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A TESSITURA EPILÍRICA DE LEAVES OF GRASS

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS FACULDADE DE LETRAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA FRANKSLAYNE PARANISTA DE OLIVEIRA BORGES A TESSITURA EPILÍRICA DE LEAVES OF GRASS GOIÂNIA 2012 Termo de Ciência
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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS FACULDADE DE LETRAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA FRANKSLAYNE PARANISTA DE OLIVEIRA BORGES A TESSITURA EPILÍRICA DE LEAVES OF GRASS GOIÂNIA 2012 Termo de Ciência e de Autorização para Disponibilizar as Teses e Dissertações Eletrônicas (TEDE) na Biblioteca Digital da UFG Na qualidade de titular dos direitos de autor, autorizo a Universidade Federal de Goiás UFG a disponibilizar gratuitamente através da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações BDTD/UFG, sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o documento conforme permissões assinaladas abaixo, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data. 1. Identificação do material bibliográfico: [ x ] Dissertação [ ] Tese 2. Identificação da Tese ou Dissertação Autor(a): FRANKSLAYNE PARANISTA DE OLIVEIRA BORGES CPF: Seu pode ser disponibilizado na página? [ x ]Sim [ ] Não Vínculo Empregatício do autor: Professor de Língua Inglesa da Rede Estadual e Municipal de Educação de Inhumas Agência de fomento: Sigla: País: Brasil UF: GO CNPJ: Título: Palavras-chave: Modernidade. Hibridismo. Poesia epilírica. Walt Whitman Título em outra língua: The Epilyric Texture of Leaves of Grass Palavras-chave em outra língua: Modernity. Hybridism. Epilyric poetry. Walt Whitman Área de concentração: Poéticas da Modernidade Data defesa: 02 DE ABRIL DE 2012 Programa de Pós-Graduação: Orientador(a): Profa. Dra. Goiandira de Fátima Ortiz de Camargo CPF: Co-orientador(a): CPF: Informações de acesso ao documento: Liberação para disponibilização?1 [ X ] total [ ] parcial Em caso de disponibilização parcial, assinale as permissões: ] Capítulos. Especifique: [ ] Outras restrições: Havendo concordância com a disponibilização eletrônica, torna-se imprescindível o envio do(s) arquivo(s) em formato digital PDF ou DOC da tese ou dissertação. O Sistema da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações garante aos autores, que os arquivos contendo eletronicamente as teses e ou dissertações, antes de sua disponibilização, receberão procedimentos de segurança, criptografia (para não permitir cópia e extração de conteúdo, permitindo apenas impressão fraca) usando o padrão do Acrobat. Data: _10 / _07 / 2012 Assinatura do(a) autor(a) 1 Em caso de restrição, esta poderá ser mantida por até um ano a partir da data de defesa. A extensão deste prazo suscita justificativa junto à coordenação do curso. Todo resumo e metadados ficarão sempre disponibilizados. 2 FRANKSLAYNE PARANISTA DE OLIVEIRA BORGES A TESSITURA EPILÍRICA DE LEAVES OF GRASS Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Literatura, na área de concentração Poéticas da Modernidade, do Departamento de Letras da Universidade Federal de Goiás para obtenção do título de Mestre em Literatura. Orientadora: Profa. Dra. Goiandira de Fátima Ortiz de Camargo. Goiânia 2012 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) GPT/BC/UFG B732t Borges, Frankslayne Paranista de Oliveira. A tessitura epilírica de Leaves of Grass [manuscrito] / Frankslayne Paranista de Oliveira Borges f. Orientadora: Profª. Drª. Goiandira de Fátima Ortiz de Camargo. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal de Goiás, Faculdade de Letras, Literatura estadunidense Poesia. 2. Modernidade. I. Witman, Walt. II. Título. CDU: (73)-1.09 3 FRANKSLAYNE PARANISTA DE OLIVEIRA BORGES A TESSITURA EPILÍRICA DE LEAVES OF GRASS BANCA EXAMINADORA Dra. Goiandira de F. Ortiz de Camargo (Orientadora) FL/UFG Dr. Jamesson Buarque FL/UFG Dr. Goiamérico Felício FACOMB/UFG 4 Agradecimentos Ao meu amado companheiro, por toda paciência, incentivo e colaboração. Ao meu filho Emanuel, por todos os momentos em que estive ausente. A todos os professores e funcionários da Faculdade de Letras que me ajudaram de alguma forma. À banca de qualificação, pelas orientações dispensadas ao meu trabalho. Enfim, à minha querida professora orientadora, por toda compreensão com as limitações, colaboração intelectual e palavras de incentivo e acolhimento. Two roads diverged in a wood, and I I took the one less traveled by, And that has made all the difference. Robert Frost 5 6 RESUMO Nesta dissertação trataremos da poesia de Walt Whitman sob os aspectos que articulam o lírico e o épico numa unidade epilírica, tendo como objeto a obra Leaves of Grass em sua edição de Averiguaremos, ainda, os pressupostos teóricos da modernidade e as caracterizações da poesia moderna, fundamentais para a compreensão do projeto ideológico e estético do poeta, demonstrado em seu prefácio de 1855, bem como da sua importância para o próprio modernismo na poesia no século seguinte. Em seguida, nos aprofundaremos no estudo da subjetividade expressa na obra em questão, que se configura polimorficamente, como demonstram as categorias propostas por Kinnaird (1962) e Bloom (2001). Por fim, verificaremos como Whitman lançou mão de aspectos da literatura épica para construir sua obra e executar seu projeto de ser o poeta nacional estadunidense. PALAVRAS-CHAVE Modernidade, hibridismo, poesia epilírica, Walt Whitman. 7 ABSTRACT In this dissertation we will discuss Walt Whitman s poetry in the aspects that articulate the lyric and the epic in an epilyric unity, taking the 1892 edition of Leaves of Grass as its study object. We shall ascertain the theoretical assumptions of modernity and modern poetry characteristics, which are crucial to the understanding of the poet s aesthetic and ideological project, as delivered in his preface for the 1855 edition, as well as his importance to modernism in poetry in the following century. Subsequently, we shall examine carefully the subjectivity expressed in the book at issue, which is polymorphically shaped, as it s showed by the categories proposed by Kinnaird (1962) and Bloom (2001). Finally, we shall find how Whitman used aspects of the epical literature to construct his oeuvre and carry out his design to become the national poet of the United States. KEYWORDS Modernity, hybridism, epilyric poetry, Walt Whitman. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO: PONDO OS PÉS NA ESTRADA ABERTA MODERNIDADE E POESIA MODERNA A modernidade sob vários olhares O modernismo Poesia moderna Hibridização dos gêneros Walt Whitman e Ralph Emerson A poética de Leaves of Grass Verso livre Paralelismo Enumeração caótica A SUBJETIVIDADE POLIMÓRFICA DO POETA As múltiplas vozes na poesia de Leaves of Grass Em minha alma a tudo ouvi O eu real inenarrável, intocável e inalcançável O eu a persona Walt Whitman O cosmos diversidade, amplitude e soberba do ser O grosso a beleza da simplicidade O americano a voz dos emudecidos da sociedade SUBJETIVIDADE ÉPICA Fatos históricos Sobre o contexto da literatura nacional Whitman e o caráter nacional Narrando a história em meio ao caos Os dissabores da guerra Dedicatória, invocação e divindade...93 CONSIDERAÇÕES FINAIS...98 REFERÊNCIAS...101 9 INTRODUÇÃO: PONDO OS PÉS NA ESTRADA ABERTA Encontrei-me com o poeta Walt Whitman pela primeira vez por volta do ano de 2002, não me lembro exatamente, ao chegar atrasada na aula de inglês no curso de idiomas que eu frequentava. Ao abrir a porta da sala, deparei-me com meu professor e um colega, de pé bradando, O Captain! My Captain! our fearful trip is done/ the ship has weather d every rack, the prize we sought is won,/ The port is near, the bells I hear, the people all exulting, Nossas aulas de inglês eram sempre muito movimentadas e, ao invés de ficarmos repetindo palavras e frases de um CD, declamávamos com nosso sotaque goiano algumas das profundas canções whitmanianas ou de outros grandes nomes da poesia em língua inglesa. Posteriormente, quando ainda nos detínhamos no estudo da poesia norte-americana, fui apresentada à seção 9 do poema Song of the open road e fui enfeitiçada pelos primeiros versos que dizem Allons! whoever you are come travel with me!/ Travelling with me you find what never tires. O poema me encantou tanto que, na semana seguinte, levei-o traduzido para as aulas de português de uma escola pública em que trabalhava. Viajamos com o poema para o interior de nossas vidas e descobrimos nossos portos, as águas calmas ou turbulentas da adolescência de meus alunos e os medos de se iniciar uma viagem rumo a novas descobertas e conquistas. A opção de trabalhar com Leaves of Grass na pesquisa de mestrado foi um enorme desafio, pois, nunca havia estudado poesia minuciosamente e, me apossando das palavras de Whitman, acreditei que seria o momento de navegar sem rumo por mares bravios. Naufragando algumas vezes, vencendo outras. E assim, essa pesquisa de mestrado foi sendo fecundada. Escolhemos, para o nosso estudo, a última edição de Leaves of Grass, datada de 1892 e conhecida como Death bed edition. Nessa edição, já consolidada, podemos abordar a subjetividade lírica de forma mais enfática e, ainda, atravessar os aspectos épicos da obra. Então, este trabalho pretende tratar das possibilidades de entrelaçamento dos estilos poéticos lírico e épico, pautando-se na premissa de que com o turbilhão da modernidade uma obra pura e apenas baseada na verdade do sujeito empírico não é mais possível. Para tanto, o objetivo principal é investigar o desenrolar da subjetividade polimórfica de Whitman e suas contribuições para a poesia moderna, caracterizando o herói de Leaves of Grass como pertencente ao contexto da modernidade que traz consigo mudanças bruscas no contexto literário e social. No contexto dessas mudanças, estão os Estados Unidos da América, uma nação jovem e que busca construir sua identidade. 10 Este trabalho concebe Leaves of Grass como um único poema que, segmentado em catorze seções compostas de quase quatrocentos poemas, sofreu rearranjos durante os quase quarenta anos em que foi escrito. Leaves of Grass é uma obra de grande valor literário para os Estados Unidos da América e também para o mundo, uma vez que nela encontramos grandes revoluções que marcaram a segunda metade do século XIX e influenciaram o mundo literário. Revoluções essas de cunho estético (como o advento da modernidade nas artes), histórico-social (como a Guerra Civil estadunidense, a libertação dos escravos e a formação da identidade dos Estados Unidos). Para a escrita dos capítulos, selecionamos alguns poemas da última edição de Leaves of Grass de 1892 e com reedição em Os poemas selecionados estão na língua original, inglês, e traduzidos em notas de rodapé conforme traduções de Luciano Alves Meira (2006). O primeiro capítulo, intitulado Modernidade e Poesia moderna será pautado em uma apresentação teórica baseada nos conceitos de Modernidade e de poesia moderna, sob a ótica de Hans Enzensberger (1985), Charles Baudelaire (1996), Ezra Pound (1991), Hugo Friedrich (1991), Malcolm Bradbury (1989), entre outros, de modo a observar tais ideias à luz de Leaves of Grass. Abordaremos também a questão da hibridização dos gêneros pautada nos estudos de Emil Staiger (1997) e Gilberto Mendonça Teles (1973) apresentando o termo epilírico. Ainda nesse capítulo, faremos uma pequena apresentação do poeta Walt Whitman e as influências de Ralph Emerson sobre o mesmo. Ressaltaremos os aspectos estéticos de Leaves of Grass, de forma a analisar a composição dos versos livres, a técnica do paralelismo e da enumeração caótica, o que nos leva a conceber a poética de Whitman como integrante da estética moderna. É preciso advertir o leitor de que, para abordarmos esses aspectos estéticos da obra, alguns poemas de Whitman não obedecerão às normas técnicas de recuo na página. Denominado A subjetividade polimórfica do poeta, o segundo capítulo discutirá a problemática da subjetividade whitmaniana. Esse tópico fora deslocado do primeiro capítulo por merecer uma melhor exploração. No desenrolar da discussão sobre a subjetividade na obra em questão, destacaremos algumas das vozes ou personas que se afloram nas páginas de Leaves of Grass. Para tratar dessas vozes ou personas nos basearemos nos estudos de Irene Ramalho dos Santos (2007), Alfonso Berardinelli (2007), Michel Collot (2004), D. H. Lawrence (1962), John Kinnaird (1962) e Harold Bloom (2001), estudiosos que perseguem o conflituoso mundo do sujeito lírico moderno. A subjetividade épica é o título do terceiro capítulo. Nessa parte do texto, a análise gira em torno da exposição dos aspectos épicos da obra, bem como da construção 11 identitária dos Estados Unidos almejada pelo poeta. Buscamos averiguar de que forma o poeta viu e expressou os momentos mais marcantes da história dessa nação e os feitos que o levaram a considerar que o jovem país seria a nação das nações. Seu país era para o bardo um grande poema vivo, de onde ele retirou narrativas poéticas, dissaborosos estilhaços de guerra e a busca pela expansão territorial, que afirmaram o poderio da nação. Como suporte crítico e teórico teremos como base os estudos hegelianos e perfilaremos os estudos de Alexis de Tocqueville (1997), Edward Dowden (1871), Richard Ruland e Malcolm Bradbury (1932), Staiger (1997), James Miller Jr. (1962) e M. Jimmie Killingsworth (2007). A opção por essa pesquisa deriva do desejo de contribuir para a fortuna crítica de Walt Whitman no Brasil. Vale assinalar que, apesar de o poeta ter publicado sua primeira edição em 1855, consolidando-a em 1892, no Brasil, ainda encontramos poucos trabalhos sobre Leaves of Grass e apenas uma tradução de sua obra completa. Este trabalho surge, então, como uma possibilidade de colaboração na pesquisa sobre o poeta, haja vista que o bardo norte-americano contribuiu não só para a poesia moderna estadunidense, mas para a de todo o mundo, como atesta a sua ressonância nos escritos de tantos poetas do século XX e mesmo nos dos hodiernos. 12 1. MODERNIDADE E POESIA MODERNA 1.1 A modernidade sob vários olhares A discussão deste trabalho terá início tratando de um tema de múltiplas vertentes: a modernidade. Entendemos que os diversos pontos de vista acerca da modernidade estabelecem-se frente à dificuldade em instituir um único consenso entre teóricos, críticos, filósofos e poetas que abordaram este assunto. Tendo em vista que nosso objetivo não é asseverar uma única verdade, visitaremos algumas noções do que seja a modernidade. Para isso, nos fundamentaremos em autores como Charles Baudelaire (1996), Marshall Berman (1992), Antoine Compagnon (1996), Malcolm Bradbury (1989), Irlemar Chiampi (1991) e Octavio Paz (1993). Após este momento, indicaremos uma proposta para a definição de modernismo pautada em Bradbury e McFarlane (1999). Mais adiante, perfilaremos o que é a poesia moderna sob a ótica de Friedrich (1991), Berardinelli (2006), Paz (1996) e Enzensberger (1985). Baudelaire, no livro Sobre a Modernidade (1996), explicita o que seria sua ideia de modernidade caracterizando-a como o transitório, o efêmero, o contingente, é a metade da arte, sendo a outra metade o eterno e o imutável (BAUDELAIRE, 1996, p.26). Assim, modernidade é a capacidade que os artistas precisam ter para obter o eterno a partir do transitório. Outro aspecto a ser ressaltado na concepção do poeta francês acerca da produção moderna diz respeito à dualidade entre obra e homem moderno, sendo a primeira um consequente reflexo do último. Para Berman (1992), a modernidade é um período altamente marcado por um turbilhão que arrasta os mais diferenciados indivíduos, rumo a um projeto de industrialização, descobertas científicas e tecnológicas, explosão demográfica etc. O homem imerso nesse contexto moderno de fluidez, contradições e desequilíbrios sofre grande angústia e conflitos. Desse modo, os estilhaços desse turbilhão da vida moderna como é discutida por Berman podem ressoar diretamente na forma como o homem expressa sua subjetividade. A voz dada à subjetividade precisa, por sua vez, ser tão dinâmica quanto a própria realidade: Irônica e contraditória, polifônica e dialética, essa voz denuncia a vida moderna em nome dos valores que a própria modernidade criou, na esperança não raro desesperançada de que as modernidades do amanhã e do dia depois de amanhã possam curar os ferimentos que afligem o 13 homem e a mulher modernos de hoje. Todos os grandes modernistas do século XIX espíritos heterogêneos como Marx e Kiekegaard, Whitman e Ibsen, Baudelaire, Melville, Carlyle, Stirner, Rimbaud, Strindberg, Dostoievski e muito mais falam nesse ritmo e nesse diapasão (BERMAN, 1992, p.23). Compagnon (1996) define o moderno como o momento de ruptura com a tradição, todavia, ressalta que moderno, modernismo e modernidade não são tão claros e distintos como se pode supor, pois não se constituem de conceitos fechados. A modernidade baudelairiana, por exemplo, é uma resistência à própria modernidade. Segundo Compagnon, o novo para Baudelaire é o pessimismo, já Rimbaud, recusando o antigo se torna o multiplicador do progresso. Compagnon (1996) caracteriza a modernidade como o período da redução do ser ao novum. Dessa forma, ele menciona o ano de 1823, período em que o substantivo modernidade já estava contido em Balzac; que modernismo aparecera em Huysmans, no Salão de 1879; e que o adjetivo moderno é o mais antigo dos três, tendo surgido no latim vulgar no final do século V da era cristã, significando agora mesmo, recentemente, agora. Então, entende-se que Modernus designa não o que é novo, mas o que é presente, atual contemporâneo daquele que fala (COMPAGNON, 1996, p.17, grifos do autor). Para o nosso século, o moderno tem um sentido nebuloso, porque está associado ao progresso. Este é entendido como um sentido positivo do tempo no qual um desenvolvimento linear, cumulativo e causal, supõe certamente o tempo cristão, irreversível e acabado. Mas ele o abre para um futuro infinito (COMPAGNON, 1996, p.19). Considerando Baudelaire como o inventor da modernidade, o teórico afirma que para esse grande poeta a modernidade deve representar seu tempo e sua temática sem se prender ao academicismo. É com ele também que a função poética e a crítica se entrelaçam. Compagnon assinala ainda que os primeiros modernos não imaginavam que representassem uma vanguarda, no sentido de julgarem a sua prática artística. O livro Os Fundadores da Modernidade, coordenado por Chiampi (1991), considera uma coletânea de ensaios, cartas, notas, prefácios, fragmentos e comentários, que documentam os momentos primordiais dos cem anos de instalação da modernidade estética, iniciada na literatura alemã, inglesa, francesa e seus reflexos nas literaturas italiana, russa, norte-americana, espanhola e hispano-americana. Faz-se necessário lembrar o contexto social, político e cultural no qual se instalou o chamado mundo moderno. Ele se deu mediante duas instâncias de modernização, para as quais não é possível registrar um desenvolvimento paralelo dentro de uma sociedade ou de uma cultura: 14 (...) a modernização social, que advém da separação da esfera econômica (capitalista) da política (o Estado moderno); e a modernização cultural, promovida com a diferenciação das esferas axiológicas a ciência, a moral e a arte antes subsumidas na religião e na metafísica (CHIAMPI, 1991, p.17). Ainda dentro da perspectiva de Os Fundadores da Modernidade, não é possível uma única definição para o termo moderno (grifo nosso). Ele também não pode ser pensado em termos cronológicos. Então, notamos que o período eleito, pelos textos e autores selecionados neste livro, para marcar a modernidade das literaturas de língua inglesa está situado em torno da década de 1870, todavia, sabemos que é possível notar indícios dessa modernidade com rupturas poéticas e críticas desde os pré-românticos, como, por exemplo, W. Blake e, no caso dos norte-americanos o que é mais pertinente a essa pesquisa R. W. Emerson, Walt Whitman e Emily Dickinson não deixaram de ser mencionados na lista dos precursores da modernidade. Emerson com seus ensaios transcendentalistas, Whitman com seus versos livres, o descaso pela rima e a sintaxe convencionais, e Dickinson pelo uso das imagens. Todos esses poetas marcaram significantemente essa época: Todos e
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