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A tecnologia ao serviço da agricultura Quinta-feira, 10.10.13 Acompanhar plantações à distância através de um sistema de sensores e de uma plataforma online. A ideia surgiu num trabalho de faculdade e hoje é um dos projetos mais promissores a nível mundial da tecnologia aplicada à agricultura. Chama-se WiseNetworks e é português. A ideia surgiu quando o grupo de seis engenheiros que desenvolveram o produto ainda eram estudantes na Faculdade de Engenheira da Universidade do Porto. Na altura, apl
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  A tecnologia ao serviço da agricultura  Quinta-feira, 10.10.13 Acompanhar plantações à distância através de um sistema de sensores e de uma plataforma online. A ideia surgiu num trabalho de faculdade e hoje é um dos projetos mais promissores a nível mundial da tecnologia aplicada à agricultura. Chama-se WiseNetworks e é português. A ideia surgiu quando o grupo de seis engenheiros que desenvolveram o produto ainda eram estudantes na Faculdade de Engenheira da Universidade do Porto. Na altura, aplicaram o sistema à domótica, mas, quando acabaram o curso, repararam que a agricultura era uma área que tirava pouco partido da tecnologia. Havia uma necessidade e eles decidiram responder com a WiseNetworks. Há um ano atrás começaram a desenvolver o projeto e este mês foram selecionadosentre cerca de 1400 start-ups de 63 países para passarem sete meses noChile, recebendo um investimento de 40 mil euros do programa Startup Chile. Fomos saber mais sobre a WiseNetworks, numa conversa com Tiago Sá, Sandro Vale e Miguel Rodas, três dos seis elementos da empresa.  A vossa start-up foi selecionada entre centenas para desenvolver o produto no Chile. O que fez sobressair a vossa ideia no meio de tantas outras? Tiago Sá : O nosso produto consiste num sistema de pontos de medição que ao serem espalhados por uma plantação, seja ela qual for, adquirem informação periodicamente.Essa informação pode ser a temperatura, a radiação solar, a velocidade do vento, etc. Enfim, qualquer sensor que exista pode ser incorporado no nosso sistema, não só meteorológicos, como também sensores de componentes do solo, como por exemplo, o PH ou a condutividade, a humidade do solo – fatores relacionados com o crescimento da planta. Esta informação é recolhida por estes pontos de medição, é trabalhada e depois é imediatamente disponibilizada online. O produtor, onde quer que esteja, desde que tenha acesso à internet, consegue perceber o que se passa na sua quinta naquele momento .   Tiago Sá, Miguel Rodas e Sandro Vale.   Quais são as principais vantagens? Tiago Sá : As grandes vantagens que isso traz para o produtor é evitar deslocações desnecessárias à quinta. Otimizar recursos . Água, pesticidas e fertilizantes podem ser ajustados consoante às quantidades que são estritamente necessárias, de acordo com as medições. Pode precaver-se contra as mudanças súbitas no clima, por exemplo, vagas de calor ou tempestades que se aproximem, com esta medição precisa e instantânea. Na plataforma, também é possível ligar o sistema de rega.  Sandro Vale : Existe uma comunicação bidirecional, da plantação para a plataforma e da plataforma para a plantação.  Já existem tecnologias semelhantes.O que distingue a vossa? Tiago Sá : Existem coisas parecidas, mas aquilo que oferecemos neste momento é único. No entanto, o que é novo hoje, amanhã deixa de ser . Por isso, temos que aplicar já o nosso produto e estamos num bom momento para o fazer.  Como surgiu a ideia? Miguel Rodas : A ideia surgiu na sequência de um projeto académico em grupo numa das disciplinas finais do curso e desenvolvemos um sistema semelhante a este mais aplicado à domótica, ao controlo de casas. O produto resultou, mas era apenas um projeto simples, um trabalho para uma cadeira da faculdade.  Tiago Sá : Aquilo que vimos foi que essa tecnologia tinha potencial para ser aplicada noutras áreas. Daí partimos para uma pesquisa de mercado e percebemos que a agricultura era um mercado interessante, não só porque não incorpora  tecnologianenhuma  ou quase nenhuma neste momento, mas também porque há esta necessidade clara dos produtores perceberem o que se passa nas suas quintas instantaneamente, onde estiverem.  Acabaram o curso e começaram logo com este projeto? Sandro Vale : A maior parte da equipa nunca pôs de lado o projeto, alguns elementos foram trabalhar, mas sempre em paralelo com o nosso projeto. Quando tivemos a oportunidade, dois elementos começaram a dedicar-se a full-time e, dentro de pouco tempo, estaremos todos.  Quando o produto vai ser lançado? Tiago Sá : O produto neste momento ainda está em fase de testes, dentro de portas. Estamos a adaptá-lo para ser possível transpô-lo para o ambiente real, para uma quinta. Já temos contactos com quintas no Douro que se disponibilizaram para receberem os testes . O nosso objetivo é começar com os testes ainda este mês para quando formos para o Chile, no final de novembro, já levarmos o protótipo completamente funcional, testado e pronto para ser vendido.  O sistema vai ser testado em quintas do Douro. Imagem: LUSA   Como é que vai ser feita a implementação do produto numa quinta? Miguel Rodas : A ideia é tirar aquilo da caixa e pôr no terreno a funcionar. É ser autoconfigurável. A plataforma deverá ser suficientemente intuitiva para não precisar de qualquer tipo de apoio e de instrução prévia.  É um produto dispendioso? Tiago Sá : É um produto que pretende ser rentável, mas garantimos que o preço de venda vai ser amortizado com as vantagens que o produto trará . O valor final ainda não está definido.   Por que decidiram concorrer ao programa Startup Chile? Tiago Sá : Achamos interessante pelo investimento, pela possibilidade de ir para outro país num ambiente empresarial entre outras start-ups e pelo país para onde vamos. O Chile é um país em crescimento, principalmente na agricultura, na área das vinhas.  Miguel Rodas : Há países vizinhos que também são importantes, como Brasil, Peru ou Argentina. É uma maneira de internacionalizar a empresa . Mesmo antes de concorrer ao programa, o Chile foi sempre um país que sabíamos que valeria a pena entrar.  O que vão fazer durante estes sete meses? Tiago Sá : O principal objetivo é conhecer o mercado , saber como funciona, saber o interesse deste mercado no nosso produto. Começar a vender. Conhecer os mercadosali à volta. Perceber as mentalidades e a abertura para este tipo de tecnologia.  Hoje em dia, o que é ter uma start-up em Portugal? Sandro Vale : Nesta altura, é complicado. A procura de financiamento nem sempre é fácil. Existe sempre a dificuldade de captar o interesse e o investimento. Mas o empreendedorismo em Portugal está a crescer e este apoio da UPTEC cria muitas oportunidades.  Tiago Sá : É uma aventura. Ser empreendedor nesta idade é só obstáculos. Somos novos, não temos credibilidade. Temos que aprender, na faculdade não nos ensinam avender e a conhecer o mercado. Ser empreendedor é derrubar barreiras todos os dias .  Miguel Rodas : É criarmos o nosso próprio emprego e fazermos tudo. Somos desde CEO até empregado de limpeza. 
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