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A Sociedade Do Sintoma

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Imagem da Capa Luciano Figueiredo. Relevo, jomal, 36 x 48 em, 2001 [detalhe] Capa, projeto Contra Capa gratico e prepara~ao A sociedade do sintoma a psicanalise, hoje Eric Laurent [Opc;ao Laeaniana nO 61. 232 p.; 14 x 21 em ISBN: 978-85-7740-017-1 II Servir-se do pai Pode 0 neurotico prescindir do pail os Names do Pail 71 51 59 Como recompor Urn novo amor pela pai 2007 Todos os direitos desta edi~ao reservados Contra Capa Livraria Uda. a Desangustiar? 111 Cagnic;:ao ou tran
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  Imagem daCapa LucianoFigueiredo. Relev o, jomal,36 x 48 em,2001[detalhe] Capa,pr o jeto gratico e prepara~ao Contra Capa A sociedade do sintoma apsicanalise,ho je Eric Laurent [Opc;ao Laeaniana nO 61. 232 p.; 14 x 21 em ISBN: 978-85-7740-017-1 IIServir-sedo pai Pode 0 neur otico prescindir dopail51 Comor ecompor osNamesdo Pail59 Urn novo amor pela pai 71 2007Todos os direitos desta edi~ao r eser vados a Contr a Capa Livr ar iaUda. < atendimento@contracapa.com.br > .Rua de Santana, 198 Loja- Centro 20230-261-RiodeJaneiro-RJ Tel I Fax(5521)2508.9517 I 3435.5128www.contr acapa.com.br  Desangustiar?111 Cagnic;:aoou transferenciana psicanilisede ho je  da dif erenya,pois se devefazer uma fJlosofiadomesmo. Continllil assim aantiga animosidadeentr eFoucaulte Derr ida. Bersani con eluiseu artigo abordando 0 esfon;:o de pensar  0 mesmo, que nao chegaaser seu semelhante.Todadiferenya deve ser pensadaapartil' daimpossi bilidadedo ser semelhante a si dahomossexualidade. Urn dito de Lacan af irma que 0 normalea norme mal e, a normadomacho.0 de bateque incidesobre uma norma do macho preten- dendo afir mar-se como normal e,naper spectiva aqui abor dada,  particularmente interessante.0tom bastante'arr azoado,de mui. t~sliyoes,demasiado moralista,chocanteda literatura contempo- r anea dosde partamentos univer sita.riosconsiderados por nos deve ser substituido, visando a afir mayao deumanor ma.Aoler essa' literatura, partilho da impressaode Bersani,que seperguntava, ao ler umadedarayao de umafeministales bica sobre a lutaa ser  travada contr a todasas outrasfor mas de sexualidade,se seus pro-  prios autor esacreditavam nisso l2ã E essa tamber n aposiyao a que o ultimo livr ode Boswell nosleva:chegamos aoponto denao mais acreditar em nossos olhos eouvidos.Tr ava-se aiumde bate sobr eas novasfigurasda razao. E precisoreconhecer, nessejogo deslocado, sublimado,a questao fundamental da crenya, naqual as fronteir as dainter r ogayao for amdeslocadas em decorr encia da  posiyao homossexual. 12 T d.. 'I emos,emanelramUlto notave , a pr opensao de fazer afirma<;:6esem queninguem, inclusivea pessoaque as fez, acredita verdadeiramente (Bersani,1995:53-4-). o mal-estar na civilizayao,como dizia Freud, ou 0 sinthoma na civilizayao,como precisaLacan,pode ser escr ito sob a forma deum materna,esta belecidopor Jacques-Alain Miller, ao definir a conjunturaatual,dominada peloo b jeto a:a > 1.Lacanf alava da ascensao ao zenite social do objeto a. A ex-  pressaose encontra em R adiofonia , na resposta a terceira per - gunta sobr e 0 efeitode linguagem conce bido naocomo significa- do, e simcomo deficit deurn ef eito de corpo. 0 significante naoe apro pr iadoparadar corpo auma formula que se ja da relas;aosexual (Lacan, 1970: 411). E nessa falha quevem se alojar  0 ob jeto a. Para isso, bastar ia a ascensaoao zenitesocial do o bjeto Q, pelo efeito deanglistiapr ovocado peloesvaziamento com quenosso discurso 0 pr oduz,par faltar  a sua produyao (: 411). Lacan f az referencia aumaconstruyaoelaborada emseu se- mimlr io do mesmo ano,no qualdescreveurnef eitopar ticular do discursodomestre contem poraneo, isto e, 0 discur so capitalis- ta.Esse discurso produz 0 objetoa, cavando afalta damais-valia. Amais-valia foracluidaeum signif icante e,comotal, retorna no r ealcomo gozo.Na teoria mar xista, ela e algo extraido dotraba- lho,uma quantidade jamais recuper ada. Os direi.tosdo trabalha- dor, do qual elaeextraida, san instantaneamentef oracluidos, pois o mercadoopera a sua su btrayao irrever sivel.Ela setor na 0 o b jeto   perdido,que anima acadeiametonimicadastr ocas.Trata-se, }llll tanto,de uma quantidade im possiveldeser calculada.OsmclIJo r es plane jadorestentaramf aze-Io em vao.Amais-valia naock hlll de animar  0 mundo. E a causa dodesejo, doqual uma econOlllhl faz seu prind pio: 0 daproduyaoextensiva, portantoinsaciav\'I, da falta-de-gozar .Esta seacumula, por urnlado, par aaumenta\' osmeios dessa pr oduyao como capital.Por outro lado,am plia II consumo, sem 0 qual essa produyaoser ia inutil,justamente pOI' suainepciaem pr o porcionar um gozocom que possa tomar-Ht' mais lenta (:434) Falar de ascensao ao zenitesocial indicaque 0 movimento nao comeyouanteontem, pois 0 zenite e 0 gr au mais elevado , Para seguir a tra jetor ia do objeto a em nossa civilizayao,tome- mosem prestada a indicaqao do ef eito de angUstia dada por La- can,no qual r eside 0 verdadeiro efeito delinguagem . Podemos indicar algunsmomentos dessa tra jetoria.Depois do fim da Pri- meira Guerr aMundial, momentoconsiderado por certo nume- r o de ~stor iador es a verdadeiraentradano seculo XX, 0 mundodo pensamento foi invadido por umafeto particular .Trata-se do sentimento deinutilidade dacivilizayao em facedesse suiddio co- letivo eur o peu.Paul Valer yfaloudo saber quese impunha como acrise do espir ito :  Nos, as civilizayoes, sa bemos, agora,que somos mortais (Valer y, 1924). Na mesma epoca, MartinHeide- gger definiu 0 estatuto da subjetividademodem a como sendo a do homem da preocupaqao . Em Ser e tem po, de 1927, ele situa 0 lugar daangUstia: o queoprimenao e isso ouaquilo,nem tampoucotodo 0 ente hI.adiantereunido comosoma; ao contrario, e a  possibilidad e do que eutilizavelemger al,quer dizer, 0  pr 6 pr iomundo.limavez aeal- madaaangUstia,a fala do cotidiano costuma dizer :'no fundo nao era nada'.[...  j Aquilo diantedoque a angUstia seangustianada ter ndeurninter ior utilizavelaomundo. [... j 0 nadaem relayao ao que eutilizaveIse fundamenta em'alguma coisa'nosentido Illaisor igin.aI,no mund o.[... ] Se, emconseqiiencia, eonada,ou ~I: ja, 0 mundocomotal queserevelacomo 0 diante-do-que da ,1ngustia,isso quer dizer entao: e s se diant edo quea.an8u st iase angus- t  ia e 0 pro prio ser-no-mundo (Heidegger ,1927:236). Freud,name sma e poca, remane ja sua teor ia daangUstiapela IlIlr oduqao da par adoxal  pulsao de morte . Em Mal -est ar na civi-  It i(  / ~iio, publicado em 1930, faz equivaler  0 sentimento de cul pa IIIt'onsciente,engendr adopela pr o pr ia civilizayao, it angUstia. Talvez se ja bem-vinda aqui a o bservayao deque 0 sentimentode culpanao passa, no f undo,de urna var iantet6pica da anglistia e de que, em suas fases ulteriores, ele e a bsolutamente identico a an-  gu stia diant ed o su per eu [... j. Tambemconce bemos facilmenteque o sentimento decul pa engendrado pelacivilizayao nao se ja reco-' nhecido como tal, queper maneya emgrandeparte inconsciente ou semanif este comour n mal-estar ,ur nc;lescontentamento, ao qualprocuramos atr i buir outr osmotivos (Fr eud,1930:94-5). Antes daSegunda Guer r a Mundial, 0 su jeito tr atoude sua an- gustia alimentando sonhosdeleterios de restaurayao deum to do , na falta de uma civilizayaotoda.Foi 0 momenta dosonhode um Estado- todo e dos apelosaosHder es carismaticos dospartidosto- talitar ios.Fr eudantecipara essemecanismo em Psicologia das massas eanalise do eu , dez anos antes queessepr ocedimento ate entaoinedito se esta belecesse. o  pos-IIGuerraMundialinventou uma nova ter apia. 0 sujei- to passou a se tratar ao a brigo denovos signif icantes mestres que emergir am malou bemdocaos. 0 sartreano tratavasua angu.stia existencial seguindo 0 caminho doPar tido Comunista,signif icante mestre, se e que chegouase-Io. 0 PCF,comogrupo, er alento, compacto, duro, impermeavele o paco.Sao essa~asinSIgnias do a8a1ma   (Milner, 1993: 69). Os su jeitos do lado oposto acr edita- yam no futuro da mao invisIvel do mercado,daqualos Estados  Unidostinham demonstradoaef icacia,ao sair da crise nacon. dic;aode vencedor es da guerra.Outros,enfim, a poiar am-se no cientificismo dos anos1950e naes peranC;aaberta pelasnovas ci. enciasque triunfaram so bre 0 niilismo, oumesmo nas renovac;oes docatolicismo progressista. Em 1949,Merleau -Ponty esensivel a esses movimentos, poisfala nao da conf r ontac;aodosujeito com suaangUstia,e sim doreencontro dohomem com a premeditac;ao dodesconhecido . Ele escreve: Devemos crer que 0 tete-a-tet e do homem com suavontadesingular naoe toler avelalongo pr a- zo: entre esses revoltados, algunsaceitar amincondicionalmente a disci plina docomunista, outros a de uma r eligiaorevelada (Mer- leau-Ponty, 1948:7). Lacan,pouco depois, ir oniza tais figuras da conscienciainfeliz. Critica os f undamentosda.reac;aoexistencialis- tadiantedo utilitarismodominante. Ao cabo do projeto hist6rico de uma sociedade denao mais reconhecer emsioutra func;ao que naoa utilitaria, e na angustia do individuo diante daf orma concen- tracionista dovinculo social, cujosur gimentoparece recom pensar  esse esf on;:o, 0 existencialismo julga-se pelas justif icativas que da  par aosimpassessubjetivos que,a r igor, resultam dele (Lacan, 1949:102). A isso o poe 0 estatuto descentr ado do sujeito segun- doa psicanalise,fundamentado na radicalidade de ur nalhur es.  No r ecurso quepr eservamosdo su jeito ao sujeito, a psicanalise  podeacom panhar  0 paciente ate 0 limite extaticodo'Tu es isto', emque se revela, paraele, acif r a de seu destinomortal (: 103).  Nos anos 1960, seguindoos passos de Kojeve,Lacan estigmati- za a ascensaode urn novo signif icante mestr e: 0 mer cado comum. A burocr acia que sustenta 0 mer cado 0 apresentacomoesboc;o do EstadoUniversalhomogeneo, grac;asa utiliza<;:aodatecnica. Ele mostra 0 err o de per s pectiva dessaconce pc;aoem 1967, as vespe- r as da eclosao dacrise do f im dessa decada.Acreditar na extensao semr eservasdo univer salautorizado pelo tratamento cientifico dacivilizac;ao negligencia 0 retorno do gozo. 0 fator de que setrata e 0 pr oblema mais intense denossa epoca, namedida em que cla foia pr imeiraasentiI' 0 questionamento detodasas estr uturas sociais pelo progresso ciaciencia.[... J ate onde se estende 0 nossouniverso, teremos que lidar,e sempre de maneira mais premente, coma segr egayao (Lacan1967:360). A crise de1968revelou que todos os signif icantes mestres, to- dos esses signif icantes Urn, for amsucessivamente desqualificados. Emseuultimoensino, Lacandeu aomundo sur gido dessa crisea for mal6gica do nao-todo.Jacques-Alain Miller,em Tumulodo homem deesquerda ,r ef eriu-sea civilizayaocomoalgo fragmen- tado,disperso,nao totalizavel , uma'multiplicidade inconsisten- te'(Cantor ), ur n'nao-todo' (Lacan) (Miller,2003e:165). A atual f orma da civilizac;ao e perf eitamente compativel com 0 caos,algo que AntonioNegri e MichaelHar dtper cebemcomouma ausencia de limites. Asr edes decomputadores eastecnicasde comunicac;:oesinter- nas aossistemas deproduc;:ao per mitem umagestao maisex- tensivados tr abalhadores a par tir deurn site centr al af astado. o controle dasatividades laboriosas pode ser potencialmente individualizadoecontinuo no panopticon vir tual da produc;:aoemrede. A centralizac;:aodo contr ole eainda maisclara em uma  per spectiva mundial.Adispersao geogd.ficada fabr icac;:aoen- gendr ou a demanda de uma gestaoede uma planif icac;:aocada vez mais centralizadas,mastambemde uma nova centralizac;:ao dos servic;:osde produc;:aoes pecializados, particular mente dos servic;:osfmanceiros. E assim que osservic;:osf inanceiros ligados as tr ocas de um pequeno numer odecidades-chave chamadas 'mundiais', comoNovaIor que, Londres e T6qui0,ger enciam edirigem hoje em dia as redes mundiais da pr oduc;:ao(Negr i e Har dt,2002:363).
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