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Aglay Sanchez - Da Magia à Sedução - a importância das atividades educativas em Museu de Arte

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DA MAGIA A SEDUÇÃO: a importância das atividades educativas não-formais realizadas em Museus de Arte Aglay Sanches Fronza-Martins Mestranda em Educação pela Unicamp Especialista em Museologia pela USP Professora da Faculdade Comunitária de Campinas - Unidade 3 e da Faculdade Comunitária de Santa Bárbara e-mail: profa_aglay@yahoo.com.br Resumo A questão da educação em museus possui um importante foco de interesse na atualidade, tanto no que diz respeito ao seu papel social, quanto no que se ref
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  71 DA MAGIA A SEDUÇÃO:a importância das atividades educativasnão-formais realizadas em Museusde Arte Aglay Sanches Fronza-Martins Mestranda em Educação pela UnicampEspecialista em Museologia pela USPProfessora da Faculdade Comunitária de Campinas - Unidade 3 e daFaculdade Comunitária de Santa Bárbarae-mail: profa_aglay@yahoo.com.br  Resumo A questão da educação em museus possui umimportante foco de interesse na atualidade, tanto no quediz respeito ao seu papel social, quanto no que se refereàs práticas realizadas nesse espaço e suas possíveisreflexões. Percebe-se o interesse não apenas naorganização e preservação de acervos, mas também naênfase da compreensão, desenvolvimento e promoçãoda divulgação, bem como na formação de público comoforma de disseminar conhecimentos por meio de umaação educativa. Ação Educativa realizada dentro do novo processo educativo não-formal que ressalva oenvolvimento das pessoas no e pelo processo ensino-aprendizagem enquanto uma relação prazerosa com oaprender. Palavras-chave: Educação não-formal, Ação-educativa, museus. Abstract The Education theme in museums has an importantfocus nowadays, not only for its social role, but also for the practices carried through in this space and their reflections possibilities. The interest about the organizationand preservation of the quantities of museums is also perceived in the emphasis in compreehension,development and promotion of the spreading, as well asin the public formation like a way of spreading knowledgethrough means of an educative action. Educative actioncarried through in a new no-formal educative processwhich stands out the people’s involvement in the and bythe process of teaching-learning while a pleasantrelationship with learning. Key- words:  No-formal Education, Educative-Action, museums.A questão da educação atualmente é um dosenfoques dados pelos museus que possui granderelevância, enfatizando tanto as práticas por elerealizadas, quanto as reflexões decorrentes de tal enfoque. No final da década de 1960, persistia o interesse pelo público, mas com uma pequena modificação namaneira de atendê-lo. Cresce, nessa época, a  72  preocupação em se criar exposições mais atraentes quefossem mais estimulantes para os freqüentadores.Percebe-se, a partir dessa fase, um maior crescimentono número de museus e um certo prestígio e valorizaçãoda educação nos museus, vista enquanto ‘signo demodernidade’.Segundo Argan (1993), a multiplicação dosmuseus resultou na recusa de considerá-los como umlocal de simples armazenamento de obras de arte, passando a serem vistos como: “...organismos científicos e didáticos,dotados de equipamentos especiais para oreconhecimento, a análise, a classificação,a conservação e a apresentação crítica de produtos artísticos manufaturados dequalquer gênero. Museus adequados sãodestinados à arte contemporânea,concebidos como instrumentos de pesquisa ede informação, sem limites de região ounação”. (Ibdem: 23) A educação possui, a partir dessa nova visão, localde destaque enquanto uma das funções centrais domuseu.Se precedermos a uma analogia entre a educaçãonão –formal, e aquela realizada nos museus(conseqüentemente a atividade educativa, quandoexistente), pressupõem-se que: “... a transmissão do conhecimento acontecede forma não obrigatória e sem a existênciade mecanismos de repreensão em caso de não-aprendizado, pois as pessoas estãoenvolvidas no e pelo processo ensino-aprendizagem e têm uma relação prazerosacom o aprender”.   (VON SIMSON , PARK, FERNANDES, 2001: 10) O museu enquanto espaço de educação não-formal (Cabral, 2002) se constitui numa instituiçãoeducacional autônoma, que tem como objeto de trabalhoo bem cultural. “A educação que se desenvolve no museu é o que se chama de ‘educação patrimonial’,ou seja, um ‘processo permanente e sistemático’ de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural (tangível ouintangível) como fonte primária deconhecimento e enriquecimento individual ecoletivo”. (Ibdem: 2). Educação Não- Formal O termo Educação Não- Formal não pressupõea inexistência da formalidade ou que seu espaço nãoseja educacional, como reiteram von Simson, Park,Fernandes (2000: 9), na seguinte passagem:”A educaçãonão-formal caracteriza-se por ser uma maneiradiferenciada de trabalhar com a educação, paralelamentea escola” , sendo uma de suas particularidades a busca pelo prazer da descoberta e do desafio na construçãodo conhecimento.Devido a sua especificidade, faz-se importantesalientar a definição conferida por Afonso (1992: 86) noque diz respeito à educação: “(...) por educação formal entende-se o tipode educação organizada com umadeterminada seqüência e proporcionada pelas escolas, enquanto que a designaçãoeducação informal abrange todas as possibilidades educativas no decurso da vidado indivíduo, construindo um processo permanente e não organizado. Por último, aeducação não-formal embora obedeçatambém a uma estrutura e a uma organização(distintas porém das escolares) e possa levar a uma certificação (mesmo que não seja essaa sua finalidade), diverge ainda da educação formal no que respeita a não fixação detempos e a flexibilidade na adaptação dosconteúdos de aprendizagem a cada grupoconcreto.” A educação não-formal, observada no âmbito dosmuseus, possui como um eixo de atuação as atividadesrealizadas nestes sob a denominação de ação educativa.Se precedermos a uma analogia entre a educaçãonão –formal, e aquelas realizadas sob o codinome deatividade educativa, pressupor-se-á que: “... a transmissão do conhecimento acontecede forma não obrigatória e sem a existênciade mecanismos de repreensão em caso denão-aprendizado, pois as pessoas estãoenvolvidas no e pelo processo ensino-aprendizagem e têm uma relação prazerosacom o aprender”. (VON SIMSON , PARK, FERNANDES, 2001: 10) Um dos exemplos de campos alcançados por essaação educativa seria aquela realizada nos museus,, DA MAGIA A SEDUÇÃO: a importância das atividades educativas não-formais realizadas em Museus de Arte  73 contudo, vale ressaltar que a inexistência de formalidade,conforme Barreto (1993), não significa classificar o museue a atividade nele realizada como sendo meramenterecreativa, mas ao contrário deve-se considerá-laessencialmente educativa. O museu possui, então, odesafio, segundo a mesma autora, de transformar osresultados da pesquisa em algo ameno e acessível ao público, sem empobrecer a linguagem científica.Desse modo, no contexto dos museus, a açãoeducativa pode apresentar-se como facilitadora e provedora de um processo prazeroso de ensino-aprendizagem, inserido dentro de uma ação cultural maisampla. O termo Ação Educativa refere-se, segundoTeixeira (1997), às ações de ensino e aprendizagem, quesão centradas na interação entre os visitantes e os objetosque se articulam em uma exposição, mediados por açõeseducacionais. Já o termo Ação Cultural, no contexto dosmuseus, aparece como um conjunto de procedimentos,que envolvem recursos humanos e materiais, visando pôr em prática os objetivos de uma política cultural maisabrangente, não necessariamente vinculados com oacervo ou exposições que o museu apresenta. Sãoexemplos desta ação o funcionamento de bibliotecas, projeções de vídeo ou filmes, ateliês, concertos musicaisque ampliam e diversificam as possibilidades de atuaçãoe aproximação com seus públicos. (op cit.)Assim, de acordo com Cabral (2002: 3): “... a educação [subentendida como açãoeducativa] realizada em museus deveráoperar promovendo atividades baseadas emmetodologias próprias que permitam a formação de um sujeito histórico-social queanalisa criticamente, recria e constrói a partir de um referencial que se situa nos seusobjetos tangíveis ou intangíveis”. Tais atividades deverão considerar o museu como“espaço ideal” - embora não único - de articulação doafetivo, do emotivo, do sensorial e do cognitivo, doabstrato e do conhecimento inteligível, da produção doconhecimento.Partindo do pressuposto da necessidade da açãoeducativa decorrer do fato de que tais: “... atividades de educação não- formal  precisam ser vivenciadas com prazer em local agradável, que permita movimentar-se,expandir-se e improvisar, possibilitandooportunidades de troca de experiências, de formação de grupos (de proximidade, debrincadeiras e de jogos, no caso dascrianças e jovens), de contato e mistura dediferentes de idades e gerações”. (VON SIMSON, PARK, FERNANDES, 2001: 10) A partir de tais considerações, a pesquisa maior da qual foi realizado o recorte para a elaboração desteartigo, visou identificar, descrever e analisar as atividadeseducativas, de caráter não-formal, contemporâneasexistentes nos museus. O relevante papel educativo no espaçoeducativo não-formal museológico  No museu contemporâneo percebe-se arealização de diversas atividades como cursos, ateliês,seminários, monitoria, entre outros bem como atividadesde pesquisa tanto teórica quanto prática. Para arealização de várias atividades educativas utilizam-sediversos suportes educacionais, que vão desde recursoshumanos até materiais mediadores, visando uma maior interação entre os visitantes e a mensagem da exposiçãomuseológica ora em exibição.Vale ressaltar, que a Ação Educativa está presentedentro de um espectro mais amplo conhecido comoAção Cultural, uma vez que os museus da atualidaderealizam diversas outras ações, como ateliês, cursos deformação, projeções de vídeos, bibliotecas, concertosmusicais, entre outros, todos contendo conteúdoseducativos não- formais.A multidisciplinaridade é uma característica cadavez mais utilizada, no que tange as atividades (ações)educativas, uma vez que por meio delas há umaabrangência mais ampla tanto de conteúdos quanto de público. Nota-se então uma modificação da percepçãodo espaço museológico inicial, o qual era envolto por uma névoa sobrenatural e mágica, para uma busca, naatualidade, pelo seu caráter envolvente e sedutor, quesurgiria enquanto um facilitador de tal atividade educativa.A ênfase no caráter educativo similar àquele daeducação não- formal aparece também na definição demuseu, de acordo com os estatutos do ConselhoInternacional de Museus (ICOM), enquanto umainstituição “aberta ao público... com o propósito deestudo, educação e deleite” sendo condizente com adefinição de educação não- formal de von Simson et al  (2001) no que diz respeito ao processo de ensino- DA MAGIA A SEDUÇÃO: a importância das atividades educativas não-formais realizadas em Museus de Arte  74 aprendizagem como sendo “uma relação prazerosacom o aprender”. Alguns pontos, no que tange a Ação Educativanos museus são interessantes, como a realização deatividades prévias que em alguns museus são aquelasrealizadas necessariamente antes da visita. Um exemploseria a capacitação de professores e responsáveis por grupos, bem como o fornecimento de materiais de apoio para o trabalho com grupo.A existência de cursos de capacitação para professores e/ou educadores, por propiciar o contato prévio com os recursos oferecidos pelos museus(exposições, materiais didáticos, vídeos, catálogos eestratégias didáticas) resultam em um melhor aproveitamento por parte do grupo.Bem como é relevante a utilização de material deapoio. Por material de apoio pode-se considerar aquelesentregues aos professores e/ou educadores que participam de cursos de capacitação;  folders ; materiaisdidáticos entregues aos professores para trabalhar emsala de aula (como kits , pranchas de imagens etransparências); vídeos, entre outros.O trabalho de monitoria, atualmente, de acordocom Coutinho (2002), é fundamentado no diálogo.Através do diálogo é possível instigar as pessoas a participar do exercício de reflexão e criação de sentidos pertinentes a uma leitura de obras de arte. A obra dearte é o ponto de partida e referência, o monitor omediador, o espectador é parte integrante do processo,todos são elementos coadjuvantes na experiência. No Brasil, de acordo com Francoio (2000), otrabalho do arte-educador em museus inicia-se na décadade 1950 no Rio de Janeiro. Contudo, somente no iníciodos anos 80, do século passado foi que o papel daeducação tomou vulto dentro do museu, enfatizando osurgimento de uma nova tendência pedagógica histórico-crítica, onde os saberes socialmente acumulados (museu)são colocados frente às experiências dos visitantes. Cujoobjetivo principal, ainda segundo a autora, é o de por meio dos serviços educativos realizados no âmbito dosmuseus, instruir o educando de “forma significativa”,levando em conta os “aspectos sociais e cognitivosenvolvidos nesse processo, facilitando-lhe o acesso aosdados da cultura”.A relação com o público possui um vínculohistórico importante com a ação educativa. As coleções,nos séculos XV e XVI, exprimiam o  status e poder daquele que as possuía. A relação mantida entre os proprietários de coleções de objetos de arte e objetoscientíficos, nessa época, além de imprimir poder e prestígio também mantinha e privilegiava a transmissãode tais conhecimentos somente àqueles que pertenciama determinado grupo social. Restringindo-se tal acessoe conhecimento a um público restrito.Posteriormente, houve uma grande busca pelosobjetos “guardados” no museu, nos museus de arte ofuncionamento restringia-se quase totalmente aos artistas(público especial) somente sendo aberto aos domingos para o grande público, e os museus de ciências podiamser acessados por pesquisadores, sendo as coleçõesentão usadas como suporte de estudos, iniciando umoutro enfoque de interesse dos museus contemporâneos,o estudo e a difusão do conhecimento.Foi por meio do interesse de determinado grupo populacional, no caso do Musée du Louvre , com oadvento da burguesia, que tal grupo interessado em“educar” o povo, passando os museus a serem vistos,conforme descrito anteriormente, como instituição provedora da educação das massas.Mortara et al  (2003) enfatizam a questão de atendência a se homogeneizar um público heterogêneoser errônea e estar relacionada ao tratamento dispensado pelos meios de comunicação de massa. As autorasressaltam a importância de se utilizar o termo no plural“públicos” e só tratar no singular quando representar umgrupo com comportamentos e idéias semelhantes. Outra possibilidade é agregar ao termo “público” uma segunda palavra especificadora, como público escolar, públicoespecial (enquanto grupos organizados) e público familiar (público autônomo ou espontâneo), além daqueles quevêm por conta própria. Ainda sobre público poder-se-ácategoriza-los em três tipos: ã Público visitante - pessoas que efetivamentefreqüentam o museu; ã Público potencial - pessoas as quais se pretendem atingir pela ação do museu;Público alvo - seleção dentro do público potenciala qual se pretende atingir por meio de uma ação ouatividade específica. Considerações finais A ênfase dada aos bens culturais e acesso a “fontesda cultura” valoriza a cultura sócio-historicamenteacumulada e, conseqüentemente, os espaços em que elasse encontram, ênfase dada por esse artigo aos museus, DA MAGIA A SEDUÇÃO: a importância das atividades educativas não-formais realizadas em Museus de Arte
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