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Antero de Quental sintese de textos teóricos

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Para uma leitura da poesia de ANTERO DE QUENTAL Mais do que uma obra poética, a obra de Antero de Quental é uma obra filosófica. Antero é o primeiro vulto português cuja poesia aponta para aspetos de ordem político-social e religiosa. Por detrás dela está um revolucionário desesperado pelo facto de a Nova Ideia – O Socialismo – não ter ainda exercido qualquer influência em Portugal. A poesia de Antero pode dividir-se em três grandes blocos: 1. ―Primaveras Românticas‖ – que são poesia de tendênc
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  André Costa 2012 1 Para uma leitura da poesia de ANTERO DE QUENTAL Mais do que uma obra poética, a obra de Antero de Quental é uma obra filosófica. Antero é o primeiro vulto português cuja poesia aponta para aspetos de ordem político-social e religiosa. Por detrás dela está um revolucionário desesperado pelo facto de a Nova Ideia  –  O Socialismo  –  não ter ainda exercido qualquer influência em Portugal. A poesia de Antero pode dividir-se em três grandes blocos: 1.   ― Primaveras Românticas ‖    –  que são poesia de tendência romântica, filiada na escola de João de Deus; 2.   ― Odes Modernas ‖    –  são poesia intervencionista e de cariz político que coincide com uma fase de atuação política ditada pelo socialismo humanista de Proudhon. 3.   ― Sonetos ‖    –  onde se abordam problemas da existência, da ontologia, do misticismo. A poesia de Antero é uma poesia grandiosa, de púlpito, de comício, discursiva tal como a de Alexandre Herculano. É uma poesia de apostolado político-social que apela às reflexões conducentes a uma transformação suscetível de se operar pela fermentação da Ideia Nova da Razão, ― Irmã do Amor e da Justiça ‖ , e cujas bases ideológicas assentam na Dialética de Hegel e no socialismo de Proudhon. A sua existência, posto que breve, decorreu em atitude moral e intelectual que explica a influência que exerceu e o renome que deixou. Os seus contemporâneos, particularmente Eça de Queirós que o elogia, dizendo dele que era ― um génio, que era um santo ‖    –  falam da sedução exercida pelo seu espírito sobre a mocidade académica do tempo, com o seu talento poético, a sua culta e penetrante inteligência, a sua lúcida e persuasiva alocução, a sus desassombrada hombridade e abnegado ardor prosélito  –   ― um bardo dos tempos novos, despertando almas, anunciando verdades... ‖  Foi o guia da Academia em todos os movimentos provocados pelo conflito entre o conservantismo universitário e o espírito inconformista dos estudantes que opunham às doutrinas ultrapassadas tudo quanto de renovador da cultura lhes vinha de Além-Pirinéus. Antero provocava no Portugal conformista e mascarado do Ultra-Romantismo, o movimento de ideias que haviam de acelerar o passo pelo ritmo dos países mais cultos da Europa. Explicitou a Missão Social da Poesia dizendo não ser ela a captação para volúpia dos sentidos, do pinturesco da Natureza ou da vida, nem o harmonioso eco trovadoresco das velhas coitas. Cumpre à poesia moderna esquecer as eternas Elviras, para se ocupar da humanidade. (...) Os sonetos por que exprimia a sua angústia metafísica eram profundamente pessimistas. O poeta confessava o anseio de, fugindo à luta, dormir no seio profundo do Não-Ser e abraçar a Morte: «Nesta viagem pelo ermo espaço / Só busco o teu encontro e o teu braço, / Morte! Irmã do Amor e da Verdade!» Aí se expõe uma filosofia que vê na Morte o único processo de libertação das forças inconscientes que determinam o destino do Ho-mem. É a Morte ― a única Beatriz consoladora ‖ . E são manifestações desta fase de crise a degradação da ideia de Deus; a desvalorização da Vida; aceitação da Morte, quando não apelo para ela; a dissolução da consciência no vácuo tenebroso, na indefinida imobilidade do Nirvana budista em que as forças do desejo e da vida são apenas ― ilusão e vazio universais. ‖  Em Vila do Conde este pessimismo é ultrapassado e surgem os sonetos «Solemnia verba», «Voz interior», «O convertido», «Redenção», «Na mão de Deus». É nesta nova fase que escreve, em 1886, a carta a Fernando Leal, em que o aconselha a ouvir a «voz humilde» que, no fundo do coração, afirma que há alguma coisa «por que vale a pena existir». Esta confiança justifica-a no ensaio sobre ― As tendências gerais da Filosofia na última metade do século XIX. Liberto do desespero, pensa agora que a consciência, longe de se aniquilar, se ampliará na ascensão libertadora Antero é considerado o poeta-filósofo e, neste campo, recebeu a influência de Hegel com a sua Dialética Histórica: a espontânea ordenação dos seres e do Ser numa marcha que é a do próprio espírito e assim, comum à história do Homem tanto como à história do Universo  –  a marcha dialética que se assinala pela sucessão: tese, antítese e síntese. A maneira como Antero formula os problemas centrais que considera como seus e da sua época é hegeliana. É-o, em primeiro lugar, porque não pretende que a sua formulação seja definitiva e intemporalmente válida; em segundo lugar, porque procura determinar as contradições doutrinárias básicas da sua época (as teses e as antíteses) a fim de as superar numa síntese que servisse, para seu governo. Cf. Jacinto do Prado Coelho, Dicionário da Literatura pp. 891-894. ODES MODERNAS Podemos considerar as Odes Modernas como pertencendo a um género ou de uma inspiração completamente à parte. Segundo o ponto de vista de Antero, ― a Poesia é a confissão sincera do pensamento mais íntimo de uma idade ‖  e, portanto, dadas as condições vigentes, ― Poesia moderna é a voz da Revolução ‖ . A personalidade de Antero constituiu já um exemplo vivo de desconexões verificáveis entre o pensar e o sentir, ou melhor, entre o pensar poético, o pensar prático e o pensar doutrinário.  André Costa 2012 2 Deveríamos imaginá-las declamadas a um público recetivo e largo, capaz de vibração imediata ao ouvir exaltar Garibaldi e estigmatizar o farisaísmo francês. O que se nos comunica o íntimo drama representado pelo poeta e que encontra na série de sonetos ― A Ideia ‖  os seus tons mais justos. O conflito desenrola-se entre dois apelos diferentes daquela mesma devoção inteira, superadora da individualidade imediata e aburguesada que Antero sentiu sempre como apelos de santidade: a santidade tradicional voltada para a transcendência do humano, e uma santidade nova, revolucionária, constantemente unida no poeta aos símbolos ou emblemas da Razão, da luz, do Sol (cf. soneto IV). A Ideia que Antero faz crepitar mais alto é a chama heroica de uma Ideia imanente aos homens, vibrando ainda de ter rompido com o transcendentalismo donde partira, e antes percorrer, na mesma série, a estirada alegoria em que faz noivar o espírito humano com a Ideia, ― lá ‖  não se sabe onde, um ― lá ‖  a converter em ― cá ‖  no ― Céu incorruptível da Consciência ‖ . Sob inspiração das ciências genéticas, das sínteses históricas de Michelet, das utopias de Proudhon e do modelo poético de Víctor Hugo, as Odes  traçam os tópicos de uma epopeia da humanidade. E há uma característica anteriana nestas Odes  que vem de Michelet, Proudhon e Hugo: o uso metafórico de símbolos religiosos consagra-dos. Podemos relacionar as Odes  e a sua informação cultural estrangeira, com a herança de Herculano, pois não se pode ler as Odes  sem se sentir o jeito de visionar a história como uma profusão de grandes catástrofes civilizacionais, um desabar sucessivo de «tronos, religiões, impérios, usos»; simplesmente, o Eterno deixou de ser o Deus bíblico para se converter em Ideia, ante a qual, todos os «deuses cambaleiam». As Odes soam, em grande parte, como uma despedida ao romantismo herculaniano do Passado, «larva macilenta», à «poesia de ruínas», «às saudades, que vêm, como soluços do fundo história!». Mas a grandiloquência mantém-se e com ela um moralismo transferido à justiça revolucionária de Proudhon; a palavra-chave desta transferência é o epíteto de santo, atribuído aos símbolos do novo ideário; e a santificação opera-se, estilisticamente por alegorias for-mulares ou oposições do género  –   missa nova da Liberdade, Evangelho novo da Igualdade, órgão colossal da Revolução, púlpito imanente do peito humano, a cúpula da igreja oposta à do céu infinito, o círio do altar oposto ao sol... Cf. António J. Saraiva e Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, pp.829ss. ANTERO DE QUENTAL 1.   O HOMEM E AS IDEIAS Antero de Quental, como já vimos, pertenceu à Geração de Setenta , foi o principal interveniente da Questão Coimbrã  e participou ativamente na organização e realização das Conferências do Casino . No seu folheto Dignidade das Letras  defendeu uma literatura que se responsabilizasse pelos destinos do povo português, que investigasse as causas da decadência da nossa sociedade. Antero estava assim a contribuir para o estabelecimento do Realismo em Portugal. É preciso, no entanto evitar o erro, frequente, de considerar realista a obra poética de Antero. A análise, quer dos seus Sonetos , quer das Odes Modernas , revela-nos claramente a sua ligação ao idealismo de Hegel e ao Romantismo alemão. Em toda a sua obra, desde Raios de Extinta Luz  e Primaveras Cinzentas  até a Odes Modernas  e Sonetos Completos , Antero manifesta sempre um sentimento de religiosidade e misticismo a par de um sentido revolucionário da vida. Este sentido revolucionário da vida nunca deixa de estar ligado à filosofia de Hegel da transformação segundo a dialética da tese/antítese/síntese e ao conceito de evolução histórica defendido por Michelet (ver, por exemplo, os sonetos Tese e Antítese I e II  . Através de toda a poesia de Antero está latente o conflito interior: o conflito entre o pensar e o sentir. O próprio poeta se deu conta disso: ― Penso como Proudhon, Michelet, como os ativos; magino e sou como o autor da Imitação de Cristo. ‖  Não era a realidade exterior o ponto de partida dos seus poemas, mas a sua alma introvertida. Antero nunca soube abrir os olhos para a vida real, como o fizeram Eça e Cesário Verde. Apoderou-se de sistemas filosóficos, interiorizou-os no seu subconsciente e daí saíram os seus poemas de tom revolucionário e de anseios de justiça social, segundo o socialismo utópico de Proudhon. São assim grande parte dos poemas de Odes Modernas . A sua doença e pessimismo levaram-no a refugiar-se em sistemas filosóficos pessimistas, como o de Schopenhauer e Hartmann. As suas tendências místicas precipitaram-no para o budismo de Nirvana, julgando escapar à ― náusea da realidade ‖  pela aniquilação pessoal. E, então, ao antigo desejo do progresso histórico sucede uma espécie de panteísmo em que Deus se identifica com um mundo em ruína, numa espécie de suicídio universal. É neste estado de espírito que Antero põe termo, pelo suicídio, à sua atormentada vida. Verificamos, portanto, que Antero, apesar da sua intervenção ativa na implantação do Realismo literário em Portugal, na sua vida real e na sua obra não passou de um romântico cheio de ideias revolucionárias e desejoso de uma justiça e solidariedade universais prefiguradas no socialismo utópico de Proudhon. 2.   A OBRA E O ESTILO Podemos fazer, segundo António José Saraiva e Óscar Lopes, in História da Literatura Portuguesa, a seguinte bipartição da obra de Antero: 1. Primaveras Românticas  e Raios de Extinta Luz   (obras da sua juventude); 2. Odes Modernas ;  André Costa 2012 3 3. Os Sonetos . A sua 1.ª fase poética  (poemas da sua juventude) distinguem-se das outras pela maior importância atribuída aos temas amorosos com influências de Lamartine, João de Deus, Mendes Leal, mas onde já se prenunciam os temas das fases seguintes: Deus, o niilismo pessimista, etc.. As Odes Modernas  representam a 2.ª fase poética  de Antero e são uma autêntica voz revolucionária, entoando como que ― a epopeia da humanidade, sob a inspiração das ciências genéticas, das sínteses históricas de Michelet, das utopias de Proudhon e do modelo poético da Légende des Siècles de Hugo ”    (A. J. Saraiva e Óscar Lopes, op. cit.). O próprio Antero afirma em Nota  à primeira edição de Odes Modernas  que a ― poesia é a con-fissão sincera do pensamento mais íntimo de uma idade... a poesia moderna é a voz da revolução ‖ . Foi deste estado de espírito que nasceu a poesia panfletária de Antero. Encontramos através de grande parte dos poemas de Odes Modernas , revelando uma certa negligência estilística, um repetira de metáforas que soam a símbolos religiosos, ao jeito de um certo utopismo romântico: missa nova da liberdade, evangelho novo da igualdade, púlpito imanente do peito humano , etc.. Tudo isto, e ainda a frequência de exclamações e apóstrofes, vem dar a este lirismo de Antero um tom declamatório de raízes românticas. A melhor fase lírica de Antero é, sem dúvida, 3.ª fase    –  os sonetos. O poeta considerava o soneto como a ― forma lírica por excelência ‖ . É que o soneto prestava-se admiravelmente à expressão de sínteses filosóficas de que o poeta tanto gostava. Encontram-se nos seus sonetos alguns traços camonianos e sobretudo bocagianos, como a personificação em maiúscula, o alegorismo e a obsessão da morte, o tom declamatório (com exclamações e apóstrofes) e a adjetivação erudita (mesto, gélido, rudo). Falta, no entanto, a Antero uma observação sensorial mais afinada para que, à maneira do Realismo, captasse rigorosamente a realidade e conferisse à linguagem um maior impressionismo. Isto explica-se de certo modo pela grande atenção que o poeta punha na construção ideológica (conceptual) dos poemas, desprezando em parte o seu embelezamento formal. São notórias as características atrás apontadas, nos poemas: Tormento do Ideal, O Palácio da Ventura, Hino à Razão, Mors Amor, Solemnia Verba,  etc.. Merecem especial referência os poemas religiosos  À Virgem Santíssima, Na Mão de Deus, Deo Ignoto, A um Crucifixo , enquadrados num certo transcendentalismo panteísta próprio do Romantismo alemão e sempre muito caro ao poeta. Há, nesta perspetiva, a identificação do homem (o ― eu ‖ ) com o mundo imperfeito (o mundo real, o mundo da injustiça) e a identificação da Ideia, da perfeição, com Deus, embora um Deus muito vago, um Deus panteísta. A Virgem aparece no poema como a ligação maternal entre o homem (mundo imperfeito) e Deus (mundo da perfeição) A Morte  é dominante na poesia de Antero; ela representa a passagem deste mundo inferior de sofrimento para o mundo ideal de amore de justiça. É verdade que o movimento e a ação aparecem em Antero como fontes de vida, afirmação de existência. Veja-se, por exemplo, o poema  Ad Amicos em que grande parte dos seus lexemas pertence à área semântica que sugere vida: vivo, viver, surgir à luz doirada, no lábio a rir, esperança infinda, ar-dente, intensa plenitude . Aqui se afasta o poeta dos românticos. Mas este mesmo soneto termina com o verso ― Mas melhor que tudo isto é sempre a Morte ‖ . A morte aparece também como sinal de heroísmo, numa linguagem revolucionária: morrer significa viver para sempre na memória dos homens (ver o poema Mais Luz  ). A Noite  é também frequente nos poemas de Antero, que, mais uma vez, se liga assim à estética romântica. A noite, é a presença do além, do desconhecido, das ― coisas tenebrosas ‖ , é o espaço das coisas sagradas, o espaço do divino (ver poema NOX  ). Maria Madalena Gonçalves na sua obra Poesias de  Antero de Quental (Textos Literários) , baseando-se no verso ― Noite irmã da Razão e irmã da Morte ‖  (do soneto Lacrimae Rerum ) e no verso ― Razão, irmã do Amor e da Justiça ‖  (do soneto Hino à Razão), sintetiza as lucubrações filosóficas do poeta sobre o homem e o destino por meio do diagrama seguinte: Na realidade, a dinâmica poética de grande parte dos sonetos filosóficos de Antero gira à volta desta dupla interrogação, que, afinal, é uma só interrogação: qual o destino do homem, colocado entre um mundo de maldade e violência e o mundo ideal imaginado na IDEIA, ou em DEUS? A. Borregana, Perspetivas de Leitura As duas linhas-força da poesia anteriana: 1.   A interrogação horizontal Eu/Mundo    –  a preocupação com o mundo, procurando conhecê-lo, interpretá-lo, compreendê-lo... A busca da justiça, do amor, da verdade, da fraternidade. 2.   A interrogação vertical Eu/Deus    –  a preocupação com Deus, procurando conhecê-lo, interpretá-lo, compreendê-lo... de forma racional. RAZÃO Sujeito   MORTE Relação eu/mundo (interrogação horizontal)  NOITE Relação eu/Deus (interrogação vertical)    André Costa 2012 4 As duas tendências de sentido oposto ou os dois Anteros: 1.   O apolíneo ou luminoso  –  canta o amor e a razão, como fonte da harmonia e do equilíbrio do indivíduo e da sociedade; a aspiração racionalista , a mente iluminada do pensador e do apóstolo . 2.   O noturno  –  canta a noite, o sonho, a morte, o pessimismo, a angústia existencial, o apagamento e a desilusão. As quatro linhas temáticas da evolução poética anteriana: 1.   A expressão do amor: o amor espiritual    O amor espiritual, à maneira de Petrarca; sem a sensualidade da lírica de Garrett.    A mulher é um ser adorável, mas é uma visão .    O idealismo platónico; o devaneio; a evasão romântica... Alguns textos significativos: Abnegação ; Ideal ; Idílio ; (...) 2.   As preocupações sociais, as ideias revolucionárias    Desejo profundo de construir um mundo novo; o homem procura novos caminhos em direção aos ideais a atingir; a ânsia de liberdade.    O mundo (este mundo) está velho e a poesia só está à vontade num mundo novo, jovem, enérgico. (Antero de Quental, in Carta a Carolina Michaëlis, de 7 de Agosto de 1885.)    A importância da poesia e a função do poeta: divulgar e combater, pois a poesia é a voz da revolução que visa a Justiça, o Amor e a Liberdade; poesia é renovação...    A Razão clama pela fraternidade e pela solidariedade; o Amor é fraternidade; a Justiça exige igualdade. Ao tornar a Razão irmã do Amor e da Justiça, há uma preocupação em harmonizar conceitos que nem sempre são fáceis, pois o sentimentalismo, por vezes, entra em conflito com as reflexões da consciência. A Razão deve permitir ao Homem criar a harmonia e levá-lo à Liberdade, só conseguidas pelo Amor e pela Justiça. Em nome da Razão, o Homem tem travado uma luta ao longo dos séculos. A Razão contribui para a harmonia do Universo, para manter a virtude, desenvolver o heroísmo, encontrar a Liberdade e realizar o Homem . Alguns textos significativos: A um Poeta ; Evolução ; Hino à Razão ; Tese e Antítese ; A Ideia  –  III ; A Ideia  –  IV ; (...) 3.   O pessimismo e a evasão    A busca da evasão através do sonho; incapacidade de adaptação ao real; as conotações positivas associadas ao sonho: eleva o espírito, atenua o sofrimento...    Expressão de um ideal religioso. Alguns textos significativos: O Palácio da Ventura ; Despondency ; Nox ; (...) 4.   A metafísica, Deus e a Morte    O meu pessimismo tem-se desvanecido com esta vida contemplativa no meio da boa natureza. Reconheci que andar por toda a parte a proclamar, com voz lúgubre, que o mundo é vão, era ainda uma última vaidade... (Antero de Quental, in Carta a João de Deus, de 20 de Julho de 1882.)    O poeta busca, de forma racional, o ideal transcendente.    A dificuldade de conciliação entre o artista, o fidalgo e o filósofo com a plebe operária (nas palavras de Eça).    O abandono; o descanso merecido após tantas lutas; a resignação após o desencanto. Alguns textos significativos: Na Mão de Deus ; Salmo ; A um Crucifixo ; À Virgem Santíssima ; Solemnia Verba ; (...) In GONÇALVES, Maria Madalena (1981): Poesias de Antero de Quental, Lisboa, Seara Nova. SÉRGIO, António (1972): Antero de Quental, Sonetos (edição organizada, prefaciada e anotada), Lisboa, Sá da Costa. A obra deste autor afirma, frequentemente, a missão social da poesia, daí o seu papel ativo no conflito entre o conservadorismo inconformista como se pode ver na Questão Coimbrã . Toda a sua vida é pautada pela ânsia constante de renovação. Foi um poeta profundamente filosófico, obcecado pela aannttí í tteessee eessppiir r iittuuaalliissmmoo ee lliibbeer r ddaaddee 11 , que pretendia resolver. Esta angústia era demasiado forte, e só encontrou resposta  com o suicídio a 11 de Setembro de 1891. 1 Em 1890 publica um ensaio sobre as ―tendências da filosofia da última metade do Séc. XIX‖ e, com voz humilde, afirma que há alguma coisa ―por que vale a pena existir‖. Agora trata -se de uma realidade onde o ser em potência se vai realizando até à plenitude. Na sua filosofia, Antero renega sempre aquilo que é dedutivo, uma vez que o método científico e indutivo. É a antítese espiritualismo e liberdade , mecanismo e determinismo  que Antero procura resolver.

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Aug 19, 2017
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