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A(s) Ciência(s) de um Crime: Odontologia Forense

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A Odontologia Forense é um ramo da Medicina que se encarrega do estudo e análise de provas relacionadas a estrutura dentária e mordeduras, com o intuito de: ã…
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A Odontologia Forense é um ramo da Medicina que se encarrega do estudo e análise de provas relacionadas a estrutura dentária e mordeduras, com o intuito de: • identificar cadáveres ou restos humanos; • avaliação de mordeduras (no caso de existirem no cadáver); • determinação aproximada da idade de uma pessoa. A Odontologia Forense é um ramo da Medicina que se encarrega do estudo e análise de provas relacionadas com a estrutura dentária, com o intuito de: • identificar cadáveres ou restos humanos; • avaliação de mordeduras (no caso de existirem); • determinação aproximada da idade do cadáver. Para além do estudo da dentição são também estudadas marcas de mordidas existentes nos corpos, nos cadáveres ou em objectos. Contudo, hoje em dia, as provas odontológicas não são suficientes, por si só, para acusar alguém, sendo sempre aliadas a outras provas como o DNA. 2 O estudo odontológico não é recente – o primeiro julgamento baseado em provas odontológicas ocorreu no Texas em 1954, um caso de furto onde a única prova era um pedaço que queijo que tinha sido trincado. Após comparação com a dentição do acusado, veio-se a confirmar que o queijo tinha sido mordido pela mesma pessoa, tendo o réu sido julgado. Os objectos de estudo da odontologia são os dentes. Os dentes, originados a partir de uma mistura de células, são estruturas não-ósseas envolvidas na mastigação dos alimentos, sendo constituídas por: • Coroa: determina a função do dente (cortar, rasgar, moer, triturar); • Raiz: mantém o dente fixo ao maxilar, estando envolvida por osso e gengiva; • Esmalte: a camada mais externa da coroa dentária. Apesar da sua dureza é destruído pela acção dos ácidos que se podem formar na boca. • Cemento / Periodonto: é a porção mais externa da raiz dentária; permite a ligação entre o dente e o osso. 3 • Dentina: situada por baixo do esmalte e do cemento, possui tecido nervoso responsável pela condução dos estímulos dolorosos. • Polpa: tecido mole que se encontra no centro do dente, onde se situam o nervo dentário e os vasos sanguíneos do dente. O Homem ao longo do seu crescimento possui 2 dentições. • Dentição temporária (infantil) Surge nas crianças por volta dos 6 meses e completa-se por volta dos 2 anos. É constituída por 20 dentes: 8 incisivos, 4 caninos e 8 molares. • Dentição permanente (adulta) Surge por volta dos 5/6 anos e pode terminar por volta dos 22 anos. A maior parte dos dentes permanentes quando surgem substituem dentes temporários. Existem 32 dentes permanentes: 8 incisivos, 4 caninos, 8 pré-molares e 12 molares. 4 Visão do interior da boca 5 Na arcada dentária existem 4 tipos de dentes consoante a sua função:  Incisivos – 8 dentes e a sua função é cortar os alimentos.  Caninos – 4 dentes de forma pontiaguda são usados para rasgar a comida.  Pré-molares – 8 dentes com duas pontas aguçadas na sua superfície e servem para moer e triturar os alimentos.  Molares – um adulto tem, normalmente, 4 dentes molares; por serem os maiores são os que possuem maior capacidade mastigatória Tipos de Dentes  - incisivos  - caninos  - pré-molares  - molares                       6 Os dentes não são como impressões digitais, pois não são únicos desde o nascimento, pois são renovados por outros, podem ser removidos e alterados cirurgicamente; sendo por isso uma ferramenta menos precisa que as impressões digitais, mas com igual importância na resolução de crimes. O aparecimento e o crescimento dos dentes é feito de modo diferente em cada pessoa, consoante a sua etnia, os seus hábitos alimentares e de higiene, daí não ser possível generalizar características Raio-X à boca 7 Os dentes crescem em média 4 micrómetros (0,00004 cm) por dia, sendo assim possível realizar uma estimativa da idade do portador. A avaliação do tamanho dos dentes, por si só, não é suficiente para calcular a idade, sendo analisado um conjunto de características, posteriormente comparadas com valores-padrão:  cor do esmalte: torna-se mais amarelo/descolorado com a idade;  mineralização do dente: a quantidade de esmalte existente diminui com a idade; Raio-X dos pré-molares em diferentes estádios de desenvolvimento. A quantidade de esmalte vai diminuindo a partir da idade adulta, assim como o tamanho dos dentes. 8  ângulo da mandíbula: ângulo formado pela borda posterior da mandíbula inferior, com a linha da borda inferior da mandíbula superior aumenta com a idade;  grau de desgaste da coroa: a coroa vai passando por um conjunto de processos de desgaste, que podem ser associados a uma determinada idade. Variações do ângulo mandibular em função da idade. Da esquerda para direita: no recém nascido, no adulto e no velho Determinação da idade pelo grau de desgaste da coroa (que se inicia a partir dos 30 anos) devido à acção de ácidos e bactérias 9 Os dentes são muito úteis na identificação de cadáveres, em situações de grandes catástrofes, e a sua análise é por vezes a única maneira de identificar um cadáver. Por não existirem bancos de dados de dentes como os bancos de dados de impressões digitais ou DNA, os registos dentários dos dentistas são o modo como os dentistas forenses identificam os mortos. Um registo dentário intra vitam / ante mortem (feito durante a vida / antes da morte) deve conter: • nº de dentes • existência de cáries • restaurações feitas com amálgama, ouro • utilização de próteses, aparelhos ortodônticos • realização de cirurgias • alterações na posição, rotação dos dentes • deformações congénitas ou adquiridas Exemplo de diagrama utilizado em registos dentários 10 O esmalte do dente (a camada exterior) é a substância mais dura do corpo humano, por isso os dentes não sofrem decomposição, ao contrário dos restantes tecidos humanos. O esmalte pode também resistir a temperaturas acima de 1. 093°C, possibilitando que as vítimas de incêndios sejam identificadas pela sua arcada dentária. Intervenções como próteses parciais ou coroas de ouro que, apesar de, se deformarem com o fogo, podem ajudar na identificação. A durabilidade, a resistência e o fácil armazenamento dos dentes são uma vantagem em relação a uma amostra de DNA, que se degrada caso não esteja em determinadas condições de refrigeração. Arcadas dentárias superior e inferior removidas de um cadáver 11 Para identificar uma pessoa pelos dentes, o dentista forense deve possuir um registo do dentista da vítima, cedido pelo seu dentista pessoal. No caso de um incidente que envolva muitas mortes (terramotos, incêndios, tsunamis, guerras), os dentistas forenses recebem uma lista dos possíveis indivíduos e comparam os seus registos dentários, de forma, a encontrar combinações, sendo sido assim identificados os cadáveres. 12 O exame odontológico de corpos intactos, normalmente, exige a extracção cirúrgica das mandíbulas/maxilares, de maneira a proceder a uma comparação, o mais rigorosa possível. As comparações entre os dentes existentes e os registos dentários, cedidos pelos dentistas, são feitos através de raio-X, sendo este o melhor meio, existente na actualidade de fazer combinações; ou através do DNA existente na polpa (parte interna do dente). A identificação de indivíduos sem registos dentários é muito mais difícil, sendo pedido a familiares que façam o reconhecimento facial (caso a face esteja reconhecível) e o reconhecimento de características odontológicas (nº de dentes, tratamentos) da vítima. 13 Na identificação dos criminosos, são também analisadas marcas de mordidas (dentadas, mordeduras) existentes no corpo da vítima, ou no corpo do criminoso como marcas de defesa da vítima. A análise de mordidas é feita, também, por dentistas forenses, sendo este tipo de provas usado em conjunto com outras provas físicas, pois trata-se de algo muito complexo, com muitos factores condicionantes envolvidos. Define-se como marca de mordida a impressão causada, na pele, unicamente pelos dentes, das 2 arcadas dentárias ou de uma só. 14 O acto de morder constitui, para o agressor, a via para a máxima humilhação, dominação e controlo sobre a vítima; sendo a sua existência mais comum em crimes violentos, abusos e maus-tratos. São, também, um sinal de auto-defesa quando encontradas no agressor. Marcas de mordidas podem ser encontradas em qualquer parte do corpo (braços, pernas, barriga, nádegas) e também em objectos presentes no local do crime (comida). O movimento da mandíbula e da língua no acto da mordida, e o facto de o agressor e/ou a vitima estarem em movimento ou parados contribui para o tipo de marca deixada. A análise de marcas de mordidas é um processo muito complexo, devendo ser realizada o mais rápido possível, estando dependente de diversos factores: • tempo decorrido após a mordida; • existência de putrefacção / decomposição (a marca pode-se deslocar); • lividez do corpo (aparecimento de manchas arroxeadas após a morte, resultantes da acumulação de sangue); • existência de hematomas que podem ocultar as marcas de mordidas. 15  O primeiro passo na análise da mordida é identificá-la como humana. A dentição animal é muito diferente da humana, logo os padrões criados também serão diferentes. Dentição canina  Depois, a marca é esfregada com uma zaragatoa (cotonete) para recolher possível DNA que possa ter sido deixado na saliva do agressor (caso o DNA encontrado seja igual ao da vítima assume-se que foi uma mordida auto-infligida). Zaragatoa 16  Depois, os dentistas forenses medem cada marca e registam-na, através de fotografias e modelos 3D. São também solicitadas fotografias da marca (tiradas no local do crime) por causa da mudança natural das marcas: podem surgir hematomas (pequenas manchas arroxeadas de sangue, que tendem a surgir 4 horas após a mordida, e desaparecem 36h depois) que podem ocultar a mancha. Se a vítima estiver morta, o dentista talvez tenha de esperar até que a lividez do corpo diminua e torne os detalhes visíveis. As fotos das mordidas devem ser tiradas com precisão, usando diferentes espectros (Infravermelhos), réguas e outras escalas para descrever a orientação, profundidade e tamanho da mordida. As fotos são, então, ampliadas, realçadas e as distorções corrigidas. 17  No final desta etapa o dentista forense deve saber todas as características da dentada: localização;  tamanho;  forma;  orientação;  cor;  tipo de lesão;  existência de DNA.  De seguida, as marcas são reproduzidas através de moldes em gesso ou silicone, ou através de moldes virtuais 3D, de maneira a se proceder à comparação com as estruturas dentárias dos suspeitos (recolhidas previamente) e com a marca da mordida. Molde 3D virtual Molde em gesso Análise Odontológica EXISTÊNCIA DE DENTES NO LOCAL DO CRIME • Verificar se é um dente de leite ou definitivo; • Identificar o tipo de dente:  incisivo;  caninos;  pré-molares;  molares. • Reconhecer a que maxilar pertence: superior ou inferior; • Proceder ao estudo quanto à sua posição: arco central ou lateral. OCORRÊNCIA DE UMA MORDIDA Obtenção da evidência a partir da vítima Para uma correcta análise, devem ser incluídas todas as características da dentada (localização; tamanho; forma; orientação; cor; tipo de lesão, saliva depositada quando produzida). Obtenção da evidência a partir do suspeito Análise das estruturas dentárias dos suspeitos através de moldes (gesso, silicone, 3D) Comparação das evidências A partir dos moldes obtidos (da vitima e do criminoso) são feitas comparações: • Comparação positiva: o criminoso produz a mordida; • Comparação negativa: o criminoso não produziu a mordida; ou não existem dados suficientes para acusar o criminoso – comparação inconclusiva. 18 19 Bibliografia: • http://pessoas. hsw. uol. com. br/odontologia-forense. htm • http://en. wikipedia. org/wiki/Forensic dentistry#Background • http://science. howstuffworks. com/forensic-dentistry. htm • http://dizqueeumaespeciedecsi. blogspot. com/2009/02/odontologia-forense-parte-ii. html
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