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A Utopia Tropical de Eduardo Giannetti

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Texto sobre as ideias de Eduardo Gianetti e as potencialidades econômicas e sustentáveis do capitalismo brasileiro.
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  30/06/2016 ZGUIOTTO: A utopia tropical de Eduardo Giannettihttp://zelmar.blogspot.com.br/2016/06/a-utopia-tropical-de-eduardo-giannetti.html 1/4 ZGUIOTTO 2013 ZGUIOTTO domingo, 26 de junho de 2016  A utopia tropical de Eduardo Giannetti HÉLIO SCHWARTSMAN* RESUMO Em novo livro, composto de microensaios, EduardoGiannetti analisa a relação entre ciência e o avanço da espéciehumana. Para o economista, que foi consultor de Marina Silva emsua campanha à Presidência em 2014, o caráter brasileiro podeajudar a resolver o impasse entre progresso e sustentabilidade. Trópicos Utópicos , o mais recente livro de Eduardo Giannetti, é uma obra ambiciosa. Oautor busca, numa sequência de 124 microensaios, que se estendem por apenas 163páginas do breve volume [Companhia das Letras, 216 págs., R$ 49,90], identificar a crisecivilizatória que acomete nossos tempos, destrinchar as ilusões que a alimentam e aindaesboçar uma saída para o problema, sob a perspectiva brasileira. Caberá ao leitor julgar em que medida Giannetti cumpre essas promessas, mas possoassegurar que é um grande prazer navegar pelos textos, que amalgamam insights valiosos com informações relevantes, erudição e estilo. Mesmo que o leitor discordeinteiramente dos diagnósticos e da terapia propostos pelo autor, encontrará farto materialpara reflexão.  Visitador Participar deste site Google Friend Connect Membros (400) Mais »Já é um membro? Fazer login Seguidores ▼ 2016 (296)▼ Junho (38)“Uma criança refugiada não se salva comcomida, é ...É possível educação de qualidade paratodos?O Brexit segundo FukuyamaLévy, Morin e o erro de MessiNélida Piñon: ‘Quem não quer ser aventureiro?’ A utopia tropical de Eduardo GiannettiNeurociência e psicanálise: aliadas ouinimigas?SANTO AGOSTINHO A Europa precisa de um divã *Eduardo Giannetti : Tropicalismo utópico:a guinad...O que deu errado na União Europeia?PasárgadaRaquel Rolnik: ‘Nosso grande problemanão é o défi...'Quando ousaste foste homem!'Por que bacharéis em Direito escrevemtão mal?  Arquivo do blog   0  mais Próximo blog» Criar um blog Login  30/06/2016 ZGUIOTTO: A utopia tropical de Eduardo Giannettihttp://zelmar.blogspot.com.br/2016/06/a-utopia-tropical-de-eduardo-giannetti.html 2/4  Antes de prosseguir, em obediência ao princípio da transparência, devo alertar para umpotencial conflito de interesses. Como Giannetti é meu amigo, por mais objetivo que euprocure ser, é mais ou menos inevitável que esta resenha seja benevolente para com oautor e a obra. Cientes disso, os leitores podem dar a minhas observações os descontosque considerarem devidos.  A estrutura de Trópicos Utópicos é simples. Grosso modo , a primeira parte sustentaque a ciência falhou em sua promessa de banir o mistério do mundo e elucidar o sentidoda vida; a segunda mostra que os avanços tecnológicos têm um limite e jamais noslevarão ao completo domínio sobre a natureza; e a terceira afirma que o crescimentoeconômico e os ganhos civilizatórios a ele associados não levam necessariamente aoaprimoramento ético e intelectual da humanidade. Na quarta parte, Giannetti propõe umadiscussão sobre utopias e sobre a identidade nacional e sugere que algo contido nocaráter brasileiro pode nos ajudar a resolver os impasses descritos nas três partesanteriores.  A simplicidade da estrutura é, obviamente, enganosa. Todas as partes se inter-relacionam, e os microensaios, nome que Giannetti prefere a aforismos, embora possamser lidos de modo isolado, só adquirem pleno sentido se interpretados de forma maissistemática. Tenho várias discordâncias em relação aos tópicos discutidos, mas elas são muito maisde grau do que de natureza. Pincelo, sem nenhuma pretensão de exaurir as discussõessuscitadas pelo livro, alguns pontos que me pareceram especialmente instigantes. No que diz respeito à primeira parte, acho que nem o mais ferrenho positivista lógicosustentaria, hoje, que a ciência tem a resposta para todos os nossos problemas.Giannetti, porém, não se contenta em indicar os limites da ciência e mostrar que elatambém está calcada numa metafísica. Ele sustenta que a ciência, ao delimitar o tipo depergunta que é legítimo fazer, acabou corroendo as metafísicas, como a religião, quedavam sentido à existência. Isso é, para o autor, uma receita para o niilismo. Como jáensinava o físico Steven Weinberg, quanto mais compreendemos o universo, mais elefica destituído de propósito. Ou, para utilizar as palavras de Giannetti, a ciência ilumina,mas não sacia –e pior: mina e desacredita todas as fontes possíveis de repleção . De acordo. Mas, dando rédeas ao pequeno niilista que existe dentro de cada um de nós,pergunto: e se o universo e a existência forem de fato algo sem fim ou propósito? Seráque, aí, criar sentido onde não existe um, buscar a tal da repleção, não seria uma formade autoengano que a ciência teria por missão afastar? É claro que, ao dizer isso, já estou afirmando uma metafísica na qual a verdade (coloquem quantas aspas quiserem) prepondera sobre a fome de sentido (o termo é deGiannetti). O ponto central é justamente não conseguirmos, por mais que tentemos, noslivrar de alguma metafísica e nos faltarem critérios não metafísicos para hierarquizá-las. Aopção do autor pelo sentido é válida e, provavelmente, mais em linha com os apetiteshumanos, mas é apenas uma opção, entre outras possíveis. Na segunda parte, Giannetti desnuda sua faceta ecológica. Mas, se ele é um treehugger (abraçador de árvores), que denuncia o beco sem saída em que a exploraçãoinsustentável do planeta nos lança, não deixa de ser o economista racional, quereconhece as virtudes da economia de mercado, tanto em seus aspectos materiais(geração de prosperidade) como morais (promoção da liberdade). Conciliar as duas posições talvez seja impossível na prática, mas não o é na teoria. Opróprio sistema de preços pode trazer parte da solução, ensina Giannetti, se for recalibrado para refletir o impacto negativo que cada tecnologia, produto ou serviçoexerce sobre a biosfera.  Aproveito aqui para abrir um parêntese. Todos os ecologistas, do papa a Giannetti,passando pelos frequentadores de São Tomé das Letras, adoram falar mal do ar-condicionado. É como se esse aparelhinho não passasse de um luxo supérfluo quedevora energia em quantidades pantagruélicas, contribuindo enormemente para oaquecimento global. Admito que é egoisticamente prazeroso escapar ao calor senegalesco que muitas vezes nos assalta nos meses de estio, mas ares-condicionadostambém salvam vidas. E não poucas. Estudo de 2013 de Alan Barreca, da Universidade Tulane, ecolaboradores mostra que a adoção maciça de ares-condicionados pelos norte-americanos é o principal motivo para uma redução de 80% no número de mortesprematuras nos dias mais tórridos do verão naquele país. Pelas estimativas dos autores,os óbitos caíram de 3.600 ao ano no período entre 1900 e 1959 para 600 entre 1960 e2004. Os valores foram ajustados para permitir a comparação. Segundo Barreca, a Felipe Fernández-Armesto: “Vivemosuma era de ansi...Vladimir Safatle: O Brasil na era dosesgotamentos...VIVER COM POUCO CHEGA A morte do Hyperlink: ConsequênciasJúlio Pomar: Um quadro é como umfilho que se põe...Como experimentar Deus hoje. A vida no deserto da imaginação A importância do instintoEm filme de guerra, médica faz parto defreiras es...JORGE LUIS BORGES - Conferênciasperdidas sobre ta...Crimes da sociedade do espetáculoHenry Marsh: “Tenho um armário cheiodos meus pior...“Uma grande vitória da vida!”FERNANDO PESSOA: Poema inéditode Fernando Pessoa ... ADELA CORTINA: Não são os maispobres que violam ...Vaticanista italiano lança ataque contra opapaFelicidade, privilégio para todos.Ha-Joon Chang: Economia: modo deusar”Literatura. Da carne e do espírito“Há cegueira da esquerda para entender a nova clas...Homens na educaçãoFazer justiça injustamente.Parar o relógio e viver intensamente► Maio (38)►  Abril (31)► Março (55)► Fevereiro (52)► Janeiro (82)► 2015 (715)► 2014 (1041)► 2013 (1893)► 2012 (2384)► 2011 (2029)► 2010 (2247)► 2009 (1243)► 2008 (218)► 2007 (19) Zelmar Guiotto Montpellier, Montpellier, FranceVisualizar meu perfil completo Quem sou eu Pesquisar  Pesquisar este blog  30/06/2016 ZGUIOTTO: A utopia tropical de Eduardo Giannettihttp://zelmar.blogspot.com.br/2016/06/a-utopia-tropical-de-eduardo-giannetti.html 3/4 popularização dos ares-condicionados explica quase todo esse efeito. IDOLATRIA  Voltando a Trópicos Utópicos , a cegueira do sistema de preços para as externalidadesé apenas um dos muito desafios, que também incluem uma espécie de idolatria quemantemos em relação ao crescimento econômico e as próprias vicissitudes da liberdade(comportamentos individuais inofensivos, como ligar o ar-condicionado, podem se tornar um problema quando exercidos por multidões, como se vê pela crescente demanda deenergia elétrica). Na terceira parte, Giannetti se embrenha por temas tão variados como sociedade deconsumo, sexo e a combinação dos dois, expressa na máxima Se as mulheres nãoexistissem, todo o dinheiro perderia o sentido , atribuída ao milionário e sedutor  Aristóteles Onassis. Nesse capítulo, provavelmente o meu favorito, Giannetti vai, em seus microensaios,compondo um quadro não muito lisonjeiro, mas, a meu ver, bastante preciso da naturezahumana e da civilização.Na série discordâncias de grau, eu, como sou mais otimista do que o autor, enfatizariaum pouco mais o lado bonito de nossa história. É verdade que nós não passamos de animais, e as estruturas que nos ligam ao que seconvencionou chamar de civilização são frágeis, um verniz ralinho.  Ainda assim, considerada a série histórica longa, estamos fazendo um bom trabalho. Omundo nunca foi tão próspero quanto o é hoje –e mesmo os mais pobres se beneficiamdisso– e está se tornando cada vez menos violento. O processo de autodomesticaçãohumana, ao qual o autor alude, está dando certo, ainda que talvez não no ritmodesejado. O fato de haver barreiras físicas à continuidade dessa expansão não diminui ovalor do que logramos até aqui. É na quarta parte que Giannetti se torna um sonhático. Ele não perderia, é claro, aoportunidade de teorizar sobre isso. E o faz refletindo sobre o valor das utopias. Ocorre, porém, que a realidade objetiva não é toda a realidade. A vida dos povos, nãomenos que a dos indivíduos, é vivida em larga medida na imaginação. A capacidade desonho e o desejo de mudar fertilizam o real, expandem as fronteiras do possível ereembaralham as cartas do provável , escreve numa das várias passagens memoráveisdo livro.  A partir daí, Giannetti passa a se mover no terreno mais pantanoso da psicologia dospovos. Se, até o século 19, esse era um tópico quase obrigatório para autores tãodiversos quanto Rousseau, Montesquieu, Marx, Nietzsche etc, ele se tornou suspeito emalgum momento do século 20, quando passou a ser visto como uma generalizaçãoinsustentável, quando não ingênua ou interessada. Confesso que fico um pouco incomodado com discussões sobre identidade nacional eseu corolário, que é a utilização de clichês como cordialidade do brasileiro , vocaçãopara a felicidade , exuberância tropical , país do Carnaval . Frequentemente, julgo ter mais em comum com um jornalista americano ou francês vivendo em Nova York ou Parisdo que com um brasileiro que habite em Belém do Pará e tire seu sustento da pesca. Por outro lado, não dá nem para começar a falar em cultura (um conceito que goza degrande prestígio na academia) sem ter como pressuposto certas comunalidades meioesotéricas e valores compartilhados que necessariamente resvalam nos clichêsmencionados.  Assim, considero legítima a incursão de Giannetti pela psicologia dos povos, mas nãoestou ainda certo de que compro sua conclusão –a saber, a de que o brasileiro, numaespécie de sabedoria não intencional, reúne as condições ideais para encontrar umcaminho do meio, que, sem renunciar à prosperidade e ao conforto materialproporcionados pela economia de mercado, consiga buscar em valores menosocidentalizados os freios necessários para manter o desenvolvimento numa escalacompatível com a preservação do planeta. Utopia? Provavelmente. Mas a intenção do autor é justamente nos provocar para quenão caiamos na armadilha da objetividade possível. Nota:   Trópicos Utópicos será lançado em São Paulo nesta segunda (27), às 19h, naLivraria Cultura do Conjunto Nacional. ----------------------- Inscrever-se  Postagens Comentários  30/06/2016 ZGUIOTTO: A utopia tropical de Eduardo Giannettihttp://zelmar.blogspot.com.br/2016/06/a-utopia-tropical-de-eduardo-giannetti.html 4/4 Postagem mais recente Postagem mais antigaPágina inicial  Assinar: Postar comentários (Atom)Postado por Zelmar Guiotto às 20:31  * HÉLIO SCHWARTSMAN, 50, é titular da coluna São Paulo, publicada na página 2 da Folha.FILIPE ROCHA, 27, é designer gráfico da Folha. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/06/1785008-a-utopia-tropical-de-eduardo-giannetti.shtml  Digite seu comentário... Comentar como:  Conta do Goog Publicar    Visualizar  Criar um link Nenhum comentário:Postar um comentárioLinks para esta postagem Modelo Watermark. Tecnologia do Blogger .
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