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A Teimosia Das Empresas Nacionais de Auditoria

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  2017-11-8 A teimosia das empresas nacionais de auditoriahttp://www.nardonnasi.com.br/2015/index.php/explore/layouts 1/8  Auditoria Independente: o que é e qual sua utilidade Baixe agora o material completo sobre o assunto. Baixar eBook gratuito  A teimosia das empresas nacionais de auditoria (/2015/index.php/explore/layouts)  A teimosia das empresas nacionais de auditoria 01 – HISTÓRICO DO PROBLEMA   Ao longo dos últimos quarenta anos de profissão pude acompanhar diretamente toda a evolução do ambiente da auditoria independente em nosso país. Fui um dos onze fundadores do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – IAIB, atualmente Instituto Brasileiro de Contadores – IBRACON, na memorável reunião dedezembro de 1971 no Rio de Janeiro, na sede do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro. Na época o Banco Central do Brasil é que tinha o controle do mercado de capitais no Brasil, com as personalidades destacadas de Francisco De Boni Neto, Diretor de Mercadode Capitais, e Evaristo Confort, Gerente de Mercado de Capitais. Pela iniciativa destes dois eminentes funcionários governamentais foi possível a regulamentação da auditoria independente em nosso país. A profissão contábil brasileira,especialmente da área de auditoria independente, está devedora de uma justa homenagem a estas duas eminentes pessoas. Junto com os queridos e dedicados amigos da profissão contábil brasileira Roberto Dreyfuss, Geraldo Ferreira da Ponte e Emilio Bacchi, que lideraram as conversações com oBanco Central do Brasil, pudemos, num curto espaço de tempo, constituir o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – IAIB, fruto da fusão dos Institutos dos Auditores deSão Paulo e Rio de Janeiro e mais os auditores ligados do Instituto dos Contadores e Atuários do Rio Grande do Sul - ICARGS, na época presidida pelo Contador Egon Handel. Este foi o marco divisório da auditoria independente em nosso país. Em decorrência dessas negociações o Banco Central do Brasil baixou a Resolução nº 220/1972 que obrigava as companhias abertas a ter suas demonstrações financeiras(contábeis) examinadas por auditores independentes. Pelas Circulares nºs 178 e 179/72, respectivamente, criou o registro de auditores independentes e estabeleceu as normasde contabilidade para a elaboração e divulgação das demonstrações financeiras (contábeis) aplicáveis às companhias abertas. Todos estes atos foram consolidados pela ação conjunta do Conselho Federal de Contabilidade e Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – IAIB (hoje IBRACON) aoaprovar de forma conjunta as Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis através da Resolução CFC nº 321/71, referendada logo depois pelo Banco Centraldo Brasil. Neste momento tínhamos registrado no Cadastro do Banco Central do Brasil quarenta e quatro firmas de auditoria com atuação em vários estados brasileiros, com altaconcentração nas regiões sudeste e sul. Apenas para relembrar o cenário, tínhamos as oito (“big eight”) firmas internacionais e trinta e seis firmas nacionais. Cabe aqui, preliminarmente, esclarecer duas coisas: a) os nossos colegas das “big-four” (antigas “big-eight”) cansam de dizer que são firmas nacionais, apenas adotando o nomeinternacional porque fazem parte de uma rede internacional; b) para conquistar clientes, quando lhes interessa, dizem que são firmas internacionais; quando é para assumir responsabilidade internacional dizem que são firmas nacionais e que nada lhes diz respeito. Basta ler os anúncios de páginas inteiras dessas empresas para ver esta realidade.Trata-se de caso de dupla personalidade. Pois bem, é neste cenário que estamos vivendo a profissão contábil brasileira no campo da auditoria independente. Cada vez mais as firmas internacionais – “big four” – têm presença muito forte no mercado de auditoria no Brasil e as firmas nacionais, constituídas por profissionais brasileiros esem vinculação com as quatro grandes, precisam buscar meios de sobrevivência num mercado internacionalizado, onde outros fatores influenciam a indicação do auditor independente.  02 – DAS OITO VIRARAM CINCO E DAS CINCO VIRARAM QUATRO  Quando comecei na profissão tinha na minha mente que estava atuando num mercado onde existiam oito firmas internacionais e mais umas trinta e poucas firmas nacionais. Entre as firmas internacionais, duas não tinham nenhum interesse em auditar empresas nacionais, a Deloitte e a Ernst & Ernst (hoje Ernst & Young). A mais nacionalizada era aPrice Waterhouse Peat (hoje a Peat é o P da KPMG). Existiam na época firmas nacionais de prestigio e até com tamanhos maiores que as firmas internacionais (Boucinhas e Campos, com forte presença na área pública comoauditores da Petrobrás, Eletrobrás e outras e Revisora Nacional e Sotec-Aud com presenças importante em firmas privadas como Banco Real, Camargo Correa, Sadia e outras. Nossa empresa ganhou mercado porque investiu numa área pouco explorada pelas demais empresas, que foi a área do Agronegócio, (Cooperativas e empresas Agropecuárias),      2017-11-8 A teimosia das empresas nacionais de auditoriahttp://www.nardonnasi.com.br/2015/index.php/explore/layouts 2/8 pontos fortes da economia do RGS, nossa terra de srcem.  As décadas seguintes foram de muitas modificações no mercado de auditoria. Das oito (“big-eight”) tornaram-se cinco, pois a Price se uniu com a Coopers e a Ernst se uniu com a Arthur Young. A Touche Ross se uniu a Deloitte e a Arthur Andersencontinuou sozinha até quebrar em 2002, face aos episódios da Enron. Quis a fatalidade que a melhor das cinco, em termos de qualidade técnica, no meu conceito, foi a que pagou o pato. É público e por demais divulgado que as demais quatro praticaram auditorias de baixa qualidade para inúmeros clientes, sempre terminando em acordos com pagamentos depesadas indenizações por trabalhos mal executados. No caso dos escândalos de balanços fajutos nos EUA não foi só a Andersen a protagonista.  As outras quatro tinham contingências judiciais de mais de US$ 30 bilhões que até hoje perduram nos tribunais americanos. Porém quebrar mais uma firma das quatrosobreviventes seria o fim da auditoria no mundo capitalista. E este cenário não interessava a ninguém.  Aí tiveram a criatividade de inventar uma lei chamada Sarbanes-Oxley, (deputados americanos autores da lei) para salvaguardar as empresas de capital aberto, as firmas deauditoria, os bancos de investimentos, todas estas fraudes e os analistas ceguinhos (ou corruptos, como queiram), para criar uma forma de regulamentação e resgate dacredibilidade dos balanços das empresas. Do cenário de crise aguda, com perspectivas nada promissoras para as firmas de auditoria, em especial para as big-four (Price, KPMG, EY e Deloitte), com riscos de das quatroficarem uma ou duas, o que para o mercado seria extremamente ruim, os participantes do mercado de capitais buscaram alternativas para salvar a situação. Primeira decisão: não quebrar mais nenhuma firma de auditoria (uma das quatro, logicamente). Segunda decisão: dar ao mercado sinais de busca da credibilidade. Terceira decisão: criar uma lei para dar respaldo legal às ações de salvamento planejadas. Como resultado de toda esta encenação mercadológica do mercado de capitais, criou-se esta lei Sarbanes-Oxley para tentar resguardar os investidores de possíveis fraudesfuturas nas empresas. Em resumo, as empresas gastaram milhões para se adaptarem aos requisitos da Lei Sarbanes-Oxley e as firmas de auditoria, as quatro principalmente, faturaram milhões sobreum problema que elas próprias foram as responsáveis por sua ocorrência.Desde 1949 as normas de auditoria prevêem que o auditor independente fará o seu trabalho com base nos controles internos da empresa auditada. Ora, se os controles eramdeficientes caberia ao auditor apresentar suas recomendações para melhorar os controles internos adotados. Se os controles não estavam formalizados, a recomendação deveriaser formalizar. Ou seja, gastaram-se milhões sobre coisas que já deveriam estar implantadas nas empresas e se não estavam, caberia aos auditores independentes recomendar. Formalizar eaprimorar controles é apenas uma parte do processo. A qualidade e a ética na governança corporativa são fatores importantes para a credibilidade das empresas.  03 – OS CENÁRIOS DO MERCADO E O FOCO DAS EMPRESAS DE AUDITORIA  Nas décadas de 60 a 80, as grandes firmas de auditoria só se interessavam por grandes contas e tinham um mercado cativo que eram as empresas multinacionais, cujosauditores já eram designados lá de fora. As “big-eight” só tinham a preocupação de atender, e atender bem, as filiais das empresas estrangeiras, já que o auditor era escolhido láfora. Até 1974 a Deloitte, quando da aquisição da Revisora Nacional, tinha um só cliente nacional, que era o Banorte. E isto se deve porque o primeiro escritório da Deloitte noBrasil foi em Recife, sede do antigo Banorte. Com a Ernst & Ernst, (hoje Ernst Young) se passava o mesmo. Tanto a Price Waterhouse Peat como a Coopers & Lybrand tentaram em diversas ocasiões se unirem as firmas locais, todas nuvens passageiras, como dizia o poeta. Asculturas diferentes sempre dificultaram a integração.  A KPMG foi a que partiu para aquisições de firmas nacionais, seguida da Ernst Young, algumas bem sucedidas e outras que não agregaram em nada. Nestes últimos 30 anos, surgiram novas firmas de auditoria nacionais que conquistaram espaços. Umas sobreviveram e outras desapareceram, lamentavelmente. Cabe destacar o surgimento da Trevisan, cujo sócio principal Antoninho Marmo Trevisan, oriundo da Price, desafiou o mercado denominado pelas “bigs” e as incomodou demais.Surgiu a BDO, inicialmente associada à Directa, hoje a quinta firma no ranking mundial, mas extremamente pequena perto da última das quatro. Depois da separação da Directaassociou-se com a Trevisan, passando a chamar-se BDO Trevisan. Outra que surgiu na década de 70 e ganhou projeção nacional foi a Bianchessi, com srcem no RGS, sendo maior do que algumas das “big-eight” da época. Não resistiu a quebrado Banco Sul Brasileiro e Encol e naufragou junto. Na década de 90 surgiu a Terco, com forte presença em assessoria tributária e pouca expressão em auditoria. Com a crise da Parmalat envolvendo a Grant Thornton e aTrevisan querendo livrar-se de uma relação com aquela empresa, colocou a Grant Thornton no colo da Terco, que buscava, intensamente, uma relação que lhe daria umacredibilidade em auditoria independente (depois de uma frustrada fusão com a Directa).Pois bem, qual o resumo de toda esta salada de frutas mercadológica da auditoria independente em nosso País?  2017-11-8 A teimosia das empresas nacionais de auditoriahttp://www.nardonnasi.com.br/2015/index.php/explore/layouts 3/8  1 – Quebra da Arthur Andersen em 2002 e divisão dos seus clientes e sócios entre Deloitte e Price no Brasil, onde a decisão entre os sócios não foi unânime; 2 – Desaparecimento de várias firmas nacionais de auditoria, ou por problemas técnicos ou por aquisições pelas “big-five” e depois “big-four”; 3 – Surgimento de novas firmas, todas de pequeno porte, decorrentes do fechamento ou racionalização de equipes das “big-four”; 4 – O rodízio das firmas de auditoria nas companhias abertas, instituições financeiras, fundações de seguridade social e seguradoras, especialmente, reduto das principaisfirmas auditadas no Brasil, determinou mais uma paulada na cabeça das firmas de auditoria puramente nacionais. O resultado deste rodízio foi de que as empresas que eramauditadas por firmas de auditoria de médio e grande porte emigraram para uma das “big-four” e uma auditada por uma “big-four” migrou para outra “big-four”. Ou seja, aconcentração das contas ficou com as “big-four”. O Banco Central suspendeu o rodízio, mas a CVM insiste em mantê-lo, embora sejam do mesmo governo.  04 –A QUEBRA DA ARTHUR ANDERSEN E O REFLEXO NO MERCADO FINANCEIRO  Eu, pessoalmente, lamentei muito a quebra da Arthur Andersen. Eu conhecia muito bem as práticas de auditoria da Andersen por privar da amizade de muitos dos sócios daquelaque era a inspiração de metodologia e qualidade do processo de auditoria para a nossa empresa. Fizemos vários trabalhos em conjunto e tivemos muitos de nossos trabalhosrevisados pela Andersen nestes últimos 40 anos. Com muita satisfação digo que sempre tivemos uma validação plena de nosso trabalho pela Andersen.  A última experiência relevante foi quando tivemos a revisão de todo o nosso trabalho nas nove das vinte e sete empresas do Sistema Telebrás para fins de privatização, onde a Andersen atuou como firma auditora de todo o processo. Lembro-me da expressão do sócio da Andersen ao terminar o seu trabalho: “Meus cumprimentos, vocês fizeram durante todos estes anos um trabalho excelente. Ficamossurpreendidos pela qualidade técnica e pela profundidade dos exames.” Minha resposta foi: “Eu não tinha nenhuma dúvida que nosso trabalho daria um conforto adequado aotrabalho de vocês. Que bom que vocês reconhecem que a auditoria brasileira também têm qualidade.”  05 –A INFLUÊNCIA DAS “BIG FOUR” NOS ORGANISMOS INTERNACIONAIS E NACIONAIS  Não é de hoje que as firmas internacionais de auditoria (“big-four”) têm forte influência nos organismos internacionais, como Banco Mundial, Banco Interamericano deDesenvolvimento, Fundo Monetário Internacional e até no BNDES e muito mais nas instituições financeiras privadas internacionais.  A situação é plenamente compreensível: é muito cômodo para os executivos (até no nível gerencial) aprovar projetos de financiamentos ou IPOs de empresas que sejamauditadas por uma das “big-four”. Se amanhã o mutuário (cliente) não pagar, a desculpa pela má análise de crédito é: “mas esta empresa foi auditada por uma “big” e minhadecisão foi baseada na credibilidade dos números apresentados pela empresa”. Ou seja, é muito confortável para quem aprova projetos e créditos, ou que as demonstrações contábeis de uma empresa com apetite de fazer um IPO, tenha suas contasaprovadas por uma “big”. Se amanhã der errado quem autorizou crédito têm o respaldo de que a empresa financiada foi auditada por uma “big”. Quem lançou as ações também. Esta é uma situação que deve ter uma solução. A minha expectativa para resolver este cenário é a harmonização das normas de contabilidade a nível mundial e a adoção pelasfirmas nacionais das normas internacionais de auditoria. Se houver um organismo internacional para validar as práticas de auditoria de todas as firmas de auditoria que queiram ter um selo internacional e esta firma nacional passar por todos os requisitos exigidos pelo organismo internacional, a certificação internacional estaria consolidada. Sei que existe o PCAOB (Public Company Accounting OversightBoard), criado pela Lei Sarbanes-Oxley para monitorar a qualidade das auditorias, mas este selo não é suficiente.  Aí vem a questão: depois de passar por todos os requisitos definidos e obter a sua certificação internacional, poderá uma firma nacional ser validada pelo mercado financeirointernacional? Eu espero, firmemente, que isto possa acontecer: do contrário será o fim do mercado de auditoria mundial. Tenho a firme convicção de que no futuro o mercado financeiro e de capitais não vão querer ficar nas mãos das “big-four”. Se firmas nacionais e redes internacionais de menor porte, e aí incluo a BDO e a Grant Thornton, além das outras redes internacionais, não tiverem como participar do mercadode auditoria mundial, o processo de auditoria independente a nível mundial cairá em total descrédito.Ninguém vai querer ficar refém das “big-four”. Se quiserem ficar são uns perfeitos idiotas. E conhecendo os empresários, digo com convicção: esta classe de idiota não temnada. Por fim, quero destacar um ponto essencial neste cenário: por que um organismo nacional, como o BNDES, influencia seus financiados a ter suas demonstrações contábeisauditadas por uma das “big-four”? O problema não é o BNDES, pois o banco nem tem um cadastro de firmas de auditoria independente sob o qual poderia questionar a qualidade dos auditores independentes. O BNDES, em tese, referenda todas as firmas de auditoria registradas na CVM. Todavia, alguns setores do banco condicionam a aprovação do financiamento, em “off”, que aempresa financiada seja auditada por uma das “big-four”.  2017-11-8 A teimosia das empresas nacionais de auditoriahttp://www.nardonnasi.com.br/2015/index.php/explore/layouts 4/8  Há ocasiões onde a influência é mais direta. A empresa de auditoria (uma das big-four) é mencionada explicitamente. O Brasil é isto! E nada acontece! E por favor, não me questionem, pois tenho provas suficientes para provar minha acertiva. Com nome das empresas, tipos de financiamentos e valores. Uma lástima, mas é arealidade.  06 –O EXEMPLO DO CITIBANK E DO DEUTSCHE BANK  Há alguns anos atrás sentimos uma pressão muito forte do Citibank, financiador de alguns de nossos clientes de grande porte, para que houvesse uma troca de auditoria por umadas “big-five” (na época ainda eram cinco). Mercê de uma ação rara entre os empresários, um de nossos clientes levantou uma questão junto ao Citibank: Vocês conhecem os nossos auditores? Diante da respostanegativa houve uma combinação tripartite: A empresa auditada liberava o seu auditor a falar o que quisesse sobre ela, o banco questionaria sobre o que bem entendesse e nósauditores, além de demonstrar a nossa metodologia de trabalho, poderíamos expor nossa opinião sobre a empresa auditada sem qualquer restrição. Total transparência, como sediz no mercado. O resultado desta situação foi o melhor possível: o banco ficou confortável do que ouviu da nossa firma, validou a nossa atuação ao demonstrar que se praticava uma auditoriade qualidade e independente e o cliente passou a ter taxas financeiras mais baixas. E o Citi nunca mais pressionou para a troca do auditor. Poucos meses atrás tivemos uma situação semelhante com o Deutsche Bank. Por razões internacionais, o banco não financia empresas que não sejam auditadas por uma das“big-four”. Para crescer no mercado brasileiro, o banco identificou várias firmas, mas muitas delas eram auditadas por firmas nacionais de auditoria. Como resolver o impasse? O banco passou a contatar e visitar as referidas firmas nacionais de auditoria para poder conhecê-las. No nosso caso, o resultado foi altamente positivo, pois os nossos clientes, onde o banco tinha interesse de operar, passaram a ser contatados pelo banco. Recebemos um comunicado do porta voz do banco de que nossa empresa estava aceita pelo banco como auditora de seus potenciais clientes. Lógico que isto tudo é um processo. Falar de um banco nacional brasileiro, mesmo do porte de um Bradesco, Itaú ou Unibanco nas principais bolsas internacionais é a mesma coisa que falar em termos de umaauditoria independente como a Boucinhas e Campos, a Soteconti, a Nardon, Nasi, a Teixeira, a Walter Heuer, a Fernando Motta e outras. Não vale nada. O mercado internacionalnão nos conhece, nem os bancos, nem os auditores. Basta a ver os IPOs ocorridos nos últimos dois anos no Brasil e verifica-se que Bradesco, Itaú e Unibanco pouco participaram como líderes dos lançamentos. Só dá CreditSuisse e UBS Pactual e as vezes o Citibank e o J.P. Morgan. E olha que estes dois últimos são grandes no mercado internacional. Globalização é isto! Continuamos com nosso pedacinho nacional.  07 –OS TEMPOS DAS 2000 HORAS  Quando comecei na atividade da auditoria independente ouvia de nossos concorrentes internacionais, na época as “big-eight”, de que a elas só interessavam clientes nacionaiscom uma expectativa de 2000 horas anuais. Algumas dessas oito grandes firmas internacionais nem tinham clientes nacionais, como já antes mencionei. Foi neste nicho de mercado que muitas firmas nacionais entraram e começaram a ganhar espaço. Foi o que fizemos em nossa empresa.  Além disso, procuramos solidificar nossa presença em áreas onde as “big-eight” não tinham a menor experiência e o menor interesse: setor agropecuário e especialmentecooperativas. Nossa empresa ficou conhecida nacionalmente como aquela que era especializada em cooperativas. Embora não atendiamos somente cooperativas agropecuárias,este setor representou substancial participação em nosso faturamento. Chegamos a auditar mais de duzentas cooperativas em vários estados brasileiros e realmente temos umasubstancial experiência no segmento. Como o cooperativismo cresceu de forma impressionante nas décadas de 70 e 80 em nosso país, o crescimento de nossa empresatambém foi significativo.Lamentavelmente o setor teve inúmeros problemas já na década de 80 por problemas de gestão, que culminaram com a crise dos anos 90 pelas políticas econômicasequivocadas e mal sucedidas, atingindo diretamente (ou quebrando) o setor agropecuário brasileiro. Das 2000 horas como fator essencial da busca de clientes na década de 60, hoje as “big-four” disputam clientes de 200 horas ano pau a pau com as firmas nacionais, brigandonão mais com as médias firmas nacionais, mas com as pequenas firmas de auditoria.  As pequenas firmas de auditoria lutam por um espaço pequeno e sua arma é apenas o preço e o atendimento pessoal, ficando restritas às pequenas e médias empresas. Para as firmas médias de auditoria, como a nossa, não resta outra alternativa do que a segmentação do mercado e buscar clientes de porte médio e grande, que não tenham aobrigação de contratar firmas internacionais, além do atendimento pessoal dos sócios e outras vantagens competitivas que me reservo o direito de não mencionar.  08 –ONDE AS “BIG-FOUR” QUEREM CHEGAR  
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