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AEB Análise da Balança Comercial Brasileira 2014.pdf

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Balança Comercial Brasileira no vermelho, em 2014 Déficit de US$ 3,9 bilhões interrompe ciclo de 13 anos de superávits Nos 253 dias úteis de 2014, o Brasil vendeu bens ao exterior em valor menor que o gasto com compras de bens estrangeiros, produzindo receitas de exportação de US$ 225,101 bilhões, contra dispêndios de US$ 229,031bilhões de importações, levando a que o comércio exterior brasileiro, no ano, tenha produzido déficit de US$ 3,930 bilhões, o primeiro vermelho desde 2001, ou o primeir
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    1 Balança Comercial Brasileira no vermelho, em 2014 Déficit de US$ 3,9 bilhões interrompe ciclo de 13 anos de superávits Nos 253 dias úteis de 2014, o Brasil vendeu bens ao exterior em valor menor que o gasto com compras de bens estrangeiros, produzindo receitas de exportação de US$ 225,101 bilhões, contra dispêndios de US$ 229,031bilhões de importações, levando a que o comércio exterior brasileiro, no ano, tenha produzido déficit de US$ 3,930 bilhões, o primeiro vermelho desde 2001, ou o primeiro em que o comércio deixou de obter receita líquida de exportação. Os números apontam para quedas gêmeas, ou seja, nos dois lados da corrente de comércio brasileiro com o exterior, sendo que as exportações caíram mais (- 7,0 %) do que se reduziram as importações (- 4,4%). A titulo ilustrativo, se consideradas, apenas, as cifras de exportação classificadas nos grupos de agregados, como especificados nas estatísticas, o déficit, em 2014, teria beirado os US$ 10 bilhões. O efetivo déficit de US$ 3,9 bilhões, se deu em razão do saldo positivo de US$ 6,267 bilhões gerado pelo grupo de “operações especiais, consumo de bordo e reexportação” , preponderantemente relativas a fornecimentos, realizados no país, destinados a consumo por/em aeronaves e navios, não incluídos em nenhum dos “grupos de fator agregado”, tendo sido este o único grupo de exportações a contabilizar aumento (+13,1%) com relação ao de 2013.   A corrente de comércio (exportação + importação), que, em 2013, tinha crescido 72%, com relação à de 2009, em 2014 sofreu queda (-5,7%), comparativamente ao montante de 2013, também se reduzindo as exportações de todos os grupos de agregados, com queda nas vendas de básicos (-3,1%), semimanufaturados (-4,8%) e manufaturados (-13,7%), ficando menor o comércio do país com o exterior. Com isto, o Brasil “perdeu”, no geral, receitas brutas de exportação (valor exportado a menor, em valor) da ordem de quase US$ 17 bilhões, em 2014, com relação ao valor exportado em 2013. O conjunto de produtos do grupo de básicos – que segue sendo a maior fonte de geração de divisas de exportação do país – foi responsável por parcela de quase US$ 3,5 bilhões (21%) daquela perda geral de receitas, em razão da diminuição de suas exportações, comparativamente a 2013. Visto isoladamente, o comportamento (em valor) apenas dos produtos que compõem a lista dos tradicionais dez produtos mais vendidos dentre commodities - os quais vêm crescendo participação na composição do valor total das receitas de exportação, situando-se, em 2014 (ver tabela 4), em 43,4% - melhor se visualiza o impacto do comércio de básicos nos resultados gerais da balança comercial.    2 De fato, consideradas as exportações de apenas 4 dos produtos daquela lista, a baixa nas contribuição de receitas de exportação em 2014, relativamente aos montantes de 2013, chegou a US$ 9,9 bilhões: apenas o minério de ferro, o 1º produto de exportação brasileira (em 2014, com 11,5% de participação sobre o valor total das exportações) registrou “perda” de receita da ordem de US$ 6,67 bilhões. Os quase US$ 6 bilhões de ganhos de divisas via aumentos de exportações dos demais 6 produtos desta lista, dentre os quais os 2% de aumento do valor exportado de soja, 2º item na pauta de exportação de commodities (com 10,3% sobre o valor geral das exportações, em 2014) não foram suficientes para compensar, sequer, a redução referente aos produtos que tiveram reduzidos seus valores de exportação, vis-à-vis valores de 2013. É como se, na prática, tivesse sido marginal (ou quase nulo) o incremento das exportações do conjunto destes dez produtos, no ano, com relação aos valores por eles propiciados, em 2013. Já a “perda” bruta de exportação de manufaturados, em 2014, no montante de US$ 12,735 bilhões, relativamente ao valor das exportações do grupo em 2013, é conseqüência de reduções de dois dígitos baixos em vários itens, como aviões (-10,4%), automóveis (-41,8%), motores para automóveis (-16,2%), veículos de carga (-74,4%) e de açúcar refinado (-25%), além de severa redução ( -74,4%) no valor das exportações de “plataforma /extração de petróleo”. Aliás, relembre-se que foram as exportações de plataformas – equipamento que, embora não saia do país, fisicamente, sob todos os aspectos legais, inclusive fiscais, é considerado como exportado e, portanto, gerando divisas de exportação  – ajudou a que, já em 2013, não tivesse sido gerado déficit na balança comercial. O resultado da balança comercial de 2014 marca a interrupção de uma série de 13 anos (2001-2013) de sucessivos superávits comerciais – que sucedera a outra série de saldos positivos de 14 anos (1981-1994) separadas por ciclo de 6 anos de déficits (1995 e 2000) - durante a qual a força produtiva do Brasil deu contribuição positiva para o Balanço de Pagamentos, gerando receitas que, além de suficientes para arcar com todos os dispêndios de importações de bens estrangeiros, foi fonte de recursos que permitiu avolumar poupança em divisas (a custo zero) da ordem de US$ 327 bilhões, compondo e engrossando as reservas internacionais que o país hoje ostenta. As tabelas seguintes mostram comparativos dos números da balança comercial em anos selecionados, consideradas, no caso de 2014, apenas as cifras até a 3ª semana de novembro, uma vez que, quando da divulgação (preliminar) do resultado para o ano completo, ocorrida em 05.01.2015, as desagregações por grupo de produtos não estavam disponíveis harmonizadas para exportações e importações, nestas sendo destacadas as compras no exterior consolidadas por “categoria de uso” e naquela, as vendas ao exterior consolidadas por “fator agregado”. Por isso, alguns ajustes deverão ser considerados como necessários para maior precisão das comparações das cifras mencionadas nas referidas tabelas, não se podendo, por exemplo, destacar o resultado do comércio exterior da indústria em todo o ano, embora sabido que, até a 3ª semana de 2014, o déficit do setor havia chegado a US$ 102 bilhões, próximo dos US$ 105 bilhões, de 2013. As análises feitas pelo MDIC a partir dos dados divulgados (que se encontram disponíveis nas páginas do ministério e da AEB), contudo,    3 não diferem, substancialmente, das considerações expendidas a partir dos dados desdobrados até então 1,5disponíveis. Tabela 1 BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA US$ milhões GRUPOS 2009 2013 2014 POR FATOR AGREGADO 1. BÁSICOS Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 61.957 113.023 109.556 Importação 18.730 33.322 31.587 Sub-total (1) 80.687 43.227 146.345 79.701 141.143 77.969 2.SEMIMANUFATURADOS Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 20.499 30.526 29.065 Importação 5.101 8.188 7.818 Sub-total (2) 25.600 15.398 38.714 22.338 36.883 21.247 3. MANUFATURADOS Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 67.349 93.090 80.211 Importação 103.817 198.111 189.655 Sub-total (3) 171.166 -36.468 291.201 -105.021 269.866 -109.444  Sub-total (1 +2 +(3) 277.453 22.157 476.260 -2.982 413.628 - 10.228 4. OPERAÇÕES ESPECIAIS Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 3.189 5.540 6.268 Importação n/a n/a n/a Sub-total (4) 3.189 3.189 5.540 5.540 6.268 6.268 Total (1+2+3+4) Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 152.994 242.179 225.101 Importação 127.648 239.621 229.060 280.642 25.346 481.800 2.558 454.161 -3.959 Fonte: MDIC/SECEX Elaboração: AEB    4 Tabela 2 BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA US$ milhões GRUPOS 2009 2013 2014 POR CATEGORIA DE USO 1. BENS DE CAPITAL Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 16.045 27.884 20.143 Importação 29.690 - 51.653 47.715 Sub-total (1) 45.735 -13.645 79.537 -23.769 67.858 -27.572  2. BENS DE CONSUMO Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 31.147 40.091 36.763 Importação 21.523 40.963 38.826 Sub-total (2) 52.670 9.624 81.054 -872 75.589 - 2.063  3.COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo   Exportação 13.548 17.545 20.340 Importação 16.745 40.502 39.545 Sub-total (3) 30.293 -3.197 58.047 -22.957 59.885 -19.205  4. MAT. PRIMAS E BENS INTERMEDIÁRIOS Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 89.459 151.822 143.061 Importação 59.689 106.502 102.975 Sub-total (4) 149.148 29.770 258.324 45.320 246.036 41.025 Sub-total (1+2+3+4) 277.846 22.552 476.962 -2.278 449.368 - 7.815 5. OPERAÇÕES ESPECIAIS  Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 2.796 4.829 4.794 Importação n/a n/a n/a Sub-total (5) 2.796 2.796 4.829 4.829 4.794 4.794 Total (1+2+3+4+5) Corrente Saldo Corrente Saldo Corrente Saldo Exportação 152.995 242.171 225.101 Importação 127.647 239.620 229.060 280.642 25.348 481.791 2.551 454.161 - 3.021 Fonte: MDIC/SECEX Elaboração: AEB
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