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A Verdade Cisgênero – Blogueiras Feministas

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Matéria que trata de forma clara a questão de gênero
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  2017-5-5 A verdade cisgênero – Blogueiras Feministashttp://blogueirasfeministas.com/2015/01/a-verdade-cisgenero/ 1/5  A verdade cisgênero Texto de Jaqueline Gomes de Jesus. Tentarei escrever da maneira mais didática possível.Foi uma sacada excelente a de quem, lá pelos anos 2000, resolveu utilizar apalavra “cisgênero” para se referir a pessoas não-trans. Logo foi adotada, às vezes como “cissexual” (dizem que o primeiro a cunhá-la foi o sexólogo, físicoe sociólogo alemão Volkmar Sigusch), por autoras como  Julia Serano, além demilitantes — especialmente as transfeministas — e acadêmicos anglófonos.Para as pessoas transgênero bem informadas, sempre soou estranho, porexemplo, chamar pessoas não-trans de “heterossexuais”, óbvia analogia a“homossexuais” (rea韺rmando a confusão comum entre orientação sexual e         2017-5-5 A verdade cisgênero – Blogueiras Feministashttp://blogueirasfeministas.com/2015/01/a-verdade-cisgenero/ 2/5 gênero). Nem toda pessoa trans é homossexual, e nem toda pessoa que não étrans é heterossexual. Representação de  Maat, deusa egípcia da verdade. Particularmente para as pessoas trans transfeministas (não estou sendoredundante), sua experiência de vida, e o conhecimento que tinham de como otermo “transgênero” — srcinalmente criado por pessoas cisgênero queobjetivavam o controle sobre corpos — ou “trans” era usado, mostravam-lhesque, no dia-a-dia, mais que ser tão-somente uma marca aplicada às pessoasque não se identi韺cam com o gênero que lhes era imposto socialmente; porparte das pessoas que não são trans, ao se reconhecerem como tais, a de韺niçãodo outro como trans não era acompanhada de um posicionamento grupal frentea essa construção social chamada “gênero”.Quero dizer, as pessoas não-trans não percebiam que também tinhamidentidade de gênero; e que detinham privilégios em função disso.Constatou-se que era politicamente necessário, para a humanização das pessoastrans e para a aproximação das pessoas não-trans com os debates em pauta,que estas pudessem ser nomeadas positivamente (isto é, que se vissem além deum “não”).Trans signi韺ca além. Logo, sabendo-se que o seu antônimo “cis” signi韺ca“deste lado”, criou-se, por contraposição, a palavra “cisgênero”, aplicada às  2017-5-5 A verdade cisgênero – Blogueiras Feministashttp://blogueirasfeministas.com/2015/01/a-verdade-cisgenero/ 3/5 pessoas que se identi韺cam com o gênero que lhes foi imposto socialmente.Eis uma ideia que se insurge contra saber aceito e compartilhado acerca dasidentidades de gênero. Mais que uma palavra, cisgênero é um posicionamento. Eressalte-se, quando falamos em “cisgeneridade” estamos nos referindo a umaidentidade social, e não apenas a uma expressão de gênero.No Brasil, ele vem sendo progressivamente utilizado, não apenas portransfeministas, e com uma surpreendente velocidade de apropriação. Nesseritmo, notam-se algumas reações contrárias à sua adoção, que por vezes sãoemotivas e chegam ao rechaço.Se parte das críticas advém de grupos que advogam a abolição de identidades,sob a inuências daS TeoriaS Queer, e temem que se possam estar marcandonovos estigmas (discordo, conhecendo os estudos feitos no campo dos estigmasdesde Erving Go韞man. As palavras estigmatizantes decorrem de estigmas queas antecederam na estrutura social, e não vice-versa); e outra de quem não sesente incluído nessa categoria (poderá vir a se sentir, quem sabe); uma parcela,sinceramente, aporta de quem duvida que pessoas trans possam dizer verdadesou encarná-las.Posso estar enganada, mas compreendo que estamos em uma fase de repúdio da verdade cisgênero.O 韺lósofo alemão Arthur Schopenhauer escreveu que toda nova verdade passapor três estágios: (1º) ridicularização, (2º) rejeição e, por 韺m, aceitação.“Isso é um absurdo”! A verdade da cisgeneridade não é mais tida como trivial, oque leva à ridicularização. Essa etapa ocorreu, quando era ideia era alvo decríticas super韺ciais e costumeiramente mal-educadas por parte de usuários dainternet, alguns militantes sociais.Suponho que certas pessoas discordam do termo “cisgênero” ou “cis” porpensarem que ser trans é apenas uma questão de aparência, e não percebem queser cis é, igualmente, apresentar uma aparência, mas que essas aparências sãooriundas de  formas de se colocar no mundo e de ser (ou não) reconhecidas .  2017-5-5 A verdade cisgênero – Blogueiras Feministashttp://blogueirasfeministas.com/2015/01/a-verdade-cisgenero/ 4/5 Foi superado esse momento (sou otimista). Quem critica hoje argumenta, nãoapenas vocifera ou defende o senso comum preconceituoso.“Isso é verdadeiro, porém perverso ou desnecessário”! Assim, a verdadecisgênero é questionada, tida como anti-dogmática frente às concepçõescientí韺cas prevalecentes sobre gênero. Um paradoxo para a pós-modernidade,não? Existem bíblias para além da Bíblia…Parece-me uma transição rápida, entre ridicularização e rejeição. Os defensoresdo uso do termo seguem lutando pelo seu reconhecimento, e se a suposição deSchopenhauer estiver correta, em breve leremos e ouviremos, até mesmo porquem se opôs, que “transgênero” e “cisgênero” — apesar das sombras e borrões que existem entre eles — são verdades auto-evidentes: “Isso sempre foi verdade, eu sempre disse que era uma boa ideia”!No dia em que pessoas trans tiverem os mesmos privilégios das cis, aí sim essestermos não terão mais sentido. Por enquanto, isso está bem longe de acontecer.  Autora  Jaqueline Gomes de Jesus é psicóloga, com doutorado em Psicologia Social, do Trabalhoe das Organizações pela Universidade de Brasília. Escreve no blog  Jaqueline J .Esse texto faz parte da Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Trans,organizada pelo site Transfeminismo.        Leia também: Laverne Cox 韺ca nua e expõe a exclusão do feminismo radical Anatomia do prazer: clitóris e orgasmosTira Dúvidas: Coletores MenstruaisO desrespeito a identidade de gênero no jornalismo brasileiro 447 3 10
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