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A VISÃO DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SOBRE O AMBIENTE ESCOLAR MEDIANTE À CULTURAL DESVALORIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA PELA SOCIEDADE

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A VISÃO DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SOBRE O AMBIENTE ESCOLAR MEDIANTE À CULTURAL DESVALORIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA PELA SOCIEDADE Camilla Pires Rosa Cunha 1 Cinthia Letícia de Carvalho Roversi Genovese 2
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A VISÃO DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO SOBRE O AMBIENTE ESCOLAR MEDIANTE À CULTURAL DESVALORIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA PELA SOCIEDADE Camilla Pires Rosa Cunha 1 Cinthia Letícia de Carvalho Roversi Genovese 2 RESUMO: O objetivo deste trabalho é entender os fatores sócio-culturais que levam os alunos do Instituto de Educação de Goiás à depredação do ambiente escolar. Através de observações e aplicação de questionários, os alunos se mostraram preocupados com a escola e muitos justificam agredi-la por ela já se encontrar depredada. Foram também observados fatores culturais externos à escola que motivam os alunos a tais práticas. A partir deste estudo sugerimos mudanças na rotina escolar para uma motivação à valorização do Ensino Público por parte de todos os atores da escola, trabalhando a interdisciplinaridade, tal como a História relacionando a importância que a escola pública tivera em nossa sociedade e a Educação Ambiental e Patrimonial para esta sensibilização. PALAVRAS-CHAVE: Depredação do âmbito escolar; Ensino público; Patrimônio; Crise cultural. JUSTIFICATIVA Considerando a importância de se estabelecer um novo conceito de âmbito escolar por parte dos alunos de Ensino Médio do Instituto de Educação de Goiás (IEG), para que estes possam não só conservá-lo e preservá-lo, mas também cobrar e construir melhoras para o mesmo, este trabalho busca diagnosticar a causa de problemas como a destruição do seu espaço e do patrimônio público por parte de seus alunos. Este diagnóstico foi feito na disciplina de Estágio Curricular Supervisionado I do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás. Procurou-se investigar como os alunos veem sua escola, acreditando que as percepções que os mesmos possuem de seu próprio ambiente escolar podem revelar as relações que eles estabelecem individual e coletivamente. Se não houver o sentimento de pertença neste meio, a vivência em coletividade com responsabilidade e solidariedade pode ficar prejudicada. Assim, a compreensão de como o aluno percebe o ambiente escolar pode desvelar quais valores e ações pedagógicas podem ser trabalhados. 1 Graduanda em Ciências Biológicas Licenciatura pela Universidade Federal de Goiás. 2 Professora de Estágio Supervisionado na Universidade Federal de Goiás. 1 É importante destacar a crise de valores que as escolas da rede pública da cidade de Goiânia-Go se encontram. Para Sacristan (2000), isso se deve a inúmeros fatores históricos, como a perda da sensibilidade para com a igualdade e a solidariedade, que é em si o modelo da educação pública. Para o autor, desde o final do século XX a educação é tida como uma mercadoria que se compra e que se pode vender em um mercado em que concorrem consumidores desiguais. Esse tipo de economia sem barreiras arrastou a versão da escola comum e igual para todos, pois a escola sustentada pelo Estado está longe de ser solidária, mas sim ineficaz (ibidem). Ainda, segundo o autor, outros fatores que influenciam essa desvalorização, são as mudanças sociais, decorridas da acumulação da população nas grandes cidades, e as consequentes transformações da família, o que leva a um maior número de estudantes procurarem pela escola pública. A família, por não ter vivenciado a escolaridade, muitas vezes, não consegue administrar a educação escolar de seus filhos. OBJETIVOS Mediante às pichações e deterioração da estrutura física do Instituto de Educação de Goiás, tradicional escola estadual de Goiânia, o objetivo almejado neste trabalho é diagnosticar quais fatores, sejam estes culturais, sociais ou com relação à formação educacional dos alunos, que os levam a este tipo de prática depredatória, pois o IEG acabara de receber verbas para uma reforma em suas dependências físicas e visa buscar métodos que levem os alunos a refletirem sobre a conservação e preservação do ambiente escolar. Com isso, objetivou-se também identificar quantitativamente e qualitativamente: As causas das agressões contra a estrutura física da escola; Qual o sentimento que o aluno tem com relação ao IEG; Se eles consideram o ambiente do IEG adequado para a prática docente; Se eles se preocupam com a preservação da escola; O que eles mais gostam e o que eles menos gostam na escola; Se eles sentem orgulho de estudar no IEG; E se conhecem a história do IEG, elemento que acreditamos que juntamente com a comemoração de 80 anos do IEG, se trabalhado de forma direcional, pode contribuir na sensibilização do aluno para a conservação da escola. METODOLOGIA A abordagem metodológica dessa investigação apresenta aspectos da pesquisa quantitativa enquadrando-se também à perspectiva da pesquisa qualitativa, uma vez que a mesma privilegia o desenvolvimento do processo investigativo, assim como os resultados obtidos (LÜDKE, 1986). A 2 pesquisa busca o conhecimento, para poder agir na base do saber pensar. Ao alimentar-se de dúvidas, de hipóteses, ela pretende através do conhecimento inovador manter a inovação como processo permanente (MARTINS, 2005). A observação foi o primeiro instrumento de coleta de dados utilizado para diagnosticar a dinâmica da escola estudada. Para Matos e Vieira (2001) a observação é uma técnica muito utilizada, principalmente porque pode ser associada a outros procedimentos, temos de observar, compreender o que é essencial e fazer registro (p.58). Buscando realizar os objetivos estabelecidos para o presente estudo, foi elaborado um questionário com o intuito de levantar dados sobre a opinião e a informação dos alunos do Ensino Médio sobre a escola em que estudam. O questionário continha 18 questões e foi trabalhado com 139 alunos do Instituto de Educação de Goiás (IEG), das Primeiras, Segundas e Terceiras Séries do Ensino Médio. Destas dezoito questões, oito foram selecionadas: O que você sabe sobre a história da sua escola? ; Você se sente parte da escola? ; Você tem orgulho de estudar aqui? ; Em uma palavra, o que você mais gosta na escola? ; Em uma palavra, o que você menos gosta na escola? ; Você considera o ambiente do IEG adequado para os alunos? ; Você se preocupa com a preservação da escola? ; Você já causou algum dano à escola? Por quê?. DISCUSSÃO TEÓRICA Através de observações feitas na escola, foi notório que o sentimento depredatório é intimamente influenciado por uma cultura que está cada vez mais consolidada entre os jovens de Goiânia, a cultura de marcar territórios, ligada a gangs, e torcidas organizadas. Mas também a uma cultura não só entre os jovens, mas por grande parte da sociedade, a cultura da desvalorização do Ensino Público e Gratuito, juntamente com a contradição que hoje a escola se encontra, com relação ao seu papel na educação do aluno, não só da socialização de conhecimentos construídos, mas deste como indivíduo. Quando esse papel é transformado, o equilíbrio do sistema escolar corre perigo. Embora seja certo que a educação é algo que não se pode remeter à formação recebida na escola, também o é que a crise da escola na sociedade foi tomada socialmente como o instrumento de medida dos males que nos atingem. Apesar da perda de legitimidade que tal situação traz, a escola continua sendo um dos principais agentes de socialização (FLECHA; TORTAJADA, 2000; TARDIF, 2005). As instituições educativas não estão sozinhas nessa missão de situar sujeitos no mundo do imediato, próximo e cotidiano, pois, espontaneamente, também outros agentes com quem mantêm relações de coexistência, de complementaridade, de apoio ou de confronto cumprem essa missão, como é o caso da família ou dos meios de comunicação (SACRISTÁN, 2000). 3 Um fator que contribui para a cultural crise da escola pública é o fracasso escolar. Os índices de fracasso escolar aumentaram na ultima década. Este é um dos principais motivos que levaram à deslegitimação da escola pública (FLECHA; TORTAJADA, 2000). A desvalorização da escola, principalmente do seu ambiente físico, parte do cansaço e da falta de fé nos sistemas educativos formais em sua crescente irrelevância nas preocupações políticas nacionais e internacionais, ou na nula presença que seus problemas têm nos meios de formação de opinião pública (SACRISTÁN, 2000). O que remete ao descaso e escassez de verbas para a manutenção do espaço físico da escola. O principal resultado obtido nos questionários, foi o fato de que uma maioria considerável dos alunos depreciam sua estrutura física e inclusive justificam as agressões para com a escola, com o fato de esta já se encontrar em uma situação precária. Levando em consideração essa crise de valores e os resultados obtidos através do questionário e das observações feitas, deve-se rediscutir o cotidiano escolar entre todos os atores do âmbito escolar, visando uma maior valorização da escola pública e minimizando os efeitos do senso comum já pré-estabelecido em grande parte da sociedade com relação à depreciação da escola pública. A educação, como esperança da modernidade, não só é esclarecedora com a cultura e construtora de uma ordem racional no intelecto, mas também é criadora de uma ordem na conduta individual e no comportamento social (SACRISTÁN, 1998). RESULTADOS ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Considerando a primeira questão, que aborda a história do IEG, notou-se que a grande maioria conhecia pouco sobre a história de sua escola. Grande parte dos alunos apenas citou que é uma escola antiga (14,50%), que está fazendo 80 anos em 2009 (22,90%) e que era uma escola apenas para mulheres, coordenada por freiras (19,30%), sendo que o restante não respondeu. Resultado insatisfatório, pois o Instituto de Educação de Goiás é uma tradicional escola e sua história contém importantes elementos culturais do Estado de Goiás. A maioria se sente parte da escola (87,05%) e se dizem preocupados com sua preservação (86,33%), mesmo com o fato de que a grande maioria (56,12%) não considera o IEG um ambiente escolar adequado. Mesmo assim, 66,19% dos alunos dizem ter orgulho de sua escola. Apesar de 86,33% dos alunos se dizerem preocupados com a preservação da escola, 33,09% deles confessaram já ter causado algum dano à sua estrutura física. Dentre as justificativas mais comuns, destacam-se os rabiscos às carteiras, principalmente relacionados à cola; pichações utilizadas 4 para marcação territorial; e principalmente justificativas relacionadas às condições degradadas na qual a escola já se encontrava. Alguns não conseguiram explicar o que os levaram a essa prática. Com relação ao que os alunos mais gostam na escola, 27,34% deles dizem ser os amigos; 17,27% as quadras; 5,76% os recursos didáticos disponíveis na escola, como laboratório, sala de informática e biblioteca; 13,67% o ensino do IEG; 10,07% os professores; e os 25,89% restantes, outras respostas. Já quando foi perguntado o que eles menos gostam na escola, a grande maioria (51,08%) respondeu a respeito da destruição da estrutura física da escola, com ênfase nos banheiros; 7,91% se disseram insatisfeitos com a organização da escola; 28,06% responderam outros elementos e 12,95% não responderam. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho realizado durante a disciplina Estágio Curricular Supervisionado na escola em questão demonstrou que os alunos do Ensino Médio que responderam ao questionário justificam as agressões ao espaço físico da escola por esta já se encontrar em uma situação precária, necessitando de reformas, manutenção. Os resultados obtidos superaram as expectativas, pois diferente do esperado, grande parte dos alunos se sente parte da escola e já se dizem preocupados com a preservação da mesma. Considerando o limitado conhecimento dos alunos sobre a história da sua escola, acreditamos este ser um importante artifício a ser utilizado como sensibilizador e instrumento para a utilização da interdisciplinaridade a favor do sentimento de conservação por parte do aluno. O diagnóstico foi feito visando a mudança que parte do contexto do aluno, dessa forma, o educador comprometido com a construção de um projeto transformador constrói a sua docência voltada para a autonomia do educando, valorizando e respeitando a sua cultura e o seu acervo de conhecimentos empíricos junto a sua individualidade (FREIRE, 2000). Nesse sentido, o trabalho de formação de professores voltado para a educação popular também deve exercitar processos de emancipação individual e coletiva, estimulando e possibilitando a intervenção no mundo, a partir de um sonho ético-político da superação da realidade injusta (FREIRE, 2000). REFERÊNCIAS FLECHA, R.; TORTAJADA, I. Desafios e saídas educativas na entrada do século. In: A Educação no século XXI: os desafios do futuro imediato/ org. Francisco Imberón; trad. Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Ed. Paz e Terra, LUDKE, Menga; ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, MARTINS, Jorge Santos. Projetos de pesquisa: estratégias de ensino e aprendizagem em sala de aula. Campinas, SP: Armazém do Ipê, MATOS, K.S.L.; VIEIRA, S.L. Pesquisa Educacional: o prazer de conhecer. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, UECE, SACRISTÁN, José Gimeno. A Educação Obrigatória: Seu sentido educativo social. São Paulo: ARTMED, SACRISTÁN, José Gimeno. A Educação que temos, a Educação que Queremos, in: A Educação no século XXI: os desafios do futuro imediato/ org. Francisco Imberón; trad. Ernani Rosa. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, TARDIF, M & LESSARD, C. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Petrópolis, RJ: Editora Vozes,
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