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Análise Audiovisual_Twin Peaks

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    ANÁLISE AUDIOVISUAL DO EPISÓDIO “BEYOND LIFE ND DE TH”  TWIN PEAKS) Aluna: Ana Margarida Nogueira (A86766) Docente: Pedro Flores Unidade Curricular: Atelier de Audiovisual ______________________________________________________________ Introdução Para a realização desta análise decidi escolher o episódio 22 da segunda temporada da série Twin Peaks (1990-1991), criada por Mark Frost e David Lynch. Assim, este episódio será analisado sob o espetro do som, dos adereços e dos planos, com o objetivo de analisar e/ou interpretar a sua importância para o significado global da série, utilizando este episódio como representativo da mesma.  Relativamente ao primeiro elemento, a razão pela qual escolhi desenvolver a temática sonora debruça-se sobre o facto de que, não só nesta série como em todas as obras cinematográficas de David Lynch, o som desempenha um papel fulcral na série, até icónico. Por outro lado, o recurso aos adereços deve-se ao facto de que são um elemento relevante para o avanço coerente do enredo. Estes serão identificados no desenvolvimento da análise. Som Sound and picture in cinema move together through time. - David Lynch Leit-Motif As criações de David Lynch, e sobretudo Twin Peaks, são revestidas de uma forte sensibilidade, sendo a música e som uma forma de levar o espectador a experienciar as mais variadas sensações num espaço de minutos (“ O som é quase como uma droga. É tão puro que quando chega aos ouvidos, instantaneamente te faz sentir algo. ” –  David Lynch, citado pelo The Guardian). Deste modo, tomando o episódio analisado como referência, o diretor recorre desde o início da série a leit-motifs (som não diegético), quer associados a personagens, quer associados a momentos do enredo, permitindo que o espectador, só pelo recurso ao som, possa adivinhar a cena que está para vir. Para corroborar a afirmação anterior, é possível recorrer à cena em que Donna descobre quem é o seu pai biológico –  Benjamin Horne, e prepara-se para sair de casa (minuto 11:57). Neste momento começa a tocar a música que surgiu pela primeira  vez quando o corpo de Laura Palmer foi encontrado. Esta surge imperiosamente em momentos de tensão, tristeza e aflição, visando reforçar a cena em questão, pelo que esta acaba por culminar em desastre e aflição, onde Hayward –  pai adotivo de Donna; acaba por agredir Benjamin, que nunca deveria ter contado a verdade a Donna (minuto 13:18 –  13:36). Por outro lado, destaca-se outro leit-motif em duas cenas distintas: primeiramente, surge quando Harry, Cooper e o Deputy Hawk estão na sala de investigação (minuto 02:43 e  presente na figura 7). Posteriormente, surge a música novamente quando Harry e Cooper estão na floresta em busca do Black Lodge (minuto 15:15). Tendo em conta estas duas cenas, é indubitável que este leit motif manifesta-se quando se tratam de cenários com um clima misterioso e tenso; de busca incessante pelo desconhecido (ver figura 2). Voz: Para além deste aspeto de associação que a música e o som podem incorporar, este segundo pode também funcionar como metadiegético, como é o exemplo da cena em que Harry, Cooper e Hawk encontram-se na sala de investigação. Face ao mistério que têm à frente, Cooper repete e sussur ra “Fire, walk with me” , num esforço por tentar compreender o que significa não só essa frase, mas tudo aquilo que lhe é apresentado (minuto 03:01 –  03:05).   Do mesmo modo, David Lynch recorre ao uso da música diegética para transmitir um presságio. Assim, a canção tem início quando a personagem Dale Cooper entra no Black Lodge (minuto 18:34 –  20:43), e pode funcionar como uma música de boas vindas, uma  vez que as sycamore trees   são a entrada para o mesmo. Mas não só, tratando-se de um presságio, pode também significar um encontro entre Dale Cooper e o seu dopplegänger, na medida em que a letra refere “I’ll see you and you’ll see me”.   A canção poderá estar também a indicar o eterno aprisionamento daqueles que lá entram e não podem mais sair, sendo algo que poderá acontecer a Dale Cooper, se não passar no teste proposto no Black Lodge –   que é o de enfrentar o seu “eu” obscuro.   Importante ainda será destacar a cena em que Sarah Palmer, mãe de Laura Palmer, tem uma súbdita mudança no seu tom de voz –  som diegético (minuto 30:31; ver figura 12), revelando que esta já não é ela mesma, pelo menos não na cena em questão, mas que foi possuída. Ademais, é oportuno ter em conta, à luz da temática sonora, a técnica utilizada para distorcer as vozes de quem habita no Black Lodge. Os atores, num momento que antecede a Figura 2 (minuto 15:33)  rodagem, têm que pronunciar as suas falas ao contrário em gravação e depois, David Lynch  volta reverter as suas falas, resultando numa pronúncia difícil de compreender –  portanto, pode-se dizer que se trata de um diegético, porque apesar das vozes serem alteradas depois da sua gravação, continua a ter como fonte e/ou base a sua voz. Esta distorção permite distinguir os inquilinos do Black Lodge daqueles que ainda não foram consumidos pelo mesmo; bem como pretende reforçar o papel sobrenatural do lugar. Um exemplo presente no episódio em análise encontra- se no minuto 31:28 quando o “The Man From Another Place” diz “when you see me again, it won’t be me”.  É relevante referir que a música começa com um timbre sereno e harmonioso. No entanto, quando o ambiente se torna mais obscuro (com o recurso a um jogo de luzes), a música acompanha essa tendência e transforma-se num tom mais sombrio. À parte das vozes, e quando, por exemplo, o “The Man From Another Place começa a dançar” (minuto  18:58 –  19:27), o efeito usado para reforçar os seus passos (som não-diegético, uma vez que se trata de um efeito adicionado em pós-rodagem) visa, para além do que já foi referido, acentuar o movimento do mesmo, assim como os seus comportamentos excêntricos. Finalmente, e já no fim do episódio, quando Cooper se dirige à casa de banho para lavar os dentes, é possível ouvir um grito agudo –  que muitos dizem ser de Laura Palmer; que tem como objetivo ressaltar a possessão de Cooper pelo Bob (ver figura 3). Mas não só, apesar de não ter nenhum efeito especial (portanto, é um som diegético), a voz de Dale Cooper altera para um tom mais sarcástico e até maligno, prova secundária que demonstra que foi tomado, assim como Sarah Palmer, por algo maior que ele.
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