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A semiótica no Processo de Design

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A semiótica no Processo de Design Semiotics in the design process Lamb, Marcos Bernardo; Ms; Universidade Federal do Rio Grande do Sul marcos.lamb@gmail.com Resumo Esse estudo delimita-se, pela análise de conceitos de semiótica e dos tipos de objetos de uso, a questão de como a semiótica está aplicada ao design e ao seu processo. Como os objetos do nosso dia-a-dia podem adquirir vários significados e que para uma compreensão desse cenário a semiótica é uma ferramenta a ser utilizada nesse proce
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  A semiótica no Processo de Design Semiotics in the design process  Lamb, Marcos Bernardo; Ms; Universidade Federal do Rio Grande do Sulmarcos.lamb@gmail.com Resumo Esse estudo delimita-se, pela análise de conceitos de semiótica e dos tipos de objetos de uso, aquestão de como a semiótica está aplicada ao design e ao seu processo. Como os objetos donosso dia-a-dia podem adquirir vários significados e que para uma compreensão desse cenárioa semiótica é uma ferramenta a ser utilizada nesse processo de design, pois mesmo se odesigner não conhecer a ciência da semiótica ao conceber um produto ele estará produzindoum signo. Porém, o designer deve saber para quem está projetando para conceber um sistemasígnico adequado. Palavras Chave: semiótica; design; processo de projeto. Abstract This study concerns about the question of how semiotics is applied to the design and itsprocess by the analysis of concepts of semiotics and the types of objects of use. As the objectsof our day by day could acquire different meanings, semiotics is a tool to be used in thedesign process, because even if the designer does not know the science of semiotics whendesigning a product it will be producing a sign. However, the designer must know who theuser is of the designing object, to design an appropriate sign system. Keywords: semiotics; design process.  Semiótica no Processo de Design9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design Introdução Os designers são profissionais que sempre demonstraram interesse na semiótica, nautilização da semiótica como ferramenta de design podemos destacar os designers srcináriosda escola de Ulm, Maldonado, por exemplo, tornou a semiótica parte do seu próprio conceitode design (NADIN, 1990). Talvez uma das razões desse interesse pela semiótica seja o fato deque o Design além de produzir realidades materiais tem funções comunicativas. Por muitotempo as características funcionais e técnicas dos produtos estiveram na linha de frente dosdesigners em detrimento das sociais (BÜRDEK, 2006). Essas observações podem serconstatadas em muitos produtos, como os carros, que além de meios de transporte, são“objetos de cultura carregados de símbolos do dia-a-dia” (BÜRDEK, 2006).Segundo Bürdek (2006), a comunicação dos produtos vai além da informação doproduto em si, se refere à maneira que o usuário quer transmitir sua imagem. Porém, essasinformações não são simplesmente transmitidas, elas são construídas por meio de fatoressituacionais, sócio-culturais ou pessoais. A linguagem dos produtos é um processo decomunicação entre os agentes envolvidos (produtor, vendedor e o usuário) no qual é dado osignificado. Portanto, o processo de design está intimamente ligado aos aspectos sociais,psicológicos e históricos. Design (como projeto) é um dos elementos mais difundidos nasociedade, pois engloba uma série de atividades, como arquitetura, artes gráficas e produtosindustriais (NADIN, 1990). A Figura 1 mostra a relação entre designer, design e usuário. Figura 1 - relação entre designer x design x usuário.Fonte: Nadin, 1990. Na Figura 1 podemos perceber que por meio de um processo o projetista desenvolve oproduto que terá uma recepção e uso por pessoas. No uso dos objetos de design ocorremrelações entre o usuário e os projetistas. Desse modo, podemos identificar como princípiogeral do design a resolução de problemas para os usuários. Ainda nesse contexto Bürdek(2006) cita o sociólogo Niklas Luhman (1984) que formulou o conceito de que “comunicaçãose integra a comunicação” no qual os participantes desse processo estabelecem umacapacidade de integração para se dar à comunicação. Ou seja, para desenvolver um produtocom pontos de identificação, o designer deve estudar todos os níveis de apreensão do objetopor parte do usuário final e de seus intermediários, seu contexto em geral.Nesse meio, a semiótica como disciplina que investiga o modo que apreendemosqualquer coisa tornou-se ferramenta para os designers compreenderem melhor os processosentre usuário e produto. Além da parte funcional deve-se atender às psicológicas. Design nãose refere mais ao fato de apenas dar forma: “No design de hoje, ideologia está escrito emletras maiúsculas. O design americano ou europeu não está mais preocupado com o assunto(da forma), mas com a representação. O design degenera-se em signo.” (Björn Engholm 1984,apud Nadin, tradução nossa).Esse artigo investiga a Semiótica como ferramenta do projeto de Design, especialmenteem novos produtos, para tal é feita uma pesquisa exploratória, baseada principalmente emdados bibliográficos sobre a semiótica Pierciana e a relação dos homens com os objetos.  Título do Artigo em Português9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design Semiótica Pierciana Segundo Santaella (1983), a semiótica é baseada em signos e um signo só podefuncionar como tal se carregar um poder de representação, de substituir uma outra coisa.Portanto, signo não é um objeto em si, mas a representação desse para alguém, ou seja paraum intérprete, o signo está no lugar do objeto. O signo é baseado em um modelo dinâmicotriádico composto por interpretante , sendo esse o processo de interpretação, fundamento,  que é o que o signo representa, e o objeto que é representado (um fenômeno qualquer, de umafoto há uma música, por exemplo), esse modelo é exemplificado na Figura 2.Nadin (1990) propõe que a leitura desse diagrama deve ser entendida de maneira que sóa união entre os três componentes representa um signo, ou seja, que os signos sãoidentificados como tal, só através da sua representação e que, ao interpretá-los passaremos afazer parte do mesmo, pelo tempo dessa interpretação. Para esse autor também podemosidentificar as funções do signo nesse diagrama de representação triádica, tendo a semióticacomo ciência de representação na relação objeto e fundamento. Como ciência de expressão narelação fundamento e interpretante e de conhecimento em relação ao interpretante e objeto,como indica a Figura 3. Figura 3 – Funções do signo.Fonte: Nadin, 1990. Por dedução segundo Nadin (1990), a definição de um signo de Pierce significa que,uma vez que nos propormos a olhar para o mundo a partir de uma perspectiva semiótica, nóscontribuímos para a relação entre o que é representado (objeto), o que representa o objeto(fundamento), e da interpretação como uma parte de uma infinita série de interpretaçõespossíveis. A natureza, arte, moda, comida, máquinas, interações sociais e com a tecnologia, epraticamente tudo pode ser interpretado como signo. “Mas nada é um signo, nem sequer umaplaca de trânsito, a menos que uma pessoa interprete-o como tal.” (NADIN, s.d.) Figura 2 - Definição de signo RepresentaçãoExpressãoConhecimento Signo FundamentoInterpretanteObjeto Signo FundamentoInterpretanteObjeto  Semiótica no Processo de Design9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design Assim, um objeto pode ser representado como ícone, índice e símbolo. Comoapresentado no Quadro 1. Quadro 1 – Representações do objeto (Nadin, 1990) Um objeto pode ser representado:   Ícone: representação baseada nasemelhançaÍndice: representação causal, influenciadapelo objeto, como uma marca do objetoSímbolo: representação baseada em umaconvenção  Fonte: Nadin, 1990. Ao ver o mundo por signos, temos que entender como apreendemos as coisas, Santaella(1983) comenta que Pierce em seus estudos concluiu que tudo que aparece à consciência temuma gradação de três propriedades, essas correspondem aos três elementos de qualquerexperiência denominada por ele de Primeiridade, Secundidade e Terceiridade). Para se ter uma idéia da amplitude e abertura máxima dessas categorias, bastalembrarmos que, em nível mais geral, a 1ª corresponde ao acaso, srcinalidadeirresponsável e livre, variação espontânea; a 2ª corresponde à ação e reação dos fatosconcretos, existentes e reais, enquanto a 3ª categoria diz respeito à mediação ouprocesso, crescimento contínuo e de vir sempre possível pela aquisição de novoshábitos. O 3º pressupõe o 2º e 1º; o 2º pressupõe o 1º; o 1º é livre. Qualquer relaçãosuperior a três é uma complexidade de tríades. (SANTAELLA, 1983) Classificação dos signos A partir dessa divisão lógica do fundamento, objeto e interpretante, Pierce estabeleceuuma rede de classificações triádicas, tendo como base as relações apresentadas no signo,portanto, na sua apreensão com o signo em si mesmo, com o seu objeto e a relação do signocom seu interpretante desta maneira foram estabelecidas 10 tricotomias que combinadas entresi possibilitam milhares de signos (SANTAELLA, 1983). Dessas, três foram mais exploradase são apresentadas no Quadro 2.
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