando que a memória ocupou lugar de destaque neste trabalho, no qual vai se reduzindo o tempo de repetição e, conseqüentemente, enfatizando a reação. O trabalho iniciou com atividades que envolviam o pulso em andamentos lento, moderado e rápido, com subdivisões binárias e ternárias. Buscando suporte nas idéias de Villa-Lobos, para quem a música era um indispensável alimento da alma humana e fator imprescindível à educação da juventude, toda a organização do processo de desenvolvimento musical dos alunos, a preparação das atividades, bem como o processo de avaliação, esteve centrada em procedimentos e estratégias criativas, inovadoras, visando o bem estar, a evolução e principalmente nas condições, habilidades e dificuldades dos alunos portadores de necessidades especiais. Boi-de-mamão: uma prática metodológica O folguedo popular surgiu em Santa Catarina por volta de 1871 (FONTES, 1959, p. 154), e se caracterizou pela presença de um enredo dramático, utilizando  personagens como o vaqueiro Mateus, o doutor, a cabra, o urso e o próprio boi, que se tornaram representativos na tradição folclórica. Esta brincadeira acontece em vários estados brasileiros, e o Boi é um personagem que aguça o imaginário em diversas culturas, utilizando nomes distintos como Bumba meu Boi, Boi do Maranhão, entre outros. Sua música apresenta um compasso binário, dançante e alegre, tendo como instrumentos o pandeiro, sanfona, tambor, violão, entre outros. Desta forma, a nossa  proposta foi desenvolver uma percepção musical através do corpo, utilizando palmas  para marcação rítmica. As letras apresentam um a um os personagens da brincadeira e falam do cotidiano de maneira simples, possibilitando momentos para criação e improvisação. Relato de experiência 1: a Onça
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