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II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade, Ensino e Linguagem 06 a 08 de outubro de 2010 UNIOESTE - Cascavel / PR A VISÃO DIALÓGICA DO DISCURSO SANTOS, Robson Fagundes dos. (G – UNIOESTE) LUNARDELLI, Mariangela Garcia. (UNIOESTE) RESUMO: O presente estudo visa apresentar os pressupostos acerca da Análise do Discurso, com base no referencial teórico de Orlandi (2001); Maingueneau (1998); Brandão (2004); e Charaudeau e Maingueneau (2004). Também objetiva apresentar algumas direç
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  II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: 06 a 08 de outubro de 2010  Diversidade, Ensino e Linguagem UNIOESTE - Cascavel / PR ISSN 2178-8200 A VISÃO DIALÓGICA DO DISCURSO SANTOS, Robson Fagundes dos. (G  –   UNIOESTE) LUNARDELLI, Mariangela Garcia. (UNIOESTE) RESUMO: O presente estudo visa apresentar os pressupostos acerca da Análise do Discurso, com base no referencial teórico de Orlandi (2001); Maingueneau (1998); Brandão (2004); e Charaudeau e Maingueneau (2004). Também objetiva apresentar algumas direções teóricas a  partir do círculo de Bakhtin, com fundamentação em Brait (2005; 2008); Baccega (2000) e no  próprio Bakhtin (1997) e Bakhtin e Volochinov (2002). O círculo Bakhtiniano contribui com importantes apontamentos para a análise das relações discursivas, principalmente no que diz respeito à incorporação de outros discursos por um dado discurso, merecendo destaque os conceitos de dialogismo e de interação verbal. O dialogismo se apresenta como princípio constitutivo da linguagem. Trata-se de seu funcionamento real, em que um dado discurso faz uso de outros discursos em uma esfera de comunicação verbal. Sobre a interação verbal, ela se apresenta como constituinte da verdadeira substancia da língua, uma vez que surge a partir da enunciação, da interação entre os indivíduos localizados em um determinado grupo social. Além desses conceitos, este estudo apresenta os conceitos de polifonia, enunciação, enunciado, horizonte social e auditório social. Os discursos estão presentes em todas as dimensões da sociedade, sendo de suma importância a compreensão dos mesmos fundamentados nas condições históricas, culturais e sociais, revelando-se como elos de uma corrente comunicativa ininterrupta. PALAVRAS-CHAVE : Análise do discurso, Relações discursivas, Dialogismo, Interação verbal. 1  –   Introdução Os estudos referentes ao discurso e à relação que este mantém com outros discursos é o que nos leva a uma visão das relações discursivas que se fundamenta a  partir dos estudos do círculo bakhtiniano. Uma vez que a Análise do Discurso se relaciona com diferentes campos do conhecimento, temos uma abordagem semiótica que postula que as relações discursivas interagem através do dialogismo. Ademais, serão explanados outros conceitos que fazem parte do círculo de Bakhtin e que complementam a análise dessas relações como,  por exemplo, a enunciação, a palavra, a interação verbal, o diálogo e o conceito de  polifonia. 2 - Análise do discurso  II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: 06 a 08 de outubro de 2010  Diversidade, Ensino e Linguagem UNIOESTE - Cascavel / PR ISSN 2178-8200 A análise do discurso é o domínio interdisciplinar que toma o discurso como seu objeto próprio, buscando compreender a língua em movimento, como uma entidade na qual a ideologia se manifesta. Por estar em relação com os gêneros de discurso trabalhados em diferentes setores do espaço social ou nos campos discursivos (político, científico), e entendida como uma disciplina que visa à articulação da enunciação sobre um certo lugar social, compete-nos apresentar, a partir do interesse da análise do discurso pelos diferentes corpora de outras disciplinas como a sociolingüística, a análise conversacional e outros, as diferentes linhas de pesquisa que ela toma, uma vez que se apoia nas disciplinas vizinhas adotando diferentes pontos de vista. Assim, por entrecruzar-se com as ciências humanas, postula- se que “há analistas do discurso mais sociólogos, outros mais lingüistas, outros mais psicólogos. A essas divisões acrescentam-se as divergências entre as múltiplas correntes” (MA INGUENEAU, 1998, p. 14). Surgida na França, na década de 60, a análise do discurso rompe com a tradição de práticas teórico-analíticas voltadas para a interpretação e procura, com base na articulação da Linguística, do Marxismo e da Psicanálise, evidenciar as muitas maneiras de significar a partir da materialidade linguística, entendendo a língua enquanto produção de sentido, relacionando-a com sua exterioridade, suas condições de  produção. Ao considerar o discurso como um objeto sócio-histórico, a Análise do Discurso critica a prática das Ciências Sociais e da Linguística, fazendo uma reflexão de como a linguagem se materializa na ideologia e como a ideologia se manifesta na língua. Surge assim, a relação língua-discurso-ideologia, uma vez que a ideologia tem como materialidade específica o discurso, e este a língua (ORLANDI, 2001, p. 16). A ideologia é compreendida como “condição para a constituição d o sujeito e dos sentidos” (IBID,  p. 46). Assim, tem-se o fato de que o indivíduo, estando diante de qualquer objeto simbólico e incumbido de interpretá-lo, irá questionar a sua função, o significado e propósito, utilizando-se das evidências e relacionando-se com suas condições materiais de existência. A ideologia traça esse propósito e se coloca como função da relação do sujeito com a língua e a história, no intuito da construção de sentido. É a relação necessária entre a linguagem e o mundo.  II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: 06 a 08 de outubro de 2010  Diversidade, Ensino e Linguagem UNIOESTE - Cascavel / PR ISSN 2178-8200 O discurso, como objeto sócio-histórico e produto ideológico importante nessa relação, depende do sujeito para existir, necessita de uma entidade que o produza, sendo o sujeito movido pela ideologia, “não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia: o indivíduo é interpelado em sujeito pela ideologia e é assim que a língua faz sentido” (PÊCHEUX, 1975 apud ORLANDI, 2001, p. 17). A língua 1 , a partir da análise do discurso, não é vista como um produto abstrato, mas como maneiras de significar, como produção de sentido, fazendo parte do mundo. A linguagem se coloca como meio de comunicação e interação social. O indivíduo faz  parte da história e, por isso, é necessário considerar os processos e as condições de  produção da linguagem; “a linguagem é linguagem porque faz sentido. E a linguagem só faz sentido porque se inscreve na história” (ORLANDI, 2001, p. 25). É a pa rtir da Análise do Discurso que se tem a relação entre o sentido e a linguagem, a capacidade do indivíduo de significar e significar-se. Mas é preciso evidenciar aqui o direcionamento desse domínio interdisciplinar, de acordo com os objetos de estudo e a abordagem desses objetos por diferentes teóricos e suas linhas de pensamento. Assim temos a distinção teórica de no mínimo dois domínios interdisciplinares: uma Análise do Discurso dominada pelas correntes interacionistas e etnometodológicas, dedicadas ao estudo da língua, cujo objeto de estudo é a conversação ordinária e a Análise do Discurso de linha francesa, a  AD , como apresentam Pêcheux e Fuchs (1975 apud   BRANDÃO, 2004, p. 32), que articula as Ciências Sociais (História, Sociologia e Filosofia), Linguística, Teoria do Discurso e Psicanálise. Para a realização da análise do discurso, é necessário apropriar-se do conceito de interdiscurso. Em sentido amplo, a Análise do Discurso é entendida como um conjunto das unidades discursivas sejam elas partes de discursos anteriores de mesmo gênero ou pertencentes a discursos contemporâneos de outros gêneros, com as quais um discurso, em particular, entra em relação implícita ou explícita. Em sentido restrito, o interdiscurso é “um espaço discursivo, um conjunto  de discursos (de um mesmo campo 1  Na obra  Análise de Discurso: Princípios e Procedimentos, Orlandi (2001, p. 15) utiliza os termos língua e linguagem como sinônimos, isso se explica, talvez, porque estes termos não são objetos de estudo da Análise do Discurso, e sim o discurso significando “a palavra em movimento, prática de linguagem...”.    II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: 06 a 08 de outubro de 2010  Diversidade, Ensino e Linguagem UNIOESTE - Cascavel / PR ISSN 2178-8200 discursivo ou de campos distintos) que mantém relação de delimitação recíproca uns com os outros”  (CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2004, p. 286). 3 - O dialogismo e outros elementos norteadores nos estudos de Mikhail Bakhtin Para traçar um estudo sobre as relações discursivas, Mikhail Bakhtin postula que essas relações interagem através do dialogismo . Este parte da suposição de que “o nosso discurso não se relaciona diretamente com as coisas, mas com outros discursos que semi otizam o mundo” (F IORIN, 2006, p. 167). O indivíduo faz uso da linguagem  para estabelecer uma relação com a realidade. Assim, o dialogismo se apresenta como  princípio constitutivo da linguagem, que corresponde ao seu funcionamento real. Um dado enunciado faz uso de outros discursos dentro de uma esfera de comunicação verbal e mantém com estes uma relação de sentido: “A relação dialógica é uma relação de (sentido) que se estabelece entre enunciados na comunicação verbal. Dois enunciados quaisquer, se justapostos no plano do sentido (não como objeto ou plano lingüístico) entabularão uma relação dialógica” (BAKHTIN, 1997, p. 345).  Também é preciso, além do conceito de dialogismo, definir o termo enunciação . Uma vez que a palavra se dirige a um interlocutor, isto é, de alguém para alguém, tem-se a enunciação como um produto resultante da interação de dois indivíduos  posicionados e organizados socialmente. Assim, para determinar o meio social em que um indivíduo está situado, a época, os processos histórico-culturais e a constituição ideológica desse meio, aplica-se o termo horizonte social  . A reflexão do indivíduo, o mundo interior que é constituído sempre a partir das relações dialógicas tem um auditório social  , este que possibilita a construção das deduções interiores, das motivações e apreciações desse indivíduo (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2002, p. 112). Segundo Baccega (2000, p. 53), há uma distinção entre enunciação e enunciado. A enunciação se refere ao lugar onde o discurso nasce; um universo a disposição do sujeito que nele escolhe as palavras para combiná-las e formar seu enunciado. Já o enunciado é entendido como a “manifestação desse discurso, quer seja na modalidade escrita da língua, quer seja na modalidade oral”.  A palavra se estabelece como uma ponte entre o enunciador e o enunciatário, ou seja, como elemento constitutivo do enunciado:
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